Como Voar Direto do Brasil Para Mendoza na Argentina

Voar direto para Mendoza a partir do Brasil era uma raridade até pouco tempo. Por anos, a rota padrão passava por Buenos Aires — Aeroparque ou Ezeiza — e Mendoza virava um segundo vôo, mais uma espera, mais uma chance de mala extraviada. Quem foi antes de 2024 sabe bem o que é passar por esse processo. Hoje o cenário mudou bastante. Há vôos diretos saindo de três aeroportos brasileiros diferentes, operados por quatro companhias aéreas distintas, com frequências que cobrem a maioria dos dias da semana. A rota ficou acessível de um jeito que não existia antes.

Foto de Pedro Roberto Guerra: https://www.pexels.com/pt-br/foto/36556396/

Entender como cada opção funciona faz diferença real na hora de comprar, porque cada companhia tem perfil diferente, política de bagagem diferente e perfil de preço diferente.


O aeroporto de chegada em Mendoza

Todos os vôos diretos do Brasil chegam ao Aeroporto Internacional Governador Francisco Gabrielli, mais conhecido como El Plumerillo — código IATA MDZ. Fica a cerca de 10 quilômetros do centro da cidade, o que representa 15 a 20 minutos de carro dependendo do tráfego. O trânsito de Mendoza é geralmente tranquilo, então essa estimativa costuma se confirmar.

Na saída do terminal, as opções para chegar ao centro são:

  • Táxi ou remis credenciado dentro do aeroporto: a opção mais prática, com tarifa fixa tabelada. O trajeto ao centro custa na faixa de ARS 15.000 a ARS 25.000 — equivalente a R$ 55 a R$ 93 no câmbio de abril de 2026.
  • Transfer privativo pré-agendado: algumas empresas especializadas em turismo para brasileiros oferecem traslado com motorista que espera com placa e nome. É mais caro que o táxi, mas resolve a chegada sem nenhuma negociação.
  • Carro alugado: locadoras internacionais e argentinas operam no terminal. Quem pretende se deslocar autonomamente pelas vinícolas — especialmente para o Valle de Uco, que fica a quase 90 quilômetros do centro — sai do aeroporto com o carro e já começa a viagem.
  • Ônibus público: existe, mas não é recomendado com bagagem após um vôo internacional. A conveniência do táxi, pelo preço que custa, não justifica a troca.

Os vôos diretos por aeroporto de origem

Saindo de São Paulo — Guarulhos (GRU)

Guarulhos é o hub principal para quem quer ir direto a Mendoza. Duas companhias operam a rota com frequência relevante.

GOL voa nos dias domingo, terça, quinta e sexta, com duração de 4 horas e 10 minutos. É a companhia brasileira com maior cobertura semanal nessa rota. A GOL tem política de bagagem mais familiar para o viajante brasileiro: a bagagem de mão padrão e a franquia de despachada estão incluídas nos planos mais comuns, mas isso depende da tarifa escolhida — sempre vale conferir o que cada fare class inclui antes de comprar.

LATAM opera a rota diariamente, o que a torna a opção com maior flexibilidade de datas. Com o mesmo tempo de vôo de 4 horas e 10 minutos, a LATAM é a alternativa natural para quem não quer ajustar a data da viagem à grade da GOL. A companhia tem programa de fidelidade robusto — quem acumula milhas LATAM Pass pode aproveitar essa rota para resgates, especialmente fora de temporada de pico.

Preços práticos de GRU–MDZ em 2026: a faixa encontrada nas pesquisas mais recentes para vôos de ida e volta diretos gira entre R$ 2.063 e R$ 2.943 dependendo da data. Maio, junho e setembro costumam ter as tarifas mais baixas. Julho e março sobem por conta das temporadas de ski e vindima, respectivamente.


Saindo de Campinas — Viracopos (VCP)

Azul opera a rota de Viracopos nos dias domingo, terça e sexta, com a menor duração entre todos os vôos diretos do Brasil: 3 horas e 50 minutos. Para quem mora no interior de São Paulo, no ABC paulista ou prefere evitar o trânsito de Guarulhos, Viracopos é uma alternativa bastante prática.

A Azul tem um diferencial relevante: a politica de bagagem é geralmente mais generosa que as ultrabaixo custo. Nos planos padrão, a bagagem de mão e uma mala despachada costumam estar incluídas — o que impacta o preço final quando se compara com JetSmart, por exemplo, onde tudo é cobrado à parte.

O menor tempo de vôo de Viracopos tem uma explicação geográfica simples: Campinas fica ligeiramente mais próxima da Argentina que Guarulhos, e a trajetória aproveita ventos favoráveis com mais eficiência numa aeronave configurada para essa rota. Na prática, são 20 minutos a menos que os vôos de São Paulo — o que ao fim de uma viagem longa já faz diferença.


Saindo do Rio de Janeiro — Galeão (GIG)

GOL opera de Galeão nas segundas e sábados, com duração de 4 horas e 45 minutos — o tempo mais longo entre todas as rotas diretas, o que é esperado dado que o Galeão fica mais ao norte que os aeroportos paulistas.

JetSmart voa nas domingos, segundas e sextas, também com 4 horas e 45 minutos de vôo direto. A JetSmart é a ultra low cost chilena que entrou agressivamente no mercado de rotas sul-americanas, e a estreia nessa rota foi bastante comentada no universo dos viajantes que caçam tarifas.

O modelo de negócio da JetSmart precisa ser entendido antes da compra — e aqui está o ponto que mais pega as pessoas de surpresa.


