Viagens de Bate e Volta a Partir de Zurique na Suíça
Zurique tem algo de mágico que só você percebe quando passa alguns dias por lá: a cidade é incrível por si só, mas funciona como uma espécie de portal para descobrir praticamente toda a Suíça sem precisar ficar trocando de hotel a cada dois dias. E quando digo isso, não estou exagerando. O sistema ferroviário suíço transformou completamente a forma como organizei minhas últimas viagens pelo país, e acredito que pode fazer o mesmo por você.

Deixei a mala no mesmo lugar por uma semana inteira e, mesmo assim, visitei lagos alpinos, vilarejos medievais, cidades francófonas e até montanhas com neve eterna. Parece bom demais para ser verdade, mas é exatamente assim que funciona quando você se baseia em Zurique. A cada manhã, descia para a Hauptbahnhof com meu café suíço na mão, checava o painel eletrônico e embarcava rumo a algum destino completamente diferente do dia anterior.
Por que Zurique funciona tão bem como base
A localização de Zurique no mapa da Suíça é estratégica de um jeito quase injusto. A cidade fica praticamente no centro-norte do país, conectada por linhas ferroviárias que se espalham como teias de aranha em todas as direções. Isso significa que você consegue chegar a lugares incríveis em menos tempo do que levaria para atravessar São Paulo de metrô em horário de rush.
Mas não é só a localização geográfica que conta. Zurique tem aeroporto internacional enorme, o que facilita a chegada e a saída. Tem infraestrutura hoteleira para todos os bolsos, do hostel compartilhado ao hotel cinco estrelas com vista para o lago. E, principalmente, tem frequência de trens absurda: para muitos destinos, há partidas a cada 30 minutos ou até menos.
Lembro de estar numa manhã chuvosa olhando para o lago e pensando se valia a pena arriscar um passeio. Resolvi tentar. Quando cheguei na estação, descobri que o próximo trem para Lucerna sairia em 18 minutos. Não precisei nem planejar. Apenas fui. Essa flexibilidade é libertadora, especialmente quando você está viajando sozinho ou quer improvisar.
Outro detalhe que percebi depois de alguns dias: Zurique funciona bem como base porque a cidade em si não exige muito tempo. Dois ou três dias são suficientes para conhecer o essencial. Depois disso, você começa a explorar os arredores sem aquela sensação de estar deixando de ver algo importante na própria cidade.
Lucerna: o clássico que não decepciona
Se você só puder fazer um bate e volta saindo de Zurique, que seja Lucerna. Parece exagero, eu sei. Mas depois de visitar, entendi por que todo mundo recomenda. A cidade tem aquela combinação rara de beleza natural, arquitetura preservada e facilidade de acesso que funciona até para quem está em viagem curta.
O trem leva menos de uma hora, e o trajeto já vale por si só. Você acompanha o lago de Zurique, passa por pequenas vilas que parecem saídas de um conto de fadas e, antes de perceber, está descendo na estação de Lucerna. A ponte de madeira coberta, a Kapellbrücke, é o cartão-postal mais fotografado, e com razão. Mas o que me impressionou mesmo foi caminhar pelas margens do lago Lucerna, olhando as montanhas ao redor e entendendo porque os românticos do século XIX se apaixonaram por essa paisagem.
Se tiver tempo e orçamento, suba o Monte Pilatus. Eu fui de teleférico e foi uma das experiências mais impressionantes da viagem. Dá para combinar com o bondinho panorâmico e voltar de barco pelo lago. Mas mesmo que você não suba nenhuma montanha, Lucerna funciona perfeitamente como um passeio tranquilo de um dia. Almoce numa das ruas de paralelepípedos do centro histórico, visite o Monumento ao Leão e reserve tempo para apenas sentar e observar.
O que me surpreendeu foi como a cidade consegue ser turística sem perder a alma. Claro, você vai encontrar lojas de relógios suíços e chocolates em cada esquina. Mas também vai ver moradores locais fazendo suas compras, crianças brincando na beira do lago e uma vida cotidiana que continua acontecendo apesar dos turistas.
