|

Roteiro de Viagem Para Viajantes na Tailândia na Ásia

Quem nunca se pegou olhando fotos de templos dourados refletindo no sol do fim de tarde, ou daquelas praias com água tão transparente que parece irreal? A Tailândia virou quase uma obsessão coletiva entre brasileiros, e não é só pela beleza das imagens no Instagram. É que esse país consegue entregar experiências completamente diferentes em um único roteiro – você pode acordar em Bangkok cercado de arranha-céus e tuk-tuks enlouquecidos, almoçar num templo centenário e terminar o dia com os pés na areia de alguma ilha remota.

https://pixabay.com/photos/bangkok-traditional-landscape-4505350/

Quando comecei a desenhar meu primeiro roteiro pela Tailândia, achei que seria simples: Bangkok, Chiang Mai e algumas praias no sul. Mas logo descobri que cada viajante monta seu quebra-cabeça de forma única, porque o país oferece possibilidades demais. Tem gente que quer mergulhar fundo na cultura budista, outros só querem praia e festa, tem quem busque aventura nas montanhas do norte ou experiências com elefantes em santuários éticos. A verdade é que não existe um roteiro perfeito universal – existe aquele que faz sentido pro seu estilo e pro tempo que você tem.

Uma das coisas que aprendi na prática é que a Tailândia não é um destino que você “resolve” em uma viagem só. Tentei fazer isso da primeira vez e voltei com a sensação de que tinha deixado metade do país pra trás. Porque não dá pra conhecer Bangkok a fundo, explorar o norte cultural, mergulhar nas ilhas do sul e ainda passar por Ayutthaya, Sukhothai e todos os outros lugares incríveis sem parecer que você está numa maratona maluca. E viagem não deveria ser isso, né?

Então vou te contar como estruturei meus roteiros ao longo do tempo, o que funcionou, o que foi correria desnecessária e aqueles detalhes práticos que só quem já pisou lá consegue antecipar.

Quantos Dias Você Realmente Precisa

Essa é provavelmente a primeira pergunta que surge, e a resposta sincera é: depende do que você quer ver. Mas tem alguns cenários que funcionam bem na prática.

Se você tem entre 10 e 12 dias, dá pra montar um roteiro clássico que cobre Bangkok, uma cidadezinha histórica como Ayutthaya, o norte cultural em Chiang Mai e finalizar com praia no sul. É apertado, mas factível se você não se importar de trocar de cidade a cada três ou quatro dias. Pessoalmente, acho que esse formato é melhor pra quem está indo pela primeira vez e quer ter uma visão geral do país.

Agora, se você conseguir esticar pra 15 ou 18 dias, a viagem muda completamente de ritmo. Você ganha tempo pra incluir uma segunda ilha, fazer bate-voltas mais tranquilos, passar um dia inteiro num santuário de elefantes, ou simplesmente ficar mais tempo em cada lugar sem sentir que está sempre fazendo check-out. E isso faz uma diferença enorme na experiência.

Tem ainda quem consiga apenas 7 ou 8 dias. Nesse caso, minha sugestão é escolher um eixo: ou você foca no triângulo Bangkok-Chiang Mai-Ayutthaya, ou vai de Bangkok e ilhas do sul. Tentar encaixar tudo seria um erro – você vai gastar metade do tempo em aeroportos e estações de ônibus.

O Norte Cultural: Chiang Mai e Arredores

Chiang Mai é totalmente diferente de Bangkok. A cidade tem um ritmo mais lento, os templos são menores e mais intimistas, e o ar é mais fresco porque você está nas montanhas. Eu passei quatro dias lá e ainda senti que dava pra ficar mais.

O que mais me marcou foi o quanto a cultura local ainda está presente. Você vê monges caminhando pelas ruas de manhã cedo recebendo oferendas, mercados de bairro onde ninguém fala inglês, e uma quantidade absurda de templos – mais de 300 espalhados pela cidade e arredores. O Wat Phra That Doi Suthep, que fica no alto de uma montanha, tem uma vista linda da cidade, mas o que me pegou mesmo foi a atmosfera lá dentro, com os fiéis acendendo incenso e o som dos sinos.

