Dicas Para o(a) Viajante que vai Fazer Turismo na Tailândia
A Tailândia não precisa de cartão postal fabricado – ela simplesmente entrega aquilo que você vê nas fotos, só que melhor, com cheiro de incenso, barulho de tuk-tuk e gosto de manga com arroz grudento.

Quando comecei a planejar minha primeira viagem pra lá, eu tinha aquela mistura de empolgação e nervosismo que qualquer destino do outro lado do mundo provoca. Afinal, era Ásia de verdade, não só um voo longo e fuso horário confuso. Tinha idioma diferente, comida que eu mal sabia pronunciar, templos budistas por todo lado e uma moeda que parecia matemática avançada toda vez que eu tentava converter. Mas sabe o que descobri? A Tailândia é generosa com quem chega sem saber muito. Ela te acolhe, te ensina no caminho e te deixa sair de lá querendo voltar.
Vou compartilhar aqui o que aprendi na prática, errando algumas vezes, acertando outras, sempre tentando equilibrar o roteiro turístico clássico com aqueles desvios que fazem a viagem ficar na memória de um jeito diferente.
Entendendo o básico antes de embarcar
Brasileiro não precisa de visto pra entrar na Tailândia se for ficar até 60 dias como turista. Isso mudou recentemente e facilitou bastante a vida de quem viaja a lazer. Você chega no aeroporto, apresenta o passaporte com validade de pelo menos seis meses, e pronto. Eles podem pedir pra ver passagem de volta ou comprovante de onde vai ficar, mas raramente exigem. Mesmo assim, eu sempre levo tudo impresso ou salvo no celular, porque imigração é imigração, nunca se sabe.
Seguro viagem não é obrigatório pra entrar, mas eu não embarcaria sem. Já vi gente tendo que lidar com intoxicação alimentar, acidente de moto alugada, até dengue. Hospital particular na Tailândia é caro, e o público nem sempre tem estrutura pra atender estrangeiro com agilidade. Um seguro básico custa menos que uma diária de hotel mediano e te poupa de uma dor de cabeça gigante.
Sobre dinheiro, a moeda local é o baht tailandês. A cotação costuma girar em torno de 6 a 7 reais por cada 100 bahts, mas isso varia. Eu prefiro sacar diretamente nos caixas eletrônicos de lá, que aceitam cartão internacional sem problema. Só fica esperto com as taxas: o banco tailandês cobra uma taxa fixa por saque, então vale mais a pena sacar uma quantia maior de uma vez do que ficar tirando pouco a cada dia. Cartão de crédito é aceito em shoppings, hotéis e restaurantes mais estruturados, mas mercado de rua, barraquinha de comida e tuk-tuk só funcionam no dinheiro vivo.
Quando ir: clima e expectativa realista
A Tailândia tem basicamente três estações: a seca e fria (novembro a fevereiro), a quente (março a maio) e a das monções (junho a outubro). Todo mundo fala que a melhor época é entre novembro e fevereiro, e é verdade. O clima fica mais ameno, chove menos, o mar fica calmo e transparente. Mas também é alta temporada, então os preços sobem e os lugares ficam cheios.
Eu já fui em março, no finalzinho da estação seca, e peguei um calor absurdo. Tipo 38, 40 graus à tarde, com sensação térmica que derretia até a vontade de sair do hotel. Dá pra fazer tudo? Dá. Mas tem que ter estratégia: acordar cedo, aproveitar a manhã, voltar pro hotel no meio do dia, descansar com ar-condicionado e sair de novo no fim da tarde.
Já a época das chuvas não é esse bicho de sete cabeças que pintam. Sim, chove, mas geralmente são pancadas rápidas, uma ou duas vezes por dia, e depois o sol volta. O lado bom é que tudo fica mais barato, as praias ficam mais vazias e a paisagem fica verdinha, bonita. O lado ruim é que algumas ilhas, principalmente no lado do Golfo da Tailândia, têm o mar revolto e travessias de barco podem ser canceladas. Se você quer mergulhar ou fazer passeios de lancha, melhor evitar essa época.
Bangkok funciona o ano todo, porque é cidade grande, então pouca diferença faz. Chiang Mai no norte também aguenta bem qualquer estação, embora de março a abril tenha aquela fumaça das queimadas, o que pode incomodar quem tem problema respiratório. Já as ilhas do sul variam: Phuket, Krabi e Phi Phi têm melhor tempo entre novembro e abril. Koh Samui, Koh Phangan e Koh Tao vão bem de janeiro a setembro.
