Os Melhores Passeios na Cidade de Cartagena na Colômbia

Os melhores passeios em Cartagena na Colômbia incluem o tour pela cidade amuralhada, o Castillo de San Felipe, o passeio pelas Islas del Rosario, o pôr do sol nas muralhas, o tour gastronômico em Getsemaní e a visita histórica ao Palácio da Inquisição.

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Cartagena é uma daquelas cidades em que o desafio não é encontrar coisas para fazer, é decidir o que deixar de fora. A oferta de passeios é tão variada que dá para montar roteiros completamente diferentes para o mesmo destino, dependendo do perfil do viajante. Tem quem curta história e queira passar dias mergulhando em fortes, igrejas e museus. Tem quem foque em praia e ilhas paradisíacas. Tem quem priorize gastronomia, música e vida noturna. E tem quem queira um pouco de tudo. A boa notícia é que Cartagena entrega bem em todas essas frentes.

Como consultor que já organizou inúmeros roteiros pelo Caribe colombiano, vou apresentar aqui os passeios que considero os mais valiosos da cidade, com foco no que realmente vale a pena, com avaliação honesta sobre o que cada um oferece, e algumas dicas de quem aprendeu na prática a separar passeio bom de armadilha turística. Cartagena tem muitas armadilhas, vale alertar logo de cara.

City tour pela Cidade Amuralhada

Esse é, sem hesitação, o passeio mais essencial de Cartagena. Não dá para ir embora sem caminhar pelas ruas do centro histórico, declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO desde 1984. E digo “caminhar” porque essa é a melhor forma de explorar a área. A Cidade Amuralhada é compacta, plana, com ruas estreitas projetadas para pedestres muito antes do automóvel existir.

Existem várias maneiras de fazer esse city tour. A mais popular é o free walking tour, conduzido por guias locais que trabalham por gorjeta no final, com saídas frequentes da Plaza de los Coches ou da Plaza Santo Domingo. A duração costuma ser de 2 a 3 horas, e o roteiro padrão passa pelos principais pontos: Torre del Reloj, Plaza de los Coches, Plaza de la Aduana, Plaza Santo Domingo, Plaza Bolívar, Catedral de Santa Catalina, e termina geralmente em algum ponto das muralhas com vista para o mar.

Quem prefere mais conforto e profundidade pode contratar um tour privado, geralmente com guia historiador, que aprofunda os relatos sobre piratas, cercos militares, tráfico negreiro e o cotidiano colonial. Os preços variam bastante, mas a diferença em qualidade da informação costuma justificar o investimento para quem é apaixonado por história.

Outra opção mais turística é o passeio de charrete pelas ruas do centro. Romântico em teoria, problemático na prática. Já vi muito turista contratar achando que era uma experiência tradicional, e descobrir depois que envolve cobrança bem acima do combinado, cavalos em condições nem sempre ideais e percurso curto demais. Recomendo evitar.

Uma alternativa que costumo sugerir é o passeio de bicicleta pelo centro histórico, geralmente feito no início da manhã ou no fim da tarde, quando o calor diminui. É leve, divertido, cobre mais terreno em menos tempo, e dá pra fechar com pedaladas pelas muralhas e pelo bairro de Getsemaní.

Castillo de San Felipe de Barajas

Visitar o Castillo de San Felipe é um daqueles programas que parecem clichês até a gente subir lá em cima e perceber por que tanta gente fala dele. É a maior fortificação militar construída pelos espanhóis nas Américas, e a engenharia da coisa impressiona até quem não é fã do tipo.

O ingresso pode ser comprado direto na bilheteria, ou em pacotes que incluem transporte e guia. Recomendo fortemente ir com guia, pelo menos na primeira vez. Sem alguém para contar a história dos túneis, das batalhas, da figura icônica de Blas de Lezo, do cerco britânico de 1741, o passeio vira só uma caminhada por paredões de pedra. Com guia, vira uma aula viva de história militar.

Os túneis subterrâneos são uma parte fascinante da visita. Foram projetados para amplificar sons, de modo que os defensores conseguiam ouvir qualquer invasor se aproximando. Andar por eles dá uma sensação meio claustrofóbica, mas vale a experiência. Algumas partes são bem estreitas e baixas, então quem tem problemas de mobilidade ou claustrofobia precisa avaliar.

Dica prática importante: vá no fim da tarde, idealmente a partir das 16h. O sol em cima do castelo, sem nenhuma sombra, durante o meio do dia, é castigo. Além disso, ficar até o pôr do sol oferece uma vista incrível da cidade iluminada do alto. Leve água, protetor solar e calçado confortável.

