20 Países do Mundo Onde Terremotos Fortes são Mais Comuns

Lista dos 20 países com maior atividade sísmica do planeta, com dados reais de terremotos históricos, níveis de risco e o que o viajante precisa saber antes de visitar cada destino.

Lista dos 20 países com maior atividade sísmica do planeta, com dados reais de terremotos históricos, níveis de risco

Cerca de 90% dos terremotos do mundo acontecem dentro de uma mesma faixa: o Círculo de Fogo do Pacífico, um arco de aproximadamente 40 mil quilômetros que contorna o oceano Pacífico. Ali estão o Japão, o Chile, a Indonésia, as Filipinas, o México, a costa oeste dos Estados Unidos e a Nova Zelândia. Fora desse arco, existe uma segunda faixa muito ativa, chamada cinturão Alpino-Himalaico, que atravessa o Mediterrâneo, o Oriente Médio e vai até a Ásia Central. Nela estão Itália, Grécia, Turquia, Irã, Afeganistão, Paquistão, Índia e Nepal.

Se você juntar essas duas faixas, tem praticamente o mapa completo dos lugares onde o chão se mexe com mais frequência. E aqui vem a parte inconveniente: dentro desse mapa estão alguns dos destinos turísticos mais desejados do planeta.

Não é coincidência. A mesma força que provoca terremoto é a que ergueu os Andes, criou o monte Fuji, fez as ilhas gregas, esculpiu Bali e formou a Nova Zelândia. Paisagem espetacular e risco sísmico costumam vir no mesmo pacote.

Antes da lista, um esclarecimento que faz diferença: quantidade de terremotos não é a mesma coisa que perigo. O Japão registra milhares de tremores por ano e tem uma das taxas de mortalidade mais baixas do mundo por evento sísmico. Já o Haiti teve um único terremoto de magnitude 7,0 em 2010 e perdeu mais de 200 mil pessoas. A diferença não está no chão. Está na construção, na fiscalização e na educação da população. Guarde isso, porque vai reaparecer várias vezes daqui para frente.

1. Japão

É o país mais sismicamente monitorado do mundo e provavelmente o mais bem preparado. Fica no encontro de quatro placas tectônicas, o que é uma combinação bastante infeliz do ponto de vista geológico. Registra milhares de tremores perceptíveis por ano.

O terremoto de Tohoku, em 11 de março de 2011, teve magnitude 9,0 a 9,1 e gerou um tsunami com ondas que passaram de 30 metros em alguns pontos. Morreram cerca de 19.700 pessoas, a esmagadora maioria pela água, não pelo tremor. O desastre também causou o acidente nuclear de Fukushima. Antes disso, o terremoto de Kobe, em 1995, magnitude 6,9, matou 6.434 pessoas e forçou uma revisão profunda nos códigos de construção.

Para o viajante: o Japão é seguro justamente porque leva o assunto a sério. Prédios com amortecedores sísmicos, trens que freiam automaticamente ao primeiro sinal de onda P, e o aplicativo Safety Tips, oficial da agência de turismo japonesa, que funciona em português e envia alertas de terremoto e tsunami. Baixe antes de embarcar.

2. Indonésia

Arquipélago de mais de 17 mil ilhas sentado sobre um dos trechos mais violentos do Círculo de Fogo. Tem também mais vulcões ativos que qualquer outro país.

O terremoto de Sumatra, em 26 de dezembro de 2004, magnitude 9,1, provocou o tsunami do Oceano Índico, que matou cerca de 230 mil pessoas em 14 países. Foi o desastre natural mais letal do século XXI. Em 2018, o tremor de magnitude 7,5 em Palu, na ilha de Sulawesi, gerou tsunami e liquefação do solo, matando mais de 4.300 pessoas.

Para o viajante: Bali e Lombok são destinos populares e ficam em área ativa. Existe o sistema InaTEWS de alerta de tsunami, mas a infraestrutura varia enormemente entre ilhas. Em áreas costeiras, saber onde subir vale mais que qualquer aplicativo.

3. Chile

Provavelmente o país com o histórico sísmico mais impressionante do mundo. O terremoto de Valdivia, em 22 de maio de 1960, teve magnitude 9,5 e é o maior tremor já registrado por instrumentos na história da humanidade. Gerou tsunami que atravessou o Pacífico e atingiu o Japão, do outro lado do mundo.

Em 2010, o terremoto de Maule, magnitude 8,8, matou cerca de 525 pessoas. Repare no número: magnitude quase igual à do Japão em 2011, e mortalidade dramaticamente menor. Isso porque o Chile tem uma das normas de construção antissísmica mais rigorosas do planeta, resultado direto de décadas convivendo com o problema.

