10 Dias de Viagem em Paris Para Casal
Paris em setembro é a melhor Paris que existe, com clima ameno, turista rareando e a cidade voltando ao ritmo dela depois do verão sufocante de agosto.

Vou te falar uma coisa que quase ninguém diz: setembro é a janela mágica. As multidões de agosto vão embora, os parisienses voltam das férias e a cidade fica com aquela energia real de novo. Cafés cheios de gente local, não de turista tirando foto do croissant. O clima gira em torno de 15°C a 22°C, com uns dias de chuva fina no fim do mês. Perfeito pra andar muito, que é como Paris deve ser vivida.
Montei esse roteiro pensando em geografia, não em lista de atrações. Você vai perceber que cada dia gira em torno de um ou dois bairros, então você caminha, não fica trocando de metrô toda hora. E deixei buracos de propósito. Paris recompensa quem se perde.
Antes de tudo: onde ficar
Esqueça hotel perto da Torre Eiffel. Zona turística cara e sem alma à noite. Eu colocaria vocês no 11º arrondissement, na região de Oberkampf ou perto do Marché Bastille, ou então no Canal Saint-Martin (10º). São bairros onde parisienses de verdade moram, comem e bebem. Você acorda e já está na cidade real, não num cenário.
Alternativa mais central e ainda com charme: Le Marais (3º/4º), mais caro, porém você anda pra tudo.
Dia 1: Chegada e aterrissagem suave no Marais
Você chega provavelmente de manhã, cansado, com o corpo achando que ainda é madrugada. Não force nada.
Deixe as malas, tome um banho e vá andar sem pressa pelo Marais. Comece na Place des Vosges, a praça mais bonita de Paris e a mais antiga. Sente num banco, veja a luz bater nos tijolos vermelhos. Almoce leve numa boulangerie de verdade.
À tarde, perca-se nas ruazinhas: Rue des Rosiers (bairro judaico, com o melhor falafel da cidade no L’As du Fallafel, mas evite o horário de pico), Rue Vieille du Temple, as lojinhas independentes.
Fim de tarde: um café no Café Charlot ou um vinho natural no La Belle Hortense, uma livraria-bar que é uma das minhas coisas favoritas em Paris.
Jante cedo e durma. Não tente vencer o jet lag na marra.
Plano B (chuva): O Marais é coberto de galerias e museus. Refugie-se no Musée Carnavalet (história de Paris, entrada gratuita) ou no Musée Picasso.
Dia 2: Ilha, coração medieval e o Quartier Latin
Comece cedo na Île de la Cité. A Notre-Dame reabriu, então vale ver por fora e, se conseguir reservar horário online com antecedência, por dentro. Ao lado, a joia que muita gente pula: a Sainte-Chapelle. Aqueles vitrais em dia de sol te derrubam.
Atravesse pra Île Saint-Louis e tome o sorvete da Berthillon. Esse aqui não é armadilha de turista, é instituição. O de caramelo salgado vale a fila.
Cruze pro Quartier Latin. Suba as ruas de trás, veja a Panthéon, entre na Shakespeare and Company com calma. Almoce numa rua menos óbvia, foge da Rue de la Huchette que é pura cilada.
À tarde, os Jardins do Luxemburgo. Aluguem cadeiras verdes, sentem perto do lago, vejam as crianças com os barquinhos. Isso é Paris de verdade.
Plano B: Se chover forte, o Panthéon e a Cluny (Musée du Moyen Âge) te seguram por horas, com a famosa tapeçaria da Dama e o Unicórnio.
Dia 3: Louvre pela manhã, Tuileries e Palais Royal
Louvre é obrigatório, mas do jeito certo. Reserve o primeiro horário da manhã, entre pela Porte des Lions ou pela galeria do Carrousel, não pela pirâmide (fila absurda). Escolha duas ou três alas e pronto. Ninguém aguenta o Louvre inteiro, e quem tenta sai odiando.
Saia pelos Jardins das Tuileries, atravesse até o Palais Royal, com aquelas colunas do Buren pra foto e os jardins escondidos que quase ninguém acha. Aqui já entra a tal coisa que turista raramente encontra: as galerias cobertas do século XIX, tipo a Galerie Vivienne e a Passage des Panoramas. Lindas, vazias, com cafés e livrarias antigas.
À noite, jantar de bistrô honesto. Eu mandaria vocês pro Bouillon Chartier (barato e histórico) ou, pra algo mais gastronômico e ainda justo, um bistrô de vinho natural no 2º.
Plano B: O Louvre já é interno, então chuva aqui é quase uma bênção. Se estiver fechado (segundas), troque pelo Musée d’Orsay.
Dia 4: Montmartre sem cair na cilada
Montmartre virou parque temático em certos trechos, mas ainda tem alma se você souber andar.
Suba cedo, antes das 10h. Fuja da Place du Tertre com os “pintores”. Ande pelas ruas laterais: Rue de l’Abreuvoir, o vinhedo escondido (Clos Montmartre), a Maison Rose. Veja o Sacré-Coeur por dentro, suba na cúpula se o dia estiver limpo, a vista bate a da Torre Eiffel em custo-benefício.
