|

4 Dias de Viagem Para Curtir a sua Visita a Xangai

Roteiro prático de 4 dias em Xangai, com o que ver no Bund, um dia inteiro na Disneyland, a região da antiga concessão francesa e os melhores endereços de compras da cidade.

Roteiro prático de 4 dias em Xangai, com o que ver no Bund, um dia inteiro na Disneyland, a região da antiga concessão francesa

Xangai é daquelas cidades que confundem a cabeça do viajante nos primeiros minutos. Você sai do aeroporto achando que vai encontrar uma China de postal, com telhados curvos e lanternas vermelhas, e o que aparece é uma linha de arranha-céus que parece cenário de ficção científica. Depois, virando uma esquina qualquer, aparece o telhado curvo mesmo, do lado de uma cafeteria com barista de avental e fila na porta. É essa mistura que faz a cidade funcionar tão bem para uma viagem curta.

Quatro dias não dão conta de Xangai. Ninguém dá conta de Xangai. Mas quatro dias, bem distribuídos, entregam uma experiência que faz sentido: um dia de cidade clássica e vista de cartão-postal, um dia inteiro de parque temático, um dia de arquitetura europeia e cafés, e um dia dedicado a arquitetura moderna, compras e jardim histórico. O roteiro abaixo segue exatamente essa lógica, e a graça dele é que cada dia tem um humor diferente.

Antes de sair de casa: o básico que resolve 90% dos problemas

Vou começar pela parte chata, porque ela é a que mais estraga viagem à China quando é ignorada.

O primeiro ponto é o visto. Brasileiros normalmente precisam de visto de turismo para entrar na China, solicitado nos centros de vistos chineses no Brasil. Existe também a política de trânsito sem visto, que foi ampliada e hoje permite estadias de até 240 horas (dez dias) para nacionalidades elegíveis que estejam em trânsito para um terceiro país, entrando e saindo por portos e aeroportos autorizados, incluindo Xangai. As regras mudam com certa frequência e a elegibilidade depende da nacionalidade e do itinerário aéreo, então vale checar a informação atualizada com o consulado antes de comprar passagem. Não confie em post de rede social de dois anos atrás.

O segundo ponto é o pagamento. Xangai é praticamente sem dinheiro em espécie. Quase tudo se paga por celular, com Alipay ou WeChat Pay. A boa notícia é que os dois aplicativos hoje aceitam cadastro de cartões internacionais Visa e Mastercard, e funcionam bem para estrangeiros. Instale e cadastre o cartão antes de embarcar, com calma, em casa, no wi-fi. Fazer isso no aeroporto, com pressa e sem internet, é receita de dor de cabeça. Cartão físico é aceito em hotéis e em lojas grandes, mas em barraca de comida de rua, metrô e táxi o celular resolve muito mais rápido.

O terceiro é a internet. Google, WhatsApp, Instagram e boa parte dos serviços ocidentais não funcionam na China sem VPN. Se você usa esses aplicativos para trabalho ou para se comunicar com a família, contrate uma VPN antes da viagem, porque baixar VPN já estando no país é difícil. Uma alternativa prática é usar um chip internacional ou eSIM com roaming, já que o tráfego sai por um servidor fora do país e muitas vezes os aplicativos funcionam normalmente.

O quarto é o transporte. O metrô de Xangai é gigantesco, limpo, barato, sinalizado em inglês e a melhor forma de circular. Tem mais de vinte linhas e cobre praticamente tudo que interessa ao turista. Você pode pagar com QR Code gerado dentro do Alipay ou comprar um cartão recarregável. Táxis são baratos por padrão brasileiro, mas o trânsito na hora do rush castiga. O aplicativo Didi funciona e tem versão em inglês.

E o quinto ponto: baixe um tradutor com câmera e modo offline. Menu em chinês sem foto acontece, e apontar a câmera para o cardápio muda completamente a sua relação com a comida local.

Dia 1: o Xangai que você já viu em foto, mas que impressiona ao vivo

O primeiro dia é o mais fácil de fazer a pé, e isso não é detalhe pequeno. Os pontos desse dia ficam a cinco ou dez minutos de caminhada um do outro, o que significa que você não perde tempo em deslocamento e consegue ir no seu ritmo, principalmente se ainda estiver com o corpo trocado pelo fuso.

