O que Vale a Pena ver e Fazer em Wakayama no Japão?

Wakayama é aquele tipo de cidade japonesa que fica escondida na sombra dos vizinhos famosos — e talvez seja exatamente por isso que ela funciona tão bem. Enquanto Osaka transborda de turistas caçando takoyaki em Dotonbori e Kyoto se afoga em filas para entrar no Fushimi Inari, Wakayama segue ali, a pouco mais de uma hora de trem, com um castelo bonito, um mercado de peixe que não faz pose, uma costa que ninguém fotografou demais e um ritmo que lembra o que o Japão era antes de virar cenário de Instagram.

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Já visitei Wakayama mais de uma vez, e em todas elas saí com a sensação de que a cidade entrega mais do que promete. Não é um lugar que vai te deixar de queixo caído a cada esquina — não tem a densidade visual de Tokyo nem a carga histórica avassaladora de Nara. Mas tem algo que esses lugares perderam faz tempo: autenticidade sem esforço. As coisas ali existem porque fazem sentido para quem mora, não porque alguém decidiu que turista precisa ver.

Dito isso, existe bastante o que fazer. Mais do que parece à primeira vista. E se você estiver montando um roteiro pela região de Kansai com dois ou três dias sobrando, Wakayama merece esse espaço no itinerário.

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O Castelo de Wakayama: O Coração da Cidade

Todo guia de Wakayama começa pelo castelo, e não é por falta de criatividade — é porque ele realmente organiza a cidade ao redor de si. O Castelo de Wakayama fica no topo de uma colina chamada Torafusu-yama, cercado por um parque extenso, muralhas de pedra impressionantes e, na primavera, uma explosão de cerejeiras que transforma tudo num cartão-postal silencioso.

O castelo original foi construído em 1585, por ordem de Toyotomi Hideyoshi, e depois passou para as mãos de um ramo da família Tokugawa — os Kishū Tokugawa, uma das três linhagens mais importantes do xogunato. Isso dava a Wakayama um peso político enorme no Japão feudal. Três shoguns saíram dessa linhagem. Não era uma cidade qualquer.

Mas a história foi cruel. Em julho de 1945, menos de um mês antes do fim da Segunda Guerra, bombardeios americanos destruíram o castelo original. O que existe hoje é uma reconstrução de 1958, feita em concreto. E sim, puristas de castelos japoneses vão torcer o nariz — afinal, não é como Himeji, que sobreviveu intacto. Mas a reconstrução é bem-feita, a torre principal (tenshu) abriga um museu com artefatos da era Tokugawa, armaduras, espadas e documentos, e a vista do topo é ampla o suficiente para mostrar a cidade inteira, o rio Kinokawa serpenteando ao fundo e, em dias claros, o mar ao longe.

O parque ao redor do castelo é, para mim, o melhor motivo para ir. É enorme, arborizado, com caminhos que sobem e descem entre as muralhas de pedra — e quase sempre vazio. Em Osaka ou Kyoto, um parque desse tamanho estaria lotado. Aqui, você caminha ouvindo pássaros e o som dos próprios passos. Na época do hanami, entre final de março e início de abril, as cerejeiras ao redor do fosso do castelo criam aquela cena que todo mundo associa ao Japão, mas sem a multidão que geralmente vem junto.

Uma dica: vá no fim da tarde. A luz dourada sobre as muralhas de pedra é linda, e se for primavera, as cerejeiras ficam iluminadas à noite (yozakura). É de graça, é tranquilo, e é bonito de um jeito que não precisa de filtro.

O Mercado Kuroshio: Atum, Atum e Mais Atum

Se o castelo é o coração histórico de Wakayama, o Mercado Kuroshio é o coração gastronômico. Fica dentro do complexo Wakayama Marina City, a cerca de 30 minutos de ônibus da estação JR Wakayama, e é o tipo de lugar que merece a viagem só por ele.

O Kuroshio Market é famoso pelo espetáculo do corte do atum — o maguro kaitai show. Três vezes por dia (geralmente às 11h, 12h30 e 15h, mas confirme os horários antes), um peixeiro corta um atum inteiro na frente do público, com facas enormes e uma destreza que beira a performance artística. O atum é da espécie kuromaguro (atum-azul), pescado na corrente Kuroshio que banha a costa de Wakayama — e que dá nome ao mercado.