Outra coisa imperdível é visitar um santuário ético de elefantes. E quando falo ético, é sério – nada de passeios montado no animal ou shows. Os santuários responsáveis deixam os elefantes viverem em semi-liberdade, e você pode passar o dia observando, alimentando e até tomando banho com eles no rio. É uma experiência emocionante, mas escolha bem o lugar, porque ainda tem muita cilada disfarçada de “santuário”.

Se você tiver um dia extra, vale fazer um bate-volta pra Chiang Rai. Lá tem o famoso Templo Branco (Wat Rong Khun), que é surreal de tão diferente – todo branco, coberto de espelhos, com esculturas que misturam budismo e cultura pop. É meio kitsch, mas é único. E no mesmo dia dá pra conhecer o Templo Azul, que também é lindo.

Bangkok: Caos Organizado Que Funciona

Bangkok é intensa. Primeira vez que saí do hotel de manhã cedo, fiquei parado na calçada tentando entender como atravessar a rua sem morrer. O trânsito é caótico, o calor é pesado, e tem gente pra todo lado. Mas é justamente essa energia que faz a cidade ser viciante.

A maioria dos roteiros sugere dois ou três dias em Bangkok, mas eu diria que quatro é o ideal se você quer conhecer além do básico. Os templos principais – Wat Pho com o Buda Deitado gigante, Wat Arun com aquelas torres coloridas, o Grand Palace todo ornamentado – são realmente impressionantes e merecem umas boas horas de visita. Mas Bangkok tem muito mais.

Os mercados são um mundo à parte. O Chatuchak Weekend Market funciona só aos finais de semana e tem mais de 8 mil barracas vendendo absolutamente tudo. É fácil passar o dia inteiro lá. Já os mercados flutuantes são mais turísticos, é verdade, mas a experiência de ver aquelas senhoras vendendo frutas e comida em barquinhos ainda vale a pena – só vá cedo pra evitar a horda de gente.

Uma coisa que não esperava gostar tanto foi andar de barco pelos canais (khlongs) da cidade. Bangkok costumava ser chamada de “Veneza do Oriente”, e ainda dá pra ver resquícios disso. Você pega barquinhos de cauda longa e vai navegando entre casas de madeira, templos escondidos e uma Bangkok que parece estar presa no tempo.

E a comida de rua? Esquece. É barata, é boa, e está literalmente em cada esquina. Pad Thai, som tam (salada de mamão verde picante), mango sticky rice, espetinhos de tudo quanto é tipo… eu gastava no máximo 100 ou 150 baht (uns R$ 15 a R$ 20) numa refeição farta. Tem quem tenha medo de experimentar, mas eu nunca tive problema nenhum – só escolha barraquinhas com bastante movimento, que é sinal de que a comida é fresca.

As Ilhas do Sul: Praias, Festas e Mergulhos

O sul da Tailândia é o cartão-postal que todo mundo conhece. Mas escolher quais ilhas visitar pode ser complicado porque cada uma tem uma vibe bem diferente.

Phuket é a maior e mais desenvolvida. Tem infraestrutura excelente, praias lindas como Kata e Karon, mas também tem áreas super turísticas e cheias como Patong, onde acontece aquela vida noturna famosa e caótica. Eu usei Phuket mais como base pra fazer passeios de barco pra ilhas próximas, como as Phi Phi Islands e a Phang Nga Bay com aquelas formações rochosas saindo do mar.

Phi Phi é bonita demais, mas também é vítima do próprio sucesso. A ilha principal (Phi Phi Don) fica lotada de turistas, e Maya Bay, aquela praia famosa do filme “A Praia”, já esteve fechada por anos por causa do dano ambiental. Mesmo assim, os passeios de barco ao redor das ilhas são incríveis pra snorkeling.

Krabi tem uma energia um pouco mais tranquila. Railay Beach, que só é acessível de barco, é deslumbrante – aqueles paredões de pedra calcária saindo do mar criam um cenário surreal. Tem escalada, trilhas, praias quase desertas. Passei três dias em Railay e foi pouco.

