Como Visitar Koh Samui a Partir de Chiang Mai na Tailândia

De Chiang Mai a Koh Samui: Como Fazer Essa Travessia pela Tailândia Sem Enlouquecer

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Ir do norte montanhoso de Chiang Mai até a ilha paradisíaca de Koh Samui é uma das grandes transições que a Tailândia oferece — e também uma das mais desafiadoras de planejar se você não conhece o país. São dois mundos completamente diferentes dentro do mesmo território. Chiang Mai é fria, buddhista e envolta em névoa nas montanhas; Koh Samui é quente, salgada, repleta de turistas com canudinho de coco na mão. A distância entre elas é de aproximadamente 1.700 quilômetros em linha reta, e a Tailândia não é um país pequeno. Isso muda tudo na hora de decidir como se deslocar.

Já fiz esse trajeto mais de uma vez. A primeira foi uma aventura com orçamento apertado, trem noturno, conexão em Bangkok e balsa pelo golfo. A segunda, com mais dinheiro e menos paciência, foi direto de avião. As duas experiências ensinaram coisas completamente diferentes sobre a Tailândia — e sobre como planejar esse tipo de roteiro.

A Rota Aérea: O Caminho Mais Rápido (Mas Com Uma Pegadinha)

Vamos começar pelo mais óbvio. Sim, dá para voar de Chiang Mai a Koh Samui. Mas raramente de forma direta.

O aeroporto de Koh Samui (código USM) é operado exclusivamente pela Bangkok Airways, que tem uma espécie de monopólio na ilha. Isso não é à toa — a companhia construiu o próprio aeroporto em 1989 e até hoje controla quem voa por ali. Consequência direta: os preços são mais altos do que o normal para uma rota doméstica tailandesa. Se você acostumou a encontrar passagens da AirAsia ou da Nok Air por valores ridículos dentro do país, vai se surpreender negativamente quando for pesquisar para Samui.

A maioria dos vôos saindo de Chiang Mai (CNX) faz escala em Bangkok, seja no aeroporto de Suvarnabhumi (BKK) ou no Don Mueang (DMK). O tempo total de viagem, com escala e espera, gira em torno de 3 a 5 horas. Não é uma viagem longa, mas tampouco é tão rápida quanto parece no mapa. E atenção: se a sua escala for em Bangkok, confirme bem em qual aeroporto você pousa e em qual você embarca de novo. São dois terminais em lados diferentes da cidade, e pegar um táxi entre eles no meio de uma conexão pode virar pesadelo.

Os valores variam bastante dependendo da antecedência e da época do ano. Fora do pico (julho e agosto, mais dezembro e janeiro), é possível encontrar vôos com escala por valores razoáveis. Comprar com 6 a 8 semanas de antecedência costuma fazer diferença. Se você for viajar na alta temporada de Koh Samui, que coincide com o verão europeu e o inverno do hemisfério norte, os preços praticamente dobram.

A grande vantagem do avião é óbvia: você sai de manhã e está na praia à tarde. Sem noites mal dormidas em trens, sem enjoo de balsa, sem aquela sensação de ter cruzado metade do sudeste asiático carregando mochila. Às vezes, vale o custo extra.


A Rota Terrestre + Marítima: Para Quem Quer Sentir o País

Essa rota é mais longa, mais cansativa — e, honestamente, muito mais interessante se você tem tempo e disposição. É assim que a maioria dos mochileiros faz, e é uma experiência que conta uma história completamente diferente da Tailândia.

O trajeto mais comum funciona assim:

Chiang Mai → Bangkok de trem ou ônibus

O trem noturno de Chiang Mai a Bangkok é um clássico. Você embarca à tarde, dorme no vagão (há opção de cama, que vale muito a pena reservar), e acorda entrando na estação Hua Lamphong ou na nova estação Krung Thep Aphiwat. A viagem dura entre 12 e 14 horas. Não é veloz, mas é gostosa, tem uma janelinha com paisagem que muda conforme o amanhecer, e custa uma fração do vôo.

Os ônibus VIP fazem o mesmo trajeto com tempo similar, saindo da estação de ônibus Arcade, em Chiang Mai. São confortáveis, com ar-condicionado gelado (traga um casaco, é sério), e algumas empresas oferecem refeição e cobertor. O preço é muito acessível.

Bangkok → Surat Thani

De Bangkok, você precisa chegar a Surat Thani, que é a cidade da costa sul do país de onde saem as balsas e as lanchas para Koh Samui. Daqui você tem três opções: trem noturno novamente (há trens diretos de Bangkok para o sul, é outra noite embarcado), ônibus ou avião. Se você já passou uma noite no trem vindo de Chiang Mai, talvez prefira voar essa última etapa — há vôos baratos e rápidos entre Bangkok e Surat Thani, com companhias como AirAsia e Nok Air.

