Descubra os Tesouros Ocultos da Coréia do Sul na sua Viagem
A Coréia do Sul esconde muito mais do que Seul, palácios e K-pop — e são justamente os lugares que não aparecem nos roteiros óbvios que guardam as experiências mais marcantes de uma viagem ao país. Eu confesso que na primeira vez que fui à Coréia, fiz o circuito clássico: Gyeongbokgung, Myeongdong, N Seoul Tower, Busan. Voltei encantado, mas com uma sensação persistente de que havia deixado algo importante para trás. Na segunda vez, resolvi sair do mapa. E foi ali, em vilas de pescadores no litoral sul, em florestas de bambu que o GPS mal encontra, em templos que só tinham monges e silêncio, que eu entendi a verdadeira dimensão do que a Coréia do Sul oferece.

Este texto é para quem já leu os guias tradicionais e quer ir além. Para quem não se contenta em fotografar o que todo mundo fotografa. Não é uma lista de pontos turísticos secundários — é um convite para conhecer o país que existe por trás da vitrine.
Eunpyeong Hanok Village: A Vila Que Deveria Ser Famosa
Todo mundo que vai a Seul visita a Bukchon Hanok Village. Faz sentido — é bonita, histórica e fica no centro. Mas é também lotada. Turistas em cada beco, selfie sticks disputando espaço, moradores com cartazes pedindo silêncio. A experiência, especialmente em alta temporada, pode ser mais frustrante do que encantadora.
O que quase ninguém sabe é que existe outra vila hanok em Seul, no distrito de Eunpyeong, a noroeste da cidade. A Eunpyeong Hanok Village foi construída mais recentemente, no início dos anos 2010, mas segue fielmente a arquitetura tradicional coreana. As casas são autênticas hanoks com telhados curvos, estruturas de madeira e pátios internos. A diferença é que ali não há multidões. Você caminha pelas ruas de pedra com calma, ouvindo o vento nas árvores e o silêncio que a Bukchon perdeu há anos.
O entorno é igualmente bonito — a vila fica aos pés do Monte Bukhansan, então a paisagem mistura telhados tradicionais com montanhas verdes ao fundo. Tem uma loja de conveniência CU construída em estilo hanok (sim, é tão fotogênica quanto parece) e, subindo ao terraço de um dos edifícios do bairro, a vista panorâmica da vila inteira é de graça e espetacular.
Chegar lá é fácil: metrô até a estação Gupabal (Linha 3) e depois um ônibus curto. É o tipo de lugar que muda a perspectiva da viagem — a sensação de descobrir algo que os outros não viram.
Damyang: O Paraíso de Bambu Que o Japão Não Monopolizou
Quando se fala em florestas de bambu, a maioria das pessoas pensa automaticamente em Arashiyama, em Kyoto. Mas a Coréia do Sul tem sua própria versão, e ela é igualmente impressionante — talvez até mais, justamente porque você não vai dividir a trilha com centenas de turistas.
Damyang é uma pequena cidade na província de Jeollanam-do, no sudoeste do país. O Juknokwon (Jardim de Bambu) é o grande destaque: uma floresta densa de bambus altíssimos cortada por trilhas bem cuidadas que serpenteiam entre os colmos verdes. Quando o vento sopra, o som do bambu balançando cria uma espécie de melodia natural que é difícil de descrever sem parecer exagerado. Mas é real. É hipnótico.
A cidade também abriga a Metasequoia Road, uma estrada ladeada por metassequóias gigantes que muda de cor conforme a estação — verde exuberante no verão, dourada no outono, esquelética e dramática no inverno. É daquelas paisagens que parecem cenário de filme, porque de fato já foram — vários dramas coreanos gravaram ali.
Damyang fica a cerca de 3h30 de Seul de ônibus ou 1h30 de KTX até Gwangju, seguido de um ônibus local de 40 minutos. Não é o bate-volta mais prático, mas para quem tem dois dias sobrando e quer uma experiência completamente diferente da agitação urbana, compensa cada minuto de deslocamento. A gastronomia local também merece menção: a especialidade da região é daktoritang (ensopado de frango apimentado com legumes) e pratos feitos com brotos de bambu. Simples, fresco, delicioso.
