Viagens de Bate e Volta a Partir de Berna na Suíça
Quando comecei a planejar minha estadia em Berna, não imaginava que a capital suíça seria uma base tão perfeita para explorar boa parte do país — mas bastaram poucos dias para perceber que estar ali era como ter um mapa dos Alpes desdobrado à minha frente, com acesso fácil e rápido aos lugares mais incríveis da Suíça.

Berna não é aquela cidade suíça que rouba todos os holofotes, tipo Zurique ou Genebra. Mas justamente por ser menor e menos turística, ela tem um charme próprio e, principalmente, uma posição geográfica estratégica. De lá, em menos de uma hora de trem você chega a lugares que parecem ter saído de um cartão-postal — e olha que suíço já é sinônimo de paisagem perfeita. O sistema ferroviário é tão eficiente que dá para sair depois do café da manhã, passar o dia inteiro fora e voltar tranquilamente para dormir no mesmo hotel. Isso facilita demais a vida de quem não quer ficar trocando de hospedagem a cada dois dias.
Interlaken e o Coração dos Alpes Berneses
Interlaken sempre aparece nos roteiros da Suíça, e por motivos óbvios. Fica a apenas 50 minutos de trem de Berna, o que torna o bate e volta extremamente viável. O nome já entrega: é uma cidade literalmente entre lagos — o Thun e o Brienz. Chegar ali já é uma experiência, porque a paisagem muda rápido pela janela do trem. Você sai da região urbana de Berna e, de repente, está cercado de montanhas verdes, águas azuis e aquele ar alpino que parece mais limpo só de respirar.
Interlaken funciona como um hub para os Alpes Berneses. Quando estive lá, percebi que é daqueles lugares onde você pode se perder um pouco andando pelas ruas sem compromisso, mas o grande lance mesmo é usar a cidade como trampolim para as montanhas. A Avenida Höheweg é agradável para caminhar, tem lojas de relógios, chocolates, souvenirs e aquela vibe turística controlada — nada exagerado, mas definitivamente pensado para quem está de passagem.
O que mais me marcou em Interlaken foi a vista do Jungfrau ao fundo. É uma daquelas montanhas que impõe respeito. Dependendo do dia e da claridade, ela aparece imponente, coberta de neve, como se estivesse te desafiando a subir. E tem gente que sobe mesmo. O trem do Jungfraujoch, conhecido como “Topo da Europa”, sai de lá. Eu não fiz esse passeio naquele dia porque queria explorar mais os vilarejos ao redor, mas fica a dica: se você tiver disposição e orçamento (porque não é barato), vale muito a pena reservar um dia inteiro só para isso.
Outra coisa que muita gente não sabe é que dá para combinar Interlaken com Thun no mesmo dia. Thun fica no caminho entre Berna e Interlaken, e é uma cidade menor, mais tranquila, com um castelo medieval bem conservado e um centrinho charmoso. Eu fiz exatamente isso: parei em Thun de manhã, almocei por lá, caminhei às margens do lago e depois segui para Interlaken à tarde. Funcionou perfeitamente. Aliás, o passeio de barco pelo Lago Thun, que sai de Interlaken e vai até a cidade de Thun, é um dos trajetos mais bonitos que já fiz. Se o tempo estiver bom, vale muito mais do que o trem.
Grindelwald e Lauterbrunnen: Povoados Que Parecem Cenário de Filme
Se você quer entender o que é viver cercado pelos Alpes, precisa ir a Grindelwald. É um dos vilarejos mais famosos da região de Interlaken, e fica a cerca de 30 minutos de trem de lá — ou uma hora e meia saindo direto de Berna, com baldeação. Quando desci do trem e vi aquele vale cercado de picos nevados, com casinhas de madeira espalhadas pela encosta, pensei: “é exatamente assim que eu imaginava a Suíça”.
Grindelwald tem uma atmosfera bem alpina, mas sem ser artificial. Claro que é turístico, tem hotéis, restaurantes, lojas de equipamentos de montanha, mas ainda assim mantém aquele ar de vila de montanha de verdade. No verão, é ponto de partida para trilhas incríveis. No inverno, vira estação de esqui. Fui na primavera, naquela época em que ainda tem neve nos picos mas o vale já está verde, e achei perfeito. Peguei o teleférico até o First, que é uma das atrações mais procuradas. Lá em cima tem uma passarela suspensa com vista para o Eiger, e quem curte aventura pode fazer tirolesa, mountain cart e outras atividades. Eu só fiquei curtindo a vista mesmo, porque já era o suficiente.
