Atrações Turísticas Imperdíveis em Uyuni na Bolívia

As atrações de Uyuni vão muito além do famoso deserto de sal, e conhecer cada uma delas antes de ir faz toda a diferença para montar um roteiro que realmente vale o esforço de chegar ao altiplano boliviano.

Foto de Loïc Alejandro: https://www.pexels.com/pt-br/foto/ceu-agua-inverno-congelado-6097178/

Atrações Turísticas Imperdíveis em Uyuni na Bolívia

Tem gente que chega em Uyuni achando que vai passar dois dias e já era. Bate o salar, faz as fotos de perspectiva, posta no Instagram e segue viagem. Aí descobre, tarde demais, que deixou de fora metade das coisas mais incríveis daquele canto do mundo. E olha, é uma pena, porque a região guarda atrações que fariam qualquer roteiro parecer pequeno perto delas.

Uyuni é, na verdade, a porta de entrada para um dos cenários mais selvagens e bonitos da América do Sul. O salar é a estrela, claro, mas tem lagoa colorida, gêiser fumegante, cemitério de trem, ilha de cactos e vulcão ao fundo. Vou passar por cada uma das atrações que, na minha visão, ninguém deveria deixar de fora.

O Salar de Uyuni, o motivo de tudo

Não tem como começar por outro lugar. O Salar de Uyuni é o maior deserto de sal do mundo, cobrindo algo entre 10.500 e 12.000 quilômetros quadrados, a cerca de 3.600 metros de altitude. É plano de um jeito quase irreal, branco até onde a vista alcança, e funciona como aquele tipo de paisagem que você não consegue processar direito na primeira olhada.

Na época das chuvas, entre janeiro e março, uma fina lâmina de água transforma o chão num espelho gigante que reflete o céu. O horizonte some. Você parece flutuar. É a foto que viralizou o destino mundo afora.

Já na época seca, de maio a outubro, o sal forma aqueles polígonos hexagonais no chão, e fica perfeito para os jeeps cruzarem a planície e para as brincadeiras de perspectiva nas fotos. As duas versões valem, são experiências bem diferentes do mesmo lugar.

A Ilha Incahuasi e seus cactos gigantes

No meio daquele branco infinito surge uma ilha rochosa coberta de cactos enormes. É a Ilha Incahuasi, e parece um erro proposital da natureza. Os cactos crescem pouquíssimo por ano, então os maiores, que passam dos vários metros de altura, têm séculos de idade.

Subir a trilha até o topo da ilha rende uma das vistas mais impressionantes de todo o passeio. Dali você enxerga o salar se estendendo em todas as direções, e entende de verdade a dimensão do lugar. É parada quase obrigatória, principalmente na temporada seca, quando o acesso fica fácil.

O Cemitério de Trens

Logo na saída da cidade de Uyuni tem uma das atrações mais curiosas e fotogênicas da região. O Cemitério de Trens é um amontoado de locomotivas e vagões antigos, enferrujados, abandonados ali no meio do nada desde que a indústria ferroviária da região entrou em decadência.

É melancólico e bonito ao mesmo tempo. Aquelas carcaças de ferro corroídas pelo vento e pelo sal, com o céu enorme do altiplano ao fundo, viram um cenário e tanto. Muita gente subestima essa parada, mas vale o tempo. É história industrial boliviana virando arte a céu aberto.

As lagoas coloridas

Aqui o roteiro fica realmente espetacular. Quando você sai do salar em direção ao sul, no tour clássico de vários dias, começa a esbarrar em lagoas de cores absurdas. E elas merecem destaque individual.

LagoaCaracterística
Laguna ColoradaTons avermelhados, cheia de flamingos
Laguna VerdeVerde intenso, ao pé do vulcão Licancabur
Laguna BlancaBranca, vizinha da Verde

A Laguna Colorada é talvez a mais impressionante. As águas ganham tons de vermelho por causa de algas e minerais, e o contraste com os flamingos rosados andando pela superfície é de outro mundo. A Laguna Verde, por sua vez, ganha aquele verde profundo dependendo do vento, com o vulcão Licancabur de moldura. Parece pintura.

