Conheça a Companhia Aérea Avelo Airlines
Avelo Airlines: a companhia mais jovem do mercado americano que apostou no que ninguém queria — e está redefinindo o jogo com o Embraer.

Quando a Avelo Airlines decolou pela primeira vez em 28 de abril de 2021, a aviação americana ainda vivia o trauma pós-pandemia. Aeroportos vazios, companhias pedindo bilhões em socorro governamental, o mercado de aviação em frangalhos. Era o pior momento possível para lançar uma nova companhia aérea. E foi exatamente o que Andrew Levy, ex-CFO da United Airlines, escolheu fazer.
A lógica de Levy era direta ao ponto de parecer simples demais: aeroportos menores estavam com slots disponíveis que antes eram impossíveis de conseguir, aviões usados estavam baratos, e havia milhões de americanos vivendo em cidades de médio porte que continuavam mal servidos pela aviação comercial tradicional. O momento era ruim para o mercado, mas era excelente para quem queria entrar nele com custo baixo e espaço para crescer.
Quatro anos depois, a Avelo é uma das histórias mais interessantes da aviação americana — não pela escala, que ainda é pequena, mas pela trajetória. A empresa recapitalizou o balanço em janeiro de 2026, anunciou o maior pedido de aeronaves da história da Embraer nos Estados Unidos e está redesenhando sua rede em torno de bases mais eficientes. Está longe de ser uma história de sucesso consolidado. Mas é uma companhia que sabe o que quer ser — e está tomando decisões corajosas para chegar lá.
Houston como sede, Nova Inglaterra como coração: quem é a Avelo
A Avelo tem sede em Houston, Texas, mas sua identidade foi construída em New Haven, Connecticut. O aeroporto Tweed-New Haven (HVN) é a base mais simbólica da empresa — um aeroporto regional que durante anos teve operação comercial mínima e que a Avelo transformou num hub funcional para toda a região metropolitana entre Nova York e Boston.
A escolha de New Haven não foi acidental. Levy e sua equipe identificaram que o Nordeste americano tinha uma enorme população sem acesso conveniente a vôos de férias. Quem mora em Connecticut, Rhode Island, sul de Massachusetts ou norte de Nova Jersey precisa em geral ir até o JFK, LaGuardia ou Boston Logan para pegar um vôo — aeroportos congestionados, caros para estacionar, difíceis de acessar. A Avelo chegou com uma proposta diferente: voe de perto de onde você mora, em aeroporto menor, com menos estresse, para a Flórida ou outros destinos de lazer.
O modelo ecoava o que a Allegiant fez no Meio-Oeste e no Sul dos EUA, mas com foco específico no Nordeste — uma região mais densa, com mais poder aquisitivo e historicamente subservida por opções de low-cost com rotas diretas para destinos de férias.
Esse posicionamento inicial foi bem-sucedido o suficiente para a Avelo abrir uma segunda base em Burbank, Califórnia (BUR) — outro aeroporto alternativo numa região metropolitana densa, que serve como opção menos congestionada ao LAX para quem mora no Vale de San Fernando e no norte de Los Angeles. Da Califórnia, a Avelo conectou destinos da Costa Oeste como Eureka, Santa Rosa, Redding, Boise e outras cidades menores.
Em fevereiro de 2026, porém, a operação da Costa Oeste foi encerrada. A Avelo fechou sua base em Burbank e concentrou toda a operação no Leste dos EUA — uma decisão dolorosa mas estratégica, parte de uma reestruturação mais ampla que visa tornar a empresa lucrativa antes de crescer de novo.
A frota em 2026: Boeing 737 por enquanto, Embraer E195-E2 chegando
A história da frota da Avelo é, ela mesma, uma história de adaptação constante ao que o mercado oferecia. A empresa começou operando Boeing 737-700 e Boeing 737-800 — aeronaves de segunda geração adquiridas com desconto num mercado deprimido de aviação. Não eram novas, não eram modernas, mas eram baratas e disponíveis.
Boeing 737-800 — a aeronave principal em 2026
Em janeiro de 2026, como parte da reestruturação do balanço, a Avelo retirou os seis Boeing 737-700 da frota, deixando a operação exclusivamente com os Boeing 737-800. A decisão faz sentido operacional: o 737-800 tem mais assentos (tipicamente 162 a 175 passageiros na configuração Avelo), maior eficiência relativa e melhor custo por assento do que o 737-700. Operar com um único tipo de aeronave reduz custos de manutenção, treinamento de tripulação e gerenciamento de sobressalentes.
