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A Melhor Época Para Visitar 9 Países Asiáticos

Guia mês a mês da melhor época para visitar Filipinas, Cingapura, Vietnã, Japão, China, Coréia do Sul, Laos, Camboja e Tailândia, com explicação das monções, temporadas de chuva, sakura, folhagem de outono, preços e como montar um roteiro combinando vários países asiáticos.

Guia mês a mês da melhor época para visitar Filipinas, Cingapura, Vietnã, Japão, China, Coréia do Sul, Laos, Camboja e Tailândia

Existe uma pergunta que aparece antes de qualquer outra quando alguém decide ir para a Ásia: quando ir. E a resposta honesta é que ela muda de país para país, muda dentro do mesmo país e às vezes muda entre duas cidades separadas por seiscentos quilômetros. A Ásia não tem um clima. Tem vários, empilhados, e cada um obedece a um sistema de ventos diferente.

O quadro que resume os melhores meses para nove países é um bom ponto de partida. Filipinas de dezembro a abril. Cingapura de fevereiro a abril. Vietnã de fevereiro a abril. Japão de março a maio e de outubro a novembro. China de abril a maio e de setembro a outubro. Coréia do Sul de abril a maio e de setembro a outubro. Laos de novembro a fevereiro. Camboja de novembro a fevereiro. Tailândia de novembro a março.

Se você olhar essa lista com atenção, percebe um desenho. Quase toda a Ásia tropical concentra sua melhor janela entre novembro e abril. E o Leste Asiático, mais ao norte, trabalha com duas janelas curtas, primavera e outono, porque tem quatro estações de verdade. Entender o motivo disso vale mais que memorizar meses.

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O que realmente manda no clima asiático: a monção

A palavra monção assusta e é mal compreendida. Não significa chuva. Significa um padrão de ventos que inverte de direção duas vezes por ano, e é essa inversão que traz ou tira a chuva.

Funciona mais ou menos assim. Durante o verão do hemisfério norte, o continente asiático esquenta muito. Ar quente sobe, cria uma zona de baixa pressão gigantesca sobre a Ásia central e a região do Himalaia, e isso puxa ar úmido do oceano Índico e do Pacífico para dentro do continente. Esse ar chega carregado de umidade, encontra montanhas, sobe, esfria e despenca em forma de chuva. É a monção de verão, que domina de maio a outubro em quase todo o sul e sudeste asiático.

No inverno acontece o inverso. O continente esfria mais rápido que o oceano, forma-se uma zona de alta pressão sobre a Sibéria e a Mongólia, e o vento passa a soprar de dentro para fora, do continente em direção ao mar. Ar seco e frio, poucas nuvens, pouca chuva. É por isso que a estação seca do sudeste asiático coincide com o inverno do norte.

Duas consequências práticas. Primeira: a estação seca do sudeste asiático é justamente o inverno europeu e americano, o que explica por que a alta temporada turística e a melhor época climática coincidem, com preços mais altos e lugares mais cheios. Segunda: dentro do mesmo país, encostas voltadas para o vento recebem chuva enquanto encostas do lado oposto ficam secas no mesmo mês. Isso é o segredo por trás do caso mais confuso de todos, que é o Vietnã, e também explica por que a costa leste e a costa oeste da Tailândia têm calendários diferentes.

Some a isso a temporada de tufões, que atinge principalmente Filipinas, Vietnã, sul da China, Taiwan, Japão e Coréia, com pico entre julho e outubro, e você tem o mapa das decisões.


Filipinas: dezembro a abril, e um alerta que ninguém deve ignorar

As Filipinas são um arquipélago com mais de sete mil ilhas espalhadas por uma faixa enorme de mar. Falar de clima ali no singular é quase impossível, mas a regra geral funciona.

A estação seca vai mais ou menos de dezembro a maio, e ela se divide em duas fases bem distintas. De dezembro a fevereiro os dias são secos e a temperatura fica mais amena, com brisa constante em muitas ilhas. É a época mais confortável do ano. De março a maio vem o calor forte, o período que os filipinos chamam de verão, com sol pesado, mar morno e umidade subindo até virar desconforto no fim de maio.