Berna: a capital esquecida que merece atenção
Tem algo de injusto com Berna. É a capital federal da Suíça, mas muita gente passa direto e vai para Genebra, Lucerna ou Interlaken. Eu quase cometi esse erro. Acabei incluindo Berna no roteiro meio por obrigação, porque estava fazendo um levantamento de cidades para visitar. E que sorte a minha.
Berna é compacta, charmosa e surpreendentemente interessante. O centro histórico é Patrimônio Mundial da UNESCO, e não é difícil entender o porquê quando você caminha pelas arcadas medievais que protegem as calçadas. São quilômetros de galerias cobertas, perfeitas para dias de chuva ou frio. Aliás, os suíços foram geniais ao criar esse sistema: você pode fazer compras, tomar café e explorar sem precisar de guarda-chuva.
A torre do relógio, Zytglogge, tem um mecanismo astronômico fascinante que funciona desde 1530. Você pode fazer uma visita guiada para ver o interior, mas confesso que me contentei em observar a fachada e os bonecos que aparecem alguns minutos antes de cada hora cheia. É desses detalhes que parecem bobos, mas que acabam ficando na memória.
O que mais gostei foi caminhar pela curva do rio Aare, que abraça o centro antigo. Tem uma vista linda de uma das pontes, especialmente no fim de tarde. E se estiver no verão e com coragem, você pode fazer como os locais: pular no rio e se deixar levar pela correnteza. Vi vários nadando com suas boias impermeáveis onde carregavam as roupas. É tradição local e parece divertido, mas confesso que apenas observei.
O trem de Zurique para Berna leva cerca de uma hora, e há partidas frequentes. Dá para sair depois do café da manhã, passar o dia inteiro lá e voltar com calma para jantar em Zurique. Ou, se preferir, almoçar em Berna e ter a tarde livre de volta na base.
Basileia: a Suíça que fala alemão mas pensa em francês
Basileia fica no extremo noroeste da Suíça, bem na fronteira com França e Alemanha. É uma das cidades mais multiculturais do país, e isso se sente no ar. A arquitetura tem influências alemãs, a gastronomia flerta com a França e o rio Reno corta a cidade criando dois lados com personalidades distintas.
Cheguei em Basileia numa manhã de sábado e percebi imediatamente que estava num lugar diferente. O centro histórico é lindo, com a catedral de arenito vermelho dominando a paisagem. Mas o que me chamou atenção foi a quantidade de museus. Basileia leva arte a sério. Tem o Kunstmuseum, um dos museus de arte mais importantes do mundo, com obras que vão da Idade Média até a arte contemporânea. Tem a Fundação Beyeler, que eu não visitei por falta de tempo mas que dizem ser espetacular. Tem museus de design, de arquitetura, de história natural.
Se você não for muito de museu, como eu, ainda vale a pena pela atmosfera. Atravessei o Reno na balsa movida apenas pela correnteza do rio, presas a um cabo de aço. É simples, mas tem algo de especial em cruzar um rio desse jeito, como se fazia há séculos. Do outro lado, Kleinbasel tem um clima mais descontraído, com bares e restaurantes às margens do rio onde os moradores se reúnem ao entardecer.
A viagem de trem de Zurique leva cerca de uma hora, o que torna Basileia perfeitamente viável para um bate e volta. Mas seja sincero consigo mesmo sobre quanto tempo você quer dedicar a museus. Se for visitar várias exposições, considere dormir uma noite. Se for apenas para conhecer a cidade e sentir o clima, um dia é suficiente.
Interlaken e a região do Oberland Bernês
Interlaken não é exatamente uma cidade para se apaixonar. É funcional, meio turística demais, cheia de lojas que vendem os mesmos souvenirs. Mas a localização… a localização é de tirar o fôlego. A cidade fica literalmente entre dois lagos, o Thun e o Brienz, cercada por algumas das montanhas mais famosas dos Alpes suíços. É a base perfeita para explorar a região do Oberland Bernês.
