Lugares Imperdíveis na Tailândia Para Conhecer

A Tailândia Tem Lugares que Mudam a Forma Como Você Enxerga o Mundo — e Esses São os Que Não Podem Ficar de Fora do Seu Roteiro

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Tem destinos que você visita, fotografa, coloca no Instagram e esquece. A Tailândia não é um desses lugares. Ela fica. Instala-se na memória com uma força que é difícil de explicar para quem ainda não foi — e impossível de negar para quem já esteve lá. Depois de anos organizando roteiros pelo Sudeste Asiático, posso dizer com segurança: nenhum país da região entrega uma experiência tão completa quanto ela. Templos que parecem saídos de outro mundo, praias que envergonham qualquer protetor de tela, comida de rua que transforma uma calçada de Bangkok numa das melhores refeições da vida. Tudo isso junto, num país que ainda assim consegue manter preços acessíveis e uma infraestrutura razoavelmente bem organizada para o viajante. A questão não é se você deve ir. A questão é por onde começar.


Bangkok: o caos que encanta

Toda viagem à Tailândia passa por Bangkok. Seja chegando, seja saindo, seja de escala, a capital tailandesa atravessa o roteiro de qualquer viajante. E ela merece mais do que uma noite de passagem.

Bangkok é barulhenta, quente, superlotada e absolutamente fascinante. É uma cidade que existe em camadas — e cada vez que você visita, descobre uma que não havia enxergado antes. O Grand Palace, com seu Wat Phra Kaew e o lendário Buda de Esmeralda, é o ponto de partida obrigatório. Sim, vai ter fila. Sim, vai ter gente demais. Mas quando você entra naquele complexo e se depara com aquelas estruturas douradas sob o sol do meio-dia, entende por que todo mundo ainda vai. Não há como ficar indiferente.

Dito isso, Bangkok é muito mais do que templos. Chinatown, especialmente à noite, é uma explosão de cheiros, cores e barulho que poucos lugares no mundo conseguem replicar. A rua Yaowarat vira um corredor de food stalls assim que escurece — caranguejo com curry, ostras fritas, patos laqueados pendurados nas vitrines. Se você tem estômago para aventura gastronômica, esse é o lugar certo.

O Chatuchak Market, aos sábados e domingos, é um labirinto com mais de 15 mil bancas. Pode-se perder lá por horas. Já o mercado flutuante de Damnoen Saduak, um pouco mais afastado do centro, é turístico — e não tem nada de errado em admitir que isso não o torna menos interessante. Os barcos, a água escura, as vendedoras com seus chapéus de palha — é exatamente o que você imaginava.

Quanto ao transporte em Bangkok: aprenda a usar o BTS Skytrain nos primeiros minutos que estiver na cidade. Vai economizar horas de trânsito. O táxi e o tuk-tuk têm charme, mas o trânsito de Bangkok é uma entidade viva e imprevisível. Para distâncias longas, o metrô funciona bem. Para distâncias curtas, a caminhada às vezes surpreende.

Três a quatro dias em Bangkok são suficientes para quem tem roteiro enxuto. Se você gosta de cidade, pode facilmente passar uma semana.


Chiang Mai: o norte que desacelera tudo

Se Bangkok representa a Tailândia que nunca para, Chiang Mai representa a que respira fundo. A cidade fica no norte do país, emoldurada por montanhas, e tem uma atmosfera completamente diferente da capital. Mais calma, mais artesanal, mais espiritual.

O centro histórico é cercado por um fosso — sim, literalmente um fosso de água — e dentro dele estão concentrados muitos dos templos mais impressionantes do país. O Wat Chedi Luang, com suas ruínas de tijolos avermelhados e a estátua de Naga guardando a entrada, é um dos meus favoritos pessoais. Tem algo naquele lugar que faz a gente parar e ficar quieto por alguns minutos. O Wat Phra Singh é mais dourado, mais ornamentado, mais exuberante. Os dois valem a visita.

Fora da cidade, o Doi Suthep é obrigatório. O templo fica no alto de uma montanha, acessível por uma escadaria com mais de trezentos degraus. Quem não quiser subir a pé encontra um funicular. Do topo, em dias limpos, a vista sobre Chiang Mai é impressionante. Lembro de ter chegado lá num fim de tarde, com a luz dourada batendo nos telhados do templo — uma daquelas cenas que a câmera captura, mas que a foto nunca consegue reproduzir de verdade.