Para o viajante: Santiago, Valparaíso, Atacama e Patagônia. O país é bem preparado, tem sistema de alerta por celular (SAE) e cultura de evacuação. Em cidades litorâneas, as rotas de fuga para tsunami são sinalizadas nas ruas.

4. China

Grande parte do território fica sob pressão da colisão entre as placas Indiana e Euroasiática, a mesma que ergueu o Himalaia.

O terremoto de Tangshan, em 1976, magnitude 7,6, matou 242 mil pessoas segundo dados oficiais, e algumas estimativas independentes falam em número bem maior. É um dos desastres mais letais da história. Em 2008, o terremoto de Sichuan, magnitude 7,9, matou cerca de 87.500 pessoas, incluindo milhares de crianças em escolas que desabaram, o que gerou uma crise séria sobre qualidade de construção pública.

Para o viajante: as regiões de maior risco são o oeste e sudoeste, incluindo Sichuan, Yunnan e a área do Tibete. Pequim e Xangai têm risco moderado.

5. Irã

País inteiro assentado sobre zona de colisão de placas, com falhas ativas cruzando áreas densamente povoadas e muita construção tradicional de tijolo e adobe, que se comporta muito mal em tremores.

O terremoto de Bam, em 2003, magnitude 6,6, destruiu uma cidade histórica com cidadela de barro de 2 mil anos e matou cerca de 26 mil pessoas. Magnitude 6,6 é considerada moderada. O que fez a diferença foi o tipo de edificação.

Para o viajante: risco elevado, principalmente fora dos grandes centros, onde a construção informal é predominante.

6. Turquia

A falha da Anatólia é uma das mais ativas e estudadas do mundo, e passa perto de Istambul, cidade com mais de 15 milhões de habitantes.

Em 6 de fevereiro de 2023, um terremoto de magnitude 7,8 atingiu o sul da Turquia e o norte da Síria, seguido horas depois por outro de magnitude 7,5. Foi um dos piores desastres da história recente: mais de 50 mil mortos na Turquia e o total passando de 59 mil considerando a Síria. Milhares de edifícios desabaram completamente, e investigações apontaram descumprimento generalizado das normas antissísmicas.

Para o viajante: Istambul, Capadócia, Pamukkale e a costa do Egeu estão todas em território sismicamente ativo. O risco é real e sismólogos vêm alertando há anos sobre a probabilidade de um grande evento na região de Istambul.

7. México

O terremoto da Cidade do México, em 19 de setembro de 1985, magnitude 8,0, matou mais de 10 mil pessoas (algumas estimativas vão bem além). Curiosidade cruel: o epicentro estava a mais de 350 quilômetros da capital. A destruição foi tão grande porque a cidade foi construída sobre o leito seco de um lago, e o solo mole amplificou as ondas de forma brutal.

Exatamente 32 anos depois, em 19 de setembro de 2017, outro terremoto, magnitude 7,1, atingiu a capital e matou 370 pessoas. A coincidência de data é apenas isso, coincidência, mas marcou profundamente a cultura local.

Para o viajante: a Cidade do México tem sistema de alerta sísmico público (SASMEX) com alto-falantes nas ruas, e os aplicativos SkyAlert e SASSLA no celular. Em 19 de setembro acontece um simulado nacional. Se estiver na cidade nesse dia, não se assuste com as sirenes.

8. Estados Unidos

Concentrado em três áreas: Califórnia, Alasca e Havaí. O terremoto do Alasca, em 1964, magnitude 9,2, é o segundo maior já registrado no mundo.

Na Califórnia, o terremoto de São Francisco de 1906, magnitude 7,9, destruiu grande parte da cidade e matou cerca de 3 mil pessoas, a maioria pelos incêndios que se seguiram. Em 1994, o tremor de Northridge, em Los Angeles, magnitude 6,7, causou 57 mortes e prejuízo de mais de 20 bilhões de dólares. A falha de San Andreas continua ativa e o famoso “Big One” é uma expectativa científica, não teoria da conspiração.

Para o viajante: Los Angeles, São Francisco, Napa e parques como Yosemite estão em zona ativa. O sistema ShakeAlert e o aplicativo MyShake dão alertas de alguns segundos.

9. Filipinas

Fica no encontro das placas Filipina e Euroasiática, com dezenas de falhas ativas. Registra tremores praticamente todos os dias, além de convivência com vulcões e tufões.