Fui para Interlaken com um objetivo claro: subir ao Jungfraujoch, o famoso “Topo da Europa”. É caro, não vou mentir. O bilhete de trem custa uma fortuna mesmo com desconto do Swiss Travel Pass. Mas estar a 3.454 metros de altitude, cercado por geleiras e picos nevados, com aquela vista absurda para o Glaciar Aletsch, foi uma daquelas experiências que justificam o investimento.
A viagem de trem até lá é uma atração por si só. Você troca de trem em Grindelwald ou Lauterbrunnen (dependendo da rota), sobe em cremalheiras que vencem inclinações impossíveis, passa por túneis cavados na rocha no início do século XX e vai subindo, subindo, subindo até que de repente está no meio da neve em pleno verão.
Se o Jungfraujoch estiver fora do orçamento ou você quiser algo mais tranquilo, considere visitar apenas Grindelwald ou Lauterbrunnen. São vilarejos alpinos lindos, com trilhas acessíveis, cachoeiras e aquela atmosfera de montanha que acalma qualquer estresse urbano. Lauterbrunnen, em especial, tem 72 cachoeiras e é o vale que inspirou Tolkien a criar Rivendell, o vale dos elfos em O Senhor dos Anéis. Não é difícil entender o porquê.
De Zurique até Interlaken são cerca de duas horas de trem. É um bate e volta longo, mas factível se você sair cedo. Eu saí às 7h, estava no Jungfraujoch ao meio-dia, desci no meio da tarde e voltei para Zurique à noite. Foi um dia cheio, intenso, cansativo e absolutamente memorável.
Schaffhausen e as Cataratas do Reno
As Cataratas do Reno são a maior queda d’água da Europa, e quando você vê os números — 150 metros de largura, 23 metros de altura, 700 mil litros de água por segundo — fica curioso. Mas números não fazem justiça à experiência de estar ali, sentindo o chão tremer com a força da água, ouvindo o rugido constante e vendo a névoa que se forma eternamente.
Schaffhausen, a cidade mais próxima, fica a menos de uma hora de trem de Zurique. É pequena, adorável, com um centro histórico bem preservado e fachadas pintadas com afrescos que datam do século XVI. Passei a manhã explorando a cidade, almoçando num restaurante local e depois segui para as cataratas.
Você pode ver as cataratas de vários ângulos. Há mirantes, trilhas nas duas margens e até um barco que te leva bem perto da queda, quase embaixo dela. Eu fiz o passeio de barco e me molhei completamente, mesmo de capa. Vale muito a pena. Também subi na plataforma de observação que fica numa rocha no meio das cataratas. As escadas são estreitas e íngremes, mas a vista de cima é recompensadora.
O legal de Schaffhausen é que é um passeio mais tranquilo que muitos outros. Não é tão óbvio quanto Lucerna, não exige preparo físico como Jungfraujoch e não tem multidões como Interlaken. É perfeito para um dia em que você quer algo interessante sem muito esforço.
St. Gallen e a biblioteca barroca
St. Gallen não estava nos meus planos originais. Apareceu numa conversa casual com uma pessoa no hostel que me disse: “Se você gosta de livros ou de arquitetura, vá para St. Gallen. A biblioteca é surreal”. E ela tinha razão.
A Biblioteca da Abadia de St. Gallen é considerada uma das mais bonitas do mundo. É uma sala barroca rococó repleta de afrescos no teto, estantes de madeira escura que vão do chão ao teto e um acervo de mais de 170 mil volumes, incluindo manuscritos medievais raríssimos. Você precisa usar pantufas sobre os sapatos para entrar, para proteger o piso de madeira histórico. É meio constrangedor andar assim, mas o ambiente é tão impressionante que você esquece rapidamente.
A cidade em si é agradável, sem ser espetacular. O centro é compacto e fácil de explorar a pé. Tem uma série de janelas decoradas com pinturas nas fachadas dos edifícios antigos, o que cria um charme particular. E como St. Gallen fica no leste da Suíça, relativamente próximo de Liechtenstein e da Áustria, tem um clima diferente das cidades mais próximas de Zurique.