Os 737-800 da Avelo são aeronaves da geração NG — não são o MAX, portanto não têm os benefícios de eficiência de combustível da nova geração. As cabines são configuradas com assentos slimline sem reclinação, o que é ao mesmo tempo uma vantagem (mais leveza, ligeiramente mais espaço longitudinal) e uma desvantagem (nenhum recosto em vôos mais longos). O espaço entre fileiras fica em torno de 30 a 32 polegadas dependendo da fileira — funcional para vôos de uma a duas horas, apertado para rotas mais longas.
A frota atual é pequena — estimada em 12 a 16 aeronaves ativas em 2026, um número que coloca a Avelo entre as menores companhias aéreas certificadas como Part 121 nos Estados Unidos. Essa escala reduzida é simultaneamente uma limitação operacional e uma vantagem estratégica: com menos aviões, cada decisão de rota e cada aeronave tem impacto desproporcional nos resultados.
Embraer E195-E2 — a grande aposta do futuro
Em setembro de 2025, a Avelo surpreendeu o mercado com um pedido que ninguém esperava: 50 Embraer E195-E2 firmes, com direitos de compra para mais 50. O valor de tabela do pedido é de US$ 4,4 bilhões — extraordinário para uma companhia do tamanho da Avelo. As entregas começam no primeiro semestre de 2027, com a Avelo tornando-se a primeira companhia aérea americana a operar o E195-E2.
O E195-E2 é o maior e mais avançado avião da família E-Jet E2 da Embraer — um narrowbody de corredor único com capacidade para 120 a 146 passageiros em configuração 2×2. Essa configuração 2×2 é um dos maiores atrativos para o passageiro: não existe assento do meio. Todo mundo tem assento de corredor ou de janela. Numa rota de duas horas, a diferença entre sentar em 3×3 apertado e sentar em 2×2 sem encostado é enorme em termos de conforto.
Além da configuração de assentos, o E195-E2 traz:
- Carregadores USB em cada assento — algo que os 737 NG da Avelo não têm de forma universal
- Bagageiros maiores em proporção ao tamanho do avião
- Cabine significativamente mais silenciosa — os motores Pratt & Whitney GTF reduzem o ruído interno em comparação a qualquer motor da geração ceo
- Desempenho em pistas curtas superior — o E2TS (sistema proprietário de decolagem aprimorada da Embraer) permite operar em aeroportos com pistas menores, abrindo destinos que um 737 não consegue atingir
Para uma companhia cuja estratégia central é usar aeroportos alternativos menores e menos congestionados, o E195-E2 com capacidade de pista curta é uma ferramenta estratégica poderosa. Ele permite que a Avelo alcance aeroportos que nenhuma companhia com 737 consegue servir — ampliando o universo de mercados sem concorrência direta.
A decisão de ir com Embraer também tem contexto geopolítico e de timing. Os slots de entrega da Boeing e da Airbus para novos aviões estão atulhados de encomendas das grandes companhias. A Embraer, com o E2 ainda em busca de clientes americanos, ofereceu condições de preço e datas de entrega que simplesmente não estavam disponíveis com os outros fabricantes. A Avelo conseguiu um acordo que vai modernizar toda a sua frota em prazo relativamente curto.
A rede de rotas em 2026: consolidação estratégica
A Avelo passou por uma reestruturação significativa de rede no início de 2026. Três bases foram fechadas — Mesa (Arizona), Raleigh-Durham (Carolina do Norte) como base principal, e Wilmington (Carolina do Norte). A operação da Costa Oeste encerrou. O foco se concentrou em quatro bases ativas com previsão de abertura de uma quinta ainda em 2026.
New Haven, Connecticut (HVN) — a base histórica e mais importante
New Haven continua sendo o coração da Avelo. O aeroporto Tweed-New Haven é um dos mais convenientes da região para quem mora em Connecticut, Rhode Island e nos subúrbios do norte de Nova York. Sem o caos do JFK ou do LaGuardia, com estacionamento a preços razoáveis, filas de segurança curtas e acesso rodoviário direto pela I-95 e I-91.