O terremoto de Luzon, em 1990, magnitude 7,7, matou mais de 1.600 pessoas. Em 2013, Bohol foi atingida por um tremor de magnitude 7,2 que destruiu igrejas coloniais centenárias.

Para o viajante: Manila fica sobre a falha do Vale Oeste, e autoridades locais alertam há anos sobre o cenário conhecido como “The Big One” para a capital.

10. Itália

A península é comprimida entre as placas Africana e Euroasiática, e o resultado é um país com forte atividade sísmica e vulcânica ao mesmo tempo.

O terremoto de Messina, em 1908, magnitude 7,1, matou cerca de 80 mil pessoas e é o pior desastre natural da história da Europa moderna. Em 2009, L’Aquila foi atingida por um tremor de magnitude 6,3 que matou 309 pessoas. Em 2016, Amatrice, magnitude 6,2, quase 300 mortos e uma cidade histórica praticamente apagada do mapa.

Para o viajante: o problema italiano é o patrimônio. Centros históricos com prédios de séculos que nunca foram projetados para resistir a tremores. Roma, Nápoles, Sicília e a região dos Apeninos concentram o risco.

11. Nepal

Coração da colisão entre Índia e Ásia, exatamente onde o Himalaia continua crescendo alguns milímetros por ano.

Em 25 de abril de 2015, um terremoto de magnitude 7,8 atingiu o país e matou cerca de 9 mil pessoas. Katmandu perdeu templos e praças que eram patrimônio da humanidade. Avalanches no Everest mataram alpinistas no acampamento base, no dia mais letal da história da montanha.

Para o viajante: trekking no Himalaia envolve risco adicional de deslizamento e avalanche pós-tremor, além de estradas que ficam bloqueadas por semanas. Não existe sistema de alerta público consolidado.

12. Índia

O norte do país, especialmente Caxemira, Himachal Pradesh, Uttarakhand e o nordeste, está em zona de altíssimo risco. O terremoto de Caxemira, em 2005, magnitude 7,6, matou cerca de 86 mil pessoas entre Paquistão e Índia. Em 2001, Gujarat teve um tremor de magnitude 7,7 com mais de 20 mil mortos.

Para o viajante: Deli está em zona de risco significativo. Roteiros clássicos pelo Rajastão e pelo Triângulo Dourado têm risco menor, mas não nulo.

13. Paquistão

Compartilha a mesma zona de colisão. Além do terremoto de 2005 em Caxemira, teve o tremor de Quetta em 1935, magnitude 7,7, com estimativas entre 30 e 60 mil mortos.

Para o viajante: destino de nicho, com áreas de montanha espetaculares (Karakoram, Hunza) e infraestrutura de resgate limitada.

14. Papua-Nova Guiné

Um dos países com maior densidade de terremotos fortes por área do mundo, com tremores acima de magnitude 7,0 ocorrendo com regularidade. A vantagem, se é possível chamar assim, é a baixa densidade populacional em várias das áreas afetadas.

Para o viajante: destino remoto, com infraestrutura médica escassa. Vale seguro-viagem com cobertura de remoção aeromédica.

15. Nova Zelândia

Fica sobre a fronteira entre as placas Australiana e do Pacífico. O terremoto de Christchurch, em 22 de fevereiro de 2011, magnitude 6,3, matou 185 pessoas e destruiu o centro da cidade. Foi precedido por um tremor maior em 2010 e seguido por milhares de réplicas ao longo de anos.

Para o viajante: país extremamente bem preparado, com sistema de Emergency Mobile Alert e cultura forte de prevenção. Wellington e a Ilha Sul concentram o maior risco.

16. Taiwan

Um dos lugares mais ativos do mundo em relação ao tamanho. O terremoto de Chi-Chi, em 1999, magnitude 7,6, matou 2.415 pessoas. Em abril de 2024, um tremor de magnitude 7,4 atingiu a região de Hualien, o mais forte em 25 anos, com danos significativos mas mortalidade baixa, resultado direto do investimento em construção e preparo.

Para o viajante: Taipei e a costa leste. País tecnicamente muito preparado.

17. Rússia (Kamchatka e Curilas)

A península de Kamchatka é uma das zonas de subducção mais ativas do planeta. O terremoto de 1952 na região teve magnitude 9,0 e gerou tsunami que atravessou o Pacífico.

Para o viajante: destino de aventura extrema, com vulcões, ursos e isolamento quase total.

18. Peru

Costa inteira sobre a zona de subducção de Nazca. Em 1970, o terremoto de Áncash, magnitude 7,9, provocou uma avalanche que soterrou a cidade de Yungay e matou cerca de 70 mil pessoas, o pior desastre sísmico da história da América do Sul. Em 2007, Pisco teve tremor de magnitude 8,0 com mais de 500 mortos.

