Como é a Trilha Pelas 7 Lagoas de Ausangate

A Trilha pelas 7 Lagoas de Ausangate é um trekking de alta altitude saindo de Cusco, com lagunas coloridas, vista para nevados, águas termais em Pacchanta e esforço físico real acima dos 4.000 metros.

Fonte: Civitatis

A Trilha pelas 7 Lagoas de Ausangate é um dos passeios de natureza mais bonitos e menos óbvios para fazer saindo de Cusco. Ela não tem a fama mundial de Machu Picchu, nem a explosão turística da Montanha Colorida, mas entrega algo muito especial: paisagem de alta montanha, lagunas de tons azulados e esverdeados, presença constante do nevado Ausangate e uma sensação de estar em uma parte mais crua dos Andes peruanos.

É um passeio forte. Não pelo nível técnico da caminhada, porque a trilha em si não exige escalada nem experiência avançada em trekking, mas pela altitude. O circuito passa por regiões acima de 4.200 metros, podendo chegar perto de 4.600 a 4.800 metros, dependendo da rota feita pelo grupo. Isso muda tudo. O ar pesa, o passo fica mais lento e até quem tem bom condicionamento percebe que ali o corpo trabalha diferente.

A base do passeio é a comunidade de Pacchanta, no distrito de Ocongate, região de Cusco. É dali que começa a caminhada, e é também ali que muita gente termina o dia relaxando nas águas termais, com vista para as montanhas. Essa combinação de trilha, lagunas e banho termal é o que torna o passeio tão interessante.

Onde ficam as 7 Lagoas de Ausangate

As 7 Lagoas ficam na região do nevado Ausangate, uma das montanhas mais importantes e sagradas dos Andes peruanos. O Ausangate tem mais de 6.300 metros de altitude e domina a paisagem da Cordilheira Vilcanota, ao sul de Cusco.

O ponto de partida mais comum é Pacchanta, um pequeno povoado andino localizado a cerca de 3 horas a 3h30 de Cusco, dependendo da estrada, do clima e das paradas. A altitude de Pacchanta já é alta, em torno de 4.200 metros, então a sensação de ar rarefeito começa antes mesmo da trilha.

InformaçãoDetalhe
Cidade baseCusco
Ponto de início da trilhaPacchanta
RegiãoOcongate, Cordilheira Vilcanota
Altitude inicial aproximada4.200 metros
Altitude máxima comumEntre 4.600 e 4.800 metros
Distância da caminhadaCerca de 10 a 12 km
Tempo de caminhada5 a 6 horas, em média
DificuldadeModerada a exigente pela altitude
Atrativo extraÁguas termais de Pacchanta

A trilha é chamada de “7 Lagoas” porque o circuito passa por uma sequência de lagunas formadas pelo degelo das montanhas. Os nomes podem variar um pouco conforme a agência e o roteiro, mas algumas das lagoas mais citadas são Azulcocha, Otorongo, Pucacocha, Alqacocha, Qomercocha e Patacocha.

Mais importante do que decorar os nomes é entender o cenário: são lagunas de alta montanha, com águas frias, cores intensas e montanhas nevadas ao redor.

Como é o passeio saindo de Cusco

A maioria dos passeios para as 7 Lagoas de Ausangate é feita em esquema full day, com saída muito cedo de Cusco. Normalmente, as agências buscam os viajantes entre 4h e 5h da manhã, dependendo do hotel e da organização do grupo.

O roteiro costuma seguir esta lógica:

Horário aproximadoEtapa
4h00 a 5h00Saída de Cusco
7h00 a 8h00Chegada a Pacchanta e café da manhã
8h00 a 9h00Início da caminhada
9h00 a 13h00Circuito pelas lagoas
13h00 a 14h00Retorno a Pacchanta
14h00 a 15h00Almoço
15h00 a 16h00Banho nas águas termais, quando incluído
16h00 a 19h00Retorno a Cusco

Os horários variam bastante. Em grupos maiores, sempre há atrasos. Em dias de chuva, frio forte ou ritmo lento, a trilha pode demorar mais. Por isso, não é bom marcar compromisso apertado em Cusco na mesma noite.

O passeio ocupa o dia inteiro. Mesmo que a trilha termine no começo da tarde, o deslocamento de volta é longo.

Como é a estrada até Pacchanta

O trajeto de Cusco até Pacchanta já dá uma boa amostra do que será o dia. A viagem começa ainda escura, com o grupo geralmente sonolento dentro da van. Aos poucos, a cidade fica para trás, e a paisagem vai mudando para áreas rurais, campos abertos e montanhas.