Surat Thani → Koh Samui de balsa ou lancha rápida

Aqui começa a parte marítima. Do porto de Don Sak, que fica a cerca de 1 hora de Surat Thani de carro ou van, saem as balsas da Raja Ferry e da Seatran com frequência ao longo do dia. A travessia dura aproximadamente 1h30. Não é o Mediterrâneo, mas tem lá o seu charme: você começa a ver o verde das ilhas ao longe, o ar muda, o cheiro de mar toma conta de tudo. A ilha vai aparecendo aos poucos no horizonte.

Há também lanchas rápidas que saem do cais de Nathon, na própria Surat Thani cidade, e são mais velozes — mas também mais caras e sujeitas a cancelamentos quando o mar está agitado.

Uma dica importante: muitas agências de viagem dentro da Tailândia vendem pacotes combinados de ônibus + balsa que simplificam muito a logística. Você compra um único bilhete, e eles organizam o transfer entre o porto e a balsa, às vezes até com van porta a porta. Isso vale muito, principalmente se for a sua primeira vez.

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A Opção do Tíquete Combinado (Joint Ticket)

Essa é a solução que eu mais recomendo para quem está viajando pela primeira vez e quer fazer o trajeto terrestre sem enlouquecer tentando encaixar cada etapa manualmente.

Em Chiang Mai, várias agências na Walking Street e no Nimman Hae Min Road vendem esse serviço. Você paga um valor único que inclui ônibus noturno de Chiang Mai a Bangkok, transfer em Bangkok, ônibus ou van de Bangkok a Surat Thani, e a balsa até Koh Samui. O preço total, à época em que viajei, ficou em torno de 800 a 1.200 baht por pessoa — o que, dependendo do câmbio, representa algo entre 120 e 180 reais. Não é de graça, mas comparado ao avião, a diferença é considerável.

O porém é o tempo. Esse roteiro, dependendo das conexões, leva entre 20 e 30 horas de viagem total. Se você está em modo mochileiro e tem tempo de sobra, ótimo. Se tem apenas 10 dias na Tailândia e quer aproveitar ao máximo, talvez valha rever as prioridades.


Quando Vale Pagar Mais e Voar Direto

Tem situações em que o avião não é luxo, é necessidade.

Se você vai a Koh Samui em dezembro ou janeiro, saiba que o Golfo da Tailândia fica instável com chuvas e mar agitado. Balsas atrasam, algumas ficam suspensas por horas. Já vi gente bloqueada no porto por mais de um dia esperando o mar acalmar. Não é frequente, mas acontece. Nesse período, o avião poupa muita dor de cabeça.

Famílias com crianças pequenas também devem considerar o vôo como prioridade. Uma criança de 4 anos em um ônibus noturno tailandês durante 12 horas é uma experiência que ninguém esquece — e não necessariamente de forma boa.

Outro cenário: se você for durante o Golden Week japonês ou algum feriado europeu de pico, a demanda por transporte terrestre aumenta absurdamente. Balsas lotam, ônibus sem reserva ficam sem vagas, agências ficam sem slots. Não se exponha a isso.


Koh Samui: O Que Fazer Quando Chegar

Chegar na ilha e não saber o que priorizar é um problema real. Koh Samui não é grande — tem cerca de 230 km² — mas tem uma variedade de regiões e praias com personalidades bastante distintas, e a distância entre elas é maior do que parece no mapa por conta das estradas sinuosas.

Chaweng Beach é o coração turístico da ilha. Praia linda, longa, com água clara, mas movimentada. À noite, a rua principal vira um carnaval de bares, restaurantes e shows de todo tipo. Se você quer agito, festa e conveniência, Chaweng é a área certa. Se quer sossego, evite.

Lamai é a segunda maior praia e tem uma atmosfera mais tranquila, sem abrir mão de estrutura. Boa para casais e para quem quer equilibrar praia com uma vida noturna mais contida. Perto daqui ficam as famosas formações rochosas Hin Ta e Hin Yai, que têm formatos que provocam risadas e fotos constrangedoras — é uma das atrações mais populares da ilha por alguma razão.

Big Buddha (Wat Phra Yai) é parada obrigatória. A estátua de 12 metros está em uma ilha vizinha minúscula, acessível por uma ponte. A vista do mar em volta é bonita, e o templo tem uma energia genuína que vale mais do que o tempo que se gasta para chegar.