O trem leva cerca de uma hora, hora e meia dependendo da conexão. É um bate e volta fácil, perfeito para uma terça-feira chuvosa quando você quer algo cultural e coberto.
Liechtenstein: o país que você visita em uma tarde
Tecnicamente não é Suíça, mas é tão pequeno e tão próximo que seria crime não mencionar. Liechtenstein é um dos menores países do mundo, espremido entre Suíça e Áustria, com menos de 40 mil habitantes. A capital, Vaduz, tem um castelo fotogênico no alto da colina, um centro minúsculo com lojas de selos e souvenirs, e basicamente nada mais.
Fui mais pela experiência de dizer que estive em outro país do que por expectativa real. E foi exatamente o que esperava: pequeno, simpático, meio artificial. O passeio inteiro pela cidade leva duas horas se você for devagar. Tirei foto com a placa do país, comprei um selo no correio (Liechtenstein é famoso pelos selos colecionáveis), comi um lanche e voltei.
Para chegar, você pega o trem até Sargans ou Buchs, na Suíça, e depois um ônibus até Vaduz. O trajeto total leva cerca de duas horas. Dá para combinar com St. Gallen no mesmo dia se você for bem organizado e não se importar de ter um dia mais corrido.
Appenzell: a Suíça de calendário
Appenzell é a Suíça de calendário, aquela que aparece nas fotos de turismo com casas coloridas, vacas com sinos no pescoço e montanhas verdejantes ao fundo. É quase irreal de tão bonitinho. As fachadas são pintadas à mão com cenas tradicionais, as ruas são de paralelepípedo e tudo tem um ar de museu a céu aberto.
Cheguei meio cético, esperando algo turístico demais, fabricado. E realmente é turístico, não tem como negar. Mas também é genuíno de um jeito estranho. As pessoas realmente vivem ali, mantêm as tradições, falam o dialeto alemão suíço mais fechado que já ouvi e levam a sério a cultura local.
A região de Appenzell é famosa pelo queijo e pela produção artesanal de diversos produtos. Você pode visitar queijarias, experimentar o famoso queijo Appenzeller e, se tiver estômago, provar o licor de ervas que eles produzem por lá. É bem forte e tem gosto de remédio, mas faz parte da experiência.
A viagem de Zurique leva cerca de uma hora e meia, com uma ou duas trocas de trem. Não é o bate e volta mais rápido, mas se você gosta de vilarejos tradicionais e paisagens alpinas sem o apelo turístico de lugares como Interlaken, Appenzell vale muito a visita.
Constança e o maior lago da Europa Central
Tecnicamente Constança (Konstanz) fica na Alemanha, mas está tão perto da fronteira que metade da cidade quase vira suíça. O Lago de Constança é compartilhado por Suíça, Alemanha e Áustria, e é enorme — mais parece um mar interno do que um lago.
Fui para Constança num dia quente de verão e entendi imediatamente porque os europeus adoram aquela região. As pessoas andam de bicicleta pelas margens do lago, tomam banho nas praias urbanas, fazem piquenique nos parques. Há uma energia de férias no ar, mesmo sendo dia de semana.
A cidade tem um centro histórico interessante, com influências alemãs e uma catedral medieval. Mas o que mais me atraiu foi simplesmente andar pela orla, observar os barcos, tomar sorvete e curtir o clima descontraído. Não é uma das cidades mais impressionantes da região, mas tem algo de relaxante que funciona bem quando você já visitou muitos lugares intensos.
De Zurique você leva cerca de uma hora de trem até a região do lago. Há várias cidades suíças também às margens, como Romanshorn e Kreuzlingen, mas Constança tem mais estrutura e opções de atividades.
Genebra: a outra Suíça
Genebra fica no extremo oposto de Zurique, lá no sudoeste, na região francófona. São cerca de três horas de trem, o que tecnicamente torna um bate e volta cansativo, mas possível. Eu fiz porque queria conhecer, mas admito que foi corrido.
