Como ir de Londres Para Oxford na Inglaterra

Como ir de Londres para Oxford: trem, ônibus e o que realmente vale a pena para chegar a uma das cidades universitárias mais bonitas da Inglaterra.

Fonte: Civitatis

Oxford fica perto de Londres, mas não tão perto a ponto de você ir e voltar sem pensar um pouco antes. São cerca de 80 quilômetros separando as duas cidades, e a boa notícia é que existem várias formas de fazer esse trajeto. A má notícia, se é que dá pra chamar assim, é que cada uma tem suas pegadinhas. Preço, horário, conforto, tempo de viagem. Tudo isso muda dependendo da escolha. Então vamos com calma, porque vale entender o que está em jogo antes de comprar qualquer passagem.

As duas opções que realmente importam

No fim das contas, quase todo mundo que vai de Londres a Oxford acaba decidindo entre duas coisas: trem ou ônibus. Existe a possibilidade de ir de carro também, e eu falo disso mais pra frente, mas para a maioria dos viajantes a disputa fica mesmo entre os trilhos e a estrada.

O trem é mais rápido. O ônibus é mais barato e roda praticamente o tempo todo. Parece simples, e até é, mas o diabo mora nos detalhes.

Indo de trem

O trem é a opção que eu costumo recomendar para quem tem pressa ou para quem simplesmente não gosta de ficar muito tempo dentro de um veículo. A viagem é rápida. Nos serviços diretos mais velozes, você chega a Oxford em torno de 45 minutos. Na média, com algumas paradas ou conexões, o tempo gira em torno de 1 hora e 15 minutos. Mesmo assim, é confortável e tem uma vista bem agradável do interior inglês passando pela janela.

Existem duas companhias que fazem esse trajeto: a Great Western Railway e a Chiltern Railways. A Great Western costuma sair da estação London Paddington, e é normalmente a rota mais rápida e direta. Já a Chiltern sai de London Marylebone, faz um caminho um pouco diferente e às vezes é mais barata, ainda que possa levar mais tempo.

A frequência é generosa. Há mais de 120 trens por dia entre as duas cidades, então você dificilmente vai ficar esperando muito. Em dia de semana, principalmente, parece que sempre tem um saindo.

Sobre preço, aqui vai o conselho que eu repito sempre: compre com antecedência. As passagens mais baratas começam em torno de 5 a 8 libras quando você reserva com dias ou semanas de antecipação. Se você chegar na estação e comprar na hora, em horário de pico, pode pagar três, quatro vezes mais. O sistema ferroviário britânico é assim mesmo, recompensa quem planeja e pune quem deixa pra última hora.

Uma dica que poucos turistas sabem: o conceito de “off-peak” e “peak” muda tudo no preço dos trens britânicos. Viajar fora do horário de pico, ou seja, evitando o começo da manhã e o fim da tarde dos dias úteis, deixa o bilhete bem mais em conta. Se você não tem hora marcada, fuja dos horários em que todo mundo está indo trabalhar.

Indo de ônibus

Agora, se o seu orçamento está mais apertado ou se você simplesmente não se importa de gastar um pouquinho mais de tempo no caminho, o ônibus é uma opção que eu acho subestimada. Tem duas empresas principais aqui, e ambas são boas.

A primeira é a Oxford Tube. Essa é, na minha opinião, uma das coisas mais convenientes que existem nessa rota. Os ônibus rodam 24 horas por dia, sete dias por semana, e em alguns horários saem a cada 10 minutos. Isso mesmo. Não existe “último ônibus”. Você pode sair de Londres às três da manhã e ainda assim ter um coletivo te esperando. Para quem chega de voo em horário esquisito, ou para quem aproveitou demais a noite londrina, isso faz toda a diferença.

Outra vantagem da Oxford Tube é que não precisa reservar. Você simplesmente aparece no ponto e embarca. E os pontos em Londres ficam em lugares estratégicos, perto de entradas do metrô, o que facilita demais a conexão para qualquer lugar da cidade. Marble Arch, Shepherd’s Bush, Notting Hill, Victoria. São paradas espalhadas que pegam boa parte das regiões turísticas.

A segunda empresa é a National Express. Também faz o trajeto entre Oxford e Londres com boa frequência, parando na Victoria Coach Station e em outros pontos como Buckingham Palace Road. É uma alternativa sólida, e às vezes tem promoções que valem a pena conferir.

O ponto fraco do ônibus é o tempo. A viagem costuma levar entre 1h40 e 2h, dependendo do trânsito. E o trânsito na saída de Londres pode ser cruel. Numa sexta à tarde, por exemplo, prepare-se para um pouco mais de paciência. Em compensação, o conforto dos ônibus modernos é bom: assentos reclináveis, wi-fi, tomadas USB. Dá pra cochilar, ouvir música ou simplesmente olhar a paisagem.

Comparando lado a lado

Para deixar mais visual, montei uma comparação rápida entre as opções principais. Acho que ajuda a bater o olho e decidir.