Wat Plai Laem é outro templo que impressiona pela estética: colorido, exuberante, com uma estátua gigante da deusa Guanyin cercada de água. É diferente de tudo que você vai ver no norte do país — mais festivo, mais visual, sem a sobriedade budista de Chiang Mai.

Cachoeira Na Muang fica no interior da ilha e merece uma visita, especialmente se você estiver cansado de areia. São duas quedas d’água em meio à selva, e a segunda (Na Muang 2) exige uma caminhada mais longa, mas é recompensadora. A trilha é simples, mas leve água e use calçado adequado — o chão fica escorregadio na época úmida.

Santuário de elefantes Samui Elephant Haven é uma das opções mais éticas que encontrei na ilha para quem quer ver elefantes de perto. Nada de andar nas costas dos animais — você os observa em seu habitat semi-natural, alimenta, às vezes dá banho. É emocionante e, ao contrário de muitos “santuários” pelo país, parece genuinamente comprometido com o bem-estar dos elefantes.

Para os mercados noturnos, fique de olho nos mercados de rua que acontecem em diferentes pontos da ilha em diferentes dias da semana. São autênticos, baratos e cheios de comida boa. Experimente tudo que não conseguir identificar imediatamente — raramente vai se arrepender.


Como Se Locomover Dentro de Koh Samui

Isso é algo que a maioria das pessoas subestima. Diferente de Bangkok, que tem BTS e metrô, Koh Samui depende basicamente de songthaews (caminhonetes cobertas que funcionam como ônibus compartilhado), táxis e motos de aluguel.

Os songthaews circulam principalmente na rota circular que beira a costa. São baratos, mas têm horário irregular e param de funcionar cedo. Para distâncias curtas ou para chegar na praia, funcionam bem.

Os táxis convencionais existem, mas são caros para os padrões tailandeses. É comum se surpreender com as tarifas — algumas corridas curtas custam mais do que você imagina. O Grab (equivalente tailandês do Uber) funciona na ilha e costuma ser mais em conta.

Alugar uma moto é a solução favorita dos mochileiros. Dá liberdade total, o custo diário é baixíssimo, e permite explorar pontos fora do circuito turístico. A ressalva é séria: as estradas de Koh Samui têm trechos inclinados, curvas fechadas e asfalto molhado na época das chuvas. Se você não tem experiência com motocicleta, não comece aqui.


Melhor Época Para Ir

A temporada de Koh Samui segue um padrão diferente do resto da Tailândia, e isso confunde muita gente. Enquanto o norte do país (incluindo Chiang Mai) tem sua temporada seca de novembro a abril, o Golfo da Tailândia onde fica Koh Samui tem clima mais favorável entre dezembro e abril e especialmente de julho a setembro.

Os meses de outubro e novembro são os mais chuvosos. Algumas pousadas chegam a fechar, o mar fica imprevisível, e chuvas fortes podem durar dias seguidos. Não é impossível de visitar nesse período, mas você precisa estar preparado para ajustar expectativas.

Junho, julho e agosto são excelentes — mar calmo, sol consistente, e uma boa quantidade de turistas sem chegar ao caos de dezembro.


Quanto Tempo Ficar

Três dias em Koh Samui são suficientes para um primeiro contato. Dá para ver os templos, aproveitar as praias principais e explorar o interior com calma. Com cinco dias, você consegue visitar as ilhas vizinhas — uma excursão a Koh Tao para mergulho ou a Koh Phangan para trilhas e praias mais isoladas é altamente recomendável e operativamente simples a partir de Samui. Há lanchas rápidas com horários regulares entre as três ilhas do golfo.

Uma semana na região das ilhas do golfo passa voando e dificilmente vai parecer tempo demais.


Uma Última Observação

Chiang Mai e Koh Samui são, para mim, os dois lugares da Tailândia que mais mostram a riqueza de contrastes do país. Sair do ritmo lento das montanhas do norte, com seus templos cobertos de bruma e suas noites frescas, e chegar alguns dias depois em uma ilha tropical com praia, coco verde e pôr do sol sobre o golfo — isso é uma das experiências mais completas que um roteiro pela Tailândia pode oferecer.

A logística da viagem entre os dois destinos parece complicada à primeira vista, mas é gerenciável com um pouco de planejamento. O segredo é entender o que você prioriza: velocidade ou experiência. As duas escolhas têm seus méritos. O importante é que, no final, você esteja com os pés na areia de Koh Samui assistindo ao sol se pôr sobre o Golfo da Tailândia — e esse momento, pode acreditar, vale qualquer trajeto.

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