Bangkok: o caos organizado que funciona
Bangkok é ponto de partida pra maioria das viagens. A cidade é imensa, barulhenta, cheia de contrastes. Tem arranha-céu moderno ao lado de templo centenário, shopping de luxo na mesma rua que barraca de pad thai a 60 bahts. No começo pode assustar, mas depois você pega o jeito.
O transporte público funciona bem. O BTS (Skytrain) e o MRT (metrô) cobrem boa parte da cidade e são limpos, rápidos e baratos. Comprar um cartão recarregável facilita a vida. Táxi tem aos montes, mas nem todos querem ligar o taxímetro, principalmente perto de pontos turísticos. Insista no taxímetro ou use o aplicativo Grab ou Bolt, que funcionam como Uber e evitam aquela negociação cansativa.
Tuk-tuk é experiência obrigatória, mas é caro e serve mais pra passeio curto do que pra deslocamento sério. Sempre combine o preço antes de subir. E se um motorista de tuk-tuk te abordar oferecendo city tour por 20 bahts, desconfie. Ele vai te levar em lojas de pedra preciosa, alfaiataria ou loja de seda onde ganha comissão. Não é perigoso, mas é perda de tempo.
Os templos de Bangkok são visita obrigatória. Wat Pho, com o Buda Reclinado gigante, é impressionante. Fica lotado, mas vale a pena ir cedo. O Grand Palace e o Wat Phra Kaew, que ficam no mesmo complexo, são ainda mais grandiosos, mas também mais cheios e mais caros. Use roupa adequada: nada de ombro de fora, shorts curtos ou decotes. Eles vendem umas calças e xales na entrada caso você esqueça, mas é mais prático já ir preparado.
Fora os templos, Bangkok tem bairros que valem a exploração sem roteiro fixo. Chinatown é caótico e delicioso, cheio de comida de rua, lojas de ouro e restaurantes tradicionais. O mercado de Chatuchak, que funciona aos finais de semana, é enorme – dá pra passar o dia inteiro lá, comprando desde roupa até planta carnívora. Khao San Road é a rua dos mochileiros, cheia de bar, música ao vivo, tatuagem e aquela energia meio desordenada que pode ser divertida ou irritante, dependendo do seu humor.
Uma coisa que eu adorei em Bangkok foi a comida de rua. Não tenha medo. Escolha lugares onde tem fila de locais, onde a comida tá sendo feita na hora. Comi pad thai, som tam (salada de mamão verde picante), espetinhos de frango, arroz com frango frito, mango sticky rice, tudo na rua, e nunca passei mal. A comida tailandesa é intensa: picante, doce, azeda, tudo ao mesmo tempo. Se não aguenta pimenta, sempre dá pra pedir “mai phet” (sem picante) ou “phet nit noi” (pouca pimenta).
Chiang Mai e o norte: outro ritmo, outra vibe
Chiang Mai é o oposto de Bangkok. Menor, mais tranquila, rodeada de montanhas e templos. Dá pra andar a pé no centro histórico, onde ficam vários templos dentro das antigas muralhas da cidade. Wat Phra Singh e Wat Chedi Luang são lindos e bem menos turísticos que os de Bangkok.
A graça de Chiang Mai, pra mim, foi sair um pouco da cidade. Aluguei uma moto – o que é super comum por lá – e fui até o Doi Suthep, um templo no alto da montanha com vista incrível pra cidade. A subida tem mais de 300 degraus, mas também tem funicular pra quem prefere. O templo é dourado, reluzente, cheio de monges e fiéis fazendo oferendas. Tem aquela energia espiritual forte que algumas igrejas antigas no Brasil também têm, sabe?
Outra coisa que fiz foi visitar um santuário de elefantes ético. Isso é importante: tem muito lugar que explora os animais, obrigando eles a fazer truques, dar passeio com cadeirinha nas costas, pintar quadro. Não vale a pena apoiar isso. Procure santuários onde os elefantes foram resgatados, vivem soltos, e a interação é mínima – você observa, ajuda a alimentar, talvez dá banho no rio, mas sem montar, sem forçar nada. Foi uma das experiências mais legais da viagem.
Chiang Mai também tem mercado noturno todo dia, mas o mais famoso é o Sunday Walking Street, que toma conta de toda a rua principal do centro histórico. Tem artesanato, comida, música ao vivo, massagem na calçada. É turístico, sim, mas gostoso de andar, de observar.
Se tiver tempo, vale esticar até Pai, uma cidadezinha hippie a umas três horas de Chiang Mai. A estrada é sinuosa, então se você enjoa fácil, toma um remédio antes. Pai é pequena, cheia de cafés descolados, cachoeiras por perto e uma vibe bem tranquila. Não é indispensável, mas é um respiro.
