10 Cidades Italianas Encantadoras com Hotéis Abaixo de €100

A Itália que poucos viajantes conhecem existe além de Roma, Florença e Veneza, em cidades pequenas onde os hotéis custam menos de €100 por noite e a experiência é autêntica.

Foto de Fabio Romanzi: https://www.pexels.com/pt-br/foto/vista-aerea-de-vieste-italia-ao-por-do-sol-36681247/

Toda vez que alguém diz que a Itália está cara demais, tá lotada, não vale mais a pena, dá para perceber que essa pessoa só conheceu as capitais turísticas. Roma, Veneza, Florença, Cinque Terre. São lugares lindos, mas saturados. Com preços que explodiram, hotéis que custam €200 por uma noite simples e restaurantes que vivem de turistas apressados.

A Itália real não é essa. Ela está nos vilarejos da Úmbria com ruas medievais que não aparecem no Instagram de todo mundo. Está nas cidades brancas da Puglia, nas praias desertas do Cilento, nas montanhas do Veneto. E o que surpreende é que nesses lugares os hotéis ainda custam menos de €100 por noite, a comida é melhor e os italianos ainda olham nos olhos de quem chega.

Aqui estão dez dessas cidades. Não é uma lista de lugares obscuros que ninguém conhece. São destinos com estrutura, história e beleza genuína, que simplesmente não entraram no radar do turismo de massa.


1. Vieste, Puglia — €70/noite em média

Vieste fica na ponta da Peninsula do Gargano, que é quase uma ilha dentro da Puglia. Para chegar até lá, a maioria das pessoas pousa em Bari (principal aeroporto da Puglia, com conexões de Roma, Milão e várias capitais europeias) e depois pega a estrada. De carro, são cerca de 2h30 de Bari até Vieste, passando por Foggia. Quem não quer dirigir, pode pegar trem até Foggia e de lá um ônibus da Sita Sud ou um transfer, que leva umas 2h30 a mais.

O esforço para chegar vale. Vieste é um dos litorais mais bonitos de toda a Itália. O centro histórico fica numa rocha suspensa sobre o Adriático, com ruas tão estreitas que mal cabe duas pessoas de frente. A Praia de Pizzomunno, com o monólito de calcário branco de 25 metros emergindo do mar, é o símbolo da cidade e uma das imagens mais impressionantes da costa italiana.

Fora de julho e agosto, Vieste mantém o charme sem a multidão. Maio e setembro são os meses perfeitos: água limpa, tempo bom e menos da metade dos visitantes do pico.

O que ver: O castelo Svevo com vista panorâmica, a Praia de Pizzomunno, o centro histórico com a catedral medieval e o Arco Natural di San Felice, uma formação rochosa acessível por trilha costeira.

Dica prática: Carro é quase indispensável para explorar o Gargano. O litoral entre Vieste e Mattinata é servido por uma estrada costeira de tirar o fôlego, mas o transporte público por aquela parte da região é escasso.


2. Gubbio, Úmbria — €75/noite em média

Para chegar a Gubbio, o aeroporto mais conveniente é o de Perugia (Aeroporto San Francesco d’Assisi), a cerca de 50 km. Mas quem chega por Roma também tem boas opções de ônibus ou trem até Perugia e depois outro ônibus até Gubbio, em pouco mais de 1 hora. De carro, a cidade fica a 40 minutos de Perugia e a menos de 3 horas de Roma.

Gubbio é daquelas cidades medievais que parecem ter parado no século XIII. Não como cenário decorativo. Literalmente parado, no sentido bom. As ruas de pedra sobem por colinas íngremes, os palácios são de pedra cinza escura que contrasta com o verde das montanhas dos Apeninos ao redor. Não tem muito barulho aqui. A cidade tem algo de silencioso e austero que não combina com o turismo frenético.

O prato local são os trufas. A Úmbria é terra de trufas e Gubbio está no coração dessa tradição. Uma refeição com massa fresca e tartufo num restaurante local custa muito menos do que o mesmo prato em Florença ou Roma.

Há também o curioso título de Gubbio: tem a maior árvore de Natal do mundo, de acordo com o Guinness. No Monte Ingino, que domina a cidade, são instaladas centenas de luminárias em forma de árvore todo mês de dezembro, visíveis a quilômetros de distância. Quem viaja no inverno tem esse espetáculo de graça.

