Como é o Circuito Diamond na Islândia

O Diamond Circle existe há décadas como rota, mas só recebeu esse nome oficialmente em 2014, quando as autoridades turísticas do norte da Islândia decidiram que o país precisava de um segundo circuito icônico além do Golden Circle — algo que representasse o nordeste com a mesma clareza com que o sul já era vendido ao mundo. O nome foi escolhido com intenção deliberada: se o sul tem o ouro, o norte tem o diamante. E quem conhece os dois circuitos raramente discorda da comparação.

Foto de Matthew DeVries: https://www.pexels.com/pt-br/foto/niagara-falls-landmark-3082314/

O que o Diamond Circle entrega, em termos geológicos e paisagísticos, é uma versão mais extrema, mais isolada e menos domesticada do que o Golden Circle oferece. As cachoeiras são maiores. Os cânions são mais profundos. Os campos geotérmicos cheiram a enxofre de uma forma que nenhuma fonte de Þingvellir imita. E os ônibus de tour que enfileiram nos estacionamentos de Geysir e Gullfoss praticamente não existem aqui — o nordeste islandês ainda tem uma qualidade de silêncio e de distância que o turismo de massa ainda não apagou.

Para quem vai à Islândia pela primeira vez e planeja a Ring Road inteira ou pelo menos o norte da ilha, o Diamond Circle não é um desvio — é um dos pontos centrais do que torna a Islândia única.


O Que É o Diamond Circle — E Como Ele Se Diferencia do Golden Circle

O Diamond Circle é uma rota circular de aproximadamente 250 km no nordeste da Islândia, com base logística em Akureyri — a maior cidade fora de Reykjavík, chamada pelos islandeses de “Capital do Norte”. O circuito conecta cinco pontos principais: Goðafoss, o Lago Mývatn com toda a sua zona geotérmica, Dettifoss, o Cânion de Ásbyrgi e a cidade costeira de Húsavík.

A diferença em relação ao Golden Circle não é só de localização. É de caráter.

O Golden Circle é acessível, compacto, cheio de infraestrutura turística e pode ser feito de ônibus saindo de Reykjavík num único dia. O Diamond Circle é mais espalhado, mais remoto, com trechos de estrada que se complicam no inverno, com menos cafés de conveniência e mais quilômetros de absolutamente nada entre uma parada e a próxima. Não é difícil — mas exige planejamento de outra natureza. E entrega, em contrapartida, uma Islândia que parece menos compartilhada.

Dirigir sem parar o circuito completo leva entre 5 e 6 horas. Com visitas adequadas a cada ponto, o tempo realista é de 8 a 10 horas para um dia cheio. Para dois dias com calma e paradas extras — o ritmo que a maioria dos viajantes deveria escolher —, o circuito se abre de uma forma completamente diferente.


Como Chegar ao Ponto de Partida — Akureyri

Akureyri fica a cerca de 470 km de Reykjavík pela Ring Road — aproximadamente 5 horas de carro. A cidade tem aeroporto próprio, o Akureyri Airport (AEY), com voos domésticos operados pela Icelandair e pela Eagle Air a partir de Reykjavík. O voo dura menos de 1 hora e é a forma mais rápida de chegar ao norte.

Custo do voo Reykjavík → Akureyri: entre 8.000 e 20.000 ISK (aproximadamente €55 a €135) dependendo da antecedência da compra e da temporada. Para grupos de dois ou mais, o carro de Reykjavík até Akureyri pode sair mais barato do que as passagens — e entrega a Ring Road pela costa norte como bônus visual.

Existe também o ônibus Strætó que liga Reykjavík a Akureyri, mas com frequência baixa e tempo de percurso de 6 a 7 horas. É a opção mais barata — em torno de 7.000 ISK por pessoa — mas limita a exploração do circuito uma vez no norte, já que o transporte público na região é praticamente inexistente.

A conclusão prática: para quem vai fazer o Diamond Circle, o carro alugado é quase obrigatório. Seja pegando em Reykjavík e dirigindo até o norte, seja alugando diretamente em Akureyri — onde locadoras como Hertz, Budget, Europcar e opções locais têm balcões no aeroporto.