Lauterbrunnen é outra história. Também fica perto de Interlaken, mas tem um visual completamente diferente. É um vale estreito, profundo, com paredões de rocha de cada lado e cachoeiras caindo direto das alturas. Parece irreal. A Staubbach Falls é a mais famosa, uma queda d’água de quase 300 metros que despenca de um penhasco e forma uma névoa lá embaixo. Existe uma trilha que passa por trás dela, e caminhar ali, ouvindo o barulho da água ecoando nas pedras, foi uma das experiências mais legais da viagem.
O vilarejo em si é minúsculo, mas é dessas coisas que você não esquece. Tem algo de mágico em estar num lugar tão pequeno, cercado por montanhas gigantes e cachoeiras por todos os lados. Aliás, Lauterbrunnen serve de base para ir até Wengen e Mürren, duas outras vilas alpinas que ficam nas encostas e são acessíveis só por trem ou teleférico. Eu não consegui visitar as duas no mesmo dia, mas se você sair cedo de Berna, é possível encaixar Lauterbrunnen com uma dessas vilas e voltar no fim da tarde.
Lucerna: A Cidade Mais Fotogênica da Suíça
Lucerna fica a uma hora de trem de Berna, e é daqueles destinos que você chega e já entende por que todo mundo fala bem. A cidade é linda, compacta, fácil de explorar a pé e tem aquele charme suíço mais clássico. O Rio Reuss corta a cidade, e as pontes cobertas de madeira — especialmente a Kapellbrücke, com suas pinturas no teto — são o cartão-postal mais famoso. Eu já tinha visto mil fotos, mas estar ali, caminhando sobre a ponte, vendo os cisnes nadando embaixo e as montanhas ao fundo, foi bem diferente de ver pela tela.
O centro histórico é recheado de prédios com fachadas pintadas, fontes antigas, lojinhas e cafés. Não é grande, então você consegue conhecer tudo em algumas horas. Mas se quiser ir com mais calma, dá para passar o dia inteiro tranquilamente. Tem o Monumento do Leão, que é uma escultura impressionante esculpida numa rocha em homenagem aos soldados suíços mortos na Revolução Francesa. É um lugar meio escondido, mas bem emocionante quando você entende a história por trás.
Lucerna também é porta de entrada para o Monte Pilatus e o Monte Rigi, duas montanhas que oferecem vistas espetaculares. Eu fiz o Pilatus, que tem um dos trens de cremalheira mais íngremes do mundo. A subida é lenta, mas dá pra sentir a altitude mudando a cada curva. Lá em cima, tem mirantes, trilhas, restaurante e aquela sensação de estar no topo do mundo. Se o dia estiver claro, dá pra ver os Alpes em todas as direções. A descida pode ser feita de teleférico até Kriens, e de lá você volta de ônibus para Lucerna. É um passeio que consome umas cinco ou seis horas no total, então se você quiser incluir a cidade também, planeje sair bem cedinho de Berna.
O Lago Lucerna é outro grande atrativo. Tem passeios de barco que duram de uma hora até o dia inteiro, dependendo do roteiro. Eu fiz um curto, só para sentir como é navegar naquelas águas azuis cercadas de montanhas. É relaxante demais. E se você curte museus, tem o Museu Suíço dos Transportes, que é enorme e bem interativo — legal até para quem viaja com crianças.
Zurique: Modernidade, Cultura e um Pouco de Agito
Zurique fica a uma hora e dez minutos de trem de Berna, e é praticamente o oposto da capital em termos de vibe. É a maior cidade da Suíça, o centro financeiro, cheio de bancos, empresas, lojas de grife e uma energia mais cosmopolita. Eu não esperava gostar tanto, porque normalmente prefiro cidades menores, mas Zurique tem um equilíbrio interessante entre o moderno e o histórico.
A Bahnhofstrasse é uma das ruas comerciais mais famosas da Europa. É uma avenida longa, cheia de lojas de luxo, cafés, chocolaterias. Mesmo que você não vá comprar nada, vale caminhar por ali só para sentir o ritmo da cidade. No fim da rua fica o Lago de Zurique, que é enorme e lindo. No verão, tem gente tomando sol nas margens, fazendo piquenique, nadando. É uma cidade que sabe aproveitar o espaço público.