O que ver: O Palazzo dei Consoli (um dos palácios medievais mais bem preservados da Itália), o Teatro Romano do século I, a Gola del Bottaccione e o teleférico até o Monte Ingino para ver a cidade de cima.


3. Omegna, Piemonte — €80/noite em média

Omegna fica às margens do Lago d’Orta, no Piemonte, que é o lago italiano menos conhecido. Não o Como, não o Maggiore. O Lago d’Orta é menor, mais tranquilo e, para muitos, mais bonito. Para chegar até lá, o aeroporto mais conveniente é o de Milão Malpensa, a cerca de 75 km. De carro, são menos de 1h30. De trem, é possível chegar até Omegna saindo de Milão via Novara, com uma baldeação.

A cidade em si é pequena e focada na vida à beira do lago. As ruas do centro histórico desembocam numa orla com cafés e restaurantes. A grande atração da região é a Ilha de San Giulio, uma ilhota com um mosteiro beneditino bem no meio do lago, acessível por barco em poucos minutos. É um dos lugares mais fotografados do norte da Itália, mas com uma fração dos visitantes do Lago de Como.

Omegna é, também, o berço improvável de alguns utensílios de cozinha italianos icônicos. A Alessi e a Lagostina foram fundadas aqui. Existe até um museu da indústria de design local, o FAO (Fondo per l’Arte e l’Officina).

O que ver: A Ilha de San Giulio, o centro histórico de Orta San Giulio (a cidade vizinha ainda mais charmosa), o lago ao entardecer e os vilarejos ao redor que praticamente nenhum turista conhece.

Melhor época: Maio a setembro. No inverno os lagos do norte ficam nebulosos e muito frios.


4. Spello, Úmbria — €85/noite em média

Spello fica a 12 km de Foligno e a 8 km de Assisi. O trem que conecta Perugia a Foligno para em Spello, o que torna o acesso sem carro perfeitamente viável. De Roma, são cerca de 2 horas de trem com baldeação em Foligno. De Florença, o percurso é semelhante.

A cidade é pequena e vive da pedra rosa avermelhada do Monte Subasio, da qual tudo ali foi construído. As ruas sobem devagar pelo morro entre muros antigos e vasos de flores em cada janela. Não é exagero: Spello compete anualmente num concurso de “janelas, sacadas e vielas floridas” que transforma o centro num jardim vertical.

Mas o que realmente coloca Spello no mapa dos entendidos é a Infiorata, festival que acontece no domingo de Corpus Domini (geralmente junho). As ruas são cobertas de tapetes florais desenhados com pétalas de flores, meses de preparação, e o resultado é uma obra de arte efêmera que dura apenas até o final do dia. Quem consegue estar lá nesse momento vê algo que não existe em mais nenhum lugar com essa escala.

Dentro da cidade, a Cappella Baglioni, na Igreja de Santa Maria Maggiore, guarda afrescos de Pinturicchio, o mesmo pintor que trabalhou nos Museus do Vaticano. Numa cidadezinha de 8.000 habitantes.

O que ver: A Cappella Baglioni, as muralhas romanas ainda intactas, a caminhada até a Igreja de Sant’Andrea e, claro, planejar a visita para coincidir com a Infiorata.


5. Maiori, Campânia — €90/noite em média

Maiori é a resposta para quem quer a Costa Amalfitana sem os preços absurdos de Positano e Ravello. Fica exatamente na mesma costa, com o mesmo mar cor de esmeralda, as mesmas montanhas caindo sobre o Mediterrâneo. Mas sem a fama, os preços são outra conversa.

Para chegar, o aeroporto de referência é o de Nápoles (Capodichino), a cerca de 60 km. De Nápoles, há opções de ônibus costeiros, ferry e carro. A SS163, a estrada da Amalfitana, é famosa e espetacular. Imprescindível, porém, ter cuidado: é estreita, tortuosa e no verão fica congestionada. Quem prefere, pode usar o serviço de ferry que conecta Salerno, Maiori, Minori e as outras cidades costeiras.

Maiori tem a maior praia de areia de toda a Costa Amalfitana. Isso já diz bastante. Enquanto Positano tem um cantinho de pedrinhas em frente ao espetáculo, Maiori tem uma faixa de areia real. A cidade é mais tranquila, menos fotografada, mais frequentada por italianos do que por turistas internacionais. Que é exatamente como a Costa Amalfitana deveria ser aproveitada.

