7 Coisas que Você Precisa Saber Antes de Viajar Para a China
Sete coisas que você precisa saber antes de viajar para a China pela primeira vez: pagamentos por aplicativo, celular carregado, mapas locais, trem-bala, passaporte à mão, apps essenciais e uma frase em mandarim que resolve quase tudo.

Primeira vez na China: o que ninguém te conta antes de embarcar
A China é um daqueles destinos que parecem intimidantes de longe e ficam surpreendentemente simples depois dos dois primeiros dias. O problema é que esses dois primeiros dias podem ser bem confusos se você chegar sem preparo. Não por falta de estrutura, muito ao contrário. O país tem metrô impecável, trens que cortam mil quilômetros em quatro horas, hotéis limpos, comida barata e ruas seguras. A dificuldade é outra: a China construiu um ecossistema digital próprio, que funciona muito bem para quem está dentro dele e é quase impenetrável para quem chega de fora sem configurar nada.
É como entrar numa cidade onde todas as portas são automáticas, mas você não tem o cartão que abre as portas.
Vamos por partes. Sete pontos, sem enrolação, com o contexto que costuma faltar nos guias.
1. Pagamentos vêm antes de tudo
Se houver uma única coisa para resolver antes de embarcar, é essa.
A China praticamente aposentou o dinheiro em espécie no dia a dia urbano. Não de forma oficial, o yuan continua sendo moeda de curso legal e legalmente ninguém pode recusar cédulas, mas na prática o vendedor de macarrão, o motorista de táxi, a loja de conveniência, a bilheteria do templo, todos esperam que você aponte o celular para um QR code. Muitos estabelecimentos pequenos simplesmente não têm troco. E cartão internacional de crédito, aquele Visa ou Mastercard que funciona no mundo inteiro, é aceito em hotéis grandes, shoppings e restaurantes voltados para estrangeiros. Fora disso, boa sorte.
A solução são os dois gigantes: Alipay e WeChat Pay.
A boa notícia é que, desde 2023, os dois abriram bastante o jogo para turistas. Hoje você consegue baixar o aplicativo com um número de telefone estrangeiro (o seu do Brasil serve), fazer a verificação de identidade com foto do passaporte e vincular um cartão internacional. Visa, Mastercard, e em muitos casos também Amex e Discover. O dinheiro sai do seu cartão, é convertido para yuan e o comerciante recebe em moeda local. Você nem precisa abrir conta em banco chinês.
Alguns detalhes que costumam pegar as pessoas de surpresa:
- Faça isso em casa, com internet estável e paciência. A verificação de identidade pode demorar algumas horas ou até um ou dois dias em alguns casos. Fazer isso no saguão do aeroporto de Pudong, cansado, com wi-fi instável, é receita para estresse.
- Avise seu banco. Cartão brasileiro sendo vinculado a uma carteira digital chinesa é exatamente o tipo de transação que dispara bloqueio antifraude automático. Um recado prévio para o banco resolve.
- Taxas. Historicamente, pagamentos abaixo de 200 yuan tinham isenção de tarifa de serviço nas carteiras digitais, e acima disso incidia um percentual pequeno. Essas regras mudam de tempo em tempo, então vale conferir dentro do app. Some a isso o IOF e o spread do seu cartão. Nada absurdo, mas existe.
- Alipay tende a ser mais amigável para estrangeiros. A interface em inglês é melhor, os mini programas de transporte funcionam bem e a vinculação de cartão internacional costuma ser mais estável. Já o WeChat tem a vantagem de ser também o aplicativo de mensagens do país, o que ajuda quando alguém quer te passar contato.
Meu conselho prático: instale os dois, configure os dois, e use o Alipay como principal. Redundância aqui não é paranoia, é bom senso. Se um cartão der problema no meio da viagem, você não quer ficar sem nenhuma forma de pagar o táxi.
E sim, leve algum dinheiro em espécie. Não muito, algo entre 500 e 1.500 yuan, dependendo do tamanho da viagem. Serve para emergências, para gorjetas raras, para aquele mercadinho de cidade pequena e para o caso de o celular simplesmente morrer. Cédulas de 100 yuan são difíceis de trocar em barraquinhas, então peça notas menores quando saquear no caixa eletrônico.
Sobre saque: os caixas do Bank of China e do ICBC costumam aceitar cartões internacionais sem drama. Cuidado com máquinas de bancos menores, que às vezes recusam bandeiras estrangeiras sem explicação.
2. Bateria de celular é infraestrutura crítica
Aqui vai a parte que as pessoas subestimam.