Koh Samui é maior e mais familiar, com resorts de luxo e praias mais calmas. Koh Phangan é famosa pela Full Moon Party, aquela festa na praia que reúne milhares de pessoas uma vez por mês – se você curte esse tipo de coisa, vale cronometrar sua viagem pra pegar a data.

Já Koh Tao é o paraíso dos mergulhadores. Fiz meu curso de mergulho lá e foi uma das melhores decisões da viagem. A visibilidade é ótima, os instrutores são experientes, e o custo é bem menor que no Brasil. Mesmo se você não mergulhar, o snorkeling já é espetacular.

Ayutthaya e Sukhothai: História Que Você Sente

Ayutthaya fica a apenas 80 km de Bangkok e dá pra fazer um bate-volta tranquilo, mas eu recomendo dormir uma noite lá. A cidade antiga foi capital do reino siamês por mais de 400 anos e hoje é um parque arqueológico enorme com ruínas de templos, estátuas de Buda e aquela atmosfera pesada de história.

O que mais me impressionou foi a cabeça de Buda enroscada nas raízes de uma árvore no Wat Mahathat – é daquelas imagens que você vê mil vezes em foto mas que ao vivo é ainda mais impactante. E alugar uma bicicleta pra circular entre as ruínas é perfeito, porque as distâncias são grandes mas o ritmo é gostoso.

Sukhothai é menos visitada, fica mais ao norte, mas pra mim foi até mais especial que Ayutthaya. As ruínas são mais bem preservadas, o parque é mais organizado, e tem menos gente. Você consegue sentar na frente de um templo de 700 anos e ficar ali sozinho, só observando. É meditativo.

Transporte: Como Se Mover Sem Enlouquecer

A Tailândia tem uma rede de transporte que funciona surpreendentemente bem, mas cada modal tem suas peculiaridades.

Pra distâncias longas entre cidades, o avião é a melhor pedida se você valoriza tempo. Companhias low-cost como AirAsia, Nok Air e Bangkok Airways têm voos baratos e frequentes. Eu pagava às vezes R$ 150 num voo de uma hora, o que compensava totalmente em relação a oito ou dez horas de ônibus.

Os ônibus noturnos são uma opção econômica e você “economiza” uma diária de hotel, mas nem sempre são confortáveis. Tem diferentes categorias – VIP, primeira classe, standard – e a diferença no conforto é grande. Comprei passagens em rodoviárias mesmo, mas tem sites como 12Go Asia que facilitam se você prefere garantir antecipado.

Os trens têm um charme especial, principalmente os noturnos com cabines-leito. Fiz o trajeto Bangkok-Chiang Mai de trem noturno e foi uma experiência. O trem balança, faz barulho, mas você acorda com a paisagem rural passando pela janela e é bonito demais. Só reserve com antecedência porque lota rápido, especialmente as classes mais confortáveis.

Dentro das cidades, os táxis são baratos, mas tem que insistir pra usarem o taxímetro – alguns tentam cobrar preço fixo inflado de turista. O Grab (equivalente ao Uber) funciona super bem em Bangkok e outras cidades maiores, e aí você já sabe o preço antes. Tuk-tuks são divertidos mas sempre negocie o preço antes de entrar.

E em Bangkok especificamente, o metrô (MRT) e o trem elevado (BTS) são limpos, rápidos e cobrem bem as áreas turísticas. Comprar um cartão recarregável facilitou muito minha vida.

Onde Ficar e Quanto Gastar

A hospedagem na Tailândia tem opções pra todos os bolsos, e o custo-benefício é geralmente excelente.

Em Bangkok, eu me hospedei num hotel classe média no bairro de Silom. Pagava uns R$ 120 por noite num quarto duplo com café da manhã incluído, ar-condicionado, tudo limpo e bem localizado. Tem hostels por R$ 30 ou 40 a cama em dormitório, e tem hotéis cinco estrelas por R$ 400 ou 500 se você quiser se dar bem.

Nas ilhas, o preço varia muito. Em Koh Tao, fiquei num bangalô simples mas charmoso a 50 metros da praia por R$ 100 a diária. Já em Phuket, os resorts de luxo cobram valores mais salgados, mas ainda assim abaixo do que você pagaria em destinos de praia no Brasil ou Caribe.