O que ver: A praia, claro. Mas também a Abbazia di Santa Maria de Olearia, um mosteiro do século X escavado parcialmente numa rocha, com afrescos medievais preservados. É um lugar completamente esquecido pelos roteiros turísticos padrão.


6. Enna, Sicília — €70/noite em média

Enna fica no centro geográfico da Sicília, a 900 metros de altitude, e isso já explica tudo sobre o caráter da cidade. De lá de cima, com tempo limpo, é possível ver quase toda a ilha. É uma posição estratégica que os gregos, os árabes, os normandos e os espanhóis aproveitaram ao longo de milênios.

Para chegar, o aeroporto mais próximo é o de Catânia, a cerca de 80 km. De Catânia há ônibus diretos até Enna, com duração de aproximadamente 1h15. De Palermo, o percurso de ônibus leva cerca de 2 horas.

Enna é a capital provincial menos visitada da Sicília e, talvez por isso, seja a mais preservada. Sem fluxo intenso de turistas, as ruas têm vida local real. Os bares do centro ainda servem granita siciliana como refrescante matinal, os mercados ainda são para quem mora ali, não para turistas com câmera.

O Castello di Lombardia, um dos maiores castelos medievais da Sicília, domina o pico da cidade. A vista de lá é uma das melhores panorâmicas de toda a ilha. E a Rocca di Cerere, o santuário dedicado à deusa Ceres, é um dos sítios arqueológicos mais significativos de toda a Sicília central.

O que ver: O Castello di Lombardia, a Torre di Federico II no parque da cidade, a Rocca di Cerere e o belvedere do fim da tarde com a luz dourada sobre os vales.


7. Lanciano, Abruzzo — €75/noite em média

Lanciano é uma das cidades mais subestimadas de toda a Itália. Abruzzo em geral já é uma região pouco conhecida pelos viajantes internacionais, e Lanciano dentro desse contexto é ainda mais anônima. O que é uma pena, porque a cidade tem camadas históricas impressionantes e uma gastronomia local que rivaliza com qualquer outra região italiana.

O acesso mais prático é pelo aeroporto de Pescara, a cerca de 55 km. De carro, são menos de 1 hora. De Roma, a viagem de carro leva cerca de 2h30. O trem também conecta Roma a Lanciano com baldeação em Pescara.

A cidade ficou famosa por causa do Miracolo Eucaristico de Lanciano, do século VIII, considerado o milagre eucarístico mais antigo documentado do catolicismo. Independentemente de crença religiosa, as relíquias guardadas na Igreja de San Francesco são objeto de análise científica há décadas, o que criou em torno delas uma narrativa fascinante.

A gastronomia local merece atenção especial. Abruzzo é terra de pecorino, de arrosticini (espetinhos de carne de ovelha assados na brace), de vinhos como o Montepulciano d’Abruzzo e de massas artesanais pouco conhecidas fora da região. Uma refeição completa num restaurante tradicional de Lanciano custa €20–30 por pessoa com vinho incluído.

O que ver: A Igreja de San Francesco com o relicário, o centro histórico medieval, e planejar ao menos uma saída para o litoral de Lanciano Marina (a 11 km) e para as montanhas da Majella, que ficam a meia hora de carro.


8. Ostuni, Puglia — €90/noite em média

Ostuni é a “Cidade Branca” da Puglia. O centro histórico é caiado de branco, construído sobre uma colina, visível de longe como um reflexo no meio dos olivais. É uma imagem que não sai da cabeça.

Para chegar, o aeroporto mais conveniente é o de Brindisi, a apenas 40 km. Há ônibus e táxis que fazem o trajeto regularmente. De Bari, o trem para direto em Ostuni em cerca de 1h30, com passagens a partir de €6–10. Essa é, de longe, a forma mais prática de chegar.

Ostuni tem dois mundos: o centro histórico no alto do morro, todo branco e labiríntico, e o litoral a cerca de 8 km, com praias de areia fina e água cristalina. Ter os dois a essa distância num mesmo destino é um privilégio que poucos lugares oferecem.

A comida é o que a Puglia faz de melhor: orecchiette com brócolis ou ragù, burrata fresca, focaccia barese, polvo ao limão, peixe grelhado. Num restaurante sem frivolidade no centro histórico, uma refeição para dois com vinho fica em €35–50.