Na China, o celular não é um acessório da viagem. Ele é a carteira, o mapa, o bilhete de trem, o cartão do metrô, o tradutor, o menu do restaurante, o chamado do táxi e o comprovante de reserva do hotel. Ficar sem bateria não é inconveniente. É ficar sem meio de pagamento, sem orientação e sem transporte ao mesmo tempo, possivelmente num bairro onde ninguém fala inglês.
Já vi gente resolver isso na base do desespero, pedindo carregador emprestado em restaurante. Funciona, os chineses são hospitaleiros, mas é um jeito ruim de passar a tarde.
Então: power bank, sempre. De preferência um de 10.000 mAh ou mais, com duas saídas.
E agora o detalhe que virou pegadinha recente e que muito viajante ainda não sabe: desde 28 de junho de 2025, a autoridade de aviação civil chinesa (CAAC) proibiu o transporte de baterias portáteis em vôos domésticos quando elas não trazem a marcação CCC (também chamada de 3C, a certificação compulsória chinesa) de forma legível, ou quando o modelo faz parte de algum lote recolhido pelo fabricante.
O que isso significa na prática para quem vem do Brasil? Que aquele power bank genérico, comprado em promoção, sem selo visível ou com a etiqueta apagada de tanto uso, pode ser retido na inspeção de raio-X antes de um vôo interno. E não há muito o que argumentar, o agente vai simplesmente pedir que você descarte.
Pontos importantes:
- A exigência de CCC recai sobre baterias vendidas no mercado chinês. Se você chegar com um modelo internacional de marca conhecida, com rótulo íntegro informando capacidade em Wh/mAh e certificações, o cenário costuma ser mais tranquilo, mas a interpretação varia de aeroporto para aeroporto. Fiscalização humana é assim.
- A regra vale para vôos domésticos dentro da China. Em vôos internacionais aplicam-se as normas usuais da IATA: até 100 Wh liberado, entre 100 e 160 Wh com autorização da companhia, acima de 160 Wh proibido. Sempre na bagagem de mão, nunca despachado.
- Se for viajar de avião entre cidades chinesas e ficar em dúvida, a alternativa mais segura é comprar um power bank já na China, em loja física de marca conhecida como Xiaomi ou Anker, com selo CCC estampado. Custa pouco, resolve o problema e você leva de lembrança.
- Nos trens de alta velocidade a exigência não é a mesma dos aviões, o que torna o trem ainda mais conveniente.
Complemento útil: leve um cabo extra e um adaptador. A China usa tomadas tipo A (dois pinos chatos) e tipo I (três pinos angulados), com tensão de 220V e 50Hz. Notebooks e celulares brasileiros bivolt funcionam bem, só falta o formato do plugue. Muitos hotéis já têm tomadas universais, mas contar com isso é otimismo.
3. Baixe um mapa que realmente funcione lá
Google Maps na China é um exercício de frustração. O app abre em alguns casos, mostra ruas, e daí vem o problema real: os dados de trânsito, transporte público, horários e pontos de interesse são pobres, desatualizados ou simplesmente ausentes. Some a isso o fato de que os serviços do Google não são acessíveis na rede chinesa sem VPN, e você tem um mapa bonito e inútil.
Existe outro detalhe técnico interessante. A China usa um sistema de coordenadas próprio, o GCJ-02, diferente do WGS-84 usado pelo GPS internacional. O resultado é um deslocamento de algumas centenas de metros entre a posição real e a exibida em mapas estrangeiros. Aquele desvio esquisito, quando o marcador aparece no meio do rio enquanto você está numa avenida, tem essa explicação.
As alternativas locais são bem superiores:
| Aplicativo | Ponto forte | Idioma |
| Amap (Gaode) | Rotas de metrô, ônibus, caminhada | Parcialmente em inglês |
| Baidu Maps | Cobertura densa de POIs e prédios | Sobretudo em chinês |
| Apple Maps | Usa dados do Amap na China | Inglês bom |
Se você usa iPhone, uma dica que poucos sabem: o Apple Maps na China roda com base de dados do Amap, o que o torna surpreendentemente competente por lá. Metrô, endereços, transporte público, tudo funciona.
Uma prática que economiza muito tempo: salve tudo em chinês. Nome do hotel, endereço, atrações, restaurantes. Copie os caracteres, não a transliteração. Motorista de táxi não vai entender “Jing’an Shangri-La”, mas vai entender 静安香格里拉. Guarde num bloco de notas offline, tire print, mande para você mesmo por mensagem. Redundância novamente.