O passeio pelas Islas del Rosario

Esse é o passeio aquático mais clássico de Cartagena, e por boas razões. As Islas del Rosario formam um arquipélago com mais de 28 ilhas e ilhotas, parte de um Parque Nacional Natural, com águas cristalinas, recifes de coral e cenários que justificam a fama do Caribe colombiano.

Existem várias modalidades de passeio. A mais comum e mais econômica é o bate-volta em barco compartilhado, que sai por volta das 8h do Muelle de la Bodeguita, no centro de Cartagena. O roteiro padrão inclui parada para snorkel em alguma ilha, visita opcional ao Acuario San Martín (não recomendo, condições dos animais discutíveis) e almoço em alguma praia, geralmente em Isla Grande ou Playa Blanca. Volta no fim da tarde.

Esse formato é prático e cabe no orçamento, mas tem desvantagens claras: barcos lotados, horários apertados, paradas curtas em cada ilha, e vendedores ambulantes circulando o tempo todo nas praias do almoço. Para quem quer só conhecer a região e não tem altas expectativas, funciona.

Para quem busca uma experiência melhor, valem alternativas mais privadas:

  • Catamarã com almoço incluído: barcos maiores, mais estáveis, com música, bar aberto e roteiro mais relaxado
  • Lancha privada para até 10 pessoas: liberdade total de roteiro, paradas onde você quiser, ótimo custo-benefício se viajam em grupo
  • Pernoite em Isla Grande: a verdadeira mudança de experiência, com hospedagens como Coralina Island, Gente de Mar e Hotel Isla del Encanto

Sobre o passeio em si, vale ressaltar que existe uma taxa do parque nacional que normalmente não está incluída no preço do bate-volta. Pergunte sempre o que está incluso antes de fechar. E desconfie de promotores de rua oferecendo preços muito abaixo da média.

Playa Blanca em Isla Barú

Outro passeio aquático muito procurado é o destino à famosa Playa Blanca, em Isla Barú. Diferente das Rosario, Barú está conectada ao continente por uma ponte construída em 2014, então dá para ir tanto de barco quanto de carro.

A praia é linda, com aquela areia branca que parece farinha e o mar de um azul-turquesa que não decepciona quem viu nas fotos. O problema é que ela virou vítima do próprio sucesso. Em alta temporada, fica abarrotada de gente, com barracas espremidas na areia e vendedores incessantes.

Aqui vão duas estratégias para aproveitar Playa Blanca de verdade:

A primeira é optar por clubes de praia mais isolados, como o Playa Blanca Barú Beach Club ou o Hotel Las Islas. São áreas privadas com infraestrutura completa, longe da multidão da praia pública. O preço sobe, mas a experiência também.

A segunda é dormir uma noite na ilha. Quando os passeios bate-volta vão embora no final da tarde, a praia esvazia, e Playa Blanca revela uma face completamente diferente, com pôr do sol silencioso, jantar na areia, fogueiras e céu estrelado. Hospedagens como Agua de Mar e várias pousadas eco-rústicas oferecem essa experiência.

Pôr do sol nas muralhas com parada no Café del Mar

Esse é um dos passeios mais simples e mais marcantes que se pode fazer em Cartagena. Não exige reserva, não exige guia, não exige praticamente nada. Só caminhar pelas muralhas no fim da tarde e encontrar um bom ponto para ver o sol mergulhar no Caribe.

O Café del Mar é o bar mais famoso para essa experiência. Montado sobre o Baluarte de Santo Domingo, oferece a vista mais cinematográfica da cidade. As bebidas são caras, o serviço pode ser apressado, e em alta temporada a fila de espera por uma mesa começa cedo. Mas o pôr do sol vale, sim.

Dica que dou pra todo cliente: se não quiser pagar bebida no Café del Mar, basta caminhar pela muralha um pouco antes do horário e escolher um pedaço com vista para o oeste. Tem trechos onde dá para sentar literalmente sobre as pedras, com o mar bem aos seus pés, e o pôr do sol é o mesmo. Custo zero.

Outra alternativa interessante é jantar num dos restaurantes com terraço com vista para o mar, como o Vitrola (legendário pelos seus mojitos) ou o Alma, dentro do Hotel Casa San Agustín. Combina gastronomia de qualidade com a vista característica.

Tour gastronômico por Cartagena

Cartagena tem uma das gastronomias mais ricas e variadas do Caribe, com influências espanholas, africanas e indígenas que se misturam em pratos únicos. Um tour gastronômico organizado, com guia local, é uma das melhores formas de mergulhar nessa cultura.