Chiang Mai também é a base para visitar os santuários de elefantes éticos da região. E aqui vale uma observação importante: fuja de qualquer lugar que ofereça “passeios de elefante”. Esses animais precisam ser tresinados de forma brutal para aceitar carregar gente no dorso. Os santuários legítimos — como o Elephant Nature Park — funcionam de forma diferente. Você caminha junto aos elefantes, alimenta, observa. É uma experiência silenciosa e poderosa. Uma das mais marcantes que já tive em qualquer viagem.

O mercado noturno de Chiang Mai, o Night Bazaar, é outro capítulo à parte. Artesanato local, roupas, especiarias, comida — e um ritmo completamente diferente dos mercados de Bangkok. Mais fácil de se orientar, mais fácil de conversar com os vendedores, mais fácil de simplesmente existir sem se sentir sufocado pela multidão.

Para Chiang Mai, reserve pelo menos quatro dias. Se quiser explorar a região montanhosa ao redor — vilas tribais, campos de arroz, o charme discreto de Pai — uma semana passa voando.


Chiang Rai: o templo branco que ninguém esquece

Chiang Rai fica a cerca de três horas de Chiang Mai e pode ser visitada como excursão de um dia ou com pernoite. Minha recomendação é ficar pelo menos uma noite. Mas o motivo pelo qual a maioria das pessoas vai até lá é um só: o Wat Rong Khun, mais conhecido como Templo Branco.

Existe uma boa chance de você já ter visto fotos. Mas ver ao vivo é outra experiência completamente diferente. O templo foi projetado pelo artista Chalermchai Kositpipat e é uma fusão de budismo, arte contemporânea e algo que só pode ser descrito como visão. Tudo é branco — as paredes, as pontes, os ornamentos — e coberto de vidro espelhado que cintila sob o sol. No interior, há murais que misturam personagens de cultura pop (Super-Homem, Neo de Matrix, imagens de 11 de setembro) com figuras religiosas tradicionais. Polêmico e genial ao mesmo tempo.

Menos conhecido, mas igualmente impressionante, é o Wat Rong Suea Ten — o Templo Azul. Diferente do branco em tudo: tons profundos de azul e turquesa, menos turistas, uma atmosfera mais contemplativa. Se o Templo Branco impressiona pela exuberância, o Azul impressiona pela serenidade.

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Ayutthaya: as ruínas que contam uma história gigante

A uma hora e meia de Bangkok de trem, Ayutthaya foi a segunda capital do Reino do Sião e hoje é Patrimônio Mundial da UNESCO. O que restou são ruínas — mas que ruínas. Torres de tijolos, cabeças de Buda engolidas pelas raízes de árvores centenárias, pátios imensos de templos que um dia foram os mais ricos da Ásia.

Uma das imagens mais icônicas da Tailândia é justamente aqui: a cabeça de Buda entrelaçada pelas raízes de uma figueira no Wat Mahathat. Não se sabe ao certo como ela chegou ali — provavelmente por descuido ou pela força da natureza ao longo dos séculos. O que se sabe é que a imagem carrega uma carga quase mística que poucos monumentos do mundo conseguem transmitir.

Ayutthaya é diferente de tudo que você vai ver no restante da Tailândia. Não tem o brilho dourado de Bangkok ou a serenidade verde de Chiang Mai. Tem peso. Tem silêncio. E tem a sensação de estar diante de algo que existia muito antes de você e vai continuar existindo muito depois.

Dá para visitar em um dia saindo de Bangkok. Mas se você gosta de história, reserve dois dias e alugue uma bicicleta para explorar os templos no ritmo certo.


As ilhas: onde o Sul tailandês mostra do que é capaz

O Sul da Tailândia é outro país dentro do país. A mesma bandeira, a mesma língua, mas um visual e um ritmo completamente diferentes. Aqui o mar manda — e ele é de um azul-esverdeado que parece irreal até o momento em que você mergulha a cabeça na água e confirma que sim, é exatamente assim.

Koh Phi Phi é a mais famosa das ilhas, e por boas razões. A baía Maya Bay — que ficou mundialmente conhecida depois do filme O Ativo, com Leonardo DiCaprio — foi fechada por quase dois anos para recuperação ambiental e hoje funciona com acesso limitado. O resultado é uma praia que voltou a ser o que era: exuberante, verde, de tirar o fôlego. Phi Phi Don, a ilha principal, tem uma vida noturna agitada, mas também tem trilhas que levam a mirantes com vistas panorâmicas absolutamente espetaculares.