O centro histórico, chamado de Altstadt, tem ruelas de pedra, igrejas antigas e prédios bem preservados. A Grossmünster é a igreja mais icônica, com suas duas torres que dominam a paisagem. Dá pra subir numa delas e ter uma vista panorâmica da cidade. Ali perto fica o bairro de Niederdorf, que é cheio de restaurantes, bares e tem um clima mais boêmio, especialmente à noite.
Zurique também tem uma cena cultural forte. O Kunsthaus é um dos melhores museus de arte da Suíça, com obras de Monet, Picasso, Chagall e artistas suíços. Se você curte arte moderna, vale a visita. E tem o bairro de Zürich-West, que era uma antiga área industrial e hoje virou polo criativo, com galerias, ateliês, bares descolados e o famoso mercado Frau Gerolds Garten, que tem containers, food trucks e uma vibe bem alternativa.
Para quem quer esticar o passeio até o fim da tarde, Zurique oferece um pôr do sol incrível visto de algum dos bares às margens do rio Limmat. É uma cidade que funciona tanto para quem quer fazer turismo cultural quanto para quem só quer sentar num café e observar as pessoas passarem.
Friburgo: O Charme Medieval Suíço-Francês
Friburgo não é tão comentada quanto Lucerna ou Interlaken, mas foi uma das surpresas mais agradáveis dos meus bate e volta a partir de Berna. Fica a apenas 30 minutos de trem, pertinho mesmo, e é uma cidade bilíngue, onde se fala alemão e francês. Isso já dá um toque diferente, porque você percebe a influência cultural das duas regiões misturadas.
O centro histórico é medieval de verdade, com muralhas, torres, pontes antigas e ruelas estreitas que sobem e descem sem dó. A parte baixa da cidade, chamada de Basse-Ville, é especialmente charmosa, com casinhas coloridas às margens do Rio Sarine. Tem uma ponte coberta de madeira, a Pont de Berne, que é linda e super fotogênica. Outra ponte famosa é a Pont de Zähringen, que liga a parte alta à baixa e oferece uma vista linda do rio e das casas antigas.
A Catedral de São Nicolau é imponente, com vitrais enormes e detalhes góticos impressionantes. Dá para subir na torre, mas prepare as pernas porque são muitos degraus. A vista lá de cima compensa, claro. Você vê toda a cidade, as montanhas ao redor e entende melhor a geografia peculiar de Friburgo, que foi construída num terreno bem acidentado.
Friburgo também tem um funicular histórico, movido a água, que conecta a cidade baixa à alta. É uma gracinha, funciona desde 1899 e ainda usa o sistema original. A viagem é curtinha, mas é um daqueles detalhes que fazem a diferença na experiência. Eu aproveitei para almoçar em um dos restaurantes típicos, provei fondue de queijo (claro, estamos na Suíça) e achei tudo perfeito. A cidade é pequena o suficiente para conhecer em meio dia, mas agradável o bastante para você querer ficar mais tempo.
Basileia: Arte, Arquitetura e Fronteira Tripla
Basileia fica a cerca de uma hora de trem de Berna, mais para o norte, bem na fronteira com a França e a Alemanha. É uma cidade que respira arte e cultura. Tem mais de 40 museus, e alguns deles estão entre os melhores da Europa. O Kunstmuseum Basel é o mais antigo museu de arte pública do mundo, com um acervo incrível que vai desde mestres antigos até arte contemporânea. Eu passei algumas horas lá e poderia ter ficado o dia inteiro.
Mas Basileia não é só museu. A cidade tem uma arquitetura bem variada, com prédios históricos, igrejas góticas e também construções modernas assinadas por arquitetos renomados. O contraste funciona bem. A Catedral de Basileia, ou Münster, é linda, em estilo gótico e românico, e fica numa colina com vista para o Rio Reno. Sentar ali no terraço ao lado da catedral e ver o rio passando embaixo é uma das melhores pausas que você pode fazer na cidade.
O Reno, aliás, é parte da identidade de Basileia. No verão, tem gente que atravessa o rio nadando, levando suas coisas em boias impermeáveis. É uma tradição local bem curiosa. Tem também os ferryboats que cruzam o rio sem motor, só usando a correnteza e cabos — são chamados de “Fähri” e fazem parte do transporte público. É uma coisa simples, mas bem interessante de vivenciar.
