Palawan é o Destino Alternativo Para Bora Bora
Bora Bora tem um preço. E esse preço é alto. Estamos falando de algo entre R$ 1.300 e R$ 11.000 por pessoa, por dia, sem contar a passagem aérea. Não é exagero — são os números reais de quem já pesquisou a fundo. O bangalô sobre a água, a laguna cor de turquesa, as refeições com vista para o Monte Otemanu: tudo isso existe, funciona, e custa uma fortuna. Para a maioria dos viajantes brasileiros, Bora Bora entra naquela categoria de sonho que fica para depois, sempre para depois.

Mas existe um lugar no sudeste asiático que entrega boa parte desse cenário — a água cristalina, os recifes de coral, as praias de areia branca cercadas de paredões de pedra calcária — por uma fração do preço. Chama-se Palawan, e fica nas Filipinas.
Não é uma cópia. Palawan não tenta ser Bora Bora. Tem personalidade própria, cheiro próprio, hospitabilidade que não tem preço. Mas quem for com os olhos abertos vai entender, muito rapidamente, por que esse arquipélago foi eleito diversas vezes a ilha mais bonita do mundo por revistas como a Condé Nast Traveler. O título não é marketing — é merecido.
O que Palawan tem que poucos destinos têm
A ilha principal de Palawan é longa e estreita, espremida entre o Mar da China Meridional e o Mar de Sulu. Mas quando as pessoas falam de Palawan como destino turístico, geralmente estão se referindo a duas cidades: El Nido, no extremo norte, e Coron, mais a leste. São cenários completamente diferentes, e os dois valem a pena.
El Nido é o lugar dos karsts — aquelas formações rochosas verticais, cobertas de vegetação, que surgem do mar como muralhas naturais. As lagoas escondidas entre essas pedras são acessíveis apenas de barco, e a sensação de entrar numa lagoa secreta cercada de paredes de pedra de 50 metros de altura não tem comparação. A água muda de cor dependendo da hora do dia: verde-esmeralda de manhã, azul-safira ao meio-dia, dourada com a luz do entardecer.
É nesse cenário que fica a Seven Commandos Beach, uma das praias mais fotografadas da região. O nome vem da história de sete soldados filipinos que usaram esse trecho de areia como esconderijo durante a Segunda Guerra Mundial. Hoje, é uma faixa de coco e areia branca encostada num paredão de pedra calcária, acessível apenas por barco, e que aparece em praticamente todos os passeios de island hopping pelo arquipélago de Bacuit. O passeio completo, com almoço incluído, sai por algo em torno de US$ 24 a US$ 45 por pessoa.
Sim. Isso mesmo. Um dia inteiro de barco, passando por lagoas, recifes, praias isoladas e a Seven Commandos, por menos de R$ 250.
O mergulho e o snorkeling que Bora Bora cobra caro
Uma das grandes promessas de Bora Bora são as excursões de snorkeling com raias e tubarões na laguna. É real, é bonito, e também é caro. Em Palawan, o mundo subaquático não fica devendo nada — na verdade, em termos de biodiversidade, fica na frente.
O Mar de Sulu é parte do chamado Triângulo de Coral, a região com maior diversidade marinha do planeta. Isso significa que durante um simples passeio de snorkeling em El Nido você pode cruzar com tartarugas, tubarões de recife, peixes-palhaço, lulas e corais de todas as formas e cores possíveis. Não é preciso ser mergulhador certificado para ver isso — às vezes basta colocar a cabeça na água numa praia rasa.
Para quem tem certificação de mergulho, Coron abre outro nível: os naufrágios japoneses da Segunda Guerra Mundial, afundados numa batalha aérea em 1944, estão preservados no fundo do mar com uma quantidade absurda de vida marinha ao redor. É um dos melhores pontos de mergulho em naufrágios do mundo, e os pacotes partem de valores muito acessíveis para os padrões internacionais.
Cultura que não está à venda
Aqui está algo que Bora Bora não oferece da mesma forma: contato real com a cultura local. Palawan é habitada por diferentes grupos étnicos, entre eles os Tagbanua e os Palawano, povos que mantêm tradições ancestrais em relação ao mar, à terra e à hospitalidade com os visitantes.
A hospitalidade filipina — chamada de bayanihan, esse espírito de ajuda mútua e generosidade que atravessa gerações — se sente nas pousadas pequenas gerenciadas por famílias, nos pescadores que oferecem fruta antes de você perguntar o preço, nos guias que contam a história das pedras como se estivessem contando um segredo de família.