Depois do show, as peças cortadas vão direto para as bancas do mercado, onde você pode comprar sashimi fresco por preços que fariam qualquer restaurante de sushi de São Paulo ou BH chorar de vergonha. É possível montar sua própria bandeja de sashimi, comprar porções de atum gordo (otoro e chutoro), salmão, camarão, polvo e outros pescados, e comer ali mesmo, nas mesas compartilhadas do mercado.

Existe também a opção do “assado na hora” — você compra os frutos do mar na banca e leva para uma área com churrasqueiras onde assa tudo na brasa. Camarões enormes, vieiras, lulas. O cheiro é inacreditável. E o sabor é daqueles que fazem você questionar por que aceitou comer peixe congelado a vida inteira.

O Mercado Kuroshio não é enorme. Em uma ou duas horas você vê tudo, come bem e ainda compra algum souvenir comestível. Mas o que ele entrega em termos de frescor e experiência gastronômica é difícil de encontrar em qualquer outro lugar fora dos grandes mercados de Tokyo — e sem a aglomeração deles.

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Wakayama Marina City e Porto Europa

O complexo onde fica o Mercado Kuroshio inclui também o Wakayama Marina City, um parque temático à beira-mar que tenta reproduzir uma vila europeia mediterrânea. Sim, parece estranho — e é estranho. Porto Europa, como é chamado, tem réplicas de ruas francesas, praças italianas e construções espanholas, tudo comprimido num espaço relativamente pequeno, com vista para a marina.

Vou ser direto: Porto Europa não é o motivo para ir a Wakayama. Se você está viajando pelo Japão em busca de cultura japonesa autêntica, um parque temático com fachadas europeias não vai estar no topo da sua lista. Mas se você está com crianças, ou simplesmente quer um lugar diferente para caminhar depois do mercado, tem seu charme. As crianças adoram. E a área da marina, com os barcos ancorados e a brisa do mar, é genuinamente agradável.

O complexo também tem onsen (banhos termais) com vista para o oceano — o Kishu Kuroshio Onsen. Se o seu corpo está pedindo uma pausa depois de dias andando por Osaka, mergulhar numa banheira quente olhando o Pacífico é uma forma bastante civilizada de descansar. As instalações são modernas, limpas, e o preço é razoável.

Kimiidera: O Templo com a Melhor Vista da Cidade

O Templo Kimiidera é um daqueles lugares que recompensam o esforço de chegar até lá. Fica a cerca de 20 minutos de trem da estação JR Wakayama (linha JR Kisei, descer na estação Kimiidera) e envolve uma subida por escadarias — 231 degraus, para ser exato.

Não é uma escalada, mas também não é um passeio plano. Em dias quentes, você vai suar. Leve água. Mas quando chegar ao topo, a vista panorâmica da Baía de Waka e da cidade se espalhando até o horizonte vale cada degrau. É um daqueles momentos em que você para, respira fundo e entende por que os monges escolhiam topos de montanha para meditar.

O templo em si é antigo — fundado no ano 770, o que o coloca entre os mais velhos da região. Faz parte da rota de peregrinação dos 33 templos de Kannon no oeste do Japão (Saigoku Kannon Pilgrimage), uma tradição que existe desde o século VIII. Mesmo que você não seja religioso, a atmosfera é palpável. Os cedros gigantes, os portões de madeira escurecida pelo tempo, o som dos sinos de vento — tudo contribui para aquele silêncio contemplativo que o Japão faz melhor do que qualquer outro lugar.

Na primavera, Kimiidera é um dos melhores pontos de hanami de toda a Prefeitura de Wakayama. Cerejeiras de várias espécies florescem em épocas levemente diferentes, o que estende a temporada de flores por mais tempo do que em outros parques. E como é um templo, não um parque urbano, a vibe é mais recolhida. Menos piqueniques barulhentos, mais contemplação.

A Wakayama Electric Railway e o Gato Chefe de Estação

Essa é provavelmente a atração mais inusitada de Wakayama e, ao mesmo tempo, uma das mais encantadoras. A Wakayama Electric Railway (ou Wakayama Dentetsu) é uma pequena linha ferroviária local que conecta a estação de Wakayama à estação de Kishi, numa viagem de cerca de 30 minutos.