O centro histórico tem ruelas medievais, praças com fontes, lojinhas e um mercado diário na Marktplatz, onde vendem flores, frutas, queijos, pães. A prefeitura da cidade, pintada de vermelho vivo com detalhes dourados, chama atenção de longe. É um edifício do século XVI, super bem preservado.
Se você gosta de arte contemporânea, a Fondation Beyeler fica nos arredores de Basileia e é parada obrigatória. O prédio foi projetado pelo Renzo Piano e fica num parque lindo. O acervo tem obras de Monet, Cézanne, Picasso, Rothko e muitos outros. É refinado, tranquilo e inspirador. Dá pra ir de trem e ônibus, não é complicado.
Solothurn: A Cidade Barroca Esquecida
Solothurn é praticamente vizinha de Berna — fica a uns 30 minutos de trem. É uma cidade pequena, pouco explorada por turistas estrangeiros, mas tem um charme discreto que vale a visita. É conhecida como a cidade mais bonita do período barroco na Suíça, e quando você vê a Catedral de Santo Ursus, entende o porquê. É imponente, branca, com detalhes elaborados, e fica no centro de uma praça ampla e organizada.
O centro histórico é compacto e super agradável para caminhar. Tem portões antigos, torres medievais e uma atmosfera calma que contrasta com o agito de outras cidades suíças. Solothurn também é atravessada pelo Rio Aare, e tem alguns pontos legais para caminhar à beira d’água. Eu fui num dia de semana, e a cidade estava tão tranquila que parecia que eu tinha o lugar só pra mim.
Tem uma curiosidade engraçada: Solothurn é obcecada pelo número 11. A catedral tem 11 altares, 11 sinos, e a escadaria da entrada tem 11 degraus em três lances. A cidade também tem 11 igrejas e capelas históricas, 11 fontes e 11 torres. É uma mania local que virou marca registrada. Não sei exatamente de onde veio, mas acho divertido.
Não é um destino que vai te deixar de queixo caído como Interlaken ou Lucerna, mas é perfeito para um bate e volta mais tranquilo, sem pressa, só aproveitando uma arquitetura bonita e um ritmo mais humano.
Neuchâtel: Charme Francês à Beira do Lago
Neuchâtel é outra cidade suíça que foge um pouco do radar, mas que tem um charme especial. Fica a cerca de 45 minutos de trem de Berna, já na região de língua francesa, e tem um clima bem diferente. A cidade fica às margens do Lago Neuchâtel, o maior lago inteiramente em território suíço, e tem uma vibe mais leve, quase mediterrânea nos dias de sol.
O centro histórico é medieval, com ruas estreitas, prédios de pedra amarela e um castelo bem preservado que domina a paisagem. Dá para visitar o castelo e subir na torre para ter uma vista linda da cidade e do lago. A Place des Halles é cheia de bares e restaurantes, e tem um mercado aos sábados que vale a visita.
Uma das coisas que mais gostei em Neuchâtel foi caminhar pelo calçadão à beira do lago. É extenso, arborizado, tem ciclovias, bancos e uma paz gostosa. No verão, tem gente nadando, fazendo stand-up paddle, tomando sol. É uma cidade universitária, então tem uma energia jovem também, especialmente à noite.
Neuchâtel tem dois museus interessantes: o Museu de Arte e História, que tem de tudo um pouco (arqueologia, arte, relógios), e o Laténium, que é um museu de arqueologia super moderno e interativo. Eu visitei o Laténium e achei surpreendente. Fica às margens do lago e tem reconstituições de palafitas pré-histórias, exposições sobre os primeiros habitantes da região e achados arqueológicos bem preservados.
Emmental: Vale dos Queijos e Vilarejos Bucólicos
Se você quer fugir das cidades e ver a Suíça rural de verdade, um passeio pelo Emmental é perfeito. É a região onde nasce o famoso queijo suíço com buracos, o Emmentaler. Fica bem pertinho de Berna, uns 30 a 40 minutos de carro ou trem regional, e é um cenário completamente diferente: colinas verdes suaves, fazendas espalhadas, vacas pastando, celeiros de madeira e uma paz infinita.