De junho a novembro entra a monção de sudoeste, conhecida localmente como habagat, e com ela a chuva. Mas o problema maior desse período não é a chuva em si. É o tufão. As Filipinas são o país mais atingido por ciclones tropicais no planeta, com uma média de vinte tempestades entrando na sua área de responsabilidade por ano, e algo entre oito e dez chegando à terra. O pico costuma ser entre julho e outubro, e a região mais castigada é o norte e o leste de Luzon e a costa leste das Visayas.

Vale dizer que tufão não cancela viagem inteira, cancela dias. Vôos domésticos e balsas param quando o mar fica pesado, e nas Filipinas quase todo deslocamento envolve avião pequeno ou barco. Um dia perdido no mar viaja para dentro do seu roteiro e desmonta conexões. Por isso, se você vai em época de risco, deixe folga entre a última ilha e o vôo internacional de volta.

Onde ir em cada época. Palawan, com El Nido, Coron e o rio subterrâneo de Puerto Princesa, brilha entre dezembro e abril, com mar calmo e visibilidade boa para snorkel. Boracay, a praia mais famosa do país, tem sua melhor cara entre novembro e abril, quando a areia branca de White Beach fica protegida do vento. Siargao, a ilha do surfe, é diferente: a melhor época para as ondas do Cloud 9 é entre agosto e novembro, exatamente o período que os banhistas evitam. Bohol e Cebu funcionam bem na janela seca, e o encontro com tubarões-baleia em Oslob acontece o ano inteiro, embora o mar mais tranquilo ajude. Para nadar com tubarões-baleia em Donsol, no entanto, a temporada certa vai de dezembro a maio, com pico entre fevereiro e abril.

Uma observação que quase nunca aparece nos guias: a Semana Santa é feriado enorme nas Filipinas, e ilhas turísticas ficam lotadas de viajantes domésticos, com preços de hotel disparando. Se der para evitar, evite.


Cingapura: fevereiro a abril, mas com uma ressalva importante

Cingapura fica praticamente sobre a linha do Equador, cerca de um grau ao norte. Isso significa uma coisa: não existe estação no sentido tradicional. Faz calor todos os dias do ano, com máximas em torno de 31 ou 32 graus e mínimas raramente abaixo de 24, umidade alta sempre, e chuva possível em qualquer mês.

Então por que a recomendação de fevereiro a abril? Porque é o trecho do ano com menos chuva acumulada. A monção de nordeste, que traz o período mais chuvoso, atua aproximadamente de dezembro a março, com dezembro e janeiro sendo os meses mais molhados. Fevereiro é, historicamente, o mês mais seco do ano na ilha. Março e abril mantêm um bom equilíbrio, com aguaceiros de fim de tarde que passam rápido.

Entre junho e setembro entra a monção de sudoeste, com chuvas mais curtas mas trovoadas fortes, e é também o período em que Cingapura pode sofrer com fumaça vinda de queimadas na Indonésia, um fenômeno que já causou dias de qualidade do ar ruim em anos específicos. Não é regra anual, é risco.

Na prática, Cingapura é um destino de qualquer época, porque metade das suas atrações é climatizada. Chuva ali não estraga o dia: você entra em um museu, em um shopping ligado ao metrô, nas estufas dos Gardens by the Bay, no aquário de Sentosa ou no zoológico noturno. A cidade foi construída para funcionar debaixo de chuva.

O que muda de fato o preço e a lotação são os eventos. A corrida noturna de Fórmula 1, em setembro, é o momento em que os hotéis do centro chegam ao teto de preço. O Ano Novo Chinês, entre fim de janeiro e fevereiro, enche Chinatown de decoração e a cidade de visitantes regionais. E as férias escolares de junho e de dezembro lotam as atrações familiares.