Nanjing East Road: a rua que parece um rio de gente

A Nanjing East Road é a rua de compras mais famosa da cidade, um calçadão comprido, cheio de letreiros de neon, lojas de departamento antigas, redes internacionais, lojinhas de doces e barracas de comida. À noite fica ainda melhor, porque as luzes acendem e a rua vira um espetáculo por si só.

Uma dica de expectativa: não vá para lá esperando compras sofisticadas ou preços imbatíveis. A Nanjing East Road é mais experiência do que shopping. Vale entrar na First Food Hall, um mercadão de comida em vários andares onde você vê os moradores comprando doces tradicionais, carne seca, biscoitos e chá. Vale também parar num carrinho de espetinho e provar algo que você não sabe o nome. Faz parte.

Se você quer economizar energia, saiba que a rua é longa. Existe um pequeno trenzinho turístico que percorre o calçadão por um valor baixo. Não é bonito, mas resolve.

The Bund: o calçadão que define a cidade

O Bund é a orla histórica do rio Huangpu, com uma fileira de prédios do começo do século XX que abrigavam bancos, companhias de navegação e consulados na época em que Xangai era dividida em concessões estrangeiras. Você caminha por ali olhando para um lado e vê arquitetura neoclássica europeia; olha para o outro lado do rio e vê os arranha-céus de Pudong, incluindo a Oriental Pearl Tower com suas esferas cor-de-rosa e a Shanghai Tower, o prédio mais alto da China.

Esse contraste é o motivo pelo qual o Bund é o lugar mais fotografado de Xangai. E é honestamente melhor ao vivo do que em foto, porque a escala do outro lado do rio não cabe na imagem.

Duas observações práticas. Primeira: o Bund fica absurdamente cheio à noite, especialmente em fins de semana e feriados chineses. Se você quer foto sem multidão, vá bem cedo, entre seis e oito da manhã, quando o calçadão fica dominado por moradores fazendo tai chi e correndo. Segunda: as luzes dos prédios de Pudong têm horário. Elas costumam ser desligadas por volta das onze da noite nos dias de semana, e o horário de acendimento varia conforme a estação. Ou seja, se o seu plano é ver o skyline iluminado, não deixe para as onze e meia.

Vale também entrar em um ou dois dos prédios históricos. Alguns têm halls abertos ao público, com mosaicos e cúpulas que valem a paradinha. O antigo edifício do HSBC, hoje ocupado por um banco chinês, tem uma cúpula famosa no lobby.

Passeio de barco pelo rio Huangpu

O píer de embarque fica no próprio Bund, o que torna esse passeio a coisa mais lógica do mundo para fazer no fim do dia. O cruzeiro dura em média de trinta a cinquenta minutos, dependendo da operadora, e faz o trajeto de ida e volta entre os dois lados do rio.

Minha opinião: é um daqueles passeios turísticos que valem exatamente o que prometem. Você não vai aprender nada de profundo sobre a cidade, mas ver os dois lados iluminados do meio do rio, com os barcos de carga passando, é bonito de um jeito que justifica o ingresso. Compre o bilhete com antecedência pelo aplicativo se puder, porque a fila no píer em noites movimentadas testa a paciência. E leve algo de manga comprida: o vento no rio é frio até em noites amenas.

Lujiazui: o distrito financeiro visto de perto

Lujiazui é o nome do bairro de Pudong onde estão os arranha-céus. Chegar lá é simples, seja de metrô (linha 2, uma estação depois do Bund), seja pelo túnel de pedestres, seja de barco.

O que fazer ali depende do seu apetite por altura. As opções principais são a Shanghai Tower, com observatório no 118º andar, a Shanghai World Financial Center, aquele prédio com o buraco no topo que rendeu o apelido de abridor de garrafa e tem uma passarela de piso de vidro no 100º andar, e a Oriental Pearl Tower, mais antiga e com apelo mais nostálgico.

Se for escolher uma, a Shanghai Tower entrega a vista mais alta e tem o elevador mais rápido, que sobe em menos de um minuto. Mas há um detalhe que muita gente ignora: em dias de neblina ou poluição alta, a vista de 118 andares é uma parede branca. Cheque a visibilidade no dia antes de comprar ingresso. Uma alternativa esperta é subir menos e ganhar mais: bares em andares intermediários de hotéis da região oferecem vista com drink na mão, muitas vezes por um valor parecido com o do ingresso do observatório.