O que torna essa linha especial é que a estação de Kishi tem um chefe de estação que é… um gato. Ou melhor, uma gata. A história começou com Tama, uma gata de rua que vivia na estação e foi oficialmente nomeada “super station master” em 2007. Tama virou celebridade, atraiu turistas de todo o Japão e é creditada por ter salvado a linha ferroviária da falência — o aumento de visitantes gerou receita suficiente para manter a operação.

Tama faleceu em 2015 e foi sucedida por Nitama, outra gata que assumiu o posto. Nitama tem horários de “trabalho” específicos (geralmente está na estação de quarta a domingo, mas convém verificar antes de ir), e a estação de Kishi foi reformada com formato de rosto de gato. Sério. O telhado tem orelhas de gato.

Os trens da linha também são temáticos. Existe o Tama Train, decorado com ilustrações de gatos por dentro e por fora; o Ichigo Train, temático de morangos (ichigo em japonês), já que a região de Kishi é produtora de morangos; e o Umeboshi Train, em homenagem à ameixa japonesa (ume), que é o grande produto agrícola de Wakayama.

Parece bobeira? Talvez. Mas na prática, é uma experiência genuinamente divertida. O trem corta uma paisagem rural bonita — campos de arroz, casinhas com telhados de cerâmica, montanhas suaves ao fundo — e a chegada à estação de Kishi, com a gatinha sentada na sua cabine de vidro usando um chapéu de chefe de estação, é o tipo de coisa absurdamente japonesa que não existe em nenhum outro país do mundo. Crianças piram. Adultos também, só que fingem que não.

A passagem de ida e volta custa cerca de 800 ienes e não é coberta pelo JR Pass (é uma linha privada). Existe um day pass da Wakayama Dentetsu por 800 ienes que permite subir e descer quantas vezes quiser durante o dia.

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Tomogashima: As Ilhas Que Parecem Cenário de Ghibli

Se tem uma coisa em Wakayama que quase ninguém conhece — e que deveria conhecer — são as ilhas de Tomogashima. Ficam na entrada da Baía de Osaka, acessíveis por um ferry de cerca de 20 minutos que sai do porto de Kada, no extremo noroeste da Prefeitura de Wakayama.

Tomogashima é um grupo de quatro pequenas ilhas que serviram como forte militar durante as eras Meiji e Showa. Depois que o exército saiu, a natureza tomou conta. E o resultado é algo que parece saído diretamente de um filme do Studio Ghibli — especificamente Laputa: O Castelo no Céu. Ruínas de tijolos vermelhos cobertas de musgo e trepadeiras, túneis escuros que levam a antigos depósitos de munição, caminhos que cortam vegetação densa com vista para o mar azul.

A comparação com Ghibli não é forçada. O próprio Hayao Miyazaki supostamente se inspirou em locais como Tomogashima para criar as paisagens de Laputa, e a semelhança é impressionante. As estruturas militares abandonadas, engolidas pela vegetação, criam uma atmosfera entre o misterioso e o poético que é difícil de descrever.

A ilha principal (Okinoshima) tem trilhas bem sinalizadas, e é possível explorar tudo em três ou quatro horas de caminhada tranquila. Não há restaurantes nem lojas — leve comida, água e tudo que precisar. Também não tem lixeiras, então carregue seu lixo de volta. O ferry opera com frequência limitada (poucas viagens por dia, especialmente fora da alta temporada), então planeje com antecedência e fique atento aos horários.

Tomogashima é o tipo de lugar que recompensa quem sai do roteiro convencional. Se você gosta de natureza, fotografia, história militar ou simplesmente de se sentir num lugar que parece ter parado no tempo, é imperdível.

Wakayama Ramen: Uma Escola Própria

O Japão é obcecado por ramen, e cada região tem seu estilo. Wakayama não é exceção. O Wakayama ramen — ou, como os locais chamam, chuka soba — é uma variante que muita gente desconhece mas que tem fãs fervorosos.

O caldo é geralmente à base de tonkotsu (ossos de porco) combinado com shoyu (molho de soja), o que cria um sabor mais encorpado e escuro do que o tonkotsu puro de Hakata ou o shoyu leve de Tokyo. Os macarrões são finos e retos, as coberturas clássicas incluem kamaboko (fatias de surimi), negi (cebolinha), chashu (barriga de porco) e, às vezes, ovo cozido.