Goðafoss — A Cachoeira dos Deuses

O primeiro ponto do Diamond Circle para quem sai de Akureyri sentido leste fica a apenas 30 km da cidade, na margem da Rota 1. É acessível em minutos a pé do estacionamento, sem trilha longa, sem desnível significativo — e ainda assim tem um impacto imediato que pouca cachoeira da Islândia iguala.

Goðafoss tem 30 metros de largura e cai 12 metros em forma de crescente, dividida em dois braços pelo rio Skjálfandafljót. A forma semicircular é rara — não é uma queda reta como a maioria, mas um arco que abraça o ponto de observação e joga névoa em todas as direções. O resultado é que praticamente qualquer foto tirada de qualquer ângulo funciona, o que a torna possivelmente a cachoeira mais fotografável da Islândia pelo equilíbrio entre acessibilidade e impacto visual.

O nome — “Cachoeira dos Deuses” — vem de um momento específico do ano 1000 d.C. O Lawspeaker Þorgeir Ljósvetningagoði, após a assembleia do Alþingi decidir que a Islândia adotaria o cristianismo, voltou para casa no norte e jogou suas estátuas dos deuses nórdicos nas cataratas. A conversão religiosa de um país inteiro registrada num único ato físico, num rio que ainda corre da mesma forma hoje.

Há dois mirantes: na margem leste — a mais fácil e a do estacionamento principal — e na margem oeste, acessível por uma ponte a poucos metros e com um ângulo completamente diferente sobre a cachoeira. A diferença de perspectiva entre os dois lados justifica os quinze minutos de caminhada.

Quanto tempo: 45 minutos a 1 hora e 30 minutos. Custo: gratuito. Estacionamento gratuito.

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Lago Mývatn — Um Planeta Dentro da Islândia

Mývatn é o ponto de maior concentração de fenômenos geológicos do Diamond Circle. O lago em si tem 37 km² de superfície e uma forma irregular pontuada por ilhotas de lava — resultado de erupções vulcânicas que moldaram o fundo do lago há cerca de 2.300 anos. O nome significa “lago das mosquitos” ( = mosquito, vatn = lago), e esse é provavelmente o detalhe mais honesto que qualquer guia pode dar sobre o lugar: no verão, especialmente em julho e agosto, há uma nuvem de mosquitos inofensivos mas absolutamente onipresente em torno das margens do lago. Não picam. Mas entram em nariz, boca e orelha com uma eficiência que só a evolução explica. Uma rede protetora para o rosto (midge net) não é exagero de turista apressado — é sabedoria local.

O entorno do lago concentra mais atrações geológicas por quilômetro quadrado do que qualquer outro ponto da Islândia. E a maioria é gratuita.

Hverir — O Lugar que Mais Parece Outro Planeta

A área geotérmica de Hverir, na base do Monte Námafjall, é a mais visualmente impactante da zona de Mývatn — e talvez de toda a Islândia. O solo é cor de ferrugem e laranja, coberto de fumarolas que vaporizem continuamente, lamas ferventes que borbulham em crateras pequenas, poças de água superaquecida em tons de cinza e amarelo. O cheiro de enxofre é intenso e imediato — ao sair do carro, a primeira reação de qualquer pessoa é dar meia-volta para verificar se há algum problema com o motor. Não há. É o planeta.

O caminho pelos campos geotérmicos leva entre 30 e 45 minutos percorrendo tudo com calma. As placas de advertência que indicam “não sair dos caminhos” têm aqui uma urgência diferente — o solo ao redor das lamas ferventes pode ceder, e as temperaturas chegam a 200°C. Não é proibição burocrática.

Custo: gratuito. Estacionamento: gratuito.

Dimmuborgar — As Torres de Lava

Chamado de “Castelo Negro” ou “Cidade Sombria”, Dimmuborgar é um campo de formações de lava com até 20 metros de altura — pilares, arcos, grutas e passagens que se formaram quando uma cratera próxima entrou em erupção há cerca de 2.300 anos e a lava esfriou de forma irregular ao redor de bolsões de vapor. O resultado é uma paisagem que parece arquitetônica sem ser construída por ninguém.