Eu fui até a Emmentaler Schaukäserei, que é uma espécie de queijaria-museu onde você pode ver como o queijo é feito, provar diferentes tipos e aprender sobre a tradição da produção. É bem turístico, mas de um jeito gostoso, sem exageros. Tem restaurante, lojinha, e o lugar em si é bonito, cercado de natureza.
Outra atração interessante na região é a Ponte Suspensa de Leimibach, uma trilha suspensa bem alta que passa por cima de um vale. É curta, mas oferece vistas lindas e aquela sensação de aventura leve. Se você curte caminhar, existem várias trilhas marcadas pela região, passando por vilarejos, fazendas e campos de flores (especialmente na primavera).
Burgdorf é uma cidadezinha fofa que vale a parada também. Tem um castelo medieval gigante, bem preservado, que hoje funciona como museu. A vista lá de cima é linda. O centrinho tem casinhas antigas, lojinhas de artesanato e alguns cafés charmosos. É um lugar para ir sem pressa, aproveitando o clima tranquilo e a beleza simples da Suíça do interior.
Jungfraujoch: O Topo da Europa (Quando Sobra um Dia Inteiro)
Eu sei que tecnicamente o Jungfraujoch não é um bate e volta “rápido”, mas é totalmente viável a partir de Berna se você tiver disposição e acordar cedo. São cerca de duas horas e meia de viagem, com baldeações em Interlaken e depois em Grindelwald ou Lauterbrunnen (dependendo da rota que você escolher), até chegar à estação de trem mais alta da Europa, a 3.454 metros de altitude.
É um passeio caro, não vou mentir. O bilhete de trem custa bem caro mesmo com o Swiss Travel Pass (que dá desconto). Mas se você nunca esteve num lugar tão alto, rodeado de geleiras e picos nevados, o impacto é grande. Quando sai do trem e pisa naquele ambiente gelado, com neve por todos os lados o ano inteiro, a sensação é surreal.
Lá em cima tem mirantes com vista 360 graus, o Palácio de Gelo (que é uma caverna esculpida dentro da geleira), restaurantes e até uma plataforma ao ar livre onde dá pra sentir o vento cortante e ver a imensidão dos Alpes. Tem também uma estação de pesquisa científica, a Sphinx Observatory, que fica ainda mais alto e tem um dos visuais mais impressionantes da Suíça.
O problema é que o tempo lá em cima pode mudar rápido. Eu peguei um dia lindo, céu azul, visibilidade perfeita, e foi mágico. Mas tem gente que sobe e pega neblina fechada, aí perde boa parte da experiência. Vale checar a previsão do tempo antes de comprar o bilhete. E prepare-se para o frio, mesmo no verão. Lá em cima a temperatura é sempre abaixo de zero.
Dicas Práticas para os Bate e Volta
Fazer bate e volta na Suíça é fácil porque o sistema de transporte público é impecável. Os trens são pontuais, limpos, confortáveis e conectam praticamente todos os lugares. Se você vai fazer vários passeios, vale muito a pena comprar o Swiss Travel Pass, que dá acesso ilimitado a trens, ônibus, barcos e até alguns teleféricos e funiculares. Existem passes de 3, 4, 8 ou 15 dias consecutivos, e você escolhe conforme o seu roteiro.
Outra coisa importante: baixe o aplicativo SBB Mobile, que é o app dos trens suíços. Nele você consegue ver horários em tempo real, planejar rotas, comprar bilhetes e até receber avisos de atrasos (que são raros, mas acontecem). O app funciona super bem e em inglês também, então não tem erro.
Sobre alimentação: comer fora na Suíça é caro. Não tem jeito. Um almoço simples pode custar facilmente entre 20 e 30 francos suíços. Eu costumo levar lanches na mochila, comprar pão, queijo, frutas num supermercado e fazer um piquenique em algum lugar bonito. Além de economizar, é uma experiência gostosa, especialmente nos dias de sol. Os supermercados Coop e Migros são os mais comuns e têm boas opções prontas por preços mais acessíveis.
E claro, organize seu tempo. Mesmo que seja “bate e volta”, vale a pena sair cedo. Eu costumo pegar os primeiros trens da manhã, tipo 7h, 8h, para aproveitar o dia inteiro fora e voltar com calma no fim da tarde. Assim você evita multidões (especialmente em lugares como Interlaken ou Lucerna) e consegue fazer mais coisa.