O que diferencia a experiência do Wakayama ramen é o hayazushi. Na maioria das lojas tradicionais de ramen em Wakayama, existe uma bandeja na mesa com sushi de cavalinha prensada (sabazushi ou hayazushi) e ovos cozidos. Você se serve, come enquanto espera o ramen, e na hora de pagar, conta quantos pegou. É um sistema de honra. Ninguém fiscaliza. Você simplesmente diz quantos comeu. Isso é Japão.

As melhores lojas de Wakayama ramen ficam espalhadas pela cidade, sem grande concentração. Ide Shoten é talvez a mais famosa, constantemente citada em rankings nacionais, e fica um pouco afastada do centro — mas compensa a viagem. Marui, no centro, é outra opção sólida. Yamafuku, perto da estação, serve um caldo denso que gruda nos lábios de um jeito que só gordura de porco bem cozida consegue.

Se você está fazendo um roteiro gastronômico por Kansai, Wakayama ramen precisa entrar na lista. Não é tão fotogênico quanto o ramen de Tokyo, não tem a cremosidade suave de Kyoto. É rústico, direto, substancioso. Ramen de quem trabalha pesado e precisa de combustível. E é delicioso.

O Monte Koya: A Extensão Natural de Wakayama

Falar de Wakayama sem mencionar o Monte Koya seria uma omissão grave. Koyasan fica no interior da prefeitura, a cerca de duas horas de trem e teleférico desde Osaka (pela linha Nankai), e é um dos lugares mais espirituais do Japão.

Fundado há mais de 1.200 anos pelo monge Kukai (Kobo Daishi), Koyasan é o centro do budismo Shingon e abriga mais de 100 templos. O cemitério de Okunoin, o maior do Japão, é uma caminhada de dois quilômetros sob cedros centenários, ladeada por mais de 200.000 lápides cobertas de musgo. Ao final do caminho, o mausoléu de Kobo Daishi, onde se acredita que ele permanece em meditação eterna.

A experiência definitiva em Koyasan é dormir num shukubo — alojamento de templo. Você dorme em futon sobre tatami, come shojin ryori (culinária budista vegetariana) servida em bandejas lacadas, e às cinco da manhã é convidado a participar da cerimônia matinal do templo. É silencioso, sóbrio, profundamente contemplativo. E é o tipo de experiência que muda algo dentro de você, mesmo que você não consiga explicar exatamente o quê.

Koyasan pode ser visitado como bate-volta de Osaka, mas recomendo fortemente passar pelo menos uma noite. A atmosfera muda completamente quando os turistas de um dia vão embora e o monte fica envolvido em névoa e silêncio. Caminhar por Okunoin à noite, com as lanternas de pedra acesas e nenhuma alma viva ao redor, é uma das experiências mais poderosas que já tive no Japão.

Kumano Kodo: A Peregrinação Que Começa em Wakayama

Se Koyasan é o sagrado em forma de montanha, o Kumano Kodo é o sagrado em forma de caminho. A rede de trilhas de peregrinação que cruza a Península de Kii — a mesma península onde Wakayama se encontra — é Patrimônio Mundial da UNESCO e uma das apenas duas rotas de peregrinação no mundo com esse título (a outra é o Caminho de Santiago, na Espanha).

Não dá para percorrer todo o Kumano Kodo numa viagem curta — são centenas de quilômetros de trilhas. Mas é possível fazer trechos, e a região de Wakayama é um dos pontos de partida naturais. O trecho mais popular para quem tem pouco tempo é o Nakahechi Route, que liga Tanabe a Hongu Taisha, passando por vilarejos, onsen escondidos e floresta densa.

O Kumano Hongu Taisha, com seu torii gigantesco (o maior do Japão, com 34 metros de altura), é o grande santuário de chegada. O Nachi Taisha, com a cachoeira Nachi Falls ao fundo — a queda d’água mais alta do Japão em queda única, com 133 metros — é talvez a imagem mais icônica de toda a prefeitura.