Uma coisa que sempre chama atenção em Lujiazui é a passarela circular elevada que conecta os shoppings e as estações. Ela existe porque as avenidas ali são largas demais para o pedestre. Andar por ela dá uma sensação estranha e agradável de estar caminhando dentro de uma maquete.

Museum of Art Pudong

O Museum of Art Pudong, conhecido pela sigla MAP, é um museu de arte contemporânea inaugurado em 2021, com projeto do arquiteto francês Jean Nouvel. Fica bem na beira do rio, em Lujiazui, e é um dos espaços expositivos mais interessantes da cidade.

O que faz do MAP algo especial não é só o acervo, que rotaciona muito porque o museu trabalha basicamente com exposições temporárias e parcerias internacionais, mas o próprio edifício. Ele tem uma janela gigante virada para o Bund, com uma tela de vidro que funciona como moldura da paisagem, e galerias verticais que criam um percurso incomum. Já recebeu mostras de grandes instituições europeias, e a programação vale ser checada no site antes da visita, porque o que está em cartaz muda a experiência completamente.

Se você tem pouco tempo e precisa escolher entre subir num arranha-céu e visitar o MAP, considere o seguinte: a vista existe em várias versões pela cidade, o museu não.

Dia 2: um dia inteiro na Disneyland de Xangai

Aqui o roteiro muda de registro. O segundo dia é dedicado a um único lugar, e faz sentido, porque a Shanghai Disneyland não é parque de meio dia.

Inaugurado em 2016, é o parque Disney mais recente da Ásia e tem características que não existem em nenhum outro lugar. O castelo, chamado Enchanted Storybook Castle, é o maior de todos os parques Disney do mundo e não é dedicado a uma única princesa, mas a várias. Só isso já muda a foto.

Zootopia: a área que não existe em outro parque

Em dezembro de 2023, o parque abriu a primeira área temática do mundo baseada no filme Zootopia, com a atração Zootopia: Hot Pursuit. É um dark ride com veículos que giram e se movem de forma independente, contando uma história nova com Judy Hopps e Nick Wilde. A ambientação da área é o ponto forte: eles reconstruíram a cidade do filme com escala de fachadas para animais de tamanhos diferentes, e o nível de detalhe é o tipo de coisa que faz adulto parar para olhar parede.

É a atração mais disputada do parque. Se você entrar pelos portões e não for direto para lá, prepare-se para fila longa. Muita gente vai primeiro nas atrações do fundo do parque e volta depois, o que às vezes funciona melhor, mas depende do movimento do dia.

TRON Lightcycle Power Run

Essa é a montanha-russa que fez fama internacional antes de ganhar uma versão em Orlando. Você monta numa espécie de moto, inclinado para frente, e é lançado por um trecho interno e por um trecho externo coberto por aquela estrutura de arcos iluminados que virou símbolo do parque.

Não é a montanha-russa mais longa do mundo, nem a mais alta. Mas a posição do corpo e a aceleração inicial produzem uma sensação diferente de tudo, e a passagem pelo túnel de luzes é visualmente marcante. Ande de dia e, se der, ande de novo à noite. É outra experiência.

Um detalhe prático: por causa da posição na moto, quem tem problema de coluna ou joelho pode achar desconfortável. Existe uma fileira de assentos convencionais no fim do veículo para quem preferir.

Pirates of the Caribbean: Battle for the Sunken Treasure

Se eu tivesse que apontar a melhor atração do parque, seria essa. A versão de Xangai de Piratas do Caribe não é a clássica dos outros parques. É um barco que navega por um sistema de trilhos submersos, com projeções em telas gigantes, movimentação de água e cenários que criam a sensação de estar descendo para o fundo do mar.

É considerada por muitos entusiastas de parques como uma das melhores atrações já construídas pela Disney, e o motivo é a combinação de escala com tecnologia. Você entra achando que sabe o que vai ver, porque conhece o nome, e sai surpreso.

ILLUMINATE! A Nighttime Celebration

O show noturno do parque usa o castelo como tela de projeção, com fogos, luzes e trilha sonora. É o encerramento natural do dia. O truque é escolher lugar com antecedência, porque a área em frente ao castelo enche cedo. Uma posição um pouco mais afastada na Mickey Avenue costuma render visão boa com menos aperto.

O que realmente faz diferença nesse dia

Baixe o aplicativo oficial da Shanghai Disney Resort. Ele mostra tempo de fila em tempo real, horário dos shows, mapa e permite comprar ingresso e comida. Sem ele, você vai andar em círculos.

