Como Visitar Koh Samui a Partir de Phuket na Tailândia
De Phuket a Koh Samui: Tudo o Que Você Precisa Saber Para Fazer Essa Travessia Sem Estresse

Quem já ficou olhando o mapa da Tailândia pensando “mas como diabos eu chego de Phuket em Koh Samui?” sabe exatamente a sensação de ter a cabeça rodando diante de tantas opções — avião, ferry, ônibus, minivan, combinações exóticas que envolvem três meios de transporte diferentes e uma dose generosa de paciência. Eu já fiz esse trajeto mais de uma vez, de formas diferentes, e vou te contar o que realmente funciona, o que parece ótimo no papel e decepciona na prática, e o que fazer quando você finalmente chegar nessa ilha que, sim, vale cada centímetro de deslocamento.
Antes de Tudo: Entendendo a Distância
Phuket e Koh Samui ficam em lados opostos do sul da Tailândia. Phuket banha o Mar de Andamão, a costa oeste. Koh Samui fica no Golfo da Tailândia, a costa leste. Não existe vôo cruzando pelo meio do continente, não existe estrada direta, e não existe ferry saindo da costa de Phuket direto para Samui. Essa é a realidade geográfica que manda em tudo.
A distância em linha reta é de pouco mais de 270 km, mas o caminho real — seja por terra, seja pelos ares — é consideralmente maior. Isso explica por que boa parte das opções leva entre 6 e 10 horas. Não é preguiça da logística tailandesa. É simplesmente a geografia.
Opção 1: O Vôo — A Mais Rápida e, Surpreendentemente, Nem Sempre a Mais Cara
A Bangkok Airways opera vôos diretos de Phuket (HKT) para o aeroporto de Koh Samui (USM). É uma rota praticamente monopolizada por eles — o aeroporto de Samui pertence à Bangkok Airways, o que explica o preço um pouco mais salgado e a falta de concorrência direta. O vôo dura cerca de 55 minutos.
Os preços variam bastante dependendo de quando você compra. Reservando com antecedência, dá pra encontrar trechos por volta de US$ 80 a US$ 100 por pessoa. Em alta temporada ou deixando pra última hora, a passagem pode facilmente triplicar. Já vi voar por algo equivalente a R$ 450, já vi pelo dobro disso. O segredo é monitorar e comprar com pelo menos três semanas de antecedência.
O aeroporto de Samui tem um charme peculiar: é todo aberto, com telhados de palha cobertos, parece que você está aterrissando num resort. Primeira impressão excelente. Isso tem um custo embutido no ticket — mas para quem está com tempo curto ou prefere chegar descansado, é a melhor escolha sem dúvida.
O que ninguém conta: O aeroporto de Koh Samui fica relativamente próximo da praia de Chaweng, que é onde a maioria dos turistas se hospeda. O táxi até o hotel leva uns 15 a 20 minutos. Tranquilo.
Opção 2: Ônibus + Ferry — A Aventura Econômica
Essa é a rota clássica dos mochileiros e de quem não tem pressa. E olha — eu recomendo, desde que você esteja no estado de espírito certo para ela.
O funcionamento é assim: você pega um ônibus ou minivan saindo de Phuket (geralmente do Terminal Rodoviário 2, no bairro de Phang Nga Road, ou de pontos como Vichit), esse veículo te carrega até o continente, geralmente até as imediações de Surat Thani, onde você embarca num ferry que cruza o Golfo da Tailândia até Koh Samui.
Duas companhias principais dominam essa rota:
Phantip Travel — Saída às 8h do Terminal Rodoviário 2 de Phuket, chegada prevista às 15h30 no Cais de Nathon, em Samui. Duração total de 7h30. Preço: em torno de 650 THB (aproximadamente US$ 19). A opção mais barata da rota. O ônibus não é luxuoso, mas cumpre o papel. O ferry é o ferry de carga e passageiros que cruza o Golfo — confortável o suficiente, com assentos internos e área aberta no convés.
Lomprayah — Saída às 9h30 de um ponto de coleta em Vichit (um bairro de Phuket), com chegada às 15h45 em Nathon. Duração de 6h15. Preço: em torno de 1.300 THB (US$ 37-38). O ferry da Lomprayah é de alta velocidade, bem mais rápido na travessia marítima. O ônibus é mais confortável, o serviço mais organizado. Se você vai gastar um pouco mais, vale a diferença.
Eu fiz essa rota pela Lomprayah numa manhã de novembro. Saí de Phuket com a bagagem, um café na mão, e cheguei em Samui no fim da tarde sem nenhum drama. A travessia de ferry durou algo em torno de 1h30 e foi genuinamente bonita — você cruza o golfo vendo a linha do horizonte de um lado, as colinas das ilhas de outro. Tem algo de libertador nesse momento em que você percebe que está no meio do mar, chegando a algum lugar novo.