Os tours costumam durar entre 3 e 4 horas, passando por mercados, comidas de rua, restaurantes tradicionais e degustações de bebidas típicas. Alguns roteiros focam no centro histórico, outros incluem o Mercado de Bazurto, que é a experiência mais autêntica e visceral que se pode ter em termos de culinária local.

Comida típicaOnde experimentar
Arepa de huevoBanquinhas de rua e mercados
CevicheLa Cevichería, La Mulata
Posta negra cartageneraLa Cocina de Pepina
Cazuela de mariscosRestaurantes de orla
CarimañolaBazurto e bares populares
PataconesAcompanhamento universal
Limonada de cocoQualquer restaurante turístico
BuñuelosPadarias locais

Para quem quer aprofundar, vale considerar uma aula de culinária colombiana, oferecida por chefs locais em casas particulares ou pequenas escolas. São experiências de meio dia que ensinam a preparar pratos típicos, com mercado incluído. Já mandei muitos clientes para essas aulas e o feedback é sempre excelente.

Outra parada que costumo recomendar é a degustação de café colombiano em cafeterias especializadas, como Ábaco Libros y Café ou Época Espresso Bar. A Colômbia produz alguns dos melhores cafés do mundo, e tomar um espresso bem feito num lugar fresco depois de caminhar sob o sol caribenho é quase terapia.

Tour pelo bairro de Getsemaní

Se a Cidade Amuralhada é o coração colonial de Cartagena, Getsemaní é a alma popular e boêmia. O bairro, que era considerado perigoso até duas décadas atrás, passou por uma transformação radical e hoje é um dos pontos mais vibrantes da cidade. Mas a gentrificação também trouxe lados negativos, com aumento absurdo de preços, deslocamento de moradores antigos e perda de algumas características originais. Vale ter consciência disso.

Os tours por Getsemaní costumam focar em três aspectos principais: arte de rua, com murais espetaculares espalhados pelas ruelas; história popular do bairro, contando o papel dos artesãos e pessoas livres de origem africana na construção da cidade e nos movimentos de independência; e gastronomia local, com paradas em pequenos restaurantes e bares.

A Plaza de la Trinidad é o ponto de encontro do bairro à noite. Recomendo ir num dia da semana, quando ainda dá para circular sem dificuldade. No fim de semana, fica cheia demais para o meu gosto.

Um passeio que costumo sugerir para quem gosta de cultura local é assistir a uma apresentação de champeta, gênero musical e dança nascido na cultura afrocaribenha de Cartagena. Existem aulas e shows em vários bares de Getsemaní, e a vibração da música é contagiante.

Visita ao Palácio da Inquisição

O Palácio da Inquisição, na Plaza Bolívar, é parada obrigatória para quem se interessa por história. O prédio, com fachada barroca espetacular e portal de pedra esculpida em 1770, abrigou um dos três tribunais do Santo Ofício da Inquisição nas Américas, junto com Lima e Cidade do México. Funcionou na cidade entre 1610 e 1821.

O museu interno expõe instrumentos de tortura, documentos sobre processos inquisitoriais, mapas históricos da cidade e uma seção dedicada ao desenvolvimento urbano de Cartagena ao longo dos séculos. A visita não é leve. Mostra um lado da colonização espanhola que costuma ser ocultado nas narrativas turísticas mais higienizadas.

Recomendo combinar a visita com a Igreja de San Pedro Claver, a poucos metros dali, que abriga os restos do santo dedicado aos escravizados africanos que desembarcavam na cidade. Esse contraste, entre a perseguição religiosa e a resistência humanista dentro da mesma instituição, é uma das contradições mais ricas para refletir durante a viagem.

Museus que valem a parada

Cartagena tem alguns museus pequenos mas excelentes, perfeitos para meio período numa tarde quente em que dá vontade de fugir do sol:

O Museo del Oro Zenú tem entrada gratuita e expõe peças impressionantes da cultura indígena Zenú, povo que habitava a região muito antes da chegada dos espanhóis. As peças de ourivesaria são detalhadas e mostram um nível técnico altíssimo.

O Museo Naval del Caribe é dedicado à história militar e marítima da cidade. Para quem se interessa por piratas, batalhas navais e arquitetura militar, é uma parada que rende.

A Casa Museo Rafael Núñez preserva a residência do ex-presidente colombiano e poeta autor da letra do hino nacional. Pequena, charmosa, mostra a vida de uma figura importante da história da Colômbia.

Convento de la Popa

Subir até o Convento de la Popa, no alto do morro de mesmo nome, é um dos passeios menos óbvios mas mais recompensadores de Cartagena. O convento foi construído em 1607 e oferece a vista mais ampla da cidade, com panorâmica de todo o centro histórico, da baía e dos arredores.