As ilhas do sul: praia, mergulho e escolhas
O sul da Tailândia é cheio de ilhas, cada uma com sua personalidade. Phuket é a maior e mais desenvolvida. Tem de tudo: resort de luxo, praia badalada, vida noturna intensa, mas também cantinhos mais sossegados. Patong Beach é o lugar mais movimentado, cheio de turista, bar, restaurante e aquele showzinho meio duvidoso que a Tailândia ficou famosa. Não é minha praia, literalmente. Prefiro Kata, Karon ou até Rawai, que são mais tranquilas.
De Phuket saem os passeios de barco pra Phi Phi Islands, que são aquelas ilhas de filme, com paredões de pedra e água azul-turquesa. Maya Bay, onde filmaram “A Praia”, estava fechada pra recuperação ambiental por um tempo, mas já reabriu com controle de visitantes. Mesmo assim, os passeios de barco costumam ir em várias ilhas e praias ao redor, e todas são bonitas. Leva protetor solar, snorkel (muitos passeios incluem) e uma camiseta de manga comprida se você queima fácil, porque o sol refletindo na água é traiçoeiro.
Krabi é outra base boa pra explorar o sul. Railay Beach só é acessível de barco e tem aquelas formações rochosas lindas, água quentinha e um clima mais roots. Lá rola escalada, passeio de caiaque em cavernas, e a praia em si já vale o passeio de um dia.
Koh Phi Phi em si é ilha pequena, sem carro, movimentada, cheia de mochileiro e festa. Tudo fica concentrado numa faixinha estreita entre duas praias. É bonita, mas lotada. Se você quer sossego, pode não ser a melhor opção. Eu fui num bate-volta e achei suficiente.
Agora, se a ideia é mergulhar, Koh Tao é o lugar. A ilha é pequena, simples, e tem várias escolas de mergulho certificadas. Os preços são bons comparado ao resto do mundo. Fiz meu curso de mergulho lá e foi perfeito: águas claras, instrutores pacientes, vida marinha abundante. Koh Phangan, ilha vizinha, é famosa pela Full Moon Party, aquela festa na praia que acontece todo mês de lua cheia. É experiência única, mas prepare o fígado e o psicológico, porque a galera bebe bastante e a praia vira um verdadeiro caldeirão humano.
Koh Samui é a opção mais estruturada, com resorts maiores, aeroporto próprio e praias mais calmas. É boa pra quem quer conforto sem abrir mão da beleza natural. Chaweng Beach tem movimento, Lamai é intermediária, e as praias do norte são mais desertas.
Comida: a melhor parte da viagem
Eu poderia escrever um texto só sobre comida tailandesa. É viciante. E versátil: tem doce, salgado, picante, azedo, crocante, macio, tudo junto ou separado. Pad thai é o mais famoso, aquele macarrão de arroz com camarão, tofu, amendoim e limão. Mas tem muito mais.
Tom yum goong é uma sopa picante com camarão, capim-limão, galanga e folhas de lima kaffir. Esquenta a alma. Tom kha gai é parecida, mas com frango e leite de coco, mais suave. Green curry, red curry, massaman curry – cada um tem seu nível de picância e ingredientes diferentes. Todos são deliciosos com arroz branco.
Som tam, a salada de mamão verde, parece inocente, mas pode ser uma bomba de pimenta. Eu peço sempre com pouca pimenta e mesmo assim arde. Mas o sabor é incrível: azedinho, crocante, refrescante. Kao pad é arroz frito, simples, mas saboroso. Pad krapow é carne moída (frango, porco ou boi) salteada com manjericão tailandês e servida com arroz e ovo frito por cima. Perfeito.
Não dá pra sair da Tailândia sem provar mango sticky rice. Manga madura, doce, com arroz glutinoso cozido no leite de coco e uma calda por cima. Parece esquisito, mas é viciante. Também tem roti, uma panqueca frita com banana e leite condensado, vendida na rua de noite. É gorduroso, doce e completamente irresistível.
Bebida, além da cerveja local (Singha, Chang, Leo), experimente o cha yen, chá gelado tailandês com leite condensado. É doce, cor de laranja, e combina com o calor. Água de coco fresca tá por toda parte, barato e refrescante.
Cuidados práticos: o que ninguém te conta até você errar
Protetor solar acaba rápido. Leva mais do que imagina ou compra lá, que também não é caro. Repelente idem, principalmente se for pra áreas mais rurais ou perto de água. Dengue é real, então não bobeia.