O parque tem um sistema pago de acesso prioritário, conhecido como Premier Access, vendido por atração ou em pacote. Não é indispensável, mas em dias de pico pode salvar seu roteiro. Avalie no próprio dia, olhando o aplicativo.

Sobre datas: evite feriados nacionais chineses, especialmente o Ano Novo Lunar, a Golden Week no início de outubro e o feriado do Dia do Trabalho no começo de maio. Nessas semanas o parque atinge níveis de lotação difíceis de descrever. Meio de semana fora de feriado é sempre a melhor aposta.

Para chegar, o metrô linha 11 tem estação Disney Resort, na porta. É barato, rápido e evita o trânsito. A viagem do centro leva cerca de quarenta minutos a uma hora.

E leve garrafa de água. Há bebedouros no parque, e a Disney de Xangai permite entrada com alimentos, o que ajuda no orçamento.

Dia 3: arquitetura europeia, cafés e o templo no meio dos prédios

O terceiro dia é o meu favorito, e desconfio que seja o favorito da maioria de quem visita a cidade. Porque é o dia de andar sem pressa.

Wukang Road e a antiga concessão francesa

A região que hoje se chama informalmente de antiga concessão francesa é um dos bairros mais agradáveis de Xangai. As ruas são estreitas por padrão local, arborizadas com plátanos que formam túnel de sombra, e as casas são mansões e vilas do começo do século XX, muitas convertidas em cafés, lojas de design e restaurantes.

O marco da área é o Wukang Mansion, um prédio de 1924 projetado pelo arquiteto húngaro-eslovaco Ladislaus Hudec, que assinou várias obras importantes da cidade. Ele tem formato de proa de navio porque foi construído numa esquina em ângulo agudo, e virou o ponto mais fotografado do bairro. Tem até uma plataforma na calçada oposta, criada pela prefeitura, só para organizar quem quer tirar foto. Isso diz muito sobre o nível de popularidade do lugar nas redes sociais chinesas.

Caminhar pela Wukang Road e pelas ruas vizinhas, como Fuxing West Road e Yongfu Road, é o programa em si. Não existe roteiro rígido. Você entra numa cafeteria, senta, olha o movimento e segue.

Anfu Road: cafés, boutiques e a Xangai jovem

A Anfu Road é curta, mas concentra uma quantidade impressionante de cafeterias independentes, lojas de roupa de marcas chinesas de design, sorveterias e restaurantes pequenos. É um dos endereços mais na moda da cidade entre os jovens de Xangai.

Aqui vale um comentário: a cena de café especial em Xangai é uma das mais fortes do mundo hoje. A cidade tem milhares de cafeterias, número que rivaliza com qualquer capital ocidental, e a qualidade média é alta. Se você é do tipo que viaja atrás de café, esse bairro é a razão para reservar uma manhã inteira.

Huaihai Middle Road: a avenida das grandes marcas

A Huaihai Middle Road é a principal avenida comercial da região, com lojas de moda internacional, shoppings e flagships. Ela é mais elegante e menos caótica que a Nanjing East Road, e por isso muita gente prefere passear por ali.

Não é preciso comprar nada. Mas as vitrines de Xangai são um estudo de tendência em si, e as lojas conceito de marcas chinesas contemporâneas costumam surpreender quem só conhece as marcas ocidentais.

Jing’an Temple e a loja da Louis Vuitton

Aqui o contraste fica quase caricato, e é ótimo. O Jing’an Temple é um templo budista com origem histórica antiga, reconstruído e ampliado ao longo do tempo, com telhados dourados e uma imagem de Buda de jade. E ele está cercado por torres de escritório e shoppings de luxo. Você está dentro do templo, com incenso queimando, e olha para cima e vê uma fachada de vidro.

Do outro lado, na região, fica uma das lojas de luxo mais comentadas da cidade. Xangai virou palco de flagships espetaculares, e não é raro que essas lojas incluam cafeteria e livraria, funcionando mais como atração cultural do que como comércio. Entrar só para ver o espaço é perfeitamente normal.

City God Temple e a cidade antiga

O City God Temple, ou Templo do Deus da Cidade, fica na parte antiga de Xangai, colada ao Yuyuan Garden. A região é a mais tradicional em aparência, com telhados curvos, lanternas e um labirinto de lojinhas e barracas de comida.

