Como Todas as Gerações Diferentes Viajam Atualmente?
Como Gen Z, Millennials, Gen X, Boomers e famílias viajam hoje, com dados atuais sobre gastos, destinos, tecnologia, sustentabilidade e novas prioridades.

Como Todas as Gerações Diferentes Viajam Atualmente?
As pessoas continuam viajando, mas não da mesma forma. Nos últimos dois anos, a conversa saiu do “para onde ir” e virou “como encaixar a viagem na vida real”. Orçamento apertado, buscas por destinos alternativos, tecnologia que resolve um monte de tarefas chatas e um cuidado maior com bem-estar. Tudo isso afeta cada geração de um jeito. E é curioso observar como certos hábitos cruzam idades, enquanto outros escancaram diferenças.
Antes de mergulhar em cada faixa etária, dá para resumir o cenário em um quadro rápido.
| Geração | Como escolhe | Onde fica | No que gasta | O que valoriza |
| Alpha e adolescentes | Influência dos pais e YouTube | Resorts, parques, destinos família | Atividades e atrativos kids | Segurança, diversão, conectividade |
| Gen Z | TikTok, Instagram e amigos | Hostels cool, hotéis acessíveis, aluguel por temporada | Experiências e shows | Preço justo, autenticidade, destinos “dupe” |
| Millennials | Busca de valor e conveniência | Hotéis bem localizados e casas maiores | Conforto, logística e alimentação | Viagem com filhos, workcations, pontos |
| Gen X | Planejamento antecipado e confiança | Hotéis de rede, cruzeiros, tours | Seguro, upgrades pontuais | Conforto, previsibilidade, família |
| Boomers e 75+ | Recomendações e histórico | Hotéis confortáveis, cruzeiros, tours guiados | Cabines premium, serviços | Ritmo mais calmo, segurança, cultura |
Agora vamos aos detalhes, com base em pesquisas recentes e no que vem aparecendo de forma consistente no mercado.
O que realmente mudou entre 2024 e 2026
- Gasto mais consciente, mas a vontade de viajar continua forte. Em 2025, a Hopper reportou que 53% dos viajantes nos EUA pretendiam manter o gasto e 23% aumentar, com a Gen Z liderando o crescimento de despesas de viagem entre os mais jovens. Ao mesmo tempo, a Deloitte notou uma postura mais conservadora em 2025–2026, com cortes no número de viagens, noites e classe de acomodação em parte do público. As duas coisas convivem: o desejo continua, só que muita gente ajusta o formato para caber no bolso.
- Destinos alternativos entraram no radar de forma explícita. A Expedia registrou que 63% dos consumidores consideram visitar “detour destinations”, lugares menos óbvios que funcionam como alternativa aos hotspots lotados. Isso conversa com a busca por autenticidade e também com preços mais amigáveis.
- Tendências que fogem do comum ganharam força. A Booking.com identificou “noctourism” como interesse real, com mais de 60% considerando destinos com pouca poluição luminosa para contemplar o céu. E wellness ficou mais profundo, com 60% interessados em viagens voltadas à longevidade e saúde no longo prazo, não só um spa de fim de semana.
- Tecnologia virou bastão de comando no planejamento. O Morning Consult mapeou o uso crescente de IA para pesquisa e organização da viagem. Plataformas e apps estão simplificando cada etapa, do roteiro ao check-in. A prática do one-click trip está se aproximando do dia a dia, inclusive com recomendações geradas por IA.
Esses vetores afetam todo mundo, mas cada geração puxa para um lado.
Crianças e adolescentes (Geração Alpha) e o peso da viagem em família
Quem tem filho pequeno não escolhe destino do nada. Piscina, praia segura, clubes infantis, quartos conectados e uma logística sem estresse pesam mais do que “o lugar da moda”. Parques temáticos, resorts all inclusive e cidades com boa infraestrutura familiar seguem populares. A influência de conteúdo infantil e teen é enorme. Vídeos no YouTube e Reels de parques aquáticos, zoológicos, aquários e experiências imersivas criam desejo nas crianças e facilitam a negociação com os adultos.
Alguns pontos típicos de decisão:
- Alimentação sem dor de cabeça e flexibilidade de horários.
- Quarto com berço e micro-ondas, ou cozinha básica quando é casa de temporada.
- Atrações a curta distância, para não depender de trajetos longos com criança cansada.
- Wi-Fi estável, não só para os adultos trabalharem de forma pontual, mas também para entretenimento dos pequenos.