Roupa leve, de tecido que seca rápido, é a melhor pedida. Vai suar. Muito. E se chover, vai molhar também. Ter uma muda extra de roupa na mochila salva o dia. Chinelo é essencial. Você vai tirar o sapato pra entrar em templos, casas, alguns restaurantes. Chinelo facilita e é confortável pra praia.
Farmácias na Tailândia vendem vários remédios sem receita, inclusive antibiótico. Mas leva um kit básico do Brasil: antitérmico, antialérgico, remédio pra dor de estômago. Papel higiênico nem sempre tem disponível em banheiros públicos, então lenço de papel na bolsa é bom costume.
Sobre golpes, eles existem, mas nada muito agressivo. O mais comum é motorista de tuk-tuk ou táxi te levar em loja onde ele ganha comissão. Também tem o golpe do templo fechado: alguém te aborda dizendo que o templo que você quer visitar tá fechado por cerimônia especial, mas que pode te levar em outro lugar incrível. Mentira. Só querem te levar em loja. Se alguém muito solícito te abordar na rua, desconfie. Tailandeses são simpáticos, mas normalmente não ficam oferecendo ajuda sem você pedir.
Respeito aos monges é fundamental. Mulher não pode tocar em monge budista, nem passar objeto diretamente pra ele. Se precisar entregar algo, coloca numa superfície ou entrega pra um homem passar. Nos templos, não aponte o pé pra estátua de Buda, nem suba nela pra tirar foto. Parece óbvio, mas tem turista que faz.
A monarquia é extremamente respeitada na Tailândia. Criticar o rei ou a família real é crime, inclusive pra estrangeiro. Antes de sessão de cinema, toca o hino real e todo mundo levanta. É esperado que você faça o mesmo. Não é hora de ser rebelde, é hora de respeitar a cultura local.
Transporte entre cidades: organizando o roteiro
Avião interno é barato e rápido. Bangkok pra Chiang Mai leva uma hora, custa menos de 200 reais ida e volta se comprar com antecedência. Bangkok pra Phuket também. A companhia mais conhecida é a Thai Airways, mas tem várias low-cost que funcionam bem: AirAsia, Nok Air, Thai Lion Air.
Trem é experiência interessante, principalmente o noturno. Bangkok pra Chiang Mai de trem sleeper leva umas 12 horas, mas você dorme no caminho e economiza uma diária de hotel. É confortável, tem ventilador ou ar-condicionado, e você acorda noutra cidade. Tem primeira e segunda classe, ambas aceitáveis. Primeira é mais espaçosa, segunda é mais autêntica.
Ônibus também funciona, mas nem sempre é a melhor opção. As estradas são boas, mas o trajeto pode ser longo e cansativo. Depende do trecho. Bangkok pra Pattaya, por exemplo, é tranquilo de ônibus. Já Bangkok pra sul do país, prefiro avião.
Entre ilhas, o transporte é de balsa ou lancha rápida (speedboat). Balsa é mais barata e segura, mas lenta. Speedboat é rápida, mas chacoalha bastante e pode enjoar. Existem combos de ônibus + balsa vendidos pelas empresas de turismo, facilitando a logística.
O que colocar na mala sem exagerar
Mala leve é mala feliz. Leva o básico: shorts, camisetas, uma calça leve, um casaco fino pra ar-condicionado de ônibus e avião que congela, roupa de banho, chinelo, um tênis confortável. Se for fazer trilha ou visitar templos mais afastados, calça comprida ajuda.
Mochila pequena pra dia a dia é essencial. Deixa a mala grande no hotel e sai só com o necessário: água, protetor solar, documento, dinheiro. Cadeado pequeno é útil pra trancar zíper da mochila em lugar muito cheio.
Adaptador de tomada: a Tailândia usa plugue tipo A, B e C (o mesmo do Brasil, de dois pinos). Então geralmente não precisa adaptador. Mas confere o modelo da tomada do hotel antes.
Roupas pra templo: uma calça leve que cubra os joelhos, uma blusa que cubra os ombros. Dá pra ser a mesma em todas as visitas, lava no hotel e seca rápido.
Internet, chip e comunicação
Comprar um chip local com internet é a melhor decisão. Custa uns 10, 15 dólares por 7 dias com bastante dados, às vezes ilimitado. As operadoras principais são AIS, DTAC e TrueMove. Tem bancas no aeroporto mesmo, fácil de comprar. Eles ativam na hora e já sai usando. Isso facilita tudo: GPS, Grab, traduzir cardápio, pesquisar preço, manter contato.
Wi-fi tem na maioria dos hotéis, cafés e restaurantes, mas nem sempre é rápido ou estável. Ter internet móvel dá liberdade.