Os gêiseres e a atividade vulcânica

A região é vulcânica, e isso se manifesta de formas bem visíveis. No tour você passa por campos de gêiseres soltando fumaça e vapor, com cheiro de enxofre no ar e a terra borbulhando. O melhor horário para ver é de manhãzinha, bem cedo, quando o contraste do vapor com o frio do amanhecer fica mais dramático.

É uma daquelas paradas que lembram que a natureza ali está viva, em movimento. Vale o despertar nas madrugadas geladas, mesmo que custe sair do saco de dormir.

As águas termais

Depois de tanto frio do altiplano, encontrar uma poça de água quentinha natural é quase um milagre. Existem fontes termais na região onde dá para entrar e relaxar, com vista para as montanhas e lagoas ao redor. A sensação de estar imerso na água morna, com o ar gelado batendo no rosto e aquela paisagem em volta, é difícil de esquecer.

Recomendo levar a roupa de banho à mão e uma toalha, porque trocar de roupa naquele frio é uma aventura à parte. Mas o banho compensa cada arrepio.

Os hotéis de sal

Nem toda atração é paisagem natural. Os hotéis construídos inteiramente de sal são uma experiência por si só. Paredes, mesas, camas, tudo feito com blocos extraídos do próprio salar. Dormir dentro de uma construção de sal, no meio daquele isolamento, é o tipo de coisa que fica na memória.

O conforto varia de um lugar para outro, então pesquisar antes ajuda a não ter surpresas. Mas como experiência, é única.

Formações rochosas no meio do nada

Espalhadas pelo sul boliviano existem formações rochosas esculpidas pelo vento ao longo de milênios. Pedras gigantes em formatos estranhos, surgindo do deserto sem explicação aparente. São ótimos pontos de parada nos tours, lugares para esticar as pernas, tirar fotos e simplesmente contemplar o quanto a paisagem ali é alienígena.

Como organizar para não perder nada

A maioria dessas atrações não dá para visitar por conta própria. O esquema é fazer um tour de jeep 4×4, geralmente de um a quatro dias, dependendo de quanto você quer ver. Os pontos de partida mudam a lógica da viagem:

SaídaIndicado para
Uyuni (Bolívia)Tour clássico, mais opções
San Pedro de Atacama (Chile)Travessia combinando os dois desertos
La Paz (Bolívia)Quem já está na capital

O tour mais completo, de três a quatro dias, é o que entrega o pacote inteiro: salar, ilha, lagoas, gêiseres, termas e formações rochosas. É cansativo, as estradas mal existem e as distâncias são longas, mas é justamente esse roteiro que transforma a viagem em algo inesquecível.

Alguns cuidados que fazem diferença

A altitude pesa. A 3.600 metros e mais, o corpo sente, então suba com calma, beba muita água e respeite o ritmo. O frio é real, principalmente de noite, e o segredo é se vestir em camadas. Protetor solar forte é obrigatório por causa do reflexo do sal. E leve dinheiro em espécie, porque a infraestrutura por ali é simples e nem sempre tem cartão.

Outro ponto: o clima manda no roteiro. Algumas atrações ficam mais bonitas ou mais acessíveis dependendo da época, então flexibilidade é palavra de ordem.

O que eu não deixaria de fora

Se tivesse que escolher o coração da viagem, ficaria com o salar em primeiro lugar, óbvio, seguido pela Laguna Colorada com os flamingos e pela Ilha Incahuasi. Mas a verdade é que o conjunto inteiro é que faz a mágica. Cada parada complementa a anterior, e a sensação no fim é de ter atravessado vários planetas diferentes em poucos dias.

Uyuni não é um destino de conforto. É um destino de aventura, de paisagens que parecem impossíveis e de momentos que ficam grudados na memória pra sempre. Quem chega esperando só o deserto de sal sai surpreendido com tudo que tinha em volta. E quem se prepara direito, com tempo e mente aberta, volta com a certeza de ter visto um dos cantos mais extraordinários do mundo.

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