Viagens multigeracionais, com avós, pais e netos, continuam se firmando. Agrada porque divide custos e cria memórias em conjunto. Operacionalmente, isso leva a casas de temporada maiores, cruzeiros com cabines próximas e hotéis com apartamentos família.
Geração Z: espontaneidade com método, TikTok como bússola e foco em experiência
A Gen Z viaja muito guiada por conteúdo social e por recomendações de amigos. TikTok e Instagram funcionam como mecanismos de busca práticos para descobrir bairros, cafés, trilhas, festivais, hospedagens diferentes e os tais “dupes” de destinos famosos, que oferecem vibe parecida com menos gente e gasto menor. Essa geração também topa ficar em acomodações mais simples se a localização for boa, se houver design bacana, áreas comuns e segurança. Hostels renovados, hotéis independentes com proposta clara e studios funcionais entram no jogo.
Comportamentos que se repetem:
- Prioridade em experiências, shows e eventos. O dinheiro vai para viver algo específico.
- Orçamento inteligente. Mão leve na bagagem, tarifas promocionais e datas maleáveis.
- Adesão a destinos alternativos para escapar de preços salgados e do excesso de turistas.
- Interesse real em sustentabilidade, embora o preço siga sendo o fiel da balança em muitas escolhas.
- Planejamento turbinado por IA. Em 2025, um estudo nos EUA apontou Millennials como os que mais usavam IA para planejar, mas a Gen Z já aparece muito forte no uso de ferramentas para roteiros curtos, filtros e traduções instantâneas.
- Vontade de aumentar o gasto quando faz sentido. A Hopper registrou que Gen Z lidera o crescimento de intenção de aumentar despesas de viagem em 2025.
Quando dá, o trabalho remoto vira um “workcation” curto, principalmente para esticar o fim de semana. E tem outra peça importante: pagamento flexível. Compra no app, cartão de crédito, contactless, às vezes parcelamento. Em mercados como o Brasil, Pix virou padrão em vários fornecedores, o que facilita reservas de última hora.
Millennials: fase família, busca por valor e conveniência, e a adesão forte à tecnologia
Millennials hoje ocupam um espaço híbrido. Muitos viajam com filhos pequenos, outros viajam a dois e alguns conciliam a viagem com trabalho remoto. Não é à toa que esse grupo costuma ficar em hotéis bem localizados, com café da manhã e estrutura, ou em casas de temporada quando precisa de cozinha e espaço. É a geração que normalmente organiza com antecedência, compara bastante, ativa alertas de preço e enxerga a fidelidade como moeda que pode aliviar o orçamento.
Padrões frequentes:
- Valorizam tempo e logística bem resolvida. Quarto confortável e check-in prático valem mais que supérfluos.
- Mantêm o olho em custo total da viagem. Transfer, estacionamento, taxas de resort ou limpeza entram na equação.
- Adotam IA e reviews como parte do funil de decisão. Pesquisas recentes mostram Millennials entre os mais propensos a usar IA no planejamento, e cruzar isso com avaliações segue sendo o padrão ouro para cortar risco.
- Gostam de viajar em baixa ou meia estação para ganhar tarifa e evitar multidão.
- Não abrem mão de qualidade mínima em cama, banho, silêncio e segurança.
Millennials tendem a gastar com o que simplifica a vida: boas malas, seguro viagem sem pegadinha, acesso prioritário quando o aeroporto está caótico e, quando cabe, uma classe premium em vôos longos. Se viajam com filhos, proximidade das atrações e infraestrutura de apoio viram determinantes.
Geração X: o meio do caminho que preza previsibilidade, conforto e bons seguros
A Gen X equilibra filhos adolescentes, trabalho e, às vezes, pais mais velhos. Isso puxa por soluções previsíveis e confortáveis. Hotéis de rede conhecidas, quartos espaçosos, café da manhã sólido, localização prática e estacionamento quando é road trip. Seguros viagem robustos entram quase sempre na lista. É uma geração que pesquisa com calma, compara franquias de aluguel de carro, olha cobertura de cartão e raramente deixa tudo para a última hora.
Pontos que aparecem o tempo todo:
- Cruzeiros ganham simpatia por combinarem custo-benefício, roteiro e praticidade, sem carregar mala de cidade em cidade.
- Tours guiados bem curados fazem sentido quando a ideia é ver bastante coisa com zero estresse logístico.