Há trilhas bem sinalizadas de diferentes comprimentos — a mais curta leva 20 minutos, a mais longa cobre quase toda a extensão do campo em 1h30. A formação mais famosa é a Kirkjan (A Igreja) — uma câmara de basalto que se abre como uma catedral natural, com luz entrando por uma abertura no topo.

Custo: gratuito. Estacionamento: gratuito.

Hverfjall — A Cratera que Se Escala

Hverfjall é uma cratera vulcânica de 1 km de diâmetro e 140 metros de profundidade, formada há cerca de 2.500 anos por uma erupção freatomagmática — quando o magma encontrou água subterrânea e explodiu em vapor. A borda da cratera pode ser alcançada por uma trilha de 30 minutos de subida moderada. No topo, a vista do lago Mývatn de um lado e dos campos de lava de Dimmuborgar do outro é um dos panoramas mais completos do norte islandês.

A trilha ao redor da borda da cratera leva mais 45 minutos e oferece perspectivas diferentes a cada trecho — especialmente a vista para o interior da cratera, que tem uma escala difícil de perceber até estar no topo.

Custo: gratuito. Trilha moderada — adequada para condicionamento físico médio.

Krafla — O Vulcão que Ainda Respira

A cerca de 15 km de Mývatn, Krafla é um sistema vulcânico ativo que teve a última série de erupções entre 1975 e 1984 — o chamado Kröflueldur (Fogo de Krafla), quando o magma emergiu múltiplas vezes ao longo de uma fissura de 9 km. A paisagem resultante ainda está quente: campos de lava cinza-escura e negra cobrem o entorno, e a cratera Víti — cujo nome significa literalmente “Inferno” em islandês — contém um lago de água turquesa-esverdeada de origem geotérmica que contrasta de forma quase irreal com o basalto ao redor.

A usina geotérmica de Krafla Power Station fica logo abaixo da cratera e abastece boa parte do norte islandês. Ver a chaminé fumegante da usina ao lado do campo de lava enquanto a cratera borbulha ao fundo é um dos poucos lugares onde a exploração geotérmica humana e a geologia vulcânica natural coexistem num mesmo quadro visual sem que nenhuma das duas domine.

Custo: gratuito. Estacionamento gratuito.


Dettifoss — A Cachoeira Mais Poderosa da Europa

Dettifoss não é a mais alta da Islândia. Não é a mais larga. Mas é, por volume de água por segundo, a cachoeira mais poderosa da Europa — e isso transforma qualquer comparação em coisa menor.

O rio Jökulsá á Fjöllum carrega cerca de 190 m³ de água por segundo em condições normais, e até 500 m³ em períodos de degelo — água glacial carregada de sedimento cinzento que cai 44 metros num cânion de basalto com paredes de até 100 metros de altura. O trovão que a queda produz é audível a mais de 1 km antes de chegar. A névoa cobre o entorno num raio de centenas de metros. Roupa impermeável não é conforto — é necessidade absoluta.

A Stanley Kubrick foi buscar Dettifoss como cenário de abertura de Prometheus (2012), o prequel de Alien dirigido por Ridley Scott. A sequência inicial do filme — filmada exatamente nas margens oeste do cânion — ajudou a trazer uma nova onda de viajantes ao nordeste islandês. Não porque o filme seja islandês, mas porque a paisagem simplesmente não existe em nenhum outro lugar do planeta da mesma forma.

Existem dois lados de acesso a Dettifoss, e a escolha entre eles importa:

Margem leste — Rota 864 (cascalho): aberta apenas no verão (junho a setembro). É a mais próxima da cachoeira, com uma trilha de 10 minutos até o mirante que chega a menos de 20 metros da queda. No verão, é a melhor opção para quem quer o máximo de proximidade e impacto visual.