Chiang Mai é ainda mais em conta. Aluguei um apartamento pelo Airbnb por uma semana e paguei menos de R$ 500 no total – um apê inteiro, com cozinha e tudo.

Sobre alimentação, se você comer na rua e em restaurantes locais, gasta ridiculamente pouco. Eu fazia três refeições por dia e gastava entre R$ 40 e R$ 60. Restaurantes mais turísticos ou internacionais aumentam esse custo, mas ainda assim são razoáveis.

Os passeios variam bastante. Um tour de barco pelas ilhas pode custar de R$ 150 a R$ 400 dependendo do tipo. Entrada em templos geralmente é barata, entre R$ 10 e R$ 30. O santuário de elefantes que visitei custou uns R$ 250 pelo dia inteiro com transporte e almoço incluídos.

No geral, uma viagem econômica mas confortável fica em torno de R$ 150 a R$ 200 por dia por pessoa (sem contar passagem aérea internacional). Dá pra gastar menos sendo mais mochileiro, e dá pra gastar muito mais se quiser luxo.

Melhor Época Pra Ir

A Tailândia tem basicamente três estações: a fresca e seca (novembro a fevereiro), a quente e seca (março a maio), e a chuvosa (junho a outubro).

O período entre novembro e fevereiro é considerado ideal porque o clima é mais ameno – “ameno” sendo uns 28 a 30 graus, mas com menos umidade. É alta temporada, então espere mais turistas e preços um pouco mais altos, mas vale a pena pelo conforto climático.

Março, abril e maio são escaldantes. Os termômetros passam fácil dos 35 graus e a sensação de calor nas cidades é pesada. Mas as praias ficam ótimas nessa época, e se você se planejar pra evitar o meio do dia, dá pra curtir.

A temporada de chuvas não é tão ruim quanto parece. Não chove o dia inteiro todos os dias – geralmente são pancadas fortes no fim da tarde ou à noite. Tudo fica mais verde, tem menos turista, e os preços caem. Eu fui em setembro e peguei chuva só três ou quatro vezes, sempre no final do dia. A única ressalva é que alguns passeios de barco podem ser cancelados por causa do mar agitado.

Dicas Práticas Que Fazem Diferença

Brasileiros não precisam de visto pra ficar até 90 dias na Tailândia. Só precisa ter passaporte válido por pelo menos seis meses. Na imigração, alguns agentes pedem comprovante de hospedagem ou passagem de saída, mas nem sempre é rigoroso.

Dinheiro: a moeda é o baht tailandês. O câmbio na chegada no aeroporto é ruim, mas vale trocar só um pouco pra começar. Nas cidades tem casas de câmbio com cotações melhores, e caixas eletrônicos funcionam perfeitamente com cartões internacionais (mas cobram uma taxa de uns 220 baht por saque). Cartões de crédito são aceitos em lugares turísticos, mas no dia a dia você vai precisar de dinheiro vivo.

Chip de internet: comprar um chip local logo no aeroporto é essencial. Custa uns 300 ou 400 baht por 15 dias de internet ilimitada (ou quase isso) e funciona super bem. Facilitou demais pra chamar Grab, consultar mapas, traduzir cardápios…

Idioma: a maioria dos tailandeses em áreas turísticas fala inglês básico, mas fora da rota pode ser complicado. Google Tradutor com download offline salvou vários momentos.

Roupas e templos: os templos exigem ombros e joelhos cobertos. Leve sempre uma camiseta de manga e uma calça leve ou saia comprida na mochila. Alguns templos emprestam panos pra cobrir, mas nem todos.

Cultura local: os tailandeses são extremamente educados e gentis. Eles evitam conflito e não gostam de vozes altas ou agressividade. Sempre tire os sapatos antes de entrar em templos ou em algumas casas. E nunca toque na cabeça de ninguém, nem mesmo de crianças – é considerado desrespeitoso porque a cabeça é a parte mais sagrada do corpo.

Água: não beba água da torneira. Sempre compre garrafas de água mineral, que são baratas e vendidas em qualquer lugar.