A estrada passa por regiões altas e povoados andinos. Dependendo da rota, o caminho pode seguir por Ocongate e depois subir em direção a Pacchanta. Em dias claros, a aproximação ao Ausangate é muito bonita. A montanha aparece enorme, branca, distante e ao mesmo tempo dominante.

Não é uma estrada curta. Para quem enjoa, pode ser cansativa. Levar um remédio habitual para enjoo, se você já usa, é uma boa ideia. Também vale evitar um café da manhã pesado demais antes de sair, porque a combinação de madrugada, curvas e altitude pode incomodar.

O começo da trilha em Pacchanta

Ao chegar a Pacchanta, normalmente há uma parada para café da manhã. É comum que o café seja simples, servido por famílias locais ou em estrutura associada à agência. Pode ter pão, ovos, chá, café, frutas, panquecas ou alimentos parecidos. Não é uma experiência gastronômica sofisticada, mas ajuda a aquecer e dar energia.

Depois do café, o grupo se organiza para começar a caminhada. O guia costuma explicar o roteiro, a altitude, os cuidados e o tempo aproximado. É nesse momento que muita gente percebe que o frio é sério. Mesmo com sol, o ar é gelado, principalmente pela manhã.

A trilha começa em terreno aberto, com vista para montanhas, campos e animais. É comum ver alpacas e lhamas pelo caminho. O cenário não tem aquela vegetação fechada de trilha tropical. É uma paisagem de puna andina: ampla, fria, seca em muitos trechos e com horizonte grande.

Como é a caminhada pelas 7 Lagoas

A caminhada é um circuito de alta montanha. Em geral, ela tem entre 10 e 12 km, com duração média de 5 a 6 horas, considerando paradas para fotos, explicações e descanso. O terreno varia entre subidas suaves, trechos planos, partes pedregosas e algumas inclinações mais cansativas.

O maior desafio é a altitude. Como Pacchanta já está acima dos 4.000 metros, não existe “começo fácil” no sentido fisiológico. O corpo já está trabalhando com menos oxigênio desde os primeiros passos.

As lagoas aparecem ao longo do caminho, uma a uma. Algumas têm tom azul profundo. Outras puxam para verde, turquesa ou cinza, dependendo da luz, do clima, dos minerais e do ângulo de observação. Em dias de céu aberto, as cores ficam muito mais vivas. Em dias nublados, a paisagem fica mais dramática, mas as cores podem parecer menos intensas.

O Ausangate e outros nevados da região acompanham boa parte do trajeto. Para quem gosta de montanha, esse é o grande valor do passeio. Não é só chegar a uma lagoa específica. É caminhar dentro de um cenário andino de grande escala.

As lagoas são todas muito diferentes?

Essa é uma pergunta importante. Sim e não.

As lagoas têm cores, tamanhos e posições diferentes, mas não espere que cada uma seja radicalmente única, como se fossem sete atrações completamente independentes. O encanto está no conjunto. Uma lagoa complementa a outra, e o cenário vai se construindo aos poucos.

Algumas são mais fotogênicas. Outras passam quase como pontos de contemplação no caminho. Em certos momentos, o que mais impressiona nem é a lagoa em si, mas o contraste com os nevados, as alpacas, as encostas e o silêncio da região.

Minha opinião crítica é que o nome “7 Lagoas” cria uma expectativa meio matemática, como se o objetivo fosse riscar sete itens de uma lista. Não acho que esse seja o melhor jeito de viver o passeio. O ideal é olhar para a trilha como uma caminhada panorâmica pelo território do Ausangate, onde as lagoas são parte da experiência, não apenas troféus de foto.

Dificuldade da trilha

A Trilha das 7 Lagoas de Ausangate costuma ser classificada como moderada, mas eu colocaria como moderada a exigente para turistas que não estão acostumados com altitude.

Não é uma trilha técnica. Você não precisa escalar, usar corda ou ter experiência avançada. Mas a combinação de altitude, frio, subida e tempo de caminhada cobra do corpo.

FatorImpacto na trilha
AltitudeAlto impacto, principalmente acima de 4.500 metros
DistânciaModerada, cerca de 10 a 12 km
InclinaçãoVariável, com algumas subidas cansativas
TerrenoTrilha rural, pedras, terra e áreas abertas
FrioPode incomodar bastante pela manhã
SolForte em dias claros, mesmo com frio
Preparo físicoAjuda, mas não elimina o efeito da altitude

Quem já fez Humantay ou Palcoyo pode ter uma referência, mas Ausangate tem uma sensação própria. A trilha é mais longa que Humantay e menos massificada que Vinicunca. O esforço é mais contínuo.