Como Cingapura raramente é destino único, o melhor pensamento é encaixá-la como escala de dois ou três dias no começo ou no fim de um roteiro maior pelo sudeste asiático. O aeroporto de Changi, com seu jardim e a cascata interna do Jewel, é praticamente uma atração por si só.


Vietnã: o país mais complicado da lista

O quadro diz fevereiro a abril, e faz sentido como janela geral. Mas o Vietnã merece uma explicação mais longa, porque é o país onde escolher o mês errado pode significar chuva em um lugar e sol em outro no mesmo dia de viagem. O território tem mais de 1.600 quilômetros de norte a sul, e são basicamente três climas.

O norte, com Hanói, a baía de Ha Long, Ninh Binh, Sapa e Ha Giang, tem quatro estações razoavelmente marcadas. O inverno, de dezembro a fevereiro, é frio e cinzento, com temperaturas que podem cair para perto de 10 graus em Hanói e menos ainda nas montanhas, onde ocasionalmente há geada. Uma névoa persistente cobre a baía de Ha Long nesse período, o que atrapalha as fotos mas dá um clima meio fantasmagórico às ilhas de calcário. A primavera, de março a abril, é a melhor época do norte: temperatura agradável, campos verdes, menos garoa. O verão, de maio a agosto, é quente e muito úmido, com chuvas fortes e risco de tufão na costa. O outono, de setembro a novembro, é excelente, especialmente outubro, quando as montanhas do noroeste ficam douradas com o arroz maduro. Sobre Sapa e os terraços de arroz, aliás: quem quer vê-los verdes vai entre junho e agosto, quem quer vê-los dourados na colheita vai em setembro e começo de outubro.

O centro, com Hue, Hoi An, Da Nang e as praias, tem o calendário mais deslocado. Aqui a estação chuvosa vai aproximadamente de setembro a dezembro, com pico em outubro e novembro, e Hoi An costuma sofrer enchentes na cidade velha nesse período, com ruas alagadas e barcos passando entre as casas amarelas. Não é raridade, é rotina de temporada. A melhor época do centro vai de fevereiro a maio, quando o mar fica calmo e as praias de An Bang e My Khe funcionam bem. Junho a agosto é quente demais, com temperaturas passando dos 35 graus em Hue.

O sul, com Ho Chi Minh City, o delta do Mekong e as ilhas, tem apenas duas estações. A seca vai de dezembro a abril, com março e abril sendo os meses mais quentes do ano. A chuvosa vai de maio a novembro, no padrão clássico de pancada forte no fim da tarde que dura pouco e limpa o ar. Chover no sul não impede nada, só reorganiza o horário.

Para Phu Quoc, a grande ilha do sul, a janela boa é de novembro a março. Para Nha Trang, na costa centro-sul, o padrão é diferente do resto do centro, com melhor tempo entre janeiro e agosto.

Juntando tudo, se você quer atravessar o país de ponta a ponta em uma só viagem, os meses mais seguros são março e abril. Segunda melhor opção, outubro, com a ressalva de que o centro pode estar molhado. E o Tet, o Ano Novo Lunar, entre fim de janeiro e meados de fevereiro, é um período de decoração espetacular e, ao mesmo tempo, de fechamento generalizado de comércio, transporte lotado e preços em alta por vários dias.


Japão: duas janelas, duas viagens diferentes

O Japão é o caso em que o clima não é o único critério. Aqui as duas melhores épocas do ano existem por causa de plantas.

Primavera, de março a maio. A floração das cerejeiras, o sakura, avança de sul para norte como uma onda. Começa em Kyushu e no sul, por volta do fim de março, chega a Tóquio e Kyoto normalmente no fim de março ou começo de abril, e alcança o norte de Honshu e Hokkaido em maio. A floração plena de uma árvore dura poucos dias, algo como uma semana, e uma chuva com vento pode encerrar o espetáculo antes do previsto. Isso significa que planejar uma viagem exclusivamente em função do sakura é uma aposta. A agência meteorológica e serviços privados publicam previsões de floração com semanas de antecedência, atualizadas várias vezes, e vale acompanhar. Como estratégia, se você tem duas semanas e roda entre Tóquio, Kyoto, Osaka e alguma cidade mais ao norte, a chance de acertar a floração em pelo menos um lugar é alta.