Margem oeste — Rota 862 (pavimentada): acessível o ano todo. A trilha até o mirante é mais longa — cerca de 20 minutos de caminhada — e o ângulo de visão é ligeiramente diferente. No inverno e no outono, quando a Rota 864 está fechada, esta é a única opção.

A Selfoss — uma cachoeira menor a 1 km ao norte de Dettifoss ao longo da mesma trilha — tem 10 metros de queda mas uma forma ampla e horizontal que a torna completamente diferente visualmente. A Hafragilsfoss, a 2 km ao sul, mergulha 27 metros e tem o cânion ao redor em estado mais selvagem. Para quem tem tempo, as três juntas formam um percurso de cachoeiras que não existe em nenhum outro ponto da Islândia.

Quanto tempo: 1 hora a 2 horas dependendo de quantas cachoeiras da área você visita. Custo: gratuito. Estacionamento gratuito.


Ásbyrgi — O Cânion da Mitologia Nórdica

Ásbyrgi é um cânion em forma de ferradura com 3,5 km de comprimento e paredes de basalto de até 100 metros de altura. O piso plano do cânion é coberto por uma floresta de bétulas — única no contexto do nordeste islandês, que em geral é árido e aberto — e no centro há uma pedra alta e isolada chamada Eyjan (“A Ilha”), em torno da qual o verde da floresta contrasta com o cinza das paredes de basalto.

A explicação científica diz que o cânion foi formado por inundações cataclísmicas provenientes do degelo glacial há cerca de 10.000 anos. A explicação nórdica é diferente: o cânion foi criado quando Sléipnir, o cavalo de oito patas de Odin, tocou o solo com um de seus cascos durante uma das travessias do mundo. A forma de ferradura, dizem as sagas, é o negativo do casco do cavalo. Difícil argumentar contra quando se está dentro do cânion olhando para cima.

Há trilhas de diferentes extensões dentro de Ásbyrgi — a mais popular circunda Botnstjörn, um pequeno lago no fundo do cânion, em cerca de 45 minutos. A trilha até o mirante no topo da parede leste, com vista aérea para toda a ferradura, leva 1h30 e tem desnível considerável mas recompensador.

Hljóðaklettar — as “Rochas Ecoantes” — ficam a cerca de 10 km ao sul de Ásbyrgi dentro do mesmo Parque Nacional Jökulsárgljúfur. São formações de basalto com estrutura em espiral e cavernas que criam efeitos acústicos peculiares: o som do rio ressoa nas paredes de formas que mudam dependendo do ponto onde se está. É um dos lugares mais estranhos e menos visitados do circuito.

Quanto tempo em Ásbyrgi: 1h30 a 2h30 para o circuito básico com a trilha do lago. Custo: gratuito. O camping dentro do parque tem cobrança (mais sobre isso adiante).


Húsavík — A Capital do Whale Watching da Europa

Húsavík é uma cidade costeira de cerca de 2.200 habitantes que se transformou, nas últimas décadas, na referência europeia de observação de baleias. Não por marketing — por resultado. A Baía de Skjálfandi, onde Húsavík está inserida, tem uma concentração excepcional de krill durante o verão que atrai baleias jubarte (humpback), baleias minke, golfinhos e, em anos de sorte, baleias azuis. As taxas de avistamento no verão são consistentemente altas — em torno de 95% nas saídas de verão.

Os tours de whale watching partem do porto histórico de Húsavík várias vezes ao dia entre maio e outubro. Há três tipos de embarcação:

TipoDuraçãoPreço aproximado (2026)
Barco tradicional de madeira3 horas€80 a €100
RIB inflável (mais veloz, mais próximo)2 horas€90 a €120
Tour combinado com puffins3,5 horas€95 a €115

Reserva antecipada é obrigatória no verão — especialmente julho e agosto, quando as saídas esgotam dias antes. As principais operadoras são North Sailing, Gentle Giants e Húsavík Whale Museum (que combina museu + tour). O museu em si — o Húsavík Whale Museum — é um dos melhores museus temáticos do tipo na Europa e custa em torno de 2.500 ISK por adulto.