Klook.comTongyeong: A Santorini Coreana Que Ninguém Menciona
Na costa sul da Coréia, espremida entre montanhas e o mar, Tongyeong é uma daquelas cidades que fazem você se perguntar por que tão pouca gente fala dela. Chamada por alguns de “Nápoles da Coréia” e por outros de “Santorini coreana”, ela não é nem uma nem outra — é algo completamente próprio.
A cidade é famosa entre coreanos, mas praticamente invisível para turistas estrangeiros. E é exatamente isso que torna a visita especial. As ruas do porto são tranquilas, os restaurantes de frutos do mar servem o que os pescadores trouxeram naquela manhã, e o ritmo da vida é marcadamente mais lento do que qualquer coisa que você encontra em Seul ou Busan.
O ponto alto é a Dongpirang Village, uma vila no morro repleta de murais coloridos pintados por artistas locais. As ruelas sobem em escadarias estreitas, com gatos dormindo nas soleiras e flores saindo de vasos improvisados. Do topo, a vista do porto com seus barcos de pesca é cinematográfica. Originalmente marcada para demolição, a vila foi salva pela arte — os moradores e artistas transformaram as paredes em galerias a céu aberto, e o governo desistiu de derrubar.
Pegue o teleférico de Mireuksan para uma vista panorâmica do arquipélago de Hallyeohaesang — centenas de ilhas pontilhando o mar azul até o horizonte. Num dia claro, a paisagem parece irreal, como se alguém tivesse pintado o cenário com aquarela. E se tiver tempo, pegue uma balsa até a Ilha Bijindo, onde praias de areia dourada e água esmeralda esperam sem um único resort à vista.
Tongyeong fica a cerca de 2h de ônibus de Busan. Se você está montando um roteiro que inclua o sul do país, encaixar uma noite ou duas ali transforma a viagem inteira.
Boseong: Os Campos de Chá Que Ondulam Até o Horizonte
Existe um tipo de paisagem que só se entende quando se está diante dela. Os campos de chá verde de Boseong são assim. Fotos bonitas existem aos montes na internet, mas a sensação de estar no meio daquelas colinas ondulantes, com fileiras infinitas de arbustos verdes recortados com precisão geométrica, é algo que a tela não transmite.
Boseong fica na província de Jeollanam-do, no extremo sul da Coréia, e produz mais de 40% de todo o chá verde do país. A Daehan Dawon é a plantação mais famosa e acessível, com trilhas que sobem pelas colinas de chá até mirantes com vistas panorâmicas. Ao amanhecer, quando a névoa ainda paira sobre as colinas, o cenário parece saído de um quadro impressionista.
O chá que se toma ali — colhido, processado e servido no mesmo lugar — tem um sabor que redefine o que você achava que sabia sobre chá verde. É suave, com uma doçura natural que não precisa de açúcar, e um retrogusto vegetal quase imperceptível. Tem lojas na plantação vendendo chá em diversas apresentações, além de sorvete de chá verde, bolo de chá verde e até cosméticos à base de chá verde.
O acesso é por ônibus a partir de Gwangju (cerca de 1h30) ou direto de Seul com ônibus interurbano (cerca de 4h30). Não é o destino mais fácil de alcançar, mas justamente por isso mantém uma autenticidade que lugares mais acessíveis já perderam. Se puder combinar com Damyang no mesmo trecho, o sul da Coréia se revela como uma região com identidade totalmente distinta de Seul — mais rural, mais contemplativa, mais lenta. E incrivelmente bonita.
Gyeongju: O Museu Sem Paredes
Gyeongju aparece em alguns roteiros, mas a maioria dos turistas brasileiros que vai à Coréia pula direto de Seul para Busan e ignora essa cidade. É um erro. Gyeongju foi a capital do Reino de Silla por quase mil anos (57 a.C. a 935 d.C.) e concentra uma densidade de patrimônio histórico que poucas cidades do mundo conseguem igualar.
Os coreanos chamam Gyeongju de “museu sem paredes”, e a expressão é perfeita. Você caminha pela cidade e tropeça em tumbas reais cobertas de grama, templos budistas de 1.400 anos, observatórios astronômicos da antiguidade e lagoas de palácios que refletem pavilhões iluminados à noite. Tudo isso a céu aberto, espalhado entre ruas comuns, cafés e lojinhas.