O outro detalhe da primavera é a Golden Week, um bloco de feriados no fim de abril e começo de maio. O país inteiro viaja ao mesmo tempo. Trens esgotados, hotéis com preço multiplicado, atrações com fila longa. Quem pode, desvia dessa semana.

Outono, de outubro a novembro. Para mim, e isso é opinião, é a melhor época do Japão. A folhagem vermelha e dourada, o koyo, também avança em onda, só que de norte para sul e de cima das montanhas para baixo. Hokkaido pega o pico em outubro, Kyoto e Tóquio geralmente em meados ou fim de novembro. O clima é seco, o céu costuma estar limpo, as temperaturas são confortáveis e o período dura mais que o sakura, o que reduz o risco de errar a data. Templos em Kyoto com bordos vermelhos ao redor de um lago é uma imagem difícil de superar.

E as outras estações? O verão, de junho a agosto, tem dois problemas. Primeiro, a estação chuvosa chamada tsuyu, que vai aproximadamente de meados de junho a meados de julho na maior parte do país, com exceção de Hokkaido, que praticamente não a sente. Depois, o calor com umidade alta de julho e agosto, que em Tóquio e Kyoto é realmente sufocante, e a temporada de tufões, mais ativa de agosto a outubro. Em troca, o verão oferece os festivais, os matsuri, com fogos de artifício, e é a única época para escalar o Monte Fuji, com temporada oficial de julho a começo de setembro.

O inverno, de dezembro a fevereiro, é subestimado. Hokkaido tem a melhor neve do mundo para esqui, com o festival de gelo de Sapporo em fevereiro. Os macacos de Jigokudani entram na água quente com neve em volta. Os onsen ao ar livre fazem muito mais sentido com frio. E as cidades grandes ficam mais baratas e mais vazias, com dias frios porém secos e ensolarados na costa do Pacífico.


China: abril a maio e setembro a outubro, e um país do tamanho de um continente

A China é grande o suficiente para ter deserto, tundra, planalto de alta altitude, subtrópico e litoral temperado. Recomendar meses para o país inteiro é uma simplificação necessária, mas a lógica geral funciona: primavera e outono são as janelas confortáveis, porque o verão é quente e chuvoso e o inverno é rigoroso no norte.

Pequim tem invernos secos e muito frios, com vento cortante, e verões quentes com chuva concentrada em julho e agosto. Setembro e outubro são os melhores meses da cidade, com céu mais limpo e temperatura agradável, ideal para caminhar trechos da Grande Muralha em Mutianyu ou Jinshanling. Abril e maio também funcionam bem, embora a primavera do norte traga tempestades de poeira ocasionais vindas do noroeste.

Xangai é mais úmida e mais suave, com um verão pesado e uma estação chuvosa em junho. Outubro é excelente ali.

Xi’an, com o exército de terracota, segue o padrão do norte. Guilin e Yangshuo, com os picos de calcário no rio Li, ficam mais verdes e cheios de água entre abril e outubro, com risco de chuva, e mais secos no inverno, quando o rio pode baixar. Chengdu é famosa pelo céu nublado quase permanente, e a melhor época para os pandas é a primavera ou o outono, quando eles ficam mais ativos que no calor. Yunnan, com Lijiang, Dali e Shangri-La, tem sua estação chuvosa entre junho e setembro e brilha entre março e maio e entre setembro e novembro. Tibete e as regiões altas têm janela mais curta, de maio a outubro, por causa do frio e do acesso.