Além das baleias, Húsavík tem uma Igreja de madeira do início do século XX que é um dos edifícios mais fotografados do norte islandês, e o GeoSea — um spa geotérmico com piscinas aquecidas por fontes naturais diretamente na falésia sobre a baía, com vista para o oceano. O ingresso custa em torno de 4.500 ISK (€30). É mais barato do que a Blue Lagoon, mais autêntico, e tem um cenário marítimo que nenhum spa do sul da Islândia reproduz.


As Paradas Extras que Elevam o Circuito

Mývatn Nature Baths — A Blue Lagoon do Norte

As Mývatn Nature Baths são frequentemente comparadas à Blue Lagoon pelo conceito — piscina geotérmica de água turquesa — mas com diferenças significativas. A temperatura oscila entre 36°C e 40°C. A água é alcalina, carregada de minerais naturais. As piscinas ficam abertas para o céu de tundra islandesa com vista para os campos de lava de Mývatn.

O ingresso custa em torno de 4.000 ISK (€27) por adulto — pouco mais da metade do preço da Blue Lagoon. E o nível de superlotação é, mesmo no pico do verão, muito menor. Reserva online com antecedência é recomendada mas não tão urgente quanto na Blue Lagoon.

Para quem vai fazer o Diamond Circle em dois dias, terminar o primeiro dia nas Mývatn Nature Baths ao entardecer — com o céu cor de cobre refletindo na água — é uma das melhores decisões de roteiro possíveis.

Aldeyjarfoss — A Cachoeira Fora do Roteiro

A cerca de 45 km ao sul de Goðafoss, pela estrada F26 (que exige 4×4), a Aldeyjarfoss é uma cachoeira de 20 metros que cai sobre uma formação de colunas de basalto hexagonal no estilo de Reynisfjara — mas sem ninguém ao redor. Para quem tem 4×4 e tempo, é um desvio que entrega uma das cenas geológicas mais espetaculares da Islândia numa completa solidão de plateau.

Akureyri — A Cidade que Não É Só Ponto de Passagem

A base do Diamond Circle merece mais do que a função de dormitório logístico. Akureyri tem uma escala que funciona bem: grande o suficiente para ter supermercados, restaurantes, cultura e infraestrutura, pequena o suficiente para ser explorada a pé em meio dia.

O Jardim Botânico de Akureyri — o mais ao norte do mundo, a 65° de latitude — é gratuito e surpreendentemente florido no verão: espécies árticas e subárticas que florescem no curto mas intenso verão islandês. A Igreja de Akureyri (Akureyrarkirkja), projeto do arquiteto Guðjón Samúelsson — o mesmo da Igreja Hallgrímskirkja em Reykjavík —, fica no topo de uma escadaria de 102 degraus com vista para o fiorde Eyjafjörður e é gratuita. O Museu de Akureyri tem coleção de arte e história regional com ingresso acessível.

O supermercado Nettó de Akureyri é o ponto ideal para abastecer a mochila de comida antes de partir para o circuito — os preços na cidade são menores do que nos postos de gasolina e cafés ao longo da rota.


Como Se Preparar — Antes de Sair de Akureyri

Verificação de Estradas

O road.is — o site da Administração Rodoviária Islandesa — deve ser consultado toda manhã antes de partir. A Rota 864 (acesso à margem leste de Dettifoss) fecha no inverno e pode ter restrições no outono e primavera. No verão é aberta, mas permanece de cascalho — velocidade máxima segura: 50 km/h.

Em condições de neve ou gelo, trecho da Rota 1 entre Akureyri e Mývatn pode ser restrito. Verificar antes de sair não é burocracia — é a diferença entre um dia de roteiro funcionando e ficar parado numa estrada fechada sem sinal de celular.

Roupa e Equipamento

Mývatn e Dettifoss têm microclimas distintos. A zona geotérmica de Hverir pode ter vento forte que lança partículas de areia vulcânica e ácido sulfúrico — óculos de sol são proteção real, não acessório. Ao redor de Dettifoss, a névoa da cachoeira molha de dentro para fora qualquer casaco não impermeável. A combinação impermeável externo + camadas térmicas internas funciona em qualquer época do ano.