Café da manhã tardio no Le Consulat só se quiser a foto, mas o café bom mesmo é num lugar como Hardware Société ou KB CaféShop ali pra baixo, em Pigalle sul (SoPi, South Pigalle), que é onde os jovens parisienses realmente vão.
À tarde, desça pro Canal Saint-Martin. Aqui é a coisa que eu mais amo indicar. Sente na beira do canal com uma garrafa de vinho e queijo comprado numa fromagerie, veja as pontes levadiças subindo. É o programa favorito dos parisienses num fim de tarde.
Plano B: Chuva em Montmartre é escorregadia e triste. Troque pelo Musée de Montmartre (com jardins e história do bairro) e depois um café longo no Canal.
Dia 5: Torre Eiffel, Trocadéro e o 7º
Guardei a Torre pro meio da viagem, quando você já pegou o ritmo. Vá pela manhã. Suba se quiser (reserve online, sempre), ou economize e só admire de baixo.
O truque local: veja a Torre do Trocadéro logo cedo, quando a luz é boa e não tem gente. Depois desça pelos Jardins do Champ de Mars.
Almoce na Rue Cler, uma rua-mercado onde parisienses do bairro fazem compras. Queijo, presunto, pão, uma taça de vinho. Piquenique civilizado.
À tarde, o Musée Rodin. Subestimado e lindo, com jardim onde fica O Pensador. Um dos museus mais tranquilos e românticos de Paris. Perfeito pra casal.
Fim de dia: vejam a Torre cintilar às 21h (ela pisca por 5 minutos a cada hora depois do escurecer). Setembro escurece por volta das 20h.
Plano B: Rodin tem espaço interno de sobra. Se a Torre estiver fechada por vento (acontece), troque a subida pelo alto do Tour Montparnasse, que aliás te dá a vista COM a Torre Eiffel no quadro.
Dia 6: Dia de folga real, do jeito parisiense
Um dia sem plano rígido. Confia em mim, você vai precisar disso.
Sugestão de fio condutor: Bastille + Marché d’Aligre de manhã (um dos mercados mais autênticos, com parte coberta e feira ao ar livre). Coma ostras em pé com um copo de vinho branco no Le Baron Rouge, um boteco de vinho colado no mercado. Puro parisiense, zero turista.
Depois, largue o mapa. Ande pelo 11º, pelo Père Lachaise se quiser (o cemitério mais lindo do mundo, com túmulos de Jim Morrison, Chopin, Oscar Wilde). É gratuito, silencioso e surpreendentemente bonito.
À noite, saia pra beber em Oberkampf ou na Rue de Lappe, onde os parisienses realmente vão à noite.
Plano B: Dia livre já é seu próprio plano B. Chuva? Emenda cafés, livrarias e um cinema de rua (o Le Champo no Quartier Latin passa clássicos).
Dia 7: Bate e volta a Versailles
Vale a pena, mas do jeito certo. Saia cedíssimo, RER C direto. Reserve ingresso com horário. O palácio é impressionante, porém o segredo é o jardim e, principalmente, o Domaine de Marie-Antoinette e o Petit Trianon, lá no fundo, onde quase ninguém vai. Aluguem um carrinho de golfe ou bicicleta pra explorar os jardins imensos. Levem um piquenique.
Nas fontes musicais (Grandes Eaux Musicales), que rolam em dias específicos até fins de setembro, os jardins ganham outra vida.
Volte no fim da tarde, jante leve perto de casa.
Plano B: Versailles na chuva perde metade da graça, que está nos jardins. Se a previsão for feia, troque esse dia com o Dia 8 (Orsay/Marais) e vá a Versailles no dia limpo.
Dia 8: Musée d’Orsay e a Rive Gauche elegante
O Orsay é, na minha opinião, o museu mais gostoso de Paris. Impressionistas na antiga estação de trem. Vá de manhã, mire nos Monet, Van Gogh, Degas. O relógio gigante do quinto andar é o ponto de foto que vale.
Almoce em Saint-Germain-des-Prés, mas fuja dos cafés famosos (Deux Magots, Flore) que são caros e cheios de turista pagando pela lenda. Coma numa rua paralela.
À tarde, explore as galerias de arte e as ruas de Saint-Germain, a Rue de Buci, a livraria, os antiquários. Tomem um café de verdade num torrefador especializado como Coutume Café.
Plano B: Tudo interno ou coberto. Dia à prova de chuva por natureza.
Dia 9: Compras, parques e o leste boêmio
Comece pelo Marché des Enfants Rouges (o mercado coberto mais antigo de Paris, no Marais) pra almoçar, com barracas de comida do mundo todo. O marroquino aqui é excelente.
À tarde, se quiserem verde e vista, subam pro Parc des Buttes-Chaumont no 19º. É o parque favorito dos parisienses, com colinas, lago, templo no alto de um penhasco e um bar-quiosque escondido chamado Rosa Bonheur, onde a galera local dança e bebe no fim de tarde. Turista quase não conhece.