O ponto mais importante do planejamento na China não é clima, é calendário de feriados. Existem dois períodos que devem ser evitados com convicção. O Ano Novo Chinês, entre fim de janeiro e fevereiro, provoca a maior migração humana anual do planeta, com centenas de milhões de deslocamentos, trens esgotados semanas antes e muitos negócios fechados. E a Golden Week de outubro, começando no dia 1º, feriado nacional, quando as atrações mais famosas do país recebem multidões difíceis de imaginar. Se o seu plano é outubro, mire a segunda metade do mês.


Coréia do Sul: abril a maio e setembro a outubro

A Coréia tem quatro estações bem definidas e um contraste grande entre elas. O inverno é seco e frio, com influência do ar siberiano e temperaturas abaixo de zero em Seul por semanas. O verão é quente, úmido e marcado pela estação chuvosa, o jangma, que vai aproximadamente de fim de junho a meados de julho, seguida por calor intenso em agosto e possibilidade de tufões entre agosto e setembro.

Sobram primavera e outono, e ambas são excelentes.

Abril e maio trazem a floração das cerejeiras, que na Coréia acontece geralmente entre fim de março e começo de abril, começando em Jeju e no sul, em cidades como Busan e Gyeongju, e chegando a Seul poucos dias depois. Festivais de cerejeira acontecem em vários lugares, com destaque para Jinhae, no sul, que fica tomada de flores e de gente. Maio é o mês das azaleias, do clima estável e das temperaturas mais gentis, e também o mês do aniversário de Buda, quando templos ficam decorados com lanternas de papel colorido.

Setembro e outubro são a folhagem de outono, que na Coréia é intensa por causa dos bordos e dos ginkgos. A onda de cores começa em Seoraksan, no nordeste, em meados de outubro, e desce para o sul ao longo de novembro. Parques nacionais como Seoraksan, Naejangsan e Bukhansan viram destino de multidão local no fim de semana, e por bom motivo. O céu de outubro é o mais limpo do ano, o que faz diferença porque a qualidade do ar em Seul piora bastante na primavera, especialmente em março e abril, quando chega poeira fina vinda do continente.

O inverno tem seus argumentos: estações de esqui, mercados de rua com comida quente, palácios de Seul com neve. Mas o frio é real e o vento em Seul é desconfortável para quem não está acostumado.


Laos: novembro a fevereiro

O Laos é o país sem litoral do grupo, atravessado pelo Mekong, e tem três estações reconhecíveis na prática. A chuvosa vai de maio a outubro. A fria e seca vai de novembro a fevereiro. E a quente e seca vai de março a abril.

A janela recomendada, novembro a fevereiro, é a melhor por vários motivos ao mesmo tempo. As temperaturas são agradáveis, especialmente em Luang Prabang, onde as manhãs chegam a ficar frescas de verdade, com neblina subindo do rio. O Mekong ainda está com bom volume depois das chuvas, o que facilita a navegação e deixa as cachoeiras de Kuang Si com aquela cor azul turquesa espetacular. E há pouca chuva para atrapalhar as estradas de montanha, que no Laos são lentas e sinuosas por natureza.

A época a evitar com mais atenção é março e abril, e não só pelo calor. Nesses meses a região do norte do sudeste asiático sofre com a queima agrícola, e a fumaça reduz a visibilidade a ponto de apagar as montanhas do horizonte e causar problemas respiratórios. Luang Prabang e o norte do Laos, assim como o norte da Tailândia, ficam encobertos por uma névoa acinzentada. Vôos podem ser afetados. Quem viaja para ver paisagem de montanha nesses meses corre risco de ver quase nada.

O que muda a decisão de quem quer paisagem verde é a estação chuvosa. Entre julho e setembro, o Laos fica exuberante, os campos de arroz ficam de um verde violento e há muito menos turista. As chuvas não são o dia inteiro. O problema são as estradas rurais e alguns trechos que ficam difíceis. Para o platô de Bolaven, no sul, e suas cachoeiras, a água abundante é uma vantagem.