A vibe de Genebra é completamente diferente de Zurique. É mais internacional, mais política, mais francesa. A cidade abriga sede da ONU, da Cruz Vermelha, da OMC e dezenas de outras organizações internacionais. Você sente isso nas ruas: há uma diversidade enorme de nacionalidades, muitos restaurantes internacionais e uma atmosfera cosmopolita que lembra mais Paris do que os Alpes suíços.
O famoso Jet d’Eau, o jato de água que chega a 140 metros de altura no meio do lago, é o cartão-postal. É impressionante quando você vê de perto. O centro antigo tem suas belezas, especialmente a Catedral de St. Pierre, e a orla do Lago Genebra é linda para caminhar.
Mas, para ser honesto, se o seu tempo é limitado, talvez Genebra não seja a melhor escolha para bate e volta de Zurique. É longe demais. Considere dormir uma noite por lá, ou então priorize cidades mais próximas. Genebra merece tempo, não uma visita apressada de cinco horas.
Lugano: quando a Suíça encontra a Itália
Lugano fica no cantão Ticino, a parte italiana da Suíça. E quando digo italiana, não é só a língua. É o clima mediterrâneo, a arquitetura com influências lombardas, as palmeiras nas praças, o ritmo mais lento. Parece outro país.
A viagem de trem de Zurique leva cerca de duas horas e meia a três horas, dependendo da rota. Mas que viagem. Você atravessa os Alpes pelo túnel de St. Gotthard e de repente emerge num mundo completamente diferente. O sol parece mais forte, as cores mais vivas, o ar mais quente.
Lugano é perfeita para quem quer um contraste. Depois de dias explorando cidades de língua alemã com arquitetura alpina, chegar em Lugano e ver palmeiras, piazzas e gelaterias é refrescante. Você pode subir o Monte Brè ou o Monte San Salvatore para ter vistas panorâmicas do lago e das montanhas ao redor, ou simplesmente passear pela orla comendo gelato italiano.
É um bate e volta longo, mas vale se você quiser ver uma faceta diferente da Suíça. E se tiver tempo, considere explorar outras cidades do Ticino, como Locarno ou Bellinzona, que também são belíssimas.
Dicas práticas que aprendi no caminho
Depois de fazer vários desses bate e volta, juntei algumas observações que podem ajudar no seu planejamento. Primeiro: invista no Swiss Travel Pass se você vai fazer mais de três ou quatro viagens. O passe cobre trem, ônibus, barco e até alguns teleféricos e funiculares. Faz as contas antes, mas na maioria dos casos compensa muito. E tem um benefício psicológico enorme — você não fica calculando o custo de cada viagem, apenas sobe no trem e vai.
Segundo: use o app da SBB, a companhia ferroviária suíça. É excelente. Mostra horários em tempo real, plataformas, conexões, atrasos (raros, mas acontecem). Você pode comprar bilhetes por lá também, mas se tiver o Swiss Travel Pass, basta mostrar no celular.
Terceiro: leve lanche e água. Os trens suíços são limpos, confortáveis e pontuais, mas comida e bebida a bordo são caras. Aprendi a fazer um piquenique rápido no supermercado Coop ou Migros antes de pegar o trem. Pão, queijo, chocolate, fruta. Simples e econômico.
Quarto: preste atenção nas composições dos trens. Muitas vezes um trem se divide no meio do caminho — metade vai para um destino, metade para outro. Certifique-se de estar no vagão certo. Os painéis dentro do trem indicam qual parte vai para onde.
Quinto: saia cedo sempre que possível. Os dias rendem muito mais quando você pega um trem às 7h ou 8h da manhã. Você chega no destino ainda de manhã, aproveita o dia inteiro e volta com calma no fim da tarde. E os trens mais cedo costumam ser menos lotados.
O que não deu tempo de fazer
Tem lugares que ficaram na lista mas não consegui encaixar. Zermatt, por exemplo, a vila aos pés do Matterhorn. É longe de Zurique, cerca de três horas e meia de trem, e exige um dia inteiro, de preferência com pernoite. Também queria ter ido a Gruyères, a cidade medieval famosa pelo queijo, mas não consegui encaixar no roteiro.