Fecha a noite com jantar num bistrô de bairro de verdade, do tipo com giz na lousa e menu que muda todo dia.
Plano B: Chuva? Fica no Marché des Enfants Rouges, emenda as lojas do Marais e um chá longo. Buttes-Chaumont fica pra outro dia.
Dia 10: Manhã lenta e despedida
Nada de correr no último dia. Um café final naquele lugar que você descobriu e adotou. Volta num ponto que amou, compra os presentes de verdade (queijo a vácuo, chocolate da Patrick Roger, vinho).
Se der tempo antes do voo, um último passeio pelo Sena. Paris se despede melhor devagar.
Plano B: Guarde as compras e o museu que faltou pra esse dia. É seu curinga.
O custo real dessa viagem
Valores para o casal, 10 dias, setembro. Câmbio aproximado de €1 = R$ 6,20.
| Categoria | Faixa econômica | Faixa confortável |
|---|---|---|
| Voos (ida/volta, 2 pessoas) | R$ 9.000 | R$ 16.000 |
| Hospedagem (9 noites) | R$ 9.500 | R$ 20.000 |
| Alimentação | R$ 6.500 | R$ 12.000 |
| Transporte local | R$ 500 | R$ 900 |
| Atividades/ingressos | R$ 2.500 | R$ 4.000 |
| Total aproximado | R$ 28.000 | R$ 53.000 |
Onde economizar sem estragar nada
- Voos: setembro é ombro de temporada, então preços caem. Comprando com 3 a 4 meses de antecedência e sendo flexível no dia, você economiza fácil uns R$ 3.000 no casal.
- Hospedagem: apartamento no 11º ou 10º sai bem mais barato que hotel no centro turístico, e você ganha cozinha pra fazer café da manhã.
- Comida: almoce forte no menu du midi (menu executivo, muito mais barato que o jantar) e faça piqueniques com queijo, pão e vinho. Isso não é economia sofrida, é o jeito parisiense.
- Museus: o Paris Museum Pass só compensa se você fizer muitos museus em sequência. Faça a conta. E lembre: no primeiro domingo do mês vários são gratuitos.
- Transporte: compre o Navigo Découverte semanal se sua estadia bater com a semana de segunda a domingo. Senão, carnês de bilhetes soltos ou o app.
O que costuma custar mais do que a pessoa imagina
- Cafés em áreas turísticas: um café sentado nos Champs-Élysées ou no Deux Magots pode custar €7 a €10. O mesmo café num bar de bairro sai por €2,50 no balcão.
- Táxi e Uber: transporte público é ótimo, mas o aeroporto vira uma facada. Do Charles de Gaulle, o Uber pode passar de €60. Vá de RER B ou Roissybus.
- Subir na Torre Eiffel: ingressos ao topo somam rápido pro casal, e a fila come tempo. Considere só o Trocadéro de graça.
- Versailles: parece barato, mas ingresso completo + transporte + comida + aluguel de bike passa fácil de €80 no casal num dia só.
Lista de mala: setembro fazendo o que você vai fazer
Setembro é traiçoeiro. Começa quente, termina fresco e chuvoso. Você vai andar muito, então o segredo é camada e sapato bom.
Bagagem de mão (leve o essencial de sobrevivência aqui)
- Documentos: passaporte, cópia digital, cartões, algum dinheiro em euro pra chegada
- Celular, carregador e adaptador de tomada europeu (padrão tipo C/E)
- Power bank
- Uma muda de roupa completa (caso a mala despachada suma)
- Casaco leve ou corta-vento (o avião gela e Paris pode receber você fria)
- Óculos de sol
- Remédios de uso pessoal e um kit básico
- Fones de ouvido
- Cachecol fino (multiuso, aquece e enfeita)
Bagagem despachada
Roupas
- 2 calças jeans ou de tecido confortável
- 4 a 5 camisetas/blusas
- 2 suéteres ou moletons leves de camada
- 1 casaco de meia-estação de verdade (fim de setembro esfria)
- 1 capa de chuva leve ou guarda-chuva dobrável (vai usar)
- Roupa um pouco mais arrumada pra um jantar bacana (parisiense se veste bem, mesmo casual)
- Roupa íntima e meias pra 10 dias
- Pijama
Calçados (o mais importante)
- 1 tênis confortável já amaciado, você vai passar dos 15 mil passos por dia
- 1 sapato/bota confortável mais estiloso pra noite
- Chinelo pro apartamento
Higiene e miudezas
- Necessaire básica (compre mais lá se faltar, tem farmácia em cada esquina)
- Protetor solar leve (sol de setembro engana)
- Sacola dobrável de pano pras compras e piqueniques
- Garrafa d’água reutilizável (Paris tem fontes potáveis, as Wallace fountains)
O que não levar: secador (o apartamento costuma ter), roupa demais “por garantia”, salto alto pras ruas de paralelepípedo, e aquele terceiro par de sapato que você jura que vai usar. Não vai.