O que ver: O labirinto de ruas brancas do centro histórico, a catedral com a fachada rococó que contrasta com toda a brancura ao redor, e o litoral de Torre San Leonardo para o pôr do sol.


9. Belluno, Veneto — €95/noite em média

Belluno é a porta de entrada para as Dolomitas, a cordilheira de calcário que a UNESCO reconhece como Patrimônio Natural da Humanidade. Não é exagero dizer que as Dolomitas são uma das paisagens mais dramáticas do planeta.

Para chegar, o aeroporto mais próximo é o de Veneza (Marco Polo), a cerca de 100 km. De carro, são 1h30. De trem, há conexões de Veneza até Belluno com duração de pouco mais de 2 horas. Uma vez em Belluno, carro é essencial para explorar os vales e picos ao redor.

A cidade em si é bonita, com um centro histórico barroco-veneziano que muita gente ignora por pressa de chegar às montanhas. Mas Belluno merece pelo menos meio dia. A Piazza Duomo e a vista do rio Piave enquadrado pelas Dolomitas ao fundo são um dos cartões postais menos fotografados da Itália.

Para quem vai pelas Dolomitas, Cortina d’Ampezzo fica a 40 minutos de carro de Belluno e serve como base alternativa, mas com preços muito mais altos. Belluno é a opção sensata para quem quer a mesma paisagem com orçamento mais controlado.

O que ver: O centro histórico de Belluno, os passes das Dolomitas (Passo Giau, Passo Falzarego), o lago de Santa Croce e as trilhas ao redor de Cortina no verão.

Melhor época: Julho e agosto para caminhadas; dezembro a março para esqui.


10. Sapri, Campânia — €95/noite em média

Sapri fica no extremo sul da Campânia, já na beira do Golfo di Policastro, que é parte do Cilento. O Cilento é um parque nacional de costa e montanha que pouquíssimos viajantes internacionais conhecem. As praias são limpas, o mar é transparente e os preços são os que a Costa Amalfitana tinha há vinte anos.

Para chegar, o aeroporto mais próximo é o de Nápoles, a cerca de 180 km. A conexão mais prática é de trem: Sapri está na linha ferroviária que conecta Nápoles a Reggio Calabria, com cerca de 2h30 de percurso. Há trens Intercity e Regionali diretos.

Sapri é uma cidade balnear no sentido mais honesto da palavra. Não tem grandes monumentos. Tem mar, montanha, figueiras, pesca artesanal e uma vida local que ignora completamente o turismo de Instagram. A Spiaggia di Sapri tem águas rasas e limpas. A poucos quilômetros, as praias de Maratea (na Basilicata, já no limite) são consideradas entre as mais bonitas da costa mediterrânea italiana.

A gastronomia local é mediterrânea em essência. Peixe grelhado, massas com frutos do mar, mozzarella di bufala produzida na região. O preço de uma refeição completa à beira-mar em Sapri fica entre €20–35 por pessoa, o que contrasta drasticamente com o que se paga em qualquer praia mais famosa da Campânia.

O que ver: A própria praia, o porto de pesca ao amanhecer, o passeio de barco pelo Golfo di Policastro e a excursão até Maratea, a 20 km, com sua estátua do Cristo Redentore nas rochas sobre o mar.


A Lógica por Trás Dessas Dez Cidades

CidadeRegiãoHotel médio/noiteMelhor para
1ViestePuglia€70Praia + história
2EnnaSicília€70Paisagem + ruínas
3GubbioÚmbria€75Arquitetura medieval
4LancianoAbruzzo€75Gastronomia + cultura
5OmegnaPiemonte€80Lagos + design
6SpelloÚmbria€85Flores + arte
7MaioriCampânia€90Costa Amalfitana econômica
8OstuniPuglia€90Cidade branca + praia
9BellunoVeneto€95Dolomitas
10SapriCampânia€95Costa virgem + tranquilidade

O que essas cidades têm em comum não é só o preço do hotel. É uma Itália que ainda se lembra de ser italiana. Onde a padaria abre de manhã para os moradores, não para as fotos. Onde o cardápio do restaurante muda conforme a estação porque o dono compra do produtor local. Onde a praça principal existe para os italianos se sentarem, não para os turistas se fotografarem.

Conhecer a Itália por esse ângulo exige um pouco mais de pesquisa e, em alguns casos, um carro alugado. Mas o retorno é desproporcional ao esforço. É a diferença entre visitar um país e realmente estar nele.

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