Sobre internet: você tem três caminhos. Chip local (China Unicom e China Mobile vendem pacotes para turistas, exige passaporte), eSIM internacional (a rota mais prática hoje, ativa antes de embarcar e geralmente roteia o tráfego por fora do filtro chinês) ou roaming da sua operadora brasileira. O eSIM tende a ser a melhor relação entre custo e conveniência, justamente porque preserva o acesso a WhatsApp, Instagram, Gmail e Google Maps. Um chip chinês puro não faz isso.
Se optar pelo chip local, instale uma VPN confiável antes de chegar. Depois de aterrissar, baixar VPN fica bem mais difícil. E aqui um lembrete de bom senso: o uso de VPN por turistas é comum e tolerado na prática, mas a legislação chinesa restringe serviços não autorizados. Use com discrição e sem publicidade.
4. Trem de alta velocidade: o jeito inteligente de circular
Se existe uma coisa que a China faz melhor que quase todo mundo, é ferrovia. A rede de alta velocidade passou de 48 mil quilômetros e conecta praticamente todas as capitais provinciais. Xangai a Pequim, 1.300 quilômetros, em cerca de quatro horas e meia. Sem check-in de bagagem, sem raio-X eterno, sem chegar duas horas antes, sem atraso de conexão. Você entra na estação, passa pela inspeção, senta e vai.
Para trechos de até seis ou sete horas, o trem quase sempre ganha do avião quando você soma deslocamento até o aeroporto, filas e imprevistos.
Como comprar:
- 12306 é o app oficial da China Railway. Preço cheio, sem taxa intermediária, e hoje já com interface em inglês razoável. Ele aceita passaporte estrangeiro no cadastro, o que era um problema anos atrás.
- Trip.com é a alternativa mais amigável. Cobra uma pequena taxa de serviço, mas a experiência de uso é mais suave, o suporte responde em inglês e o pagamento com cartão internacional funciona sem sustos.
Detalhe crucial, e insisto nisso porque gera transtorno real: os dados do passaporte precisam bater exatamente com o que está no bilhete. Número, nome completo, ordem dos nomes. Um dígito trocado e você pode não conseguir passar a catraca. Além disso, leve o passaporte físico original, o mesmo usado na compra. Não vale cópia, não vale foto, não vale outro passaporte novo se você renovou o documento depois de comprar a passagem.
Hoje quase toda a rede opera com bilhete eletrônico. Você não precisa retirar papel, basta o passaporte no leitor do guichê especial (as catracas automáticas leem cartão de identidade chinês, estrangeiro passa pelo canal atendido por funcionário). Se quiser recibo para reembolso corporativo, dá para imprimir depois nas máquinas da estação.
Classes de assento, resumidamente:
| Classe | Conforto | Quando vale |
| Second Class | 5 assentos por fileira, apertado mas ok | Trechos curtos e médios |
| First Class | 4 por fileira, bem mais espaço | Viagens de 4h ou mais |
| Business | Poltrona quase leito | Luxo, preço de avião |
Second class serve muito bem para a maioria. Em trajetos longos, a diferença de preço para a primeira classe às vezes é pequena o suficiente para valer a pena.
Chegue com 40 a 50 minutos de folga. As estações chinesas são gigantescas, algumas do tamanho de aeroportos, e o embarque fecha rigorosamente alguns minutos antes da partida. Aqui não tem negociação, não tem “só um instante”. O portão fecha e o trem sai.
Outra coisa: compre com antecedência em feriados. Durante o Ano Novo Chinês, o feriado nacional de outubro e o Qingming, os bilhetes esgotam em minutos. A venda abre normalmente 15 dias antes no 12306.
5. Passaporte à mão, sempre
Parece óbvio. Não é.
Na China, o passaporte é o seu documento de identidade para praticamente qualquer procedimento formal. Hotéis são obrigados por lei a registrar hóspedes estrangeiros e reportar a hospedagem à autoridade policial local. Isso não é implicância com você, é procedimento padrão do país e vale para chineses também, que apresentam a carteira de identidade nacional.
Você vai precisar do passaporte para:
- Check-in em hotel, sem exceção
- Entrar na estação de trem e embarcar
- Comprar bilhetes de algumas atrações, especialmente as que exigem reserva antecipada por nome, como a Cidade Proibida
- Comprar chip de celular
- Trocar dinheiro ou fazer certas operações bancárias
- Verificação de identidade no Alipay e WeChat
Consequência prática: não enterre o passaporte no fundo da mala. Use uma pochete discreta, bolso interno de jaqueta, mochila que fica sempre com você. E tenha cópias digitais e físicas, além de fotos das páginas de identificação e do visto ou selo de entrada. Se perder o documento, isso acelera muito o trabalho no consulado brasileiro.