Vou ser direto: é a área mais turística e mais lotada da cidade, e boa parte dos prédios ali é reconstrução recente em estilo antigo. Ainda assim vale ir, porque a atmosfera à noite, com tudo iluminado, é bonita, e porque a comida de rua da região é séria. É ali que se comem os xiaolongbao, aqueles pãezinhos cozidos no vapor com caldo dentro, e os shengjianbao, a versão frita na base. Prove com cuidado, porque o caldo interno queima a boca de verdade.

Jantar de hotpot

Terminar esse dia com hotpot é uma boa decisão. O hotpot é aquele caldeirão fervendo no meio da mesa, no qual você cozinha carnes fatiadas, legumes, cogumelos, macarrão e tofu. Costuma vir com opção de caldo picante e caldo suave, muitas vezes na mesma panela dividida.

A parte que mais surpreende quem nunca fez é o balcão de molhos. Você monta o seu próprio, com pasta de gergelim, alho, coentro, cebolinha, óleo de pimenta, molho de soja. Não existe combinação errada, existe a sua.

Redes grandes têm menu com foto e frequentemente versão em inglês, o que facilita muito. E o hotpot é uma refeição longa, de conversa, então não marque nada depois.

Dia 4: arquitetura contemporânea, compras e jardim histórico

O último dia junta o que Xangai faz de mais moderno com o que ela guarda de mais antigo. Combinação estranha no papel, mas funciona bem na prática.

1000 Trees: o prédio que parece uma montanha

O 1000 Trees, na margem do Suzhou Creek, é um complexo comercial projetado pelo escritório do britânico Thomas Heatherwick. A ideia é simples de explicar e difícil de imaginar sem ver: em vez de uma fachada lisa, o prédio é formado por centenas de colunas que terminam em vasos gigantes com árvores e plantas, criando algo entre um terraço em degraus e uma encosta artificial.

De longe parece uma montanha habitada. De perto, você percebe a escala das colunas e das plantas. É um dos edifícios mais fotografados da cidade, e a região do Suzhou Creek em volta ganhou vida nos últimos anos, com galerias e cafés instalados em antigos armazéns industriais.

Dentro há lojas, restaurantes e áreas de exposição. Nem tudo está sempre ocupado, o que é comum em projetos desse tamanho, mas a visita vale pela arquitetura.

Xintiandi: os shikumen restaurados

Xintiandi é um quarteirão de casas tradicionais em estilo shikumen, aquele padrão típico de Xangai que mistura elementos chineses com influência ocidental, restauradas e transformadas em restaurantes, bares, lojas e galerias. A área foi requalificada no início dos anos 2000 e virou modelo copiado em várias cidades chinesas.

Existe uma crítica válida de que Xintiandi é uma versão higienizada da cidade antiga, feita para consumo. É verdade. Mas as ruelas de pedra, os tijolos cinza e a proporção dos becos são reais, e caminhar por ali no fim da tarde é agradável.

Vale saber que ali perto está o local da primeira reunião do Partido Comunista Chinês, em 1921, hoje transformado em museu. É uma visita rápida e contextualiza muita coisa.

Harmay: a loja de beleza que virou ponto turístico

A Harmay é uma rede chinesa de lojas de beleza que ficou famosa pelo conceito de design. Em vez de prateleiras convencionais, as lojas parecem depósitos industriais, com produtos em caixas e gavetas metálicas, tubulação aparente e iluminação de armazém. Elas trabalham muito com amostras em tamanho pequeno, o que permite experimentar produtos caros sem comprar o frasco inteiro.

Se você não tem interesse por cosméticos, provavelmente vai achar graça no espaço mesmo assim. Se tem, é um dos lugares mais divertidos da cidade para gastar dinheiro.

Nanjing West Road: o luxo de Xangai

A Nanjing West Road é a rua de compras de alto padrão da cidade, com shoppings como Plaza 66, HKRI Taikoo Hui e Reel. Aqui estão as flagships das grandes marcas internacionais, os restaurantes premiados e as praças de alimentação sofisticadas que muitos consideram melhores que os próprios restaurantes.

Uma dica que salva dia de chuva: os shoppings da região são conectados por passagens subterrâneas e pelo metrô, então é possível circular bastante sem pegar água.

Yuyuan Garden: o jardim que sobreviveu

O Yuyuan Garden é um jardim clássico chinês construído na dinastia Ming, com obras iniciadas em 1559, encomendado por um funcionário chamado Pan Yunduan para o pai dele. Levou quase vinte anos para ficar pronto, passou por destruições e restaurações ao longo dos séculos e hoje é um dos poucos lugares no centro de Xangai onde você respira algo genuinamente antigo.