Aplicativo essencial: Google Maps, Grab, Google Translate (tem a função de traduzir pela câmera, que é ótima pra ler cardápio), Maps.me (funciona offline).
Aprendendo o mínimo de tailandês
Tailandês é língua tonal, complicada. Mas algumas palavras fazem diferença. “Sawasdee” é olá, mas varia: homem fala “sawasdee krap”, mulher fala “sawasdee ka”. “Khop khun” é obrigado, também com “krap” ou “ka” no final. “Mai phet” é sem pimenta. “Aroy” é delicioso. “Tao rai” é quanto custa.
A maioria dos tailandeses em zonas turísticas fala um inglês básico. Fora dessas áreas, a comunicação fica mais difícil, mas sempre dá um jeito com gestos, tradutor ou sorriso. Sorriso abre porta na Tailândia.
Quanto custa uma viagem realista
Dá pra viajar gastando pouco ou muito, depende do seu estilo. Mochileiro consegue sobreviver com 30, 40 dólares por dia: hostel barato, comida de rua, transporte público. Viajante médio, que quer hotel simples mas confortável, come em restaurante de vez em quando e faz alguns passeios, gasta entre 70 e 100 dólares por dia. Quem quer conforto, resort, restaurante bom, passeios privativos, gasta 150 dólares pra cima por dia.
Passagem aérea do Brasil é o grande custo. Pode variar muito: de 3 mil a 6 mil reais ida e volta, dependendo da época e antecedência. Vale a pena usar alertas de preço e ser flexível nas datas.
Dentro do país, um quarto duplo em hotel simples mas limpo custa entre 500 e 800 bahts (uns 80 a 130 reais). Comida de rua sai entre 40 e 80 bahts (6 a 13 reais). Restaurante simples, uns 150-300 bahts (25 a 50 reais). Cerveja no mercado custa 50 bahts (uns 8 reais), em bar turístico pode chegar a 150 bahts.
Passeios de barco pra ilhas custam entre 1.000 e 2.500 bahts dependendo do destino. Massagem tailandesa tradicional fica entre 200 e 400 bahts por uma hora (uns 30 a 65 reais). Entrada em templos varia de gratuito a 200 bahts. Transporte em BTS ou metrô custa entre 15 e 60 bahts dependendo da distância.
O ritmo da viagem: menos é mais
Tailândia merece tempo. Muita gente tenta espremer Bangkok, Chiang Mai, Phuket, Phi Phi e Koh Samui em 10 dias. Dá? Dá. Vale a pena? Nem sempre. Você passa metade do tempo em aeroporto, rodoviária, barco, fazendo check-in e check-out. É cansativo.
Minha sugestão: escolhe duas, no máximo três bases, e explora bem cada uma. Exemplo: Bangkok (4 dias), Chiang Mai (4 dias), uma ilha (4 ou 5 dias). Isso em duas semanas. Dá tempo de sentir o lugar, não só tirar foto. Outro exemplo: Bangkok (3 dias), região de Krabi/Railay (5 dias), Koh Tao (4 dias). Também funciona.
Se tiver menos tempo, não tenta fazer tudo. Melhor conhecer menos e conhecer melhor. Tailândia tem essa coisa: você volta. Quase todo mundo que vai quer voltar. Então não tem pressão de ver tudo de uma vez.
A volta pra casa e o que fica
Tem aquela sensação estranha quando você volta. Chega no Brasil, tudo parece igual, mas você não é o mesmo. A Tailândia tem esse efeito. É um país que não se impõe, não precisa gritar pra ser visto. Ele te recebe, te deixa explorar, te ensina sem dar lição de moral.
Eu voltei com a mania de comer com colher e garfo (sem faca, jeito tailandês), com vontade de aprender a cozinhar curry decente, com várias fotos de pôr do sol que nunca ficam tão bonitas quanto o real. Mas também voltei com aquela certeza de que viagem bem feita não é a que tem roteiro perfeito, é a que tem espaço pra imprevisto, pra conversa com desconhecido, pra mudar de ideia no meio do caminho.
A Tailândia é acessível. Não precisa ser expert em viagem pra se virar lá. É segura, barata, bonita e tem estrutura pra turista sem perder a autenticidade. Tem tanta coisa pra fazer que cabe qualquer tipo de viajante: o aventureiro, o zen, o festeiro, o gourmet, o preguiçoso, o fotógrafo.
Se você tá pensando em ir, vai. Não espera a fase perfeita da vida, o dinheiro ideal ou a companhia perfeita. A Tailândia é um daqueles lugares que recebe você do jeito que vier. Ela ajeita o resto.