Para o viajante: Lima, Cusco, Arequipa e a trilha Inca. Em altitude e em trilhas, o risco secundário é deslizamento.

19. Guatemala e América Central

A região concentra três placas tectônicas e vulcanismo intenso. O terremoto da Guatemala em 1976, magnitude 7,5, matou cerca de 23 mil pessoas. El Salvador e Nicarágua também têm histórico severo, e o terremoto de Manágua, em 1972, destruiu o centro da capital.

Para o viajante: Antigua Guatemala, Lago Atitlán e a rota dos vulcões estão em área ativa.

20. Haiti

O caso mais dramático da lista. Em 12 de janeiro de 2010, um terremoto de magnitude 7,0 atingiu perto de Porto Príncipe. As estimativas de mortos variam entre 220 mil e mais de 300 mil pessoas. Em 2021, outro tremor, magnitude 7,2, matou mais de 2.200.

Magnitude 7,0 é forte, mas o Chile e o Japão enfrentam eventos muito maiores com uma fração dessas mortes. O Haiti é a prova mais dolorosa de que terremoto não mata sozinho. Mata em combinação com pobreza, construção sem norma e ausência de estrutura de resposta.

Comparativo resumido

PaísMaior terremoto registradoNível de preparo
Japão9,1 (2011)Muito alto
Chile9,5 (1960)Muito alto
Indonésia9,1 (2004)Médio
China7,9 (2008)Médio a alto
Irã7,4 (1990)Baixo a médio
Turquia7,8 (2023)Médio
México8,0 (1985)Alto
Estados Unidos9,2 (1964)Muito alto
Filipinas7,7 (1990)Médio
Itália7,1 (1908)Médio
Nepal7,8 (2015)Baixo
Índia7,7 (2001)Baixo a médio
Paquistão7,7 (1935)Baixo
Papua-Nova Guiné8,0+Baixo
Nova Zelândia8,2 (1855)Muito alto
Taiwan7,6 (1999)Muito alto
Rússia (Kamchatka)9,0 (1952)Médio
Peru8,0 (2007)Médio
Guatemala7,5 (1976)Baixo a médio
Haiti7,2 (2021)Muito baixo

Menções que quase entraram na lista

Grécia tem atividade sísmica constante, sobretudo em Creta, Rodes e no Dodecaneso, com tremores frequentes mas raramente catastróficos nas últimas décadas. Equador teve um terremoto de magnitude 7,8 em 2016 com cerca de 670 mortos. Afeganistão sofreu com o tremor de Herat em outubro de 2023, magnitude 6,3, com mais de 1.500 mortes. Marrocos, que não costuma aparecer nessas listas, foi atingido em setembro de 2023 por um terremoto de magnitude 6,8 nas montanhas do Atlas que matou cerca de 2.900 pessoas, o pior do país em mais de seis décadas. Mianmar entrou nas manchetes em março de 2025 com o tremor de magnitude 7,7 que matou mais de 3.500 pessoas e foi sentido até Bangkok.

O que isso muda no seu planejamento

Nada disso é motivo para riscar destinos da lista. Seria absurdo deixar de conhecer Japão, Chile, Itália ou Peru por causa de probabilidade sísmica. A chance de um turista comum estar em uma cidade específica no momento exato de um terremoto destrutivo é baixíssima.

O que muda é o preparo, e ele é ridiculamente simples. Baixar o aplicativo de alerta do país antes de embarcar. Anotar o telefone do consulado brasileiro em papel. Registrar a viagem no sistema do Itamaraty. Conferir se o seguro-viagem cobre desastre natural, porque muitos dos mais baratos não cobrem. E, ao chegar no hotel, gastar dois minutos identificando onde se abrigar e por onde sair.

Se o chão tremer, a sequência é sempre a mesma, em qualquer um desses vinte países: abaixar, proteger a cabeça, segurar no móvel, e não correr para fora durante o tremor. Se estiver na costa e o tremor for longo, subir sem esperar sirene.

Uma última observação que me parece a mais importante desta lista toda. Olhando os números com calma, fica evidente que a magnitude é só metade da história. O Chile levou o maior tremor da história da humanidade e segue de pé. O Haiti levou um terremoto muito menor e perdeu uma geração. A geologia decide onde o chão vai se mexer. A engenharia, a fiscalização e a educação decidem quem sobrevive.

Artigos Relacionados

Deixe um comentário