De New Haven, a Avelo conecta principalmente destinos de lazer na Flórida — Orlando (MCO e SFB), Fort Myers, Fort Lauderdale, Tampa, Punta Cana (República Dominicana), Cancún e Jamaica. São as rotas que definem o perfil da Avelo: família americana do Nordeste que quer passar uma semana na Flórida ou no Caribe sem o estresse de embarcar num aeroporto de grande porte.
A Avelo também opera de New Haven para destinos domésticos além da Flórida, como Raleigh-Durham, Nashville e outros mercados do Sul e Sudeste — mantendo conectividade regional mesmo depois do fechamento de algumas bases.
Philadelphia / Delaware Valley (ILG) — a base que usa Wilmington como aeroporto
Esta é outra jogada clássica do modelo de aeroporto alternativo. A Avelo usa o Aeroporto de Wilmington, Delaware (ILG) como base para servir a região metropolitana de Philadelphia, que tem uma das áreas urbanas mais densas do corredor Nordeste americano. O aeroporto de Wilmington fica a menos de 30 minutos do centro de Philadelphia e serve também o sul de Nova Jersey e o norte do Delaware.
Para muitos moradores dessa região, Wilmington é significativamente mais conveniente do que o Philadelphia International (PHL) — menos tráfego, estacionamento barato, sem as filas intermiváveis de um dos aeroportos mais movimentados do leste americano. A Avelo conecta dali para a Flórida e destinos de lazer com estrutura similar à base de New Haven.
Charlotte / Concord, North Carolina (USA) — aeroporto alternativo para a Grande Charlotte
O aeroporto de Concord (USA) é um aeroporto regional que serve como alternativa ao Charlotte Douglas International (CLT) — o maior hub da American Airlines no Leste dos EUA e um dos mais congestionados da região. Para residentes de Concord, Kannapolis, Mooresville e outros subúrbios ao norte de Charlotte, o aeroporto de Concord é muito mais próximo e conveniente.
De Concord, a Avelo opera para destinos de férias e conectividade regional — um mercado que complementa o que a American já oferece no CLT sem competir diretamente nas mesmas rotas.
Central Florida / Lakeland (LAL) — o hub da Flórida
Lakeland é um aeroporto menor localizado entre Tampa e Orlando — geograficamente bem posicionado para servir como ponto de chegada para quem vai ao interior da Flórida, às atrações de Orlando a partir de uma rota mais curta de carro, ou às praias do Golfo pelo lado de Tampa. O LAL tem taxas de pouso mais baixas do que MCO ou TPA, e a Avelo usa essa diferença de custo para oferecer tarifas competitivas.
De Lakeland, a Avelo conecta cidades do Nordeste e do Centro-Leste dos EUA — invertendo o modelo das outras bases: aqui, Lakeland é o destino de férias que recebe passageiros de longe.
Dallas / McKinney (TKI) — a nova base prevista para o final de 2026
O aeroporto McKinney National (TKI) é um aeroporto regional a norte de Dallas, que serve a área metropolitana do norte do Texas — uma das regiões de crescimento mais rápido dos EUA. A abertura desta base em 2026 representa a expansão da Avelo para o Sudoeste americano e é parte do plano de escala gradual que a empresa está executando após a recapitalização.
O produto de bordo: honesto, simples e sem surpresas para quem sabe o que espera
A bordo de um avião da Avelo, a experiência é simples. Não é desconfortável para vôos curtos, não é excepcional em nenhum aspecto, mas também não é desonesta — o que a distingue de algumas ULCCs que prometem uma coisa e entregam outra.
Os assentos são slimline, sem reclinação ou com reclinação mínima dependendo do modelo. O espaço entre fileiras varia de 30 a 32 polegadas. Para vôos de uma a duas horas, é perfeitamente tolerável para a maioria dos passageiros adultos. Para vôos mais longos — como algumas rotas para o Caribe — pode ser desconfortável para pessoas mais altas ou que viajam com crianças pequenas que ficam inquietas.
A Avelo tem algumas fileiras de extra legroom — com 35 polegadas ou mais — que podem ser selecionadas por uma taxa adicional. Para quem precisa do espaço extra, o upgrade é geralmente acessível e vale o custo comparado a voar apertado por duas ou três horas.