Um item de calendário: o Pi Mai, o ano novo lao, cai em meados de abril e é uma festa de água, com três dias de gente jogando água em todo mundo na rua. Divertido e caótico, e um dos períodos mais cheios do ano.


Camboja: novembro a fevereiro, com Angkor no centro da decisão

O calendário cambojano é praticamente o mesmo do Laos e do sul da Tailândia. Chuvas de maio a outubro, com pico em setembro e outubro. Seca e clima ameno de novembro a fevereiro. Calor severo de março a maio, quando Siem Reap pode passar dos 38 graus.

Como a razão de quase toda viagem ao Camboja é o complexo de templos de Angkor, vale falar dele diretamente. Andar por Angkor exige horas ao sol, subindo escadas de pedra, atravessando pátios sem sombra. Em abril, isso vira uma provação física. Em dezembro e janeiro, com máximas em torno de 30 graus e umidade menor, é uma experiência inteiramente diferente.

Uma dica prática que muda o dia: comece muito cedo. O nascer do sol em Angkor Wat é o momento mais concorrido, com centenas de pessoas em frente ao lago refletindo as torres. Se você não faz questão dessa foto, use o horário do amanhecer para visitar Ta Prohm ou Bayon quase vazios, enquanto todo mundo está no Angkor Wat, e volte ao templo principal no meio da manhã. Faça uma pausa no calor do meio-dia e retorne às três da tarde. Ingressos são vendidos por um dia, três dias ou uma semana, e o passe de três dias é o que faz mais sentido para não correr.

Um argumento a favor da estação chuvosa: os fossos e reservatórios ficam cheios, o reflexo nos espelhos de água fica perfeito, a vegetação fica de um verde intenso e há muito menos gente. Fotógrafos costumam preferir outubro por isso. O contraponto são as tardes molhadas e o calor com umidade.

Para o lago Tonlé Sap e suas vilas flutuantes, a diferença é enorme entre as épocas. Na estação chuvosa, o lago se expande a várias vezes o seu tamanho e as casas sobre estacas fazem sentido visualmente. Na seca profunda, a água recua muito e alguns acessos ficam limitados. Para as praias de Sihanoukville, Koh Rong e Kep, no sul, a janela boa é de novembro a abril, com mar mais calmo.


Tailândia: novembro a março, com uma exceção que salva viagens

A Tailândia é o destino mais popular do sudeste asiático e tem uma regra geral simples e uma exceção valiosa.

A regra geral: a estação fria e seca vai de novembro a fevereiro, e é a melhor época para quase todo o país. Bangkok fica em torno de 32 graus de máxima com umidade tolerável, Chiang Mai tem manhãs frescas, e as ilhas do mar de Andamão, como Phuket, Krabi, Phi Phi e Koh Lanta, têm mar transparente e calmo. Março e abril são a estação quente, com abril sendo o mês mais forte do ano, chegando frequentemente a 38 ou 40 graus em algumas regiões. De maio a outubro é a estação chuvosa, com pico entre agosto e outubro.

Agora a exceção, e ela é importante. A Tailândia tem dois litorais com calendários opostos. O lado oeste, no mar de Andamão, com Phuket e Krabi, funciona melhor de novembro a abril e recebe a monção de sudoeste com força entre maio e outubro, com mar agitado e algumas praias com bandeira vermelha. O lado leste, no golfo da Tailândia, com Koh Samui, Koh Phangan e Koh Tao, tem seu período mais chuvoso entre outubro e dezembro, com novembro sendo o mês mais molhado.

Traduzindo em decisão: se você vai à Tailândia em julho ou agosto, vá para Koh Samui e vizinhas, não para Phuket. Se você vai em janeiro, vá para Krabi e Phi Phi. Essa única informação resolve metade dos problemas de quem viaja para lá fora da temporada clássica.

Sobre o norte, Chiang Mai e Chiang Rai são deliciosas entre novembro e fevereiro, com noites frias e céu limpo. Mas repetem o problema do Laos: fevereiro a abril é a temporada de queimadas, e a qualidade do ar em Chiang Mai chega a níveis realmente ruins, com a cidade aparecendo entre as piores do mundo em alguns dias de março. Quem tem asma ou viaja com crianças deve considerar seriamente evitar o norte nesse período.