Sobre entrada no país, um ponto que mudou bastante e que vale checar com atenção: a China ampliou muito suas políticas de isenção de visto nos últimos anos. Brasileiros passaram a contar com entrada sem visto para turismo, negócios, visita a familiares e trânsito, com permanência limitada, dentro de um programa de teste com prazo definido pelas autoridades chinesas. Existe também a isenção específica para trânsito por até 240 horas em aeroportos elegíveis, desde que você tenha bilhete de saída para um terceiro país.
Como essas regras têm data de validade e são revisadas periodicamente, a única fonte que importa é a Embaixada ou Consulado da China no Brasil, mais o próprio Centro de Serviços de Visto Chinês. Confira semanas antes, não no dia do embarque. E confira novamente perto da data. Já vi gente perder vôo por confiar em post de blog desatualizado.
Guarde também os comprovantes de reserva de hotel e o itinerário impresso. Raramente pedem, mas quando pedem, ter na mão evita uma conversa longa no controle de imigração.
E há uma exigência que persiste em muitas cidades: hospedagem só em hotéis licenciados para receber estrangeiros. A maioria dos hotéis de rede e dos que aparecem nas plataformas internacionais está regularizada, mas pousadas muito pequenas e alguns apartamentos de aluguel podem não estar. Se o recepcionista disser que não pode registrar estrangeiro, não é má vontade, é falta de licença.
6. Os aplicativos que transformam a experiência
A China roda em superaplicativos. Em vez de dez apps pequenos, dois ou três gigantes fazem tudo por dentro, usando os chamados mini programas. Entender isso é meio caminho andado.
WeChat (微信) Mensagem, pagamento, rede social, delivery, ingresso, transporte, tudo. É o app que os locais têm aberto o dia inteiro. Para o turista, o valor principal é comunicação com hotéis, guias e novos conhecidos, além do sistema de pagamento. Os mini programas dentro dele resolvem coisas surpreendentes, como pedir a conta no restaurante ou comprar entrada de museu.
Alipay (支付宝) Além do pagamento, virou uma espécie de canivete suíço para estrangeiro. Tem tradutor integrado, mini programas de metrô das principais cidades (você gera um QR code e passa na catraca sem comprar bilhete), chamada de táxi via DiDi, compra de bilhete de trem, seguro de viagem, reserva de atração. Se eu tivesse que escolher um único aplicativo para levar, seria esse.
Trip.com (Ctrip) Hotel, vôo doméstico, trem, ingresso, transfer. Interface em português inclusive. É o intermediário mais confiável entre o viajante estrangeiro e o sistema turístico chinês. Preços competitivos e política de cancelamento clara.
Xiaohongshu (小红书, o RED) Aqui está o segredo mal guardado. É uma mistura de Instagram com Pinterest e site de avaliações, e é onde os chineses realmente pesquisam onde comer, onde tomar café, onde tirar foto bonita. A qualidade das recomendações é muito superior ao que você encontra em guias em inglês. O conteúdo é quase todo em mandarim, mas com a tradução de tela do celular você navega bem. Buscar o nome de um bairro ali revela lugares que nenhum guia estrangeiro menciona.
Meituan / Dianping (美团 / 大众点评) O equivalente ao iFood somado ao Google Reviews. Avaliação de restaurantes, cupons, delivery, reserva. Dianping tem uma escala de notas confiável e mostra fotos reais de pratos. Exige mais chinês, mas vale a tentativa.
DiDi (滴滴出行) O Uber chinês, e o Uber real não opera lá. Funciona muito bem, é barato e existe versão internacional em inglês. Também está embutido no Alipay e no WeChat. Uma vantagem enorme: você digita o destino no app e não precisa explicar nada ao motorista.
Tradutor Google Tradutor exige VPN. Alternativas locais boas: Baidu Translate e Youdao. A tradução por câmera é a função que mais salva, aponte para o menu ou para a placa e leia. Baixe os pacotes de idioma offline antes.
Não instale tudo de uma vez, e não tente configurar os sete no primeiro dia. Comece pelo essencial: Alipay, Amap ou Apple Maps, DiDi, um tradutor. Os outros você adiciona conforme sentir necessidade. Encher o celular de aplicativos em chinês que você não vai usar só consome bateria e paciência.
7. Uma frase que resolve mais do que parece
我不会说中文 Wǒ bú huì shuō Zhōngwén “Eu não falo chinês.”