Não existe Wi-Fi a bordo. Em 2026, os 737 NG da Avelo voam sem conectividade. A empresa já estudou alternativas mas ainda não tem prazo concreto de implementação. Quando o E195-E2 começar a chegar em 2027, a Avelo prevê equipar as novas aeronaves com Wi-Fi desde o início.
Não existe entretenimento a bordo. Sem telas individuais, sem sistema de streaming. O passageiro que quiser entretenimento leva o próprio dispositivo com conteúdo baixado previamente.
Não existe serviço de bordo gratuito. Água, suco, refrigerante e snacks são cobrados. Para vôos curtos, a maioria dos passageiros não compra nada — mas para rotas mais longas como os vôos para o Caribe, é recomendável chegar ao aeroporto com algo para beber e comer.
O que existe — e é genuinamente bem avaliado nos relatos de passageiros — é atendimento humano de qualidade. A tripulação da Avelo tem reputação consistentemente boa nos reviews. A empresa é pequena o suficiente para que a cultura de atendimento ainda seja pessoal, não automatizada. Tripulantes que parecem gostar do que fazem são um diferencial real numa categoria de aviação onde o serviço frequentemente é mecânico.
Os pontos positivos: o que a Avelo entrega de verdade
1. Aeroportos menores que funcionam como vantagem real, não como desculpa A escolha de New Haven, Wilmington, Concord e Lakeland não é uma limitação — é uma proposta de valor. Para quem mora perto dessas cidades, voar pela Avelo elimina horas de deslocamento, estacionamento caro e o estresse operacional dos grandes aeroportos. O aeroporto de Tweed-New Haven tem fila de segurança que em muitos dias leva menos de dez minutos. Isso não tem preço para quem viaja com família e bagagem.
2. Pontualidade surpreendentemente boa para uma ULCC A Avelo tem consistentemente uma das melhores taxas de pontualidade entre as ULCCs americanas — com registros de 83% a 85% de chegadas no horário em múltiplos períodos avaliados. Para uma companhia pequena operando em aeroportos menores com menor tráfego aéreo e menor risco de congestionamento, isso faz sentido estruturalmente. Mas a consistência é notável. Passageiros que compararam Avelo com Frontier ou Spirit em termos de pontualidade frequentemente ficam surpresos com a diferença.
3. Sem taxa de remarcação ou cancelamento A Avelo tem uma política de cancelamento que oferece crédito de vôo sem taxa de penalidade. Num mercado onde algumas companhias cobram US$ 100 ou mais para remarcar um bilhete, essa política é um diferencial concreto para o viajante que não tem certeza das datas. O crédito não é reembolso em dinheiro — é crédito para vôos futuros — mas a ausência de taxa é genuína.
4. Embraer E195-E2 chegando — o produto vai melhorar substancialmente Quando o E195-E2 começar a entrar em serviço em 2027, a experiência do passageiro Avelo vai dar um salto qualitativo significativo. Configuração 2×2 (sem assento do meio), cabine mais silenciosa, carregadores USB, bagageiros maiores e Wi-Fi previsto desde o início. A Avelo vai entregar um produto que, mesmo sendo ULCC em modelo de negócios, vai ter conforto de cabine superior ao de muitos 737 das majors em rotas domésticas.
5. Preços base genuinamente baixos em rotas sem concorrência direta A Avelo é capaz de operar rotas onde nenhuma outra companhia oferece vôo direto — especialmente de New Haven e Wilmington para a Flórida e Caribe. Nessas rotas, o preço base da Avelo é frequentemente o único preço disponível para um vôo nonstop, e mesmo com todas as taxas adicionadas, sai mais barato do que a alternativa com conexão por um hub grande.
6. Posição financeira sólida pós-recapitalização Em janeiro de 2026, a Avelo anunciou que sua posição de caixa pós-recapitalização é “uma das mais sólidas da indústria americana em relação ao seu tamanho”. Isso muda o perfil de risco para o passageiro que está comprando bilhetes com antecedência. Uma companhia com balanço saudável tem muito menos probabilidade de surpreender com cancelamentos em massa por questões financeiras.