Calendário cultural que vale mirar: o Songkran, o ano novo tailandês, em meados de abril, com a maior guerra de água do mundo. O Loi Krathong e o Yi Peng, em novembro, quando lanternas de água e lanternas de papel sobem ao céu, especialmente em Chiang Mai, e é a coisa mais bonita que a Tailândia oferece em termos de festa. Vale conferir a data no calendário lunar, porque muda todo ano.

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Como combinar países sem errar o mês

Depois de olhar todos, aparecem alguns encaixes naturais.

Janeiro e fevereiro são os melhores meses para uma viagem pelo sudeste asiático continental: Tailândia, Laos, Camboja e sul do Vietnã, com Cingapura como escala. Clima ameno, seco, tudo funcionando. O contra é a alta temporada, com preços mais altos e locais cheios, e a atenção ao Ano Novo Lunar.

Março e abril favorecem quem quer atravessar o Vietnã inteiro ou combinar Vietnã com Filipinas e Cingapura. É também a única janela em que o Japão do sakura se sobrepõe a algo tropical, embora o norte da Tailândia e o Laos estejam com fumaça e o Camboja esteja no calor extremo.

Abril e maio são a combinação do Leste Asiático: Japão, Coréia e China na primavera, todos na mesma janela. Um roteiro Tóquio, Kyoto, Seul e Pequim funciona muito bem nesse período, evitando a Golden Week japonesa e o feriado chinês.

Setembro e outubro são a outra combinação do Leste Asiático, com folhagem e céu limpo, com atenção a tufões no começo e ao feriado chinês de 1º de outubro. Para quem quer o norte do Vietnã com arroz dourado, outubro é imbatível.

Junho, julho e agosto, período das férias escolares no Brasil e o mais procurado por quem tem filhos, é o pior momento climático para quase tudo o que está nesta lista. Não impossível, apenas mais trabalhoso. Nesse caso, as escolhas menos arriscadas são o golfo da Tailândia, o Japão de Hokkaido, onde não há estação chuvosa e o verão é agradável, e Cingapura, que independe de estação.


Três coisas que importam tanto quanto o clima

Preço e lotação. Alta temporada climática significa alta temporada de preço. Hotéis em Phuket, Bali, Kyoto e El Nido podem custar o dobro em janeiro comparado a setembro. A chamada época intermediária, com meses como maio, junho e setembro, oferece descontos reais em troca de algum risco de chuva. Se o orçamento aperta, chuva de fim de tarde é um preço aceitável a pagar.

Feriados regionais. Repetindo porque é o erro mais comum: Ano Novo Lunar no Vietnã e na China, Golden Week no Japão, feriado de outubro na China, Songkran na Tailândia, Semana Santa nas Filipinas. Nenhum deles é motivo para desistir da viagem, mas todos exigem reserva antecipada de transporte e hotel.

A previsão não é o clima. Aplicativos de tempo mostram ícone de chuva para quase todos os dias da estação úmida no trópico, e isso engana muita gente. Em geral significa uma pancada de quarenta minutos, não o dia inteiro embaixo d’água. Já viajei com previsão de chuva para dez dias seguidos e perdi, no total, umas quatro horas de atividade. Olhe a média histórica de precipitação e de dias de chuva do mês, não a previsão de sete dias comprada com três meses de antecedência.

E uma última observação, mais de fundo. A ideia de mês perfeito costuma custar caro em dinheiro e em paciência. A Ásia em plena alta temporada é linda e cheia. A Ásia na época intermediária é ligeiramente mais imprevisível e muito mais confortável de habitar, com preço menor, atendimento melhor e templos onde você consegue ouvir o próprio passo. Escolher o segundo melhor mês, quase sempre, entrega uma viagem melhor.

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