O jardim é pequeno em área, mas a lógica de construção faz com que ele pareça maior. Muros, portais e rochas dividem o espaço em cenas, de modo que você nunca vê o conjunto inteiro de uma só vez. Há lagos com carpas, pavilhões, pontes em ziguezague e uma rocha ornamental famosa chamada Exquisite Jade Rock.

Vá de manhã, logo na abertura. À tarde e nos fins de semana o jardim fica muito cheio, e a ideia de contemplação some junto com o espaço para andar. O ingresso tem preço diferente em alta e baixa temporada, e vale reservar pelo aplicativo, porque em vários períodos a entrada exige agendamento.

Comida: o que não deixar de provar

Xangai tem uma culinária própria, mais adocicada e mais suave que a de Sichuan ou de Hunan. Algumas coisas merecem lugar no seu roteiro.

Os xiaolongbao são o item mais famoso, e a técnica de comer envolve morder um cantinho, tomar o caldo e depois comer o resto. Os shengjianbao, com base frita e crocante, são um clássico de café da manhã local, e as filas de moradores na porta das lojas boas dizem tudo.

O scallion oil noodles, macarrão com óleo de cebolinha, é simples de um jeito quase desconcertante e uma das melhores coisas baratas da cidade. O peixe ou a carne cozidos no estilo hongshao, com molho escuro à base de soja e açúcar, representam bem o paladar local. E a comida de rua no café da manhã, com panquecas de cebolinha e ovo, dá conta de manhãs inteiras por poucos yuans.

Se você tiver uma noite livre, considere reservar um restaurante com vista para o Bund. Não é barato, mas jantar olhando aquele skyline é um daqueles gastos que ninguém lamenta depois.

Quando ir e o que esperar do clima

A melhor época é a primavera, entre março e maio, e o outono, entre setembro e novembro. Temperaturas amenas, menos chuva e luz bonita para foto.

O verão, de junho a agosto, é quente e muito úmido, com sensação térmica pesada e chance de tufão, principalmente entre julho e setembro. O inverno, de dezembro a fevereiro, é frio e cinzento, com temperaturas que ficam perto de zero e umidade que faz o frio parecer pior. Não neva com frequência, mas o vento no Bund em janeiro é implacável.

Se você não tem escolha e vai em julho, ajuste o roteiro: museus, shoppings e metrô nas horas de sol mais forte, caminhada de rua no começo da manhã e no fim da tarde.

Ajustes que fazem esse roteiro funcionar melhor

Uma observação sobre o desenho dos quatro dias. Os dias 3 e 4 têm bastante compra no papel, e se você não é uma pessoa de compras, dá para trocar parte disso por outras coisas sem perder a lógica geral. O Shanghai Museum, na People’s Square, tem um dos melhores acervos de arte chinesa antiga do país, com bronzes, cerâmica e caligrafia. A Power Station of Art, num antigo prédio de usina, é o principal museu público de arte contemporânea da cidade. E o Suzhou Creek rende uma caminhada longa e agradável pela margem, com pontes e prédios industriais convertidos.

Outra sugestão: se você tiver um quinto dia sobrando, a cidade de Suzhou fica a menos de trinta minutos de trem-bala e é famosa pelos jardins clássicos e pelos canais. Dá para fazer em um dia, saindo cedo.

Sobre hospedagem, a região do Bund e a antiga concessão francesa são as mais convenientes para esse roteiro. Lujiazui é boa para vista e conveniência de metrô, mas à noite fica mais vazia, com cara de distrito de escritórios. Jing’an é um meio de campo excelente: central, bem servida de metrô, cheia de restaurantes e com preços um pouco mais razoáveis.

Por último, uma coisa que quase ninguém avisa. Xangai é uma cidade de caminhada longa. Você vai andar muito mais do que imagina, mesmo usando metrô, porque as estações são gigantes e as distâncias dentro dos bairros enganam no mapa. Leve sapato confortável de verdade, não o bonito que você usa duas horas por dia em casa. Seus pés vão notar a diferença no segundo dia.

Xangai não pede que você entenda ela. Ela só pede que você ande bastante, coma sem medo e aceite que os contrastes não precisam fazer sentido. Quatro dias dão para isso.

Artigos Relacionados

Deixe um comentário