Parece pouco, mas muda o tom da interação por completo. Quando você diz isso, com sotaque terrível e tudo, duas coisas acontecem. A primeira é que a pessoa para de tentar explicar em mandarim rápido e passa a usar gestos, números com os dedos ou o celular. A segunda é mais sutil: o esforço de tentar é bem recebido. Você deixa de ser o turista que assume que todos falam inglês e se torna alguém que está tentando.
Vale montar um pequeno repertório. Cinco ou seis frases fazem uma diferença desproporcional:
| Português | Chinês | Pronúncia aproximada |
| Olá | 你好 | ni rrão |
| Obrigado | 谢谢 | siê siê |
| Quanto custa? | 多少钱 | duô shao tchiên |
| Isto, por favor | 这个 | tchê gue |
| Não quero apimentado | 不要辣 | bu iao lá |
| Onde é o banheiro? | 洗手间在哪里 | si shou tchiên dzai nali |
Aquele “不要辣” pode salvar sua viagem em Sichuan e Hunan. A pimenta lá não é decorativa.
E o complemento indispensável desta dica: tenha o endereço do hotel salvo em caracteres chineses. Print da tela, cartão do próprio hotel na carteira, nota no celular. Mostrar a tela para o motorista funciona perfeitamente. Falar o nome em inglês, quase nunca.
Sobre inglês, sejamos realistas. Em hotéis internacionais, aeroportos e áreas turísticas de Xangai, Pequim e Shenzhen, você encontra funcionários que se comunicam. Fora disso, o inglês é raro, inclusive entre jovens. Isso não é obstáculo, é apenas o cenário. Tradutor de câmera e boa vontade resolvem 95% das situações.
Coisas soltas que valem mais que muita dica
Metrô é a melhor forma de circular nas grandes cidades. Limpo, pontual, sinalizado em inglês, barato (algo entre 3 e 8 yuan por trecho). Todas as bagagens passam por raio-X na entrada, então calcule dois minutos extras. Nos horários de pico em Pequim e Xangai, a lotação é impressionante. Evite entre 8h e 9h30.
Água. Não beba da torneira. Água quente é onipresente, existem dispensers em estações, trens e hotéis, e os chineses bebem água quente por costume cultural mesmo no verão. Leve uma garrafa térmica e você economiza e evita plástico.
Banheiros públicos. Existem em quantidade e são gratuitos, mas muitos são de agachamento e boa parte não tem papel. Carregue lenços de papel e álcool em gel. Não é exigente, é logística.
Comida. Aqui está o melhor da viagem, na minha opinião. A variedade regional é enorme e a comida de rua é barata e segura em lugares movimentados. Peça pelo que tem foto, use o tradutor, aponte para o que a mesa vizinha está comendo. Café da manhã chinês vale a experiência: baozi no vapor, congee, panqueca jianbing. Restaurantes com QR code na mesa para pedido estão em todo lugar, e ali o mini programa do WeChat costuma ter opção de idioma.
Gorjeta. Não é praticada e pode até causar estranhamento. Não se preocupe com isso.
Fumo. Ainda é comum em muitos ambientes, apesar das restrições. Se for sensível, escolha hotéis com política clara de andar livre de fumo.
Ritmo. As distâncias chinesas enganam. Pequim é enorme, o Palácio de Verão e a Cidade Proibida sozinhos consomem um dia cada. Não tente encaixar cinco cidades em dez dias. Duas ou três, bem exploradas, rendem muito mais.
Reservas antecipadas. Atrações grandes trabalham com cota diária e reserva nominal por app. Cidade Proibida, Museu Nacional, alguns trechos da Muralha. Programe isso com dias de antecedência, não na véspera.
Feriados. Fuja do Ano Novo Chinês (data móvel, entre janeiro e fevereiro) e da Golden Week de outubro se a ideia é turismo tranquilo. É bonito culturalmente, mas o país inteiro se move ao mesmo tempo.
O que fica
A China não é difícil. É diferente. Toda a fricção que o viajante estrangeiro sente vem de um único fato: o país digitalizou a vida cotidiana num modelo próprio, e quem chega precisa de uma chave para entrar nesse sistema. Essa chave são duas carteiras digitais configuradas, um mapa local, um power bank certificado, um passaporte acessível e a disposição de apontar para coisas quando as palavras faltarem.
Resolvido isso, o que sobra é um país absurdamente conveniente, onde você pega um trem-bala pela manhã, almoça em outra província, paga tudo com o celular e à noite caminha por uma rua iluminada onde ninguém te incomoda. Poucas viagens dão essa sensação de eficiência combinada com estranheza boa.
Vale ir. Só vale ir preparado.