No verão (julho e agosto), a rede protetora para mosquitos em torno de Mývatn não é exagero. As lojas de Akureyri vendem por preços razoáveis, e os hotéis e guesthouses da área às vezes disponibilizam para empréstimo.

Gasolina

Os postos de gasolina entre Mývatn e Ásbyrgi são escassos. Abastecer completamente em Akureyri antes de partir e reabastecer em Mývatn (há um posto no village de Reykjahlíð) elimina qualquer risco de ficar sem combustível na parte mais remota do circuito. Em Húsavík também há postos com preços razoáveis. Entre Dettifoss e Ásbyrgi, por trecho de cerca de 60 km pela Rota 862/85, não há nada.

Mapas Offline

O sinal de celular desaparece em vários trechos entre Dettifoss e Ásbyrgi, e nas estradas de acesso ao interior. Baixar os mapas offline do Google Maps ou Maps.me para o nordeste da Islândia antes de sair de Akureyri é obrigatório.


Quanto Tempo Dedicar — A Decisão Mais Importante

Em um dia: possível com carro e saída às 7h de Akureyri. Cobre todos os cinco pontos principais sem parar em nenhum por mais de 1h. Funciona para quem não tem mais tempo — mas deixa Mývatn completamente subaproveitado, que sozinho merece um dia inteiro.

Em dois dias: o ritmo ideal. Dia 1 cobre Goðafoss + toda a área de Mývatn (Hverir, Dimmuborgar, Hverfjall, Krafla + Mývatn Nature Baths no final da tarde). Pernoite em Reykjahlíð ou no entorno do lago. Dia 2 cobre Dettifoss + Selfoss + Ásbyrgi + Húsavík, com retorno a Akureyri à noite.

Em três dias: três dias permitem incluir os desvios mais escondidos — Hljóðaklettar, a trilha completa de Ásbyrgi, a visita ao Whale Museum em Húsavík além do tour, uma manhã fotográfica em Goðafoss antes das 8h quando a luz é dourada e não há ninguém.


Onde Hospedar — Opções Reais com Preços

Em Reykjahlíð (Área de Mývatn)

O village de Reykjahlíð fica às margens do lago Mývatn e é a base natural para quem divide o Diamond Circle em dois dias. As opções são limitadas em número mas razoáveis em qualidade:

  • Vogafjós Guesthouse: guesthouse familiar famosa por ter uma “fazenda de visão” onde é possível ver as vacas serem ordenhadas da sala de jantar do restaurante. Preços em torno de $120 a $180/noite por quarto duplo.
  • Mývatn Nature Baths Guesthouse: próxima às piscinas termais, conveniência total para quem quer entrar nas Baths no início da manhã antes do movimento.
  • Camping em Reykjahlíð: aberto no verão, com infraestrutura básica. Custo em torno de 1.500 a 2.000 ISK por pessoa por noite. A localização às margens do lago com o céu aberto é um dos melhores pontos do norte islandês para aurora boreal no outono.

Em Húsavík

Húsavík é a cidade mais estruturada do circuito depois de Akureyri e tem a vantagem de estar na costa — ventos mais amenos que no interior, sem mosquitos de Mývatn.

  • Fosshotel Húsavík: o mais sofisticado da cidade, com vista para a baía. Preços entre $150 e $250/noite.
  • Húsavík Guesthouse: opção mais acessível, quarto duplo entre $90 e $130/noite.
  • Camping Húsavík: bem localizado perto do porto, aberto de junho a setembro. Custo em torno de 1.500 ISK por pessoa.

Em Akureyri

Akureyri tem a maior oferta de hospedagem do norte islandês — hostels, guesthouses, hotéis e Airbnb em todas as faixas de preço. Para quem chega de avião ou vai partir pela Ring Road após o circuito, pernoitar em Akureyri na chegada e na saída é a lógica mais eficiente.

  • Hostel Akureyri: camas em dormitório entre 4.500 e 7.000 ISK por noite.
  • Guesthouses em bairros residenciais: quarto privado entre $80 e $130/noite.