O Templo Bulguksa, patrimônio da UNESCO, é a joia da coroa — uma estrutura budista do século VIII com escadarias de pedra, pagodas douradas e uma atmosfera de serenidade que é quase palpável. Perto dali, a Gruta de Seokguram abriga uma estátua de Buda sentado com vista para o Mar do Leste. O caminho até a gruta passa por uma trilha na floresta, e a combinação de natureza, espiritualidade e história atinge um ponto que eu só consigo descrever como “completo”.
No centro da cidade, o Tumuli Park reúne dezenas de tumbas reais — montes de terra gramada que se erguem como colinas suaves no meio do parque. Numa delas, a Cheonmachong (Tumba do Cavalo Celestial), você pode entrar e ver a câmara funerária reconstruída com coroas e artefatos de ouro. À noite, o Palácio Donggung e o Lago Wolji ganham iluminação que transforma o reflexo na água num espetáculo silencioso. É um dos cenários noturnos mais bonitos de toda a Coréia.
De KTX, Gyeongju fica a 2h de Seul (estação Singyeongju) e a 30 minutos de Busan. Merece no mínimo duas noites, mas uma já muda a experiência da viagem.
Suncheon: O Pantanal Coreano e os Jardins Zen
Suncheon é uma cidade no sul da Coréia que carrega dois tesouros naturais que, sozinhos, justificam o desvio.
A Suncheon Bay Wetland é um ecossistema costeiro de pântanos, juncos e mangues preservado com rigor admirável. Uma passarela de madeira serpenteia pelo meio dos juncos altos — no outono, quando eles ficam dourados, a paisagem parece uma pintura. Do observatório no topo da colina, a vista da baía inteira, com suas curvas de água e campos de verde infinito, é daquelas que fazem a câmera parecer insuficiente.
A poucas trilhas de distância, o Suncheon Bay National Garden é um jardim botânico imenso que reúne jardins temáticos de diferentes países — japonês, francês, holandês, tailandês — em meio a uma paisagem de lagos, pontes e trilhas cobertas de flores. É bonito em qualquer estação, mas na primavera, quando as azaleias e cerejeiras florescem simultaneamente, o lugar atinge um nível de beleza que beira o absurdo.
E para completar, nos arredores de Suncheon fica o Templo Songgwangsa, um dos três templos-joias do budismo coreano (junto com Tongdosa e Haeinsa). Diferente de muitos templos turísticos, Songgwangsa ainda funciona como centro de meditação ativo, com monges residentes e uma atmosfera genuinamente contemplativa. É possível participar do programa Templestay ali, dormindo no templo, acordando às 3h da manhã com o som do moktak (instrumento de madeira) e compartilhando refeições silenciosas com os monges. Não é para todo perfil de viajante, mas para quem topa, é transformador.
Andong: Onde a Tradição Coreana Respira de Verdade
Se Seul é a Coréia do futuro e Gyeongju é a Coréia do passado distante, Andong é a Coréia do passado vivo. É a capital cultural do confucionismo coreano, e a cidade inteira parece existir num ritmo que desafia a modernidade.
A Hahoe Folk Village, patrimônio da UNESCO, é o grande motivo para ir. Diferente de vilas históricas que foram transformadas em museus, Hahoe é um lugar onde gente de verdade mora. As casas são hanoks centenárias com telhados de palha e cercas de barro, os moradores cultivam hortas e criam galinhas, e a vila inteira é cercada por um rio que faz uma curva dramática ao redor dela — daí o nome Hahoe, que significa “rio que contorna”.
A performance de máscaras de Hahoe, declarada patrimônio cultural imaterial, é uma tradição que remonta ao século XII. É uma apresentação teatral ao ar livre, satírica e surpreendentemente engraçada, mesmo que você não entenda coreano — as expressões das máscaras e a linguagem corporal dos atores são universais.
Andong é também a terra do jjimdak — frango cozido em molho de soja doce com macarrão de celofane, legumes e pimenta. O prato nasceu no mercado central de Andong e de lá se espalhou pelo país inteiro. Comer jjimdak em Andong, no mercado onde tudo começou, rodeado de senhoras que preparam o prato há décadas, é uma experiência gastronômica que nenhum restaurante sofisticado de Seul consegue replicar.
A cidade fica a cerca de 2h30 de ônibus de Seul ou 1h40 de KTX até Andong Station. É um destino que combina perfeitamente com Gyeongju num roteiro pelo interior do país.