- Programas de fidelidade e status têm apelo. Upgrades e benefícios tangíveis pesam na escolha do fornecedor.
- Em destinos internacionais, preferem localização que reduza deslocamentos longos ou complexos.
No fim, a Gen X gosta de saber o que vai encontrar e fica confortável pagando por essa previsibilidade, desde que o valor esteja claro.
Boomers e 75+: ritmo próprio, conforto que faz diferença, cultura e segurança
Boomers têm mais tempo, mas não necessariamente querem correria. Muitos viajam para revisitar sonhos de décadas, explorar vinhos, museus, jardins, trens panorâmicos e cruzeiros fluviais. Outro recorte que aparece bastante é a viagem para ver família e amigos. Em paralelo, cresce a busca por conforto palpável: assento melhor no vôo, hotel silencioso, transfer confiável, tours com grupos pequenos e guias experientes. Já acima dos 75, a acessibilidade entra no centro da conversa, com adaptações de mobilidade, ritmo menor e atenção a saúde.
Tópicos recorrentes:
- Tours e cruzeiros dão sensação de segurança e organização. O embarque e desembarque fácil contam pontos.
- Seguro viagem completo, com cobertura médica adequada, é item básico e não opcional.
- Agências e consultores de viagem seguem relevantes, especialmente para roteiros mais longos ou complexos.
- Em longas distâncias, pagar por premium economy ou business se justifica pelo descanso e pela chegada melhor.
Pesquisas mais amplas sinalizam um orçamento mais atento nesse público em 2025–2026, com cortes em noites e atividades pagas em parte dos viajantes. Ainda assim, a viagem continua sendo prioridade de vida, o que mantém a roda girando, mesmo que com pequenos ajustes.
Tendências que cruzam gerações
Algumas linhas de força estão em todo lugar, com nuances por idade.
- Valor e orçamento realistas
- O “quanto custa de verdade” ganhou espaço. Não é só a tarifa base. É taxa, alimentação, deslocamento, passeios. Parte dos viajantes encurtou o número de noites ou baixou a categoria de hotel. Em paralelo, uma fatia relevante, puxada pela Gen Z, declarou intenção de gastar mais quando o motivo é forte o suficiente, como um festival ou uma viagem-desejo.
- A prática de ficar na casa de amigos e familiares voltou com tudo em períodos de alta, segundo análises da Deloitte nos EUA, o que também reduz conta sem cortar a viagem.
- Destinos alternativos e anticrowd
- “Detour destinations” cresceram. É a lógica de trocar um polo saturado por um primo menos óbvio, ganhar autenticidade e pagar menos. Esse movimento aparece nas previsões de 2025 da Expedia.
- O encantamento com céus estrelados e natureza noturna também subiu de tom, segundo a Booking.com. Bons céus e pouca luz artificial entraram em roteiros.
- Tecnologia e IA como copilotos
- Roteiros gerados por IA, comparadores integrados, tradução instantânea, alertas de preço e check-ins automatizados viraram rotina. Relatórios do Morning Consult para 2025 registram esse ganho de tração, inclusive com crescimento de favorabilidade a cruzeiros e manutenção de viagens híbridas trabalho-lazer quando possível.
- As plataformas vêm empacotando melhor a jornada. Do conteúdo à reserva, o caminho encurtou. Isso reduz atrito e explica por que viagens com múltiplas pernas estão mais fáceis de montar.
- Sustentabilidade na prática possível
- O interesse declarado por sustentabilidade é alto, mas precisa caber no orçamento. Muitos topam escolhas mais responsáveis desde que não encareçam a viagem toda. Evitar overturismo, reduzir vôos curtos quando há trem decente e escolher hospedagens com práticas claras aparecem como passos práticos.
- Pagamentos e fidelidade
- O uso de carteiras digitais e pagamento instantâneo se consolidou em vários mercados. Parcelamento e BNPL aparecem em parte do público jovem, enquanto a turma mais velha valoriza a proteção e os seguros embutidos dos cartões.
- Pontos e milhas seguem relevantes para Millennials e Gen X, com Boomers usando para conforto e upgrades, e Gen Z usando quando aprendem o jogo e veem vantagem clara.
- Hospedagem e transparência
- Hotéis seguem fortes, principalmente em áreas centrais, com limpeza e serviço previsíveis. Aluguéis por temporada brilham em viagens em grupo e família, mas a transparência sobre taxas e regras virou diferencial. Hostels bem desenhados rejuvenesceram para Gen Z e viajantes solo.