Se você está sedentário, dá para fazer? Depende. Muita gente consegue caminhando devagar, mas não é um passeio para subestimar. Se você tem problema cardíaco, respiratório ou histórico forte de mal de altitude, é melhor conversar com um médico antes.

A altitude pesa mesmo?

Sim. E esse é o ponto que mais precisa ser levado a sério.

Cusco já está a cerca de 3.400 metros, mas Pacchanta e as lagoas ficam ainda mais altas. A partir dos 4.000 metros, sintomas como falta de ar, dor de cabeça, cansaço exagerado, enjoo e tontura podem aparecer com mais facilidade.

A melhor forma de reduzir o risco é não fazer a trilha no primeiro dia em Cusco. O ideal é deixar Ausangate para depois de 2 ou 3 dias de aclimatação. Antes, faça passeios mais leves, caminhe sem pressa, hidrate-se e evite exageros.

Dicas simples ajudam:

  • Durma bem na noite anterior
  • Evite álcool
  • Coma leve
  • Beba água ao longo do dia
  • Caminhe devagar desde o começo
  • Não tente acompanhar pessoas mais rápidas
  • Avise o guia se sentir sintomas fortes
  • Não force se o corpo não estiver bem

A altitude não combina com orgulho. Quem respeita o ritmo costuma aproveitar mais.

Águas termais de Pacchanta

Um dos melhores momentos do passeio, para muita gente, vem depois da trilha: as águas termais de Pacchanta. Depois de caminhar em altitude, entrar em piscinas quentes com vista para as montanhas é um fechamento muito agradável.

Nem todos os tours incluem o tempo nas águas termais da mesma forma. Alguns colocam como parte do roteiro, outros deixam opcional, com pagamento à parte da entrada. Vale confirmar antes.

Leve roupa de banho e toalha, se pretende entrar. A estrutura é simples, não espere um spa. Ainda assim, a experiência tem seu charme. O contraste entre o frio andino e a água quente é ótimo.

Só há um detalhe prático: depois de entrar nas águas termais, você ainda terá algumas horas de estrada de volta até Cusco. Então é bom se secar bem e colocar roupa quente para não passar frio no retorno.

Melhor época para fazer a trilha

A melhor época para visitar as 7 Lagoas de Ausangate costuma ser a estação seca, entre abril e outubro. Nessa fase, há maior chance de céu azul, trilha mais firme e vista limpa dos nevados.

Entre novembro e março, é estação chuvosa. A trilha pode ficar mais úmida, o céu mais fechado e a visibilidade menor. Ainda dá para ir, mas o risco de chuva e neblina aumenta.

ÉpocaComo costuma ser
Abril a outubroMelhor período para céu aberto e trilha seca
Junho a agostoFrio mais intenso, especialmente cedo
Novembro a marçoMais chuva, lama e nuvens
Abril, maio, setembro e outubroBons meses de transição

Mesmo na estação seca, leve capa de chuva. Nos Andes, o clima muda rápido. Um dia pode começar ensolarado e fechar em poucas horas.

O que levar para as 7 Lagoas de Ausangate

A mochila deve ser bem pensada. Levar pouco demais pode te deixar desconfortável. Levar peso demais pode transformar a caminhada em sofrimento.

Leve:

  • Água
  • Lanche leve
  • Protetor solar
  • Óculos de sol
  • Boné ou chapéu
  • Gorro
  • Luvas
  • Jaqueta corta-vento
  • Fleece ou blusa térmica
  • Capa de chuva
  • Papel higiênico ou lenço
  • Álcool em gel
  • Dinheiro em soles
  • Documento
  • Celular carregado
  • Bateria externa
  • Roupa de banho, se for entrar nas águas termais
  • Toalha pequena
  • Remédios pessoais

Nos pés, use tênis de trilha ou bota confortável. O calçado precisa ter boa aderência, principalmente se houver trechos úmidos ou pedras soltas. Evite estrear bota no passeio. Isso é pedir bolha.

Vista-se em camadas. A manhã pode ser muito fria, o meio da trilha pode esquentar com o sol, e o vento pode voltar a incomodar nas partes mais abertas.

Dá para fazer por conta própria?

É possível, mas não é a opção mais prática para a maioria dos viajantes.

Para ir por conta própria, você precisaria organizar transporte de Cusco até Ocongate ou Tinke, depois seguir até Pacchanta e combinar retorno. Além disso, precisaria entender o início da trilha, pagar taxas locais e lidar com horários pouco convenientes.