Self-Drive vs. Tour Organizado — A Conta Real

Os tours do Diamond Circle saindo de Akureyri existem e têm qualidade variável. Os melhores cobrem todas as cinco paradas em 8 a 9 horas com guia bilíngue e transporte.

Tipo de TourDuraçãoPreço por Pessoa
Tour clássico em grupo (Akureyri)8 a 9 horas$80 a $120
Minivan grupo pequeno8 a 9 horas$130 a $180
Tour privado exclusivo8 a 10 horas$500 a $900 (total)

O tour faz sentido para viajantes solo ou para quem está de passagem rápida por Akureyri sem carro. Para dois ou mais viajantes em dois dias, o carro sai mais barato e entrega uma experiência completamente diferente.

Custo estimado self-drive em dois dias (2 pessoas):

ItemCusto
Carro econômico/SUV (2 dias em setembro)$200 a $300
Seguros (CDW + GP + SCDW)$70 a $100
Gasolina (~500 km)$45 a $60
Mývatn Nature Baths (2 pessoas)~$54
Whale watching (opcional, 2 pessoas)~$180
Hospedagem (2 noites, duplo)$120 a $250
Total para 2 pessoas$670 a $950
Por pessoa$335 a $475

Como Reduzir Custos sem Reduzir a Experiência

Alimentar-se no supermercado: o Nettó de Akureyri tem os melhores preços da região. Montar lanche, almoço e café da manhã antes de sair elimina os custos dos cafés das atrações — que em pontos como as Mývatn Nature Baths e Húsavík têm preços turísticos. O Bónus de Akureyri também opera na cidade.

Camping nos pontos certos: o camping de Ásbyrgi fica dentro do Parque Nacional e tem uma localização excepcional — ao pé das paredes de basalto, com o som do vento nas folhas das bétulas. Custo em torno de 1.800 ISK por pessoa. Se a barraca e o sleeping bag já fazem parte do equipamento, reduz drasticamente o custo de hospedagem da segunda noite.

Whale watching fora de julho: os tours de observação de baleias em Húsavík têm preços mais baixos em maio e setembro do que em julho e agosto. A probabilidade de avistamento no outono ainda é alta — as baleias permanecem na baía até outubro. E o cenário da baía em setembro, com a luz baixa do outono, tem uma qualidade fotográfica que o verão com o sol alto não reproduz.

Goðafoss antes das 8h30: chegar cedo a Goðafoss — antes que os ônibus de tour apareçam — entrega a cachoeira praticamente vazia. A luz da manhã no verão islandês, com o sol já alto às 6h, cria reflexos na névoa da queda que o meio do dia não repete. E não custa nada além de dormir menos.

Não pagar Whale Museum e tour separado: o Húsavík Whale Museum vende combo com desconto para museum + tour de whale watching. Vale verificar antes de reservar as duas coisas separado.


A Diferença que Ninguém Menciona nos Roteiros

O Diamond Circle tem um atributo que poucos guias descrevem com a clareza necessária: é um circuito de silêncio.

Não silêncio como ausência de som — Dettifoss é uma das cachoeiras mais ruidosas da Europa, e Hverir cheira e borbulha sem parar. Silêncio como ausência de multidão. Em Ásbyrgi numa tarde de setembro, você pode caminhar pela floresta de bétulas dentro do cânion sem encontrar outra pessoa por quarenta minutos. Em Krafla, com a cratera Víti fumegante ao fundo e o campo de lava à frente, é comum ser o único ser humano visível em qualquer direção.

Isso não acontece mais no Golden Circle em nenhuma época do ano. E no Diamond Circle é o estado padrão fora do pico de julho.

Para o viajante que vai à Islândia pela primeira vez e quer entender o que o país tem de mais específico — a escala, o isolamento, a sensação de estar num planeta que está sendo formado enquanto você caminha sobre ele —, o Diamond Circle entrega essa experiência com uma consistência que o sul da ilha perdeu gradualmente com o crescimento do turismo em massa.

O norte ainda tem isso. E enquanto tem, vale cada quilômetro de estrada para chegar até lá.

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