Como Visitar Koh Chang a Partir de Bangkok na Tailândia

Como ir de Bangkok a Koh Chang sem dor de cabeça: todas as rotas (vôo para Trat, ônibus + ferry, van direta, carro alugado, transfer privado), tempos reais, piers certos, preços médios e truques que só quem já fez o caminho mais de uma vez aprende pelo asfalto e pela maré.

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Koh Chang é a segunda maior ilha da Tailândia, um pedaço de selva montanhosa cercado por praias bonitas e uma vibe que, de cara, soa diferente de Samui ou Phuket. Mais rústica, mais espalhada, com vilarejos de pescadores e uma estrada sinuosa que vai costurando as praias da costa oeste até o famoso píer de Bang Bao. Quando alguém me pergunta “vale a pena?”, eu penso no meu primeiro entardecer em Klong Prao, com cheiro de maresia, som de casuarinas e um caranguejo correndo na beira da água. Vale. O que separa uma chegada tranquila de um perrengue é entender três coisas: qual caminho faz sentido para o seu tempo e bolso, como funcionam os ferries de Trat para a ilha, e a hora certa de sair de Bangkok (e de parar de lutar contra o relógio).

Quando ir (e quando aceitar que o céu comanda)
Koh Chang está no Golfo leste, já perto da fronteira com o Camboja, e tem duas “caras” ao longo do ano. De novembro a abril, o clima costuma ser mais estável, com maris calmos, sol generoso e uma luz que deixa a água mais clara. De maio a outubro, entra o período de chuvas: não é um dilúvio diário, mas pancadas acontecem e às vezes o mar fica mexido, com corrente e ondas. A ilha segue funcionando (não fecha como alguns parques marinhos do Andamão), mas certos passeios de barco saem menos ou não saem. Eu gosto do começo e do fim da temporada seca: novembro e março/abril entregam dias longos, menos gente e preços mais doces. Se sua viagem cair na chuva, abrace: trilhas e cachoeiras ficam mais bonitas e, de quebra, a ilha ganha um silêncio confortável.

Quatro rotas que funcionam de verdade (e para perfis diferentes)

1) Vôo Bangkok (Suvarnabhumi) → Trat + minivan + ferry: a maneira mais rápida e macia
Quando eu estou com o relógio curto ou simplesmente quero começar a viagem sem cansar, eu vôo. A Bangkok Airways opera o trecho BKK–Trat (TRAT) com vôos de cerca de 60 minutos, saindo do aeroporto Suvarnabhumi. Em alta temporada, há mais frequências; em meses mais minguados, às vezes duas por dia resolvem. Dá para desembarcar de manhã e estar com o pé na areia para o almoço.

Como funciona na prática:

  • Você compra o vôo para Trat e, junto (ou depois), reserva um transfer compartilhado do aeroporto até seu hotel em Koh Chang. As vans ficam na área de chegadas e funcionam sincronizadas com os vôos: levam até o píer correto (ao Thammachat ou Centerpoint), esperam seu ferry, e do outro lado encaixam você numa segunda van que percorre a costa oeste deixando passageiro por passageiro nas praias (White Sand, Klong Prao, Kai Bae, Lonely, Bailan, Bang Bao…).
  • Tempo total porta a porta: em dias bons, 3h30–4h desde a decolagem. Já fiz em 3h15 com céu limpo e ferry saindo encaixadinho; já levei 4h30 num dia de chuva com fila de carros no píer.
  • Bagagem: o vôo é doméstico, mas confira franquias (Bangkok Airways costuma ser generosa; promoções mais baratas às vezes diminuem o peso). Na van, a mala vai tranquila; se for prancha de surf ou volume fora de padrão, avise antes.
  • Dinheiro: o transfer compartilhado cobra por pessoa e pode incluir as passagens do ferry ou não (varia por operador). Eu costumo preferir o pacote “joint ticket” para não pensar em guichê. Os valores oscilam por temporada; pense nisso como um conforto que vale cada baht quando você está cansado.