7. Iniciativas de sustentabilidade pouco comuns para uma ULCC A Avelo fez parceria com a Vortex Control Technologies para instalar finlets nas aeronaves — pequenas extensões nas pontas das asas que reduzem o arrasto e melhoram a eficiência aerodinâmica. O resultado declarado é uma redução de 11 milhões de libras de emissões de carbono e economia de 560 mil galões de combustível. Para o viajante que considera sustentabilidade na escolha da companhia, esse detalhe é relevante.
8. Processo de embarque rápido e sem o caos dos grandes aeroportos Aeroportos pequenos têm uma vantagem que raramente aparece nas análises mas que qualquer viajante frequente sente: o processo de embarque é mais rápido, mais organizado e menos estressante. Sem centenas de passageiros se acotovelando, sem atrasos por congestionamento de pista, sem esperas longas para taxiar. Essa dimensão da experiência Avelo é consistentemente citada como positiva nos relatos de passageiros.
Os pontos negativos: o que precisa ser dito sem rodeio
1. Nenhum Wi-Fi, nenhum entretenimento — e sem prazo concreto para mudar isso Em 2026, voar pela Avelo significa entrar num tubo de metal sem conexão com o mundo externo. Para vôos de uma hora, é administrável. Para vôos de três horas para o Caribe, é uma proposta que exige preparação: baixe filmes, leve livro, carregue fone. A empresa prevê Wi-Fi nos E195-E2 a partir de 2027, mas a frota atual de 737 NG vai continuar sem conectividade por pelo menos mais alguns anos.
2. Frequência baixa em muitas rotas — o próximo vôo pode ser amanhã ou depois A Avelo opera a maioria das suas rotas com três a quatro frequências semanais. Em alguns mercados são dois vôos por semana. Isso tem a mesma consequência que vimos na Allegiant: se o vôo for cancelado ou sofrer atraso grave, a próxima oportunidade pode estar a dois ou três dias. Para o viajante com compromissos fixos no destino — casamento, reunião de negócios, evento com data marcada — esse risco é real e deve ser avaliado antes de comprar.
3. Frota pequena com impacto operacional desproporcionalmente grande Com 12 a 16 aviões em operação, qualquer problema técnico com um único avião pode gerar cancelamentos ou atrasos em cascata por toda a rede. Quando um 737 vai para manutenção não programada, a Avelo tem pouquíssimas aeronaves reserva para absorver o impacto. Companhias maiores têm colchões operacionais — a Avelo opera no fio. Isso não significa que o avião é inseguro (a manutenção é certificada pela FAA), mas significa que problemas técnicos têm consequências maiores do que numa operação maior.
4. Sem interline, sem proteção em caso de cancelamento com alternativas rápidas A Avelo não tem acordos de interline com outras companhias. Cancelamento significa crédito para vôo futuro — não bilhete numa outra companhia para chegar ao destino no mesmo dia. Para quem tem compromisso inadiável no destino, isso é um risco sério.
5. Taxas de bagagem e assento que elevam o custo final O item pessoal (bolsa pequena sob o assento) é gratuito. Tudo além disso é pago. Carry-on no compartimento superior: em torno de US$ 40 a US$ 45. Mala despachada: US$ 35 a US$ 44 dependendo do momento da compra. Seleção de assento: US$ 14 a US$ 64. O passageiro que compra o bilhete por US$ 44 e precisa de carry-on e assento escolhido pode terminar pagando US$ 130 ou mais por um trecho. O cálculo precisa ser feito com todos os extras antes de comparar com outras companhias.
6. Rede ainda muito concentrada no Nordeste — e menor após a reestruturação Depois do fechamento da base na Costa Oeste e da reestruturação de janeiro de 2026, a rede da Avelo ficou geograficamente mais concentrada. Para quem não mora próximo a New Haven, Wilmington/Philadelphia, Concord/Charlotte ou Lakeland, a Avelo simplesmente não está no mapa de opções. É uma companhia de nicho geográfico estreito — o que é exatamente o plano, mas limita o universo de viajantes que pode ser atendido.
7. Contrato controverso com o governo americano para vôos de deportação Em 2025, a Avelo firmou contrato com o governo dos Estados Unidos para operar vôos de deportação de imigrantes. A decisão gerou reação negativa de parte dos viajantes e motivou boicotes em alguns mercados do Nordeste americano — justamente onde a empresa tem sua maior base de clientes. É uma questão que vai além da aviação, mas que o passageiro pode querer considerar dependendo de suas convicções pessoais e do contexto em que toma decisões de consumo.