A Vantagem de Estar Baseado em Berna
O que percebi ao longo dessas viagens é que Berna oferece uma combinação rara: é uma cidade interessante por si só (com o centro histórico tombado pela UNESCO, ursos no fosso do parque, o Rio Aare para nadar no verão, museus bacanas), mas também é uma base estratégica perfeita. Você não perde tempo em translados longos, não precisa carregar mala de um lado para o outro, e ainda assim consegue explorar regiões bem diferentes da Suíça.
Tem gente que prefere ficar em Zurique ou Genebra porque são cidades maiores, com mais opções de hotel, restaurante, vida noturna. Eu entendo. Mas acho que Berna tem um equilíbrio melhor para quem quer conhecer a Suíça de verdade, sem ficar só nas metrópoles. É uma cidade em escala humana, onde você anda tranquilo, não se sente sufocado pelo turismo de massa, mas tem toda a infraestrutura que você precisa.
E tem outro detalhe: Berna é central geograficamente. Fica no meio do país, o que facilita ir tanto para o lado alemão (Zurique, Basileia, Lucerna) quanto para o lado francês (Neuchâtel, Friburgo, Lausanne). Até o sul, na direção de Interlaken e dos Alpes, está bem acessível. É tipo um ponto de equilíbrio perfeito.
O Ritmo Suíço e a Beleza do Simples
Uma das coisas que mais me marcou nos bate e volta a partir de Berna foi entender o ritmo suíço. Não é sobre correr de um lugar para o outro, tirar foto e ir embora. É sobre sentar num banco de praça, observar as montanhas, tomar um café devagar, conversar com um local, caminhar sem pressa. A Suíça é um país caro, mas também é um país que valoriza a qualidade de vida, o contato com a natureza, o respeito ao tempo.
Eu lembro de estar em Lauterbrunnen, sentado numa cerca de madeira, só olhando as cachoeiras e ouvindo o silêncio interrompido pelo som da água. Não estava fazendo nada “produtivo”, mas aquilo valia mais do que qualquer atração paga. Ou em Lucerna, caminhando pela ponte de madeira pela terceira vez, só porque era bonita e eu queria ver de novo. Ou em Grindelwald, tomando um chocolate quente numa varanda com vista para o Eiger, sem pressa nenhuma.
Esses momentos não aparecem no Instagram, não rendem curtidas, mas são os que ficam na memória. E fazer bate e volta permite exatamente isso: você conhece lugares novos, mas sem aquela pressão de ter que aproveitar tudo porque vai embora no dia seguinte. Você volta para Berna no fim do dia, descansa, acorda no outro dia no mesmo lugar, e sai para outra aventura. É um jeito de viajar mais tranquilo, mais sustentável emocionalmente, e que combina muito com o espírito suíço.
Vale a Pena Mesmo?
Sim, vale demais. Se você tem alguns dias na Suíça e está pensando em onde se hospedar, considere seriamente Berna. Não é a escolha mais óbvia, mas é uma das mais inteligentes. Você economiza tempo, ganha flexibilidade, evita o estresse de trocar de hotel toda hora, e ainda assim consegue ver uma variedade enorme de paisagens, culturas e experiências.
Cada um dos lugares que mencionei aqui tem seu próprio caráter. Interlaken é aventura e montanhas. Lucerna é charme e cartão-postal. Zurique é cosmopolitismo e cultura. Friburgo é medieval e bilíngue. Basileia é arte e fronteira. Solothurn é barroco e tranquilidade. Neuchâtel é lago e atmosfera francesa. Emmental é rural e autêntico. E tudo isso está a menos de uma hora e meia de trem de Berna.
Não precisa fazer tudo, claro. Escolha o que combina mais com você, com seu ritmo, com seus interesses. Mas saiba que as opções existem, estão ali pertinho, esperando. E a Suíça, mesmo sendo pequena no mapa, consegue surpreender a cada curva, a cada vilarejo, a cada montanha que aparece pela janela do trem.
Eu voltaria para Berna sem pensar duas vezes. E faria tudo de novo, talvez até explorando lugares que ficaram de fora dessa vez. Porque a verdade é que a Suíça não se esgota em uma viagem. Sempre tem uma trilha nova, uma vila escondida, um mirante diferente, um queijo a mais para provar. E estar baseado em Berna é a melhor forma que encontrei de aproveitar tudo isso com calma, organização e aquele gostinho de querer voltar.