O cais de Nathon, onde a maioria dos ferries desembarca, fica na parte oeste da ilha, um pouco afastado das praias principais. Da Nathon até Chaweng, por exemplo, você vai precisar de mais uns 30 a 40 minutos de táxi. Anote isso no seu planejamento.
Klook.comOpção 3: A Minivan — Para Quem Gosta de Apertar o Prazo
Existe uma terceira variação menos conhecida: as minivans compartilhadas que saem de Phuket e vão até Surat Thani, onde você embarca no ferry. É uma opção que aparece bastante em plataformas como o Bookaway e o Rome2rio, com preços intermediários entre o ônibus da Phantip e o combo da Lomprayah.
A vantagem é que você pode ser recolhido no seu hotel ou hostel em Phuket — muitas minivans fazem pickup. A desvantagem é a imprevisibilidade dos horários: uma minivan que deveria sair às 9h pode sair às 9h40 porque está esperando o último passageiro do outro lado da cidade. Já aconteceu comigo, e quando você está correndo para pegar um ferry, essa margem faz diferença.
Se for usar minivan, reserve com antecedência e confirme o horário de coleta na véspera. Não confie no “vamos te buscar lá pelas 8h” sem uma confirmação real.
Opção 4: Vôo para Bangkok e Conexão para Samui — A Desnecessária
Tecnicamente existe a opção de voar de Phuket para Bangkok (Suvarnabhumi ou Don Mueang) e de lá pegar outro vôo para Samui. É a opção que aparece em buscas automáticas de passagens e que faz sentido no papel — especialmente se os preços diretos estiverem absurdos. Na prática, porém, você vai perder horas de viagem, passar por dois aeroportos e provavelmente gastar mais do que custaria a rota direta ou o combo ônibus+ferry.
Só consideraria essa opção em caso extremo: se o vôo direto Phuket–Samui estiver lotado ou com preço proibitivo, e se você puder aproveitar Bangkok para uma parada de um ou dois dias. Aí já muda o cenário.
Qual Opção Escolher? Depende de Quem Você É
Eu sei que parece resposta fácil, mas é a verdade. Deixa eu ser mais direto:
Se você tem menos de 3 dias em Koh Samui, pega o vôo. Não faz sentido gastar 7 horas de ida e 7 de volta para aproveitar 2 dias na ilha. O custo-benefício do tempo é simplesmente melhor no avião.
Se você tem 4 dias ou mais e gosta de viagem com experiência, o combo ônibus+ferry da Lomprayah é excelente. É a opção que eu mais recomendo para quem quer sentir a transição entre as regiões da Tailândia, ver a paisagem mudar, chegar com a história de que “cruzei o Golfo de ferry.”
Se você está com orçamento muito apertado, a Phantip Travel com seus 650 THB é uma bênção. Vai demorar um pouco mais, o conforto é básico, mas chega.
Koh Samui: O Que Fazer Quando Você Chegar
Depois de tudo isso, você finalmente vai estar na ilha. E Samui recompensa bem quem chega.
As Praias
Chaweng é a mais badalada. Uma faixa de 6 km de areia branca, mar azul-turquesa, infraestrutura completa com bares, restaurantes, lojas de mergulho e vida noturna que se estende até de madrugada. É animado, talvez agitado demais pra alguns gostos — mas é impossível negar que a praia em si é linda. Vá pelo menos numa manhã.
Lamai é a versão mais tranquila de Chaweng. Quem fica em Lamai costuma dizer que prefere essa à Chaweng com pouco tempo de ilha. Menos gente, mesma qualidade de água, alguns bares bons e um pôr do sol que vai te fazer querer ficar mais um dia.
Silver Beach (ou Crystal Bay, como às vezes é chamada) é a joia escondida que todo mundo menciona mas pouca gente encontra na primeira tentativa. É uma enseada minúscula, com pedras nas extremidades, água incrivelmente clara e menos turistas do que as praias principais. Para chegar lá você vai precisar de uma moto ou táxi — mas vale.
Mae Nam, no norte da ilha, tem uma energia completamente diferente. Mais calma, mais familiar, frequentada por quem passa semanas (às vezes meses) em Samui. É uma das preferidas dos europeus que vêm para longas temporadas.
Os Templos
O Big Buddha, ou Wat Phra Yai, é o ícone fotográfico da ilha. Uma estátua de 12 metros numa ilha pequena conectada por uma ponte curta. É visitado por turistas o dia inteiro, então se quiser paz, chegue cedo — antes das 8h, o lugar tem outra atmosfera. A vista para o mar ao redor é genuinamente bonita.