Krabi é a porta de entrada preferida para quem quer explorar essa região. As praias de Railay e Phra Nang só são acessíveis de barco — e isso já é uma experiência em si. As formações de calcário que emergem do mar, os barcos de cauda longa cruzando a baía, as ondas mornas — é difícil não entrar no modo contemplativo.

Koh Lanta é para quem quer sossego de verdade. Menos festa, menos badalação, mais hammock e livro na mão. A ilha tem uma série de praias que ficam quase desertas fora da alta temporada, e uma vila de pescadores no norte que preserva um charme discreto e genuíno.

Phuket é a maior das ilhas e também a mais controversa entre os viajantes experientes. Karon e Kata Beach são praias bonitas e mais tranquilas. Patong, por outro lado, é a Tailândia turística na versão mais intensa — barulhenta, comercial, com festa até amanhecer. Tem quem adore. Tem quem prefira usar Phuket apenas como base de vôo e seguir direto para as ilhas menores.

Koh Samui fica no Golfo da Tailândia — lado oposto ao do Mar de Andaman, onde ficam Krabi e Phi Phi. Isso significa que as épocas de chuva são diferentes. Quando o oeste está na alta temporada (novembro a abril), Samui pode estar na baixa, e vice-versa. Fique atento ao planejar. A ilha tem infraestrutura muito boa, praias bonitas, e uma quantidade enorme de resorts de luxo que compensam quem viaja com um orçamento mais generoso.


A comida: o argumento mais forte de todos

Nenhum texto sobre a Tailândia está completo sem falar da comida. E falar dela de forma justa exige espaço.

O Pad Thai que você encontra numa barraca de rua em Bangkok a 40 baht não tem comparação com qualquer versão que você já comeu fora do país. O Tom Yum Goong, aquela sopa azeda e picante com camarão, é um choque bom para o paladar logo no primeiro dia. O Massaman Curry — mais encorpado, com influência árabe — é o tipo de prato que reconcilia quem não costuma gostar de curry.

E os mercados noturnos. Todo viajante que vai à Tailândia descobre rapidamente que a vida acontece nesses mercados. O Or Tor Kor Market em Bangkok, menos turístico que os outros, é onde os chefs locais vão comprar seus ingredientes. Lá você encontra frutas que nunca viu na vida — rambutan, mangostão, jackfruit, rose apple — e vendedoras que adoram quando um estrangeiro para para experimentar.

Uma dica prática: o molho de pimenta tailandês não é brincadeira. Peça sempre “mai pet”, que significa “não apimentado”, a menos que seu estômago já esteja treinado. O picante de lá é numa escala completamente diferente do que chamamos de picante no Brasil.


O que saber antes de ir

A melhor época para visitar a Tailândia é entre novembro e fevereiro — a estação seca, com temperaturas mais amenas (relativamente, porque 28°C com umidade alta ainda é quente) e menos chuvas. Março a maio é a estação mais quente, com temperaturas que podem passar de 40°C em algumas regiões. De junho a outubro chove com frequência, especialmente no lado oeste do Sul — mas os preços caem, o movimento diminui e algumas das melhores experiências acontecem justamente nessa época, quando o país pertence um pouco mais aos viajantes do que aos turistas.

Em relação ao comportamento dentro dos templos: ombros e joelhos cobertos são obrigatórios. Não porque vão te barrar na entrada — alguns nem barram — mas porque é uma questão de respeito. Os tailandeses são generosos com os visitantes, mas a cultura budista que permeia o país é genuína e merece ser tratada como tal.

O baht tailandês é a moeda local. Saque em caixas eletrônicos de dentro de bancos sempre que possível — são mais confiáveis que os que ficam em conveniências e shoppings. O câmbio de dinheiro em papel ainda compensa em alguns lugares, especialmente nas casas de câmbio de Bangkok que operam na rua Silom.

O chip local vale muito a pena. Qualquer loja de conveniência — e a Tailândia tem 7-Elevens em cada esquina, literalmente — vende chips com dados ilimitados por valores irrisórios. É a primeira coisa a fazer ao sair do aeroporto.

A Tailândia não é um destino que você esgota em uma única viagem. Fui mais de uma vez e cada vez voltei com a sensação de que havia deixado algo por explorar. Esse, na minha opinião, é o sinal mais claro de que um lugar vale a pena: quando ele não se entrega completamente, quando ainda tem mais a oferecer do que você teve tempo de receber. Se você ainda não foi, o roteiro está aí. Se já foi, provavelmente sabe exatamente do que estou falando.

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