Golpes comuns: em Bangkok, alguns motoristas de tuk-tuk ou taxistas vão tentar te convencer de que o templo que você quer visitar está fechado e te levar pra uma loja de pedras preciosas ou alfaiataria – eles ganham comissão. Ignore e siga em frente. E sempre confira se o taxímetro está ligado.

Seguro Viagem e Saúde

Seguro viagem não é obrigatório pra Tailândia, mas é absolutamente recomendável. Os hospitais privados lá são excelentes, mas caros pra estrangeiros. Conheço gente que teve dengue e ficou internada, e a conta foi alta – o seguro cobriu tudo.

Vacinas: oficialmente, só a febre amarela é exigida se você está vindo de país com risco de transmissão, e o Brasil entra nessa lista. Leve o certificado internacional de vacinação. Outras vacinas recomendadas são hepatite A e B, e tétano. Algumas pessoas tomam preventivo pra malária se vão pra áreas mais remotas, mas nas regiões turísticas o risco é baixo.

Repelente de mosquito é item obrigatório na mala. Dengue existe lá também, então se proteja, especialmente no amanhecer e entardecer.

O Que Levar Na Mala

A Tailândia é quente e úmida o ano todo, então roupas leves, de algodão ou tecidos que respiram são essenciais. Mas leve também um casaco leve ou moletom fino porque o ar-condicionado nos shopping, restaurantes e transportes costuma estar no último nível de geladeira.

Protetor solar potente, chapéu ou boné, óculos de sol. E chinelo ou sandália confortável pra praia, mas também um tênis porque você vai andar muito.

Remédios básicos: antidiarreico, analgésico, antialérgico. Farmácias lá são ótimas e vendem muita coisa sem receita, mas ter o básico ajuda.

E uma mochila pequena pra carregar no dia a dia é muito mais prática que bolsa.

Comida: Além do Pad Thai

A culinária tailandesa é uma das melhores do mundo, e ir pra lá sem experimentar é quase um crime. Tem pratos pra todos os gostos e níveis de coragem.

O Pad Thai todo mundo conhece, mas tem muito mais. Tom Yum Goong é uma sopa picante de camarão com capim-limão, galanga e cogumelos – é intenso. Green Curry e Red Curry (massaman curry é mais suave) são deliciosos, cremosos, com leite de coco e especiarias. Khao Soi é um prato do norte, um curry de macarrão que é viciante.

Som Tam, a salada de mamão verde, é refrescante mas picante – você pode pedir menos pimenta (“mai pet mak”). Sticky rice com manga é a sobremesa perfeita. E os sucos de frutas tropicais frescos são baratos e deliciosos em qualquer barraquinha.

Uma coisa que descobri: os tailandeses adoram comida picante de verdade. Quando pedem “medium spicy” pra gringo, ainda assim pode ser forte. Comece pedindo “little spicy” ou “no spicy” até entender sua tolerância.

E mercados noturnos são o melhor lugar pra experimentar várias coisas de uma vez. Chiang Mai Night Bazaar e o mercado noturno de Krabi foram onde mais comi e provei coisas diferentes.

Compras e Souvenirs

A Tailândia é ótima pra compras, especialmente de roupas, artesanato e produtos naturais. Os mercados têm desde camisetas de R$ 10 até sedas tailandesas legítimas. Sempre peça desconto – é esperado e faz parte da cultura.

Bangkok tem shoppings enormes e modernos como o MBK Center e o Siam Paragon, onde você encontra eletrônicos, roupas de marca e marcas locais. Mas o mais divertido são os mercados de rua.

Cosméticos naturais tailandeses são ótimos souvenirs. Marcas como Erb, Harnn e até produtos com ingredientes locais (coco, arroz, tamarindo) são baratos e de qualidade. E óleos essenciais, incensos e artesanato budista são clássicos.

Só cuidado com imitações. Tem mercado que vende “Nike” e “Adidas” por 200 baht, e obviamente não é original – mas se você sabe disso e não se importa, fica a critério.

Conexões e Voos Internacionais

Chegar na Tailândia desde o Brasil requer ao menos uma conexão, geralmente duas. As rotas mais comuns passam por Europa (Londres, Paris, Frankfurt) ou Oriente Médio (Dubai, Doha). Algumas pessoas fazem conexão em São Paulo e depois pegam voos via África do Sul ou América do Norte.