OpçãoTempo médioFrequênciaPreço aproximadoMelhor para
Trem (rápido)45 min a 1h15Mais de 120 por diaA partir de £ 14 antecipadoPressa e conforto
Oxford Tube1h40 a 2hA cada 10 min, 24hMais barato que tremFlexibilidade total
National Express1h40 a 2hFrequenteEconômicoQuem já usa a rede
Carro1h15 a 2hQuando quiserPedágio, combustível, estacionamentoQuem quer explorar a região

E o carro? Vale a pena dirigir?

Essa é uma pergunta que aparece sempre. A resposta curta é: depende muito do que você pretende fazer.

Dirigir de Londres a Oxford não é difícil. O caminho mais comum é pela rodovia M40, e em condições normais o trajeto leva pouco mais de uma hora. O problema não é a estrada. O problema é Oxford em si.

Oxford é uma cidade antiga, com ruas estreitas, muitas áreas de pedestres e um sistema de cobrança para reduzir o trânsito no centro. Estacionar no coração da cidade é caro e complicado. Por isso, existe um sistema muito inteligente chamado Park and Ride. Você deixa o carro num estacionamento na periferia da cidade, geralmente bem mais barato, e pega um ônibus que te leva ao centro em poucos minutos. Funciona muito bem e evita uma baita dor de cabeça.

Ou seja, alugar um carro só faz sentido se a sua ideia for explorar mais a região. As Cotswolds, por exemplo, aquela área de vilarejos charmosos com casinhas de pedra cor de mel, ficam relativamente perto e são praticamente inacessíveis de transporte público. Se esse é o plano, o carro vira um aliado. Se você só quer ver Oxford e voltar, esquece. Trem ou ônibus resolvem melhor.

Onde os trens e ônibus chegam em Oxford

Vale saber onde você desembarca, porque isso muda o início do seu passeio.

A estação de trem de Oxford fica a uns 10 ou 15 minutos de caminhada do centro histórico. Não é longe, mas também não é na porta das principais atrações. Dá pra ir a pé tranquilamente, e o caminho até passa por partes interessantes da cidade.

Os ônibus, tanto da Oxford Tube quanto da National Express, costumam parar na Gloucester Green, que é a estação de ônibus central. Essa parada é bem mais próxima do coração de Oxford, então em termos de localização final, o ônibus pode até te deixar mais perto do que o trem. É um detalhe pequeno, mas que conta quando você está cansado e carregando bagagem.

Qual eu escolheria?

Se eu tivesse que dar um único conselho, seria este: avalie o seu perfil de viagem antes de tudo.

Para um bate e volta no mesmo dia, com horários fixos e vontade de aproveitar cada minuto, o trem ganha. Você sai cedo, chega rápido, passa o dia em Oxford e volta à noite sem perder tempo na estrada. Comprando a passagem com antecedência, o preço fica bem razoável.

Já para quem tem horários flexíveis, quer economizar ou está viajando em horários estranhos, a Oxford Tube é quase imbatível. Aquela história de rodar 24 horas e sair a cada 10 minutos tira toda a pressão de planejamento. Você vai quando der vontade. E isso, numa viagem, tem um valor enorme.

Eu, particularmente, gosto da combinação. Ir de trem na ida, quando estou cheio de energia e querendo chegar logo, e voltar de ônibus no fim do dia, mais relaxado, sem pressa, deixando a paisagem passar. Mas isso é gosto pessoal.

Algumas dicas práticas antes de fechar

Compre o bilhete de trem online e com antecedência, sempre. O aplicativo da Trainline é prático e mostra todas as opções e horários de uma vez. Você também pode comprar direto nos sites da Great Western Railway ou da Chiltern Railways.

Para o ônibus, baixe o aplicativo da Oxford Tube. Dá pra planejar a viagem, acompanhar o coletivo em tempo real e comprar passagem pelo celular. Facilita bastante, principalmente se você não fala inglês com fluência e prefere evitar conversas no balcão.

Se for de trem, confira de qual estação ele sai. Paddington e Marylebone são lugares diferentes de Londres, e chegar na estação errada com a passagem na mão é uma frustração desnecessária.

Leve em conta o horário. Viajar fora do pico, especialmente nos dias de semana, economiza dinheiro no trem e tempo no ônibus. Os finais de tarde de sexta-feira são os piores em termos de trânsito e lotação.

E reserve um dia inteiro para Oxford, se puder. A cidade é pequena, mas densa de coisas para ver. As faculdades centenárias, a biblioteca Bodleian, os cenários que serviram de inspiração para Harry Potter e tantas histórias da literatura inglesa. Seria uma pena correr.

No fim, ir de Londres a Oxford é uma das viagens mais fáceis e gratificantes que você pode fazer partindo da capital britânica. Pouco mais de uma hora separando o caos de Londres da calmaria acadêmica de Oxford. Escolha o transporte que combina com o seu ritmo, planeje o básico e aproveite. Essa rota raramente decepciona.

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