Para quem tem pouco tempo em Cusco, o tour compartilhado resolve melhor. O deslocamento é longo, a saída é muito cedo e a logística local pode ser trabalhosa.

O transporte privado também é uma boa alternativa para quem quer mais conforto, especialmente em grupo. Sai mais caro, mas permite controlar melhor o ritmo, o tempo nas termas e as paradas.

Forma de visitaVantagensPontos fracos
Tour compartilhadoMais prático e econômicoMenos flexível
Tour privadoMais conforto e ritmo próprioCusto maior
Por conta própriaLiberdadeLogística complicada e retorno menos previsível

Para a maioria, eu escolheria um bom tour compartilhado ou um privado, dependendo do orçamento.

O que costuma estar incluído no tour

Os tours full day geralmente incluem:

  • Transporte de ida e volta desde Cusco
  • Guia
  • Café da manhã
  • Almoço
  • Assistência básica durante a trilha

Alguns incluem entrada local e águas termais. Outros cobram à parte. Sempre confirme.

Perguntas úteis antes de contratar:

  • A entrada nas 7 Lagoas está incluída?
  • As águas termais estão incluídas?
  • O guia fala qual idioma?
  • O grupo terá quantas pessoas?
  • Há oxigênio de emergência?
  • O café da manhã e o almoço são em Pacchanta?
  • O horário de retorno a Cusco é realista?
  • A agência busca no hotel?

Não escolha só pelo menor preço. Em passeio de altitude, organização conta muito.

Vale a pena fazer as 7 Lagoas de Ausangate?

Vale, principalmente para quem gosta de natureza, montanha e trekking. É um dos passeios mais bonitos para ver paisagens altoandinas saindo de Cusco sem precisar fazer um trekking de vários dias.

Mas eu não recomendaria para todo mundo.

Se você tem poucos dias em Cusco e ainda não conhece o básico, talvez não seja prioridade. Machu Picchu, Cusco histórico, Sacsayhuaman e Vale Sagrado vêm antes em uma primeira viagem. As 7 Lagoas entram melhor quando você já tem esses pontos resolvidos ou quando sua prioridade é natureza.

Também não é o passeio ideal para quem quer algo muito leve. A trilha exige disposição. Não precisa ser atleta, mas precisa estar minimamente preparado e aclimatado.

Comparação com Humantay, Vinicunca e Palcoyo

As 7 Lagoas de Ausangate costumam entrar na mesma conversa de outros passeios naturais de Cusco, como Humantay, Vinicunca e Palcoyo. Cada um tem uma proposta.

PasseioPrincipal atrativoDificuldade geral
Lagoa HumantayLagoa turquesa e nevadoModerada a exigente
VinicuncaMontanha Colorida clássicaExigente pela altitude
PalcoyoMontanhas coloridas com trilha mais leveLeve a moderada
7 Lagoas de AusangateCircuito de lagunas e nevadosModerada a exigente

Se você quer uma paisagem única e mais direta, Humantay pode ser mais simples de entender. Se quer o cartão-postal famoso, Vinicunca chama mais atenção. Se quer uma versão mais tranquila das montanhas coloridas, Palcoyo costuma ser melhor. Agora, se você quer caminhar mais tempo em um cenário de alta montanha, com menos sensação de passeio superlotado, Ausangate é muito interessante.

Minha opinião crítica sobre a trilha

A Trilha pelas 7 Lagoas de Ausangate é um passeio bonito, forte e mais autêntico do que muitos roteiros hiperpopularizados em Cusco. O cenário tem uma grandeza silenciosa. Não é aquele tipo de lugar que depende de uma única foto perfeita. A beleza está no caminho inteiro: nas lagoas, nos nevados, nas alpacas, no vento frio, na amplitude da paisagem e no banho quente no fim.

O lado negativo é que ela pode ser vendida como mais fácil do que realmente é. Algumas agências tratam o passeio como um full day qualquer, mas caminhar acima de 4.000 metros não é banal. A altitude precisa ser respeitada.

Eu recomendaria as 7 Lagoas para quem já está aclimatado, gosta de trilha e quer ver uma face mais natural e menos óbvia da região de Cusco. Não colocaria no primeiro dia de viagem, nem em um roteiro apertado demais. Também evitaria fazer logo depois de outro passeio pesado, como Vinicunca ou Humantay, sem um dia de descanso entre eles.

Bem planejada, é uma experiência linda. Não pela ideia de “conquistar” sete lagoas, mas por caminhar em um território andino poderoso, onde o Ausangate parece organizar toda a paisagem ao redor. É um passeio para ir devagar, respirar com calma e aceitar que, em altitude, quem manda é a montanha.

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