JetSmart: a mais barata no ticket, mas com regras específicas

A JetSmart tem a tarifa base mais baixa entre todas as opções disponíveis — em alguns meses, a tarifa de só ida de GIG para MDZ aparece a partir de R$ 402 para datas específicas, e a média de maio de 2026 estava em torno de R$ 679 para só ida. Esses preços são reais, mas incompletos.

O modelo ultra low cost funciona assim: você paga pela poltrona e por um item pessoal pequeno que cabe embaixo do assento da frente. Tudo mais é cobrado separadamente:

  • Bagagem de mão (no compartimento superior): adicional pago
  • Mala despachada: adicional pago, com preço menor se comprado no momento da reserva e mais caro se adicionado depois — e muito mais caro se cobrado no aeroporto
  • Marcação de assento: adicional pago
  • Alimentação a bordo: pago, não há serviço gratuito incluído

O viajante que compra a JetSmart sabendo disso — e que soma os custos reais da bagagem que vai precisar — ainda costuma chegar a um preço competitivo. O problema é comprar achando que o preço anunciado é o preço final.

A frota da JetSmart é nova: Airbus A320neo e A321neo, aeronaves modernas com consumo de combustível eficiente. A experiência de bordo básica é adequada para um vôo de menos de cinco horas.


Comparativo prático das quatro companhias

CompanhiaOrigemDiasDuraçãoPerfil
GOLGRU (Guarulhos)Dom, Ter, Qui, Sex4h10Companhia brasileira tradicional
LATAMGRU (Guarulhos)Diário4h10Maior frequência, fidelidade robusta
AzulVCP (Viracopos)Dom, Ter, Sex3h50Menor duração, boa política de bagagem
GOLGIG (Galeão)Seg, Sáb4h45Para quem está no Rio
JetSmartGIG (Galeão)Dom, Seg, Sex4h45Ultra low cost, tarifa base mais baixa

Como escolher a melhor opção para o seu caso

A escolha entre as companhias depende de três fatores que variam por viajante:

Aeroporto de origem. Quem mora em São Paulo capital tem GRU como referência mais prática. Quem está no interior paulista, ABC ou prefere evitar Guarulhos vai achar Viracopos bem mais conveniente. Para quem está no Rio — ou vai a Mendoza com conexão no Galeão vindo de outra cidade — a rota GIG-MDZ elimina uma escala.

Quantidade de bagagem. Viajante de mochila ou bagagem de mão apenas: JetSmart pode ser a opção mais barata de verdade. Casal com mala grande cada um: a tarifa total da JetSmart com bagagem adicionada pode superar a GOL ou Azul em plano que inclui franquia. Fazer esse cálculo antes de comprar evita surpresa.

Flexibilidade de data. Precisa de um dia específico? A LATAM é a única que opera todos os dias da semana de GRU. As demais têm grades mais limitadas, o que pode forçar uma data que não é ideal — ou criar uma conexão em São Paulo ou Rio que consome horas e elimina a vantagem do vôo direto.


Quando as tarifas são mais baratas

A variação de preço ao longo do ano segue padrão claro:

Mais caro: julho (temporada de ski em Las Leñas), janeiro e fevereiro (férias de verão brasileiras), e março (época da Vindima). Nessas janelas, os vôos diretos costumam ter pouca disponibilidade nas tarifas mais baixas.

Mais barato: maio, setembro e outubro. São os meses de menor fluxo turístico, onde os preços caem de forma perceptível e a disponibilidade de boas tarifas é maior.

A ferramenta mais eficiente para encontrar boas tarifas é o Google Flights com a visualização de calendário mensal: ela mostra de uma vez todos os preços do mês e evidencia os dias mais baratos sem precisar testar data por data. Ativar o alerta de preço para a rota específica — GRU-MDZ, VCP-MDZ ou GIG-MDZ — funciona bem para quem tem flexibilidade de datas e pode esperar uma queda.


Uma observação sobre o retorno

A volta de Mendoza para o Brasil também merece atenção. O vôo de regresso das companhias brasileiras (GOL, Azul, LATAM) em geral sai no início da tarde — por volta de 14h — e chega ao Brasil no final da tarde ou início da noite. Isso significa que o último dia em Mendoza pode ser aproveitado até o meio-dia com algum programa, ou dedicado ao descanso e às compras finais de vinho antes de despachar a mala.

Quem compra vôo de ida com uma companhia e volta com outra — combinando, por exemplo, GOL na ida e JetSmart na volta — precisa verificar as políticas de cancelamento e reembolso de cada operadora separadamente, já que os bilhetes são independentes. Nenhuma das companhias tem obrigação de remanejamento em caso de problema com o outro trecho.


Chegando em Mendoza

O Aeroporto El Plumerillo é pequeno para padrões internacionais — isso é uma vantagem prática. O desembarque, passagem pela imigração argentina, coleta de bagagem e saída costumam levar menos de 40 minutos no total. Não tem aquela maratona de aeroportos grandes.

Na imigração, o brasileiro não precisa de visto para entrar na Argentina. Passaporte válido e o formulário de declaração de aduana preenchido (disponível no avião) são suficientes. Quem tem apenas documento de identidade com chip pode entrar, mas passaporte é sempre mais seguro para evitar qualquer questionamento.

Uma observação prática sobre bebidas alcoólicas: o limite de isenção fiscal para importação de vinhos ao retornar ao Brasil é de dois litros por pessoa. Quem planeja comprar vinhos em Mendoza e despachar na mala — o que praticamente todo mundo faz — deve caber dentro desse limite para evitar tributos na Receita Federal ao desembarcar no Brasil.

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