Os voos são longos – no total, contando conexões, você vai passar umas 24 a 30 horas viajando. É cansativo, mas é parte da aventura. Eu prefiro chegar de dia em Bangkok pra não precisar lidar com hotel e deslocamento logo de cara enquanto estou zonzo.

Vale a pena ficar de olho em promoções. Já vi passagens saindo por R$ 3.500 ida e volta, mas o normal gira em torno de R$ 4.500 a R$ 6.000 dependendo da época.

Viajando Solo, Em Casal ou Em Grupo

A Tailândia é um dos destinos mais amigáveis pra quem viaja sozinho. Conheci dezenas de mochileiros viajando solo, e é super fácil fazer amigos em hostels, nos passeios, nos barcos. A infraestrutura é boa, é relativamente seguro, e sempre tem gente pra trocar ideia.

Pra casais, é romântico mas também aventureiro. Tem programas pra todos os estilos – desde resort com spa até trilha na selva. E o custo-benefício é ótimo pra lua de mel alternativa.

Em grupo ou família, a Tailândia também funciona. Tem atividades pra todas as idades, restaurantes com variedade, e o transporte comporta bem grupos se vocês se organizarem.

Experiências Que Valem Cada Centavo

Algumas coisas são clichês turísticos, mas são clichês por um motivo. Ver o pôr do sol do alto de um rooftop bar em Bangkok, tipo o Sky Bar do Lebua (aquele do filme “Se Beber, Não Case 2”), é caro pra beber mas a vista é inesquecível.

Fazer um curso de culinária tailandesa, mesmo que seja só por meio dia, é divertido e você leva receitas pra casa. Fiz um em Chiang Mai e aprendi a fazer curry, pad thai e spring rolls. Pagamos uns R$ 200 e incluía ida ao mercado, aula e almoço comendo tudo que fizemos.

Assistir uma luta de Muay Thai ao vivo é intenso. Os estádios em Bangkok (Lumpinee e Rajadamnern) têm lutas quase toda noite. É violento, mas é parte da cultura local e a energia é única.

E simplesmente sentar num café ou restaurante na beira do rio Chao Phraya em Bangkok, vendo os barcos passarem enquanto o sol se põe, não custa quase nada mas é aquele tipo de momento que gruda na memória.

Respeito e Sustentabilidade

Uma coisa que percebi viajando pela Tailândia mais de uma vez é como o turismo de massa afeta alguns lugares. Maya Bay teve que fechar por anos pra se recuperar. Alguns santuários de elefantes ainda exploram os animais mascarando como “conservação”.

Sempre que possível, escolha opções éticas e sustentáveis. Pague um pouco mais pra visitar santuários que realmente cuidam dos animais. Evite passeios que oferecem contato com animais selvagens de forma antinatural. Não compre produtos feitos de coral, marfim ou outras partes de animais.

E tente respeitar a cultura local. A Tailândia é um país budista, conservador em muitos aspectos. Mostrar afeto em público é visto com reserva. Roupas muito curtas ou provocativas em templos são desrespeitosas. E lembre que a monarquia é levada muito a sério – criticar o rei pode até dar cadeia, então evite o assunto.

Montar um roteiro pela Tailândia é quase como montar um quebra-cabeça onde todas as peças são bonitas, mas você precisa escolher quais encaixar. Não dá pra fazer tudo, e tudo bem. O importante é entender o que te move – se é cultura, natureza, aventura, relaxamento – e construir sua viagem em torno disso.

Tem gente que volta da Tailândia apaixonada pelo caos de Bangkok. Outros se apaixonam pelo silêncio de um templo em Chiang Mai. Eu? Voltei viciado em tudo um pouco. No barulho e na calmaria. No picante e no doce. Nas praias e nos templos. E sempre com aquela sensação de que ficou tanta coisa pra ver que a próxima viagem já está se desenhando na cabeça antes mesmo de voltar pra casa.

A Tailândia é generosa com quem chega de peito aberto e curiosidade afiada. Ela entrega exatamente o que você procura, e às vezes até aquilo que você nem sabia que queria encontrar.

Artigos Relacionados

Deixe um comentário