A pesca tradicional ainda é feita com barcos de bambu chamados bangka — aquelas embarcações de madeira com flutuadores laterais que você vê em todas as fotos de El Nido. Os mesmos barcos que levam turistas pelas ilhas durante o dia são os mesmos que os pescadores usaram por séculos. Não tem encenação nisso.
E as cachoeiras? Palawan também tem. Escondidas na floresta, acessíveis por trilhas curtas ou por rio acima, as quedas d’água tropicais aparecem como recompensa pra quem decide explorar o interior da ilha em vez de ficar só na praia. Algumas ficam a menos de uma hora de El Nido Town.
Quanto custa ir para Palawan saindo do Brasil
Essa é a parte que assusta de início mas não deveria. O voo do Brasil até Manila — capital das Filipinas — tem escala obrigatória, geralmente em Doha, Dubai, Singapura ou Kuala Lumpur. O trecho direto não existe. Mas isso não é diferente de ir para qualquer outro destino no sudeste asiático.
A partir de Manila, existem voos domésticos diretos para El Nido operados pela companhia Airswift, que são rápidos e confortáveis. Alternativamente, dá para chegar de ônibus e balsa, o que é mais demorado mas também mais barato e, pra muita gente, mais interessante. Puerto Princesa, a capital da ilha, tem mais voos domésticos e é um bom ponto de partida para explorar o sul de Palawan.
Na hospedagem, o espectro é amplo. Tem hostel com cama em dormitório por menos de R$ 80 por noite, pousadas familiares com quarto privativo por R$ 150 a R$ 300, e resorts boutique bem cuidados por R$ 400 a R$ 700. Os bangalôs sobre a água existem em Palawan? Sim, existem — em versão filipina, rústica e charmosa, por uma fração do preço polinesiano.
A alimentação local é absurdamente barata. Um prato de frutos do mar frescos num restaurante beirando a praia custa o equivalente a R$ 30 a R$ 60. Uma cerveja gelada (a San Miguel é a marca local e é muito boa) sai por R$ 5. Frutas tropicais no mercado, por menos ainda.
O que a imagem diz sem precisar de explicação
A comparação que o infográfico faz — Bora Bora de um lado, Palawan do outro — não é aleatória. Os dois destinos têm água turquesa, recifes de coral, herança cultural viva e o tipo de paisagem que faz a gente parar e ficar olhando sem conseguir explicar muito bem o que está sentindo.
A diferença é que Bora Bora construiu toda uma infraestrutura de luxo ao redor dessa beleza natural, e esse luxo tem custo. Em Palawan, a beleza está mais crua, mais acessível, menos processada. Você não vai encontrar um mordomo particular no seu bangalô — mas vai encontrar um pescador que se oferece pra mostrar onde ficam os melhores corais antes do sol aparecer.
Há quem prefira o conforto curado de Bora Bora, e isso é completamente válido. Mas pra quem quer a experiência do paraíso tropical sem precisar financiar a viagem por dois anos, Palawan é a resposta mais honesta que o mundo oferece hoje.
Quando ir e o que não esquecer
A melhor época para visitar El Nido e Coron é entre novembro e maio, quando o tempo está mais seco e o mar mais calmo. Entre junho e outubro, a estação das chuvas pode fechar o acesso a algumas ilhas e dificultar o snorkeling por causa das ondas. Não é impossível viajar nesse período — mas a janela de experiências fica menor.
Protetor solar mineral (não o químico, que danifica os corais) é obrigatório se você se importa com o ecossistema que vai admirar. A maioria das praias mais bonitas em El Nido tem alguma forma de taxa de conservação ambiental, e vale pagar sem reclamar — é parte do que mantém aquilo tudo de pé.
E leve repelente. A noite filipina é bonita, mas os mosquitos são reais.
Uma última coisa
Bora Bora vai continuar sendo Bora Bora. O sonho não vai a lugar nenhum. Mas Palawan existe agora, está aberta, e entrega uma versão do paraíso que tem mais textura, mais cheiro de terra molhada e algas, mais conversa com pescador ao amanhecer.
Às vezes o destino que a gente consegue é mais rico do que o que a gente imaginou. Palawan é exatamente esse tipo de lugar — o que surpreende não por ser uma segunda opção, mas por ser, em muitos sentidos, a melhor.