Combinar Wakayama cidade, Koyasan e um trecho do Kumano Kodo num mesmo roteiro é perfeitamente viável em quatro ou cinco dias. É intenso, exige planejamento logístico (transporte público na região mais ao sul é menos frequente) e alguma disposição física para caminhar. Mas é uma das experiências mais completas que a região de Kansai oferece.

Shirahama: A Praia Que Ninguém Espera

A maioria dos turistas estrangeiros não associa Japão a praia. E muito menos a praias de areia branca com água transparente. Mas Shirahama existe, fica na costa sul de Wakayama, a cerca de duas horas e meia de trem de Osaka (pelo Limited Express Kuroshio), e tem uma faixa de areia que rivaliza com praias tropicais.

Shirarahama (literalmente “praia de areia branca”) é uma praia compacta, com areia importada da Austrália para manter a cor e textura, cercada por hotéis e ryokans. A água no verão é convidativa, e a praia é popular entre japoneses — especialmente famílias de Osaka que fogem do calor urbano.

Mas Shirahama é mais do que praia. A região tem Sandanbeki, penhascos dramáticos com cavernas marinhas acessíveis por elevador (sério — um elevador dentro da rocha que desce até uma caverna onde o mar entra com força). Tem o Saki-no-Yu Onsen, uma banheira termal natural cravada nas rochas à beira-mar, onde você fica de molho olhando o oceano — uma das onsen mais fotogênicas do Japão. E tem o Adventure World, um parque que combina zoológico e aquário e é famoso por seus pandas gigantes — a maior colônia de pandas fora da China.

Shirahama funciona como extensão natural de um roteiro por Wakayama. Se você tem tempo, combine com a cidade de Wakayama e Koyasan para uma viagem de quatro ou cinco dias que vai do urbano ao espiritual ao litorâneo.

O Que Comer Além do Ramen

Wakayama tem uma identidade gastronômica que vai muito além do ramen. A prefeitura é o maior produtor de ameixas (ume) do Japão, e o umeboshi — a ameixa salgada em conserva que aparece em praticamente todo bentô japonês — tem em Wakayama sua versão mais refinada. Existem variedades de umeboshi que são quase doces, com mel, ou defumadas, e que servem como souvenir gastronômico perfeito.

As tangerinas de Wakayama (mikan) são famosas no Japão inteiro. Na temporada (outono e inverno), você encontra em bancas de estrada por preços ridiculamente baixos. São doces, suculentas, e viciantes.

O shirasu — filhotes de sardinha minúsculos — é outra especialidade local, geralmente servido cru (nama shirasu) sobre arroz quente. A textura é delicada, o sabor é do mar puro, e é o tipo de prato que só funciona quando absolutamente fresco.

E claro, tem o peixe. Wakayama é uma prefeitura costeira com tradição pesqueira forte. Katsuo (bonito), tai (dourada), maguro (atum) — tudo fresco, tudo direto do oceano. Os restaurantes de sushi perto do porto ou do Mercado Kuroshio servem peças que, em Tokyo, custariam o triplo.

Quanto Tempo Reservar

Para a cidade de Wakayama em si — castelo, Mercado Kuroshio, Kimiidera, Wakayama Dentetsu — um dia inteiro é suficiente. Dois dias se você quiser incluir Tomogashima e andar com mais calma.

Para Wakayama cidade + Koyasan, reserve três dias. Para adicionar Shirahama ou um trecho do Kumano Kodo, quatro a cinco dias. Para fazer tudo com calma — cidade, Koya, Kumano, Shirahama —, uma semana é ideal, mas sei que poucos roteiros permitem esse luxo.

O ponto é que Wakayama não é uma cidade para “dar uma passadinha”. É um destino que se revela em camadas. A primeira camada é o castelo e o mercado. A segunda é Kimiidera e o ramen. A terceira é a gata chefe de estação e as ilhas de Tomogashima. E depois vem Koyasan, o Kumano Kodo, Shirahama — cada camada mais profunda e mais recompensadora que a anterior.

A maioria dos viajantes que passa por Kansai faz Osaka, Kyoto, Nara e volta para casa achando que viu tudo. Não viu. Wakayama é a peça que falta nesse quebra-cabeça — a que mostra o Japão sem a maquiagem do turismo de massa, com o sabor de peixe fresco, o silêncio dos templos antigos e aquela sensação rara de estar num lugar que ainda pertence a quem mora nele.

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