A subida pode ser feita de táxi ou em tours organizados. Não recomendo subir caminhando, especialmente em dias quentes. O entorno do morro nem sempre é seguro para pedestres, então o táxi compensa em todos os sentidos.

A visita interna ao convento mostra um claustro tranquilo, uma capela com a imagem da Virgen de la Candelaria (padroeira da cidade) e algumas peças religiosas. Mas a estrela do passeio mesmo é a vista. Vá no final da tarde, perto do pôr do sol. A imagem da cidade banhada por luz dourada vista lá de cima fica gravada na memória.

Passeio no manguezal de La Boquilla

Para quem quer fugir do circuito turístico tradicional, recomendo muito o passeio em canoa pelo manguezal de La Boquilla, vila de pescadores afro-colombianos localizada a 20 minutos do centro de Cartagena. O passeio é conduzido pelos próprios moradores, em canoas construídas artesanalmente, e percorre os túneis verdes formados pelos manguezais.

Durante o trajeto, os guias explicam sobre a fauna local (aves, caranguejos, peixes), a importância ecológica do manguezal, e a história da comunidade afro-colombiana que vive da pesca há gerações. Termina geralmente com almoço na praia, com peixe fresco frito acompanhado de arroz com coco e patacones. Comida simples, feita na hora, deliciosa.

É um passeio que sustenta diretamente a economia local e oferece uma experiência completamente diferente da Cartagena turística do centro. Costumo recomendar para clientes que já visitaram a cidade antes ou que querem variar o roteiro.

Bate-volta a Mompox

Para quem tem mais tempo (idealmente uma noite fora) e gosta de cidades históricas, Mompox é uma das viagens mais especiais que se pode fazer a partir de Cartagena. A cidade, fundada em 1540 às margens do rio Magdalena, é também Patrimônio da Humanidade pela UNESCO e tem ar de vila colonial preservada que parece parada no tempo.

Foi em Mompox que Simón Bolívar disse a famosa frase: “Si a Caracas debo la vida, a Mompox debo la gloria”, reconhecendo o apoio decisivo que a cidade deu à campanha de independência.

A viagem de carro leva cerca de 6 a 7 horas desde Cartagena, então não dá para fazer bate-volta no mesmo dia. O ideal é dormir uma ou duas noites por lá. É um destino para um perfil específico de viajante, que valoriza arquitetura, silêncio, ritmo lento e fuga absoluta do turismo de massa. Não é para todos, mas quem gosta, ama.

Dicas práticas para escolher e contratar passeios

Depois de muitos anos organizando viagens para Cartagena, alguns aprendizados valem como dicas finais:

Reserve passeios com antecedência se viajar em alta temporada (dezembro a fevereiro). Os melhores barcos para as Rosario ficam lotados.

Evite contratar com promotores na rua, principalmente perto do Muelle de la Bodeguita. Já vi muito caso de cliente que pagou barato e foi parar em barco lotado, com almoço péssimo, em ilha que nem estava no roteiro.

Confira sempre o que está incluso: taxa do parque nacional, almoço, equipamento de snorkel, transporte do hotel. Esses extras podem dobrar o valor do passeio se forem cobrados à parte.

Negocie o valor das charretes e mototáxis antes de entrar. Combine destino e preço previamente, e prefira pagar com dinheiro contado.

Use Uber, Cabify ou InDriver para deslocamentos urbanos. São mais seguros, transparentes nos preços e funcionam bem na cidade.

Leve sempre dinheiro vivo em pesos colombianos, principalmente para passeios em ilhas e mercados. Cartão funciona em alguns lugares, mas não em todos.

Reserve um dia para descanso se for ficar mais de três dias em Cartagena. O calor cansa, e fazer passeios pesados todos os dias acaba virando maratona. Um dia de hotel, com piscina e leitura, faz milagre.

Considere um seguro viagem que cubra atividades aquáticas. Muitos planos básicos não incluem mergulho, snorkel em barcos ou esportes náuticos, e qualquer imprevisto sem cobertura na Colômbia pode sair caro.

Cartagena é o tipo de destino em que cada passeio adiciona uma camada nova à experiência. Não existe roteiro único certo. Existe o roteiro que combina com o seu jeito de viajar, com o seu tempo disponível e com aquilo que você espera encontrar. Quem mistura história, praia, gastronomia e um pouco de fuga do óbvio, sai dessa cidade entendendo por que ela conquistou tanto espaço entre os destinos mais desejados da América Latina. E quase sempre, querendo voltar.

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