8. Sem programa de fidelidade robusto A Avelo tem um programa de pontos básico, mas sem parcerias com hotéis, cartões de crédito expressivos ou outras companhias aéreas. Para o viajante frequente que quer acumular e resgatar pontos de forma estratégica, a Avelo não é uma ferramenta relevante. É uma companhia transacional — você compra o bilhete, voa, chega. Não existe uma relação de longo prazo construída em torno de recompensas.
O que o passageiro precisa saber antes de embarcar
Calcule sempre o custo total antes de comparar. O preço na busca inicial inclui apenas o bilhete e o item pessoal. Antes de concluir que a Avelo é mais barata do que a alternativa, some: carry-on (se for levar), mala despachada (se precisar), seleção de assento (se não quiser sentar onde for designado). Só então compare com Delta, JetBlue ou Southwest. Às vezes a Avelo ainda ganha. Às vezes não.
Verifique a frequência da rota com atenção. A maioria das rotas da Avelo não opera todos os dias. Antes de comprar, confirme os dias exatos de operação e avalie o que acontece se o vôo for cancelado. Se a rota opera duas vezes por semana e você tem um evento no destino que não pode ser adiado, pense duas vezes.
Chegue ao aeroporto cedo — mas não excessivamente cedo. A vantagem dos aeroportos menores da Avelo é a fila curta de segurança. A desvantagem é que aeroportos pequenos têm menos opções de alimentação e entretenimento se você chegar muito cedo. Uma hora antes do vôo é geralmente suficiente — confirme com o aeroporto específico.
Baixe conteúdo antes de embarcar. Sem Wi-Fi e sem entretenimento a bordo, o dispositivo pessoal com conteúdo baixado é a única fonte de entretenimento durante o vôo. Netflix, Spotify, e-books, podcasts — tudo precisa ser baixado antes de ir ao aeroporto, não no aeroporto.
Compre bagagem online, nunca no aeroporto. A diferença de preço entre a bagagem comprada no site versus no balcão ou portão de embarque é real e significativa. A Avelo aplica os preços mais altos para compras no local. Resolvendo online no momento da compra do bilhete ou até 24 horas antes do vôo economiza dinheiro de forma consistente.
O assento extra-legroom vale a análise para vôos mais longos. Nas rotas para o Caribe ou nos vôos mais longos da rede, o upgrade para extra-legroom (35 polegadas) pode ser comprado por US$ 30 a US$ 50 extras e faz diferença perceptível em conforto. Para pessoas acima de 1,80m ou que viajam com crianças que precisam de espaço para movimentar as pernas, vale considerar.
Uma startup que sobreviveu ao pior momento possível para nascer — e tem um plano para a próxima década
A Avelo é uma companhia jovem, pequena e em construção. Não é uma companhia terminada, polida ou perfeita. Tem lacunas óbvias — Wi-Fi ausente, frota envelhecida, rede concentrada, baixa frequência em muitas rotas. São falhas reais que qualquer análise honesta precisa nomear.
Mas também é uma empresa que sobreviveu ao lançamento em plena pandemia, que recapitalizou o balanço quando precisou, que tomou a decisão corajosa de ser a primeira americana a operar o E195-E2 da Embraer, e que tem uma clareza estratégica invejável sobre quem é seu cliente e o que esse cliente precisa: vôo direto de perto de onde mora para onde quer passar as férias, sem passar por hub, sem estresse de aeroporto gigante, com preço que cabe no orçamento familiar.
Quando o E195-E2 começar a entrar na frota em 2027, a Avelo vai ter o melhor produto de cabine da sua categoria no mercado americano. Uma aeronave nova, silenciosa, com configuração 2×2, Wi-Fi e USB em cada assento — voando de aeroportos convenientes para destinos de férias a preços acessíveis. Se a execução corresponder ao plano, vai ser uma proposta de valor difícil de ignorar.
Por enquanto, para quem mora próximo às bases que a Avelo opera e quer uma alternativa real aos grandes aeroportos congestionados, a companhia entrega o que promete — desde que o passageiro saiba exatamente o que está comprando antes de clicar em confirmar.