Ilha de Oedo: O Jardim Botânico Flutuante
No litoral de Geoje, na costa sul, a Ilha de Oedo (Oedo Botania) é uma daquelas surpresas que parecem pertencer a outro país. É uma pequena ilha privada transformada inteiramente em jardim botânico, com ciprestes italianos, palmeiras, esculturas, fontes e terraços com vista para o mar. Parece a costa da Riviera Italiana transplantada para o Mar do Sul coreano.
A ilha foi criada por um casal que, a partir dos anos 1970, passou décadas plantando e esculpindo o terreno rochoso até transformá-lo num dos jardins mais impressionantes da Ásia. A história em si é comovente — começou como um refúgio pessoal e acabou se tornando uma atração que recebe visitantes de barco, já que a ilha não tem ponte nem acesso terrestre.
O acesso é feito por ferry a partir de Geoje ou Tongyeong, com travessias de cerca de uma hora. A visita à ilha dura entre uma hora e meia e duas horas, tempo suficiente para percorrer as trilhas, os jardins e os mirantes. É um programa que combina naturalmente com Tongyeong e a costa de Hallyeohaesang.
Jeonju: A Capital Gastronômica Que Deveria Estar em Todo Roteiro
Jeonju é conhecida entre coreanos como a capital gastronômica do país. É de lá que vem o bibimbap na sua forma original — e comer bibimbap em Jeonju é como ouvir uma música que você conhece, mas pela primeira vez ao vivo, com todos os instrumentos presentes. A versão local usa arroz cozido em caldo de carne, vegetais frescos preparados individualmente, carne crua de qualidade que cozinha com o calor do arroz, e um ovo perfeitamente posicionado no topo. É outro patamar.
Mas Jeonju é mais que comida. A Vila Hanok de Jeonju é a maior do país — mais de 700 casas tradicionais formando um bairro inteiro de ruas de pedra, cafés charmosos, ateliês de papel hanji e lojas de artesanato. Diferente da Bukchon em Seul, aqui as casas são também pousadas, restaurantes e espaços culturais. A escala é maior, o ritmo é mais relaxado, e a experiência é mais imersiva.
Na vila, você pode aprender a fazer papel hanji (o papel coreano tradicional, feito de casca de amoreira), participar de oficinas de caligrafia, provar choco pie artesanal (uma versão local do doce que é mania nacional) e assistir a performances de pansori, a arte vocal narrativa coreana reconhecida pela UNESCO.
Jeonju fica a 1h40 de Seul por KTX. É um bate-volta viável, mas quem dorme lá ganha a vila iluminada à noite, praticamente vazia, e o café da manhã no mercado Nambu — onde a cena de comida de rua local rivaliza com qualquer mercado de Seul.
Gangwon: Montanhas, Litoral e Solidão Bonita
A província de Gangwon, no nordeste da Coréia do Sul, é onde o país guarda suas paisagens mais dramáticas. É a região das montanhas altas, das estações de esqui, dos templos isolados e de uma costa do Mar do Leste que é diferente de tudo o que você vê no sul.
O Parque Nacional Seoraksan é o destaque — o terceiro pico mais alto da Coréia do Sul, com trilhas que vão do iniciante ao avançado, formações rochosas que parecem esculturas naturais e uma paleta de cores que muda radicalmente a cada estação. No outono, quando a folhagem explode em tons de vermelho, laranja e dourado, Seoraksan é um dos lugares mais bonitos da Ásia. Não estou exagerando — é daqueles cenários que ficam gravados na retina.
Sokcho, a cidade litorânea na base do Seoraksan, é uma joia subestimada. O Abai Village, acessado por uma pequena barcaça manual sobre um canal, é uma vila de refugiados da Guerra da Coréia que manteve sua identidade culinária do norte. O sundae (linguiça coreana recheada com macarrão de celofane e sangue de porco) de Sokcho é famoso em todo o país, e o mercado de peixes da cidade é autêntico e muito menos turístico que o Jagalchi de Busan.
Mais ao sul em Gangwon, a cidade de Gangneung (que sediou parte dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2018) tem uma cena de café surpreendente — a Anmok Beach Coffee Street é uma rua inteira de cafeterias frente ao mar, onde os coreanos vêm tomar café olhando as ondas. É um programa simples e perfeitamente coreano.