- Pet friendly não é mais tendência, é base. Quem viaja com animal busca clareza nas regras e custos.
- Transporte, mala leve e escolhas inteligentes
- Companhias low-cost e fare families fazem o preço parecer baixo, então o consumidor aprendeu a comparar o custo total. Levar só bagagem de mão e aprender a jogar com dimensões e pesos virou quase esporte.
- Na Europa, trens voltaram a ser protagonistas em rotas curtas e médias quando o preço é competitivo. Road trips continuam fortes em destinos com boas estradas e natureza.
Como cada geração está reservando hoje
- Alpha e adolescentes: os pais reservam. Apps oficiais, sites de hotéis e agências online comandam, com atenção a políticas flexíveis. Como a viagem depende da rotina da família, feriados e férias escolares são o grande filtro.
- Gen Z: descoberta no TikTok e Instagram, pesquisa rápida em agregadores, comparação de mapas e reviews, e reserva no mobile. Programas de fidelidade entram depois, quando percebem ganho real.
- Millennials: planejam com antecedência, usam IA para rascunhar o roteiro, comparam em 2 ou 3 OTAs, checam o site direto do hotel e ativam pontos. Transparência de tarifas pesa bastante. Cancelamento flexível é quase obrigatório quando o calendário é instável.
- Gen X: reservas diretas quando a rede é conhecida, ou via consultor quando o roteiro é mais complexo. Seguros completos e políticas claras entram antes do “comprar”.
- Boomers e 75+: além dos canais digitais, muita gente ainda prefere o atendimento humano para segurança na escolha. O itinerário vem com respiros, transfers previamente contratados e assistência visível.
O que destinos e marcas podem fazer de prático agora
- Para Gen Z
- Mostre o preço real total logo. Evite surpresa na última tela.
- Conte histórias curtas e visuais. Dê caminhos “dupe” e experiências exclusivas com orçamento enxuto.
- Facilidade de pagamento e suporte por chat valem muito.
- Para Millennials
- Destaque o que economiza tempo: early check-in mediante disponibilidade, guarda de bagagem, berço, cozinha equipada, lavanderia.
- Seja claro com taxas e regras. Um “como funciona” direto reduz atrito.
- Fale de benefícios de fidelidade sem jargão.
- Para Gen X
- Liste o que gera previsibilidade: cama, silêncio, estacionamento, seguro e assistência local.
- Parcerias com cruzeiros e tours de qualidade somam.
- Para Boomers e 75+
- Enfatize conforto, acessibilidade e ritmo do roteiro. Mostre fotos reais de banheiros, elevadores e acessos.
- Atendimento humano fácil de acionar dá tranquilidade.
E os temas mais quentes do momento
- Bleisure e workcation continuam, mas mais curtos. Boa mesa de trabalho, Wi-Fi estável e silêncio ainda fazem diferença para quem estica o fim de semana com algumas horas de laptop.
- Cruzeiros vivem um momento positivo de imagem, segundo o Morning Consult, com entrada de novos perfis e navios temáticos ajudando a quebrar preconceitos antigos.
- Bem-estar e natureza ganharam nuances. Não é só spa. É trilha, observação do céu, silêncio noturno e experiências regenerativas. Ao mesmo tempo, cidade grande segue forte pela cultura e gastronomia, desde que o roteiro não seja extenuante.
- A discussão sobre overturismo saiu da bolha. Viagens bem-sucedidas começam a incluir um pouco de anticrowd planning: horários alternativos, bairros vizinhos, temporadas mais tranquilas e respeito às regras locais.
No fim das contas, “como cada geração viaja” hoje fala menos de idade e mais de prioridade. A Gen Z quer viver, registrar e pagar um preço justo. Os Millennials querem fluidez e menos atrito. A Gen X busca controle e conforto. Boomers querem tempo de qualidade e segurança. Crianças e adolescentes querem brincar, descobrir e voltar contando histórias. Tudo isso sob o mesmo guarda-chuva: viajar segue sendo uma prioridade emocional, ainda que com um olho esperto no orçamento e outro nas soluções simples que tecnologia e planejamento conseguem entregar.
As tendências citadas variam por país e renda, mas os padrões descritos acima apareceram de forma consistente em estudos recentes. Se você pretende aplicar isso no seu planejamento, ajuste pelos seus próprios filtros de orçamento, datas e estilo de viagem.