O Wat Plai Laem é menos famoso mas, na minha opinião, mais fascinante. O complexo abriga uma estátua da deusa Guanyin com 18 braços, em azul e branco, rodeada por um lago. Tem carpas gigantes que você pode alimentar. Os tailandeses vão lá para rezar, os turistas vão para fotografar. É possível fazer as duas coisas com respeito.
Para Quem Gosta de Natureza
As Cachoeiras Na Muang ficam no interior da ilha e são uma surpresa para quem pensava que Samui era só praia. Você sobe trilhas curtas em meio à vegetação densa, o som da água aparece antes que você veja as quedas. A primeira cachoeira é de fácil acesso; a segunda exige mais fôlego, mas tem uma piscina natural onde dá pra nadar.
O Secret Garden (ou Buddha Magic Garden) fica num pico no interior da ilha, a mais de 400 metros de altitude. É um jardim escultórico construído por um monge ao longo de décadas, com estátuas espalhadas entre árvores antigas. A estrada para subir é sinuosa e a maioria vai de moto — certifique-se de que tem experiência antes de tentar, especialmente com a moto sozinha.
Comer e Beber
Koh Samui tem uma cena gastronômica surpreendentemente boa. Não só restaurantes para turistas — tem mercados noturnos em Fisherman’s Village (norte da ilha) onde você come pad thai, frutos do mar grelhados na hora e sobremesas tailandesas por uma fração do preço dos restaurantes nas praias.
O Fisherman’s Village, na praia de Bophut, tem uma rua central charmosa com casas antigas de madeira transformadas em bares e restaurantes. É o tipo de lugar onde você entra pra tomar uma cerveja e acaba ficando três horas.
Logística Dentro da Ilha
Koh Samui tem a forma aproximada de um círculo, com uma estrada principal que a contorna. A distância entre as praias pode parecer pequena no mapa, mas os táxis na ilha não são baratos — e os preços são tabelados pelos próprios taxistas, não por taxímetro. Negocie sempre antes de entrar no veículo.
Alugar uma moto é a forma mais livre e econômica de circular. Custa entre 200 e 300 THB por dia. A estrada principal é bem conservada e a sinalização é razoável. Dito isso: use capacete, não arrisque de noite em estradas secundárias que você não conhece, e verifique o seguro da sua viagem internacional — nem todos cobrem acidentes de moto.
Songthaews, os caminhões compartilhados com bancos nas laterais que funcionam como ônibus informais, circulam pelas rotas principais e cobram preços fixos baixos. Lentos, mas funcionam bem para trechos curtos no entorno de Chaweng e Lamai.
Quando Ir
A melhor época para Koh Samui é de dezembro a abril, quando o tempo está seco e o mar calmo. Mas atenção: o Golfo da Tailândia tem um regime climático diferente do Mar de Andamão. Enquanto Phuket tem sua temporada de chuvas de maio a outubro, Samui tem seu período mais chuvoso entre outubro e dezembro — o oposto do que muita gente espera.
Isso, na prática, significa que quando Phuket está na baixa temporada com praias mais vazias e preços menores, Samui pode estar com tempo instável. E vice-versa. Se você está montando um roteiro pela Tailândia que inclui ambas as costas, esse detalhe climático influencia muito a ordem dos destinos.
Eu estive em Samui em novembro uma vez e levei chuva pesada por dois dias. Não estraga a viagem — a ilha tem muito para além das praias — mas é algo a considerar.
Quanto Tempo Ficar
Três dias são suficientes para sentir a ilha sem pressa. Você vê as praias principais, visita os templos, sobe ao interior para uma cachoeira ou para o Secret Garden, e ainda tem noite livre para explorar Fisherman’s Village ou Chaweng. Quatro ou cinco dias já permitem um ritmo mais relaxado, com possibilidade de fazer um passeio de barco para as ilhas vizinhas — Koh Tao e Koh Phangan ficam pertinho e são destinos distintos que merecem pelo menos uma noite cada.
Se Samui vai ser só uma parada num roteiro maior pela Tailândia, dois dias cheios podem funcionar. Mas chegue cedo, organize os passeios no dia anterior e não tente ver tudo de uma vez.
Uma Última Observação
Tem algo que Koh Samui faz muito bem: te convencer de que você deveria ficar mais tempo. É esse tipo de destino. Você planeja dois dias e acaba estendendo para quatro. Reserva um hotel simples perto de Chaweng e no segundo dia já está pesquisando resorts com piscina em Lamai. É um processo gradual de rendição.
E se você estiver saindo de Phuket para chegar até lá, especialmente pela primeira vez, a travessia em si já faz parte da experiência. Não existe atalho que te leve de um lado ao outro do sul da Tailândia sem que você atravesse essa faixa de terra e de mar. E quando o ferry finalmente atraca no cais e você avista a linha verde das palmeiras de Samui no horizonte, aquelas horas de viagem já parecem ter valido cada minuto.