Os Petróglifos de Bangudae: Pré-História à Beira do Rio
Em Ulsan, cidade industrial no sudeste do país, esconde-se um dos tesouros arqueológicos mais impressionantes da Ásia: os Petróglifos de Bangudae, inscritos em 2025 como patrimônio mundial da UNESCO. São gravuras rupestres de mais de 7.000 anos entalhadas em rochas à beira do rio Daegok, representando baleias, tigres, veados, cenas de caça e de pesca.
O sítio é pequeno e silencioso — não espere uma estrutura turística grandiosa. É justamente essa simplicidade que torna a visita poderosa. Você fica diante de uma parede de rocha onde seres humanos do Neolítico registraram sua vida cotidiana, e a sensação de conexão com o tempo é esmagadora. As baleias gravadas na pedra indicam que a caça de baleias já era praticada nesta costa há milênios, muito antes de qualquer registro escrito na região.
Ulsan em si não é uma cidade turística — é o coração industrial da Coréia, sede da Hyundai. Mas os petróglifos, combinados com o Museu de Petroglifos de Ulsan (moderno e bem curado), transformam uma parada de meio dia num dos momentos culturais mais inesperados da viagem.
Jeju Além do Óbvio: O Lado Que os Tours Não Mostram
A Ilha de Jeju é famosa e está em todo roteiro. Mas a maioria dos visitantes se concentra nos mesmos pontos: Hallasan, Seongsan Ilchulbong, as cavernas de Manjanggul. São todos espetaculares, sem dúvida. Mas Jeju tem um lado que os circuitos turísticos convencionais ignoram, e é ali que a ilha revela sua alma.
A Olle Trail é uma rede de 26 trilhas costeiras que circundam toda a ilha — mais de 400 km de caminhos que passam por vilas de pescadores, campos de tangerina, praias de rocha vulcânica e penhascos sobre o oceano. Você não precisa fazer todas (levaria semanas), mas escolher uma ou duas rotas e caminhar por algumas horas é a forma mais autêntica de experimentar Jeju. A rota 7, entre Jungmun e Gangjeong, é uma das mais bonitas, com paisagens que alternam entre costa rochosa, bosques de coníferas e vilas com muros de pedra vulcânica.
As haenyeo, as mergulhadoras de Jeju, são outra camada cultural que merece atenção. São mulheres, muitas delas com mais de 70 anos, que mergulham sem equipamento de oxigênio para coletar frutos do mar — uma tradição que a UNESCO reconheceu como patrimônio imaterial. Em algumas praias, como Hado e Jongdalri, é possível vê-las trabalhando pela manhã e depois comprar o que coletaram — ouriços, abalone, polvos — em barracas improvisadas na beira-mar. É fresco de um jeito que a palavra “fresco” não consegue descrever.
No interior da ilha, a aldeia de Seongeup é uma vila folclórica preservada onde casas com muros de pedra vulcânica e telhados de palha contam a história da vida rural de Jeju. Moradores ainda vivem ali, e uma visita guiada (muitas vezes conduzida por uma senhora local que fala só coreano, mas gesticula com uma energia contagiante) inclui degustação de mel de Jeju e do famoso chá de tangerina.
A Coréia do Sul Que Não Aparece no Instagram
Existe um padrão nos roteiros de viagem que circulam na internet: eles mostram o que todo mundo já viu. Funcionam, sem dúvida. Mas os lugares que ficam de fora — as vilas costeiras onde o tempo parou, os templos onde ninguém tira foto, os mercados rurais onde a senhora não sabe o que é Instagram — são os que realmente mudam a forma como você entende um país.
A Coréia do Sul é muito mais do que Seul e K-pop. É um território compacto com uma diversidade de paisagens, sabores e histórias que poucos países do mundo conseguem comprimir num espaço tão pequeno. Das florestas de bambu de Damyang aos penhascos vulcânicos de Jeju, dos juncos dourados de Suncheon às paredes de pedra de Hahoe, existe um país inteiro esperando por quem está disposto a sair do caminho marcado.
E o mais bonito é que a Coréia recompensa essa disposição. Cada vez que você pega um ônibus para uma cidade que não planejou, entra num restaurante que não tem cardápio em inglês ou caminha por uma trilha que não estava no roteiro, algo acontece. Algo que tem a ver com surpresa, com gratidão e com aquela percepção silenciosa de que viajar, de verdade, é exatamente isso: encontrar o que você não sabia que estava procurando.