A região de Lavaux, com os vinhedos em terraços às margens do Lago Genebra, é Patrimônio Mundial da UNESCO e dizem ser espetacular. Fica mais perto de Lausanne, então talvez não seja o melhor bate e volta de Zurique, mas vale a pena considerar se você tiver tempo extra.
E tem St. Moritz, o famoso resort de luxo nos Alpes. É longe, cerca de três horas de trem, mas o trajeto pelo Glacier Express ou pela Bernina Express é considerado um dos mais bonitos do mundo. Ficou para a próxima.
Vale a pena mesmo fazer base única?
Depois de uma semana usando Zurique como base, posso dizer com segurança: para uma primeira viagem de 7 a 10 dias pela Suíça, funciona perfeitamente. Você economiza tempo que gastaria com check-in e check-out de hotéis, não precisa carregar mala pesada todo dia e pode ser mais flexível com seus planos.
Mas também tem desvantagens. Você perde um pouco da experiência de realmente conhecer outras cidades, acordar lá, ver como é o lugar de manhã cedo ou à noite. Sempre vai ser uma visitação rápida, turística. E para destinos mais distantes, como Genebra, Zermatt ou St. Moritz, uma base única não é ideal.
O que faria diferente? Talvez dividisse entre duas bases. Zurique para explorar o norte e centro, e outra cidade (Interlaken, Lucerna ou até Genebra) para explorar outras regiões. Assim você reduz o tempo de deslocamento para destinos mais distantes sem perder a comodidade de não trocar de hotel todo dia.
Mas para quem tem uma semana, quer simplicidade e não se importa de passar algumas horas por dia em trens confortáveis vendo paisagens lindíssimas, a estratégia de base única em Zurique funciona muito bem. Funcionou para mim. E provavelmente vai funcionar para você também.
Vou criar uma tabela com os tempos de viagem de trem a partir de Zurique para os destinos mencionados no artigo:
Tabela de Tempos de Viagem de Trem a Partir de Zurique
| Destino | Tempo Aproximado de Viagem | Frequência dos Trens | Observações |
|---|---|---|---|
| Lucerna | 45 min – 1h | A cada 30 min | Viagem direta, sem trocas |
| Berna | 1h – 1h15 | A cada 30 min | Viagem direta, conexão rápida |
| Basileia | 1h | A cada 30 min | Viagem direta, linha principal |
| Interlaken | 2h – 2h15 | A cada hora | Pode exigir 1 troca |
| Schaffhausen | 40 min – 50 min | A cada hora | Viagem direta, bem próximo |
| St. Gallen | 1h – 1h20 | A cada 30 min | Viagem direta |
| Vaduz (Liechtenstein) | 1h30 – 2h | Variável | Trem até Sargans/Buchs + ônibus |
| Appenzell | 1h30 – 1h45 | A cada hora | Exige 1-2 trocas |
| Constança (Alemanha) | 1h – 1h15 | A cada hora | Via Winterthur, pode ter 1 troca |
| Genebra | 2h45 – 3h | A cada hora | Viagem direta, linha principal |
| Lugano | 2h30 – 3h | A cada hora | Via túnel de St. Gotthard |
| Grindelwald | 2h – 2h30 | Variável | Via Interlaken, exige trocas |
| Lauterbrunnen | 2h – 2h30 | Variável | Via Interlaken, exige trocas |
| Zermatt | 3h15 – 3h45 | A cada hora | Via Visp, exige 1 troca |
Legenda e Dicas:
- Tempos de viagem: Consideram conexões diretas ou com trocas rápidas. Podem variar conforme horário e tipo de trem.
- Frequência: Valores aproximados; consulte sempre o app da SBB para horários atualizados.
- Trocas: Mesmo com trocas, as conexões suíças são sincronizadas e as plataformas geralmente ficam próximas.
- Melhor período: Trens mais vazios antes das 8h e após as 16h nos dias úteis.
Dica importante: Com o Swiss Travel Pass, você pode pegar qualquer trem sem reserva prévia (exceto alguns trens panorâmicos específicos). Isso dá flexibilidade total para mudar de planos na hora.