Por que eu gosto: você elimina o cansaço da estrada, cai direto no ritmo de ilha e ainda ganha o bônus do vôo baixinho sobre um mar pontilhado de ilhas verdes. Em família ou casal cansado, é imbatível. Em grupo grande, às vezes um transfer privado de Bangkok empata no custo — mas o vôo segue sendo o mais rápido.

2) Ônibus/van de Bangkok → Trat/Laem Ngop + ferry: o clássico econômico (que pode ser bem confortável)
Se a ideia é gastar menos e curtir um “road trip” leve, o busão faz o serviço. O eixo natural é o Terminal Leste (Ekkamai), de onde saem ônibus regulares para Trat e, em alguns horários, para os próprios píeres de Laem Ngop (de onde partem os ferries para Koh Chang). Também há minivans/ônibus vendidos como “joint ticket” em agências da Khao San Road que já incluem o ferry e, às vezes, o transfer do outro lado até sua praia.

Como eu jogo aqui:

  • Saída cedo. Se você pega um ônibus por volta das 7h–8h, escapa do grosso do trânsito de Bangkok e chega à região de Trat no começo da tarde. A estrada é boa, com paradas rápidas para banheiro e lanche. O trecho final pega a Sukhumvit Road (Rte 3) e depois entra nas estradinhas que levam aos piers.
  • Duas lógicas de bilhete. A primeira é comprar Bangkok → Trat (cidade), e lá, na rodoviária, pegar um songthaew (caminhonete) até o píer (20–30 km, nada demais). A segunda é já comprar Bangkok → Laem Ngop (píer), que poupa uma etapa. Em alta temporada, as rotas diretas aos piers são mais frequentes.
  • “Joint ticket” Khao San: útil para quem quer zero decisões no caminho. Você entra na van/ônibus de manhã, troca o comprovante pelo bilhete do ferry no guichê que o staff indicar, embarca, e do outro lado um segundo veículo te deixa na praia (com ordem de paradas definida). O trajeto não é glamouroso, mas é prático.
  • Tempo realista: 5h30–7h porta a porta, dependendo de trânsito na saída de Bangkok e de quanto você espera pelo próximo ferry.
  • Conforto: ônibus grandes (os “999” estaduais e similares) costumam ser mais confortáveis que minivans apertadas. Eu pago 50–100 baht a mais sem pensar para garantir poltrona boa e bagageiro decente.

Por que eu gosto: custo baixo, estrada com cara de Tailândia real (arrozais, vilarejos, postos com grilos cantando no calor da tarde), e aquela sensação de “estou chegando aos poucos”. Para mochileiros, é quase um rito.

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3) Transfer privado (carro/van com motorista): o atalho sem estresse, especialmente bom em grupo
Te digo sem rodeios: para 3–6 pessoas com malas, um transfer privado de porta a porta vale muito. Te pega no hotel em Bangkok (ou no aeroporto) na hora marcada, dirige por 5–6 horas com paradas combinadas, te deixa diretamente no píer certo e, se você quiser, cruza o ferry com você e segue até o hotel do outro lado (o veículo entra no ferry).

Como fazer direito:

  • Feche com empresa bem avaliada (o boca a boca nas hospedagens funciona; a recepção do seu hotel em Bangkok normalmente tem parceiros confiáveis). Carros/ vans com cinto de segurança funcionando e ar‑condicionado decente são detalhe que faz diferença no km 250.
  • Combine se o motorista cruza a ilha com você ou te deixa no píer. Se a van pega o ferry (são ferries de carro), há fila separada e cobrança por veículo + passageiros. O custo sobe um pouco, mas o conforto de descer na porta do hotel é real.
  • Saia cedo. Minha regra é sair antes das 7h para chegar na janela das 12h–14h, mais vazia. Em feriados tailandeses, a fila de carros pode dobrar o tempo de espera no píer; em fins de semana, idem. O motorista local conhece atalhos e horários de menor pressão.
  • Preço: varia com temporada e tamanho do veículo. Para ter referência, o espectro é amplo, mas pensar em algo na casa de alguns milhares de baht por trajeto faz sentido. Para dividir por quatro pessoas, costuma ficar mais barato (e muito mais cômodo) que voar.

Por que eu gosto: você controla o ritmo, escolhe onde parar para café e banheiro, e evita a gincana de trocar modal com mala. Com crianças ou muita bagagem, é o caminho da sanidade.

4) Carro alugado (self‑drive): liberdade total — com respeito às curvas da ilha
Se você curte estrada, alugar um carro em Bangkok e dirigir até Koh Chang é gostoso. A rota é tranquila, com boa duplicação na maior parte do caminho, pedágios organizados (no trecho inicial da Motorway 7) e postos a cada tanto. No mapa, são cerca de 320–360 km dependendo da rota escolhida; no relógio, 5–6 horas realistas sem correr.

A rota que eu sigo:

  • Saída pela Motorway 7 (rodovia com pedágio) sentido Chonburi/Laem Chabang. Depois pego a Rte 344 (Ban Bueng → Klaeng) para evitar trechos mais lentos da Sukhumvit, e então conecto à Rte 3 (Sukhumvit Road) já perto de Chanthaburi/Trat. Na altura de Laem Ngop, placas claras vão te direcionando para os piers de ferry (Ao Thammachat e Centerpoint).
  • Pedágios aceitam cartão e dinheiro; tenha baht trocado. Apps de navegação funcionam bem; eu salvo o trajeto offline por garantia.
  • No píer, você compra o bilhete do ferry para o carro (e passageiros) e entra na fila. Os ferries são frequentes e a travessia é curta. Do outro lado, a estrada principal da ilha corre pela costa oeste e tem dois trechos bem inclinados, com curvas fechadas e, se chover, asfalto escorregadio. Marcha baixa, paciência e nada de freio prolongado nas descidas — é receita de sucesso. De resto, dirigir na ilha é simples e bonito.

Por que eu gosto: você pode dar aquela esticada de volta parando para comer frutos do mar em Chanthaburi, entrar num café legal sem olhar o relógio e explorar as praias do leste de Koh Chang, que a maioria ignora porque não tem songthaew para todo lado. Só não recomendo scooter para novatos: as ladeiras entre White Sand e Kai Bae não perdoam.

Os ferries para Koh Chang, explicados sem enrolação
Existem duas companhias/rotas principais entre o continente (Laem Ngop, Trat) e Koh Chang. Ambas são ferries grandes que levam carros, vans, ônibus e passageiros.

  • Ao Thammachat Pier → Ao Sapparot Pier (Ferry Koh Chang)
    É a travessia mais rápida, em média 25–35 minutos. Frequência alta, especialmente na seca e fins de semana. No lado de Koh Chang, você desembarca em Ao Sapparot (Klong Son), bem posicionado para pegar a estrada da costa oeste e seguir para White Sand Beach e além. Essa é a minha rota padrão quando estou com pressa ou quando vou ficar nas praias do oeste.
  • Centerpoint Pier → Centerpoint (Koh Chang)
    Travessia um pouco mais longa, na casa dos 40–45 minutos. Em dias de muito movimento no Ao Thammachat, o Centerpoint às vezes tem filas menores — é a carta na manga. No lado da ilha, o desembarque te joga um pouco mais ao leste, o que, dependendo de onde você vai dormir, pode significar uns minutos extras de estrada. Nada grave.

Como é o embarque:

  • Você compra o bilhete no guichê do píer. Para passageiros a pé, o valor costuma ser bem acessível (varia por temporada, mas pense em algo como “dinheiro de café” para um trajeto tão curto). Para veículos, há uma tarifa por carro/van + por passageiro. Valores mudam, então eu sempre confirmo na véspera no site/telefone da operadora ou com a minha hospedagem.
  • Embarque é por ordem de chegada. Em feriadões, filas de carros dobram esquinas — sair cedo de Bangkok resolve metade do problema.
  • Nos barcos, dá para subir ao convés, comprar uma água/lanche simples e ver a ilha chegando. Se você enjoa, sente no meio do barco, olho no horizonte. A travessia é curta demais para drama.

Perdeu o último ferry?
Acontece. Em geral, o último sai por volta do início da noite (algo na faixa de 19h, com variações por dia/temporada). Se você perdeu, não force barra com speedboats noturnos (caro, inseguro e, honestamente, desnecessário). Durma em Trat (cidade gostosa, com pousadas simples e restaurantes à beira do rio) e atravesse cedo na manhã seguinte. Quando eu aceitei essa lógica, minha viagem ficou mais leve.

Chegando na ilha: como ir do píer à sua praia
No lado de Koh Chang, a logística é tailandesa raiz e funciona:

  • Songthaews (as caminhonetes compartidas) ficam esperando passageiros no desembarque. Elas rodam a estrada principal e vão deixando o povo conforme a ordem das praias. O preço é por pessoa e varia com a distância. Tenha notas pequenas (20, 50, 100 baht) e confirme o valor antes de subir. Se estiver sozinho e o carro estiver vazio, às vezes o motorista espera encher mais um pouco — normal.
  • Táxi privado (a própria songthaew “fechada” para você ou para seu grupo) é uma opção se você não quer esperar. Combine preço antes. Eu uso quando estou com mochila grande e cansado, ou quando quero ir direto a um canto mais distante (Bang Bao/Klong Kloi, por exemplo).
  • Transfer do hotel: muitos hotéis mandam buscar, especialmente na faixa média/alta. Vale perguntar por WhatsApp/ e‑mail. Para quem gosta de comodidade, é um carinho que muda o humor.

De qual aeroporto sair (e como combinar conexões)

  • Suvarnabhumi (BKK): é daqui que saem os vôos para Trat. Se você chega internacional por BKK e tem janela de 3–4 horas até o vôo doméstico, dá para encaixar na boa (eu gosto de pelo menos 2h30–3h para não correr). Se a janela é curta, durma em Bangkok e voe cedo — você vai chegar a Koh Chang com sol alto e cabeça boa.
  • Don Mueang (DMK): o “segundo aeroporto” de Bangkok não tem vôo para Trat. Se você chegar por DMK (vôos low‑cost), precisa cruzar a cidade até BKK para voar a Trat ou esquecer o avião e ir por terra. Há shuttle gratuito entre os aeroportos para passageiros com bilhete de conexão, e táxi/carro por conta própria se não houver bilhete casado. No relógio, conte 1h–1h30 (ou mais) dependendo do trânsito.

Tempo de viagem realista e truques de planejamento

  • Vôo + transfers: 3h30–4h totais de “porta a porta” num dia normal. Se chover muito ou se você pegar espera longa no ferry, acrescente 30–60 minutos.
  • Ônibus expressos: 6–7h até pisar na ilha, se tudo encaixar. A van “joint ticket” Khao San costuma adicionar um pouco de tempo por causa das paradas e mudança de veículo, mas pouca coisa.
  • Carro/transfer: 5–6h dirigindo + ferry + mais um tantinho do outro lado. Saindo antes das 7h de Bangkok, eu quase sempre cheguei para almoçar na praia.
  • Estratégia de ouro: se sua passagem internacional chega em Bangkok no fim do dia, não lute contra a maré. Durma na cidade (de preferência perto do terminal/ aeroporto que você usará de manhã) e pegue o primeiro vôo/ônibus/transfer. Você troca ansiedade por silêncio.

E se eu quiser decidir tudo de última hora?
Funciona. Mas, na alta (dezembro–fevereiro e feriados tailandeses), os ônibus enchem, transfers privados encarecem e hotéis disputados se esgotam. Duas reservas que eu costumo deixar fechadas com antecedência: o vôo para Trat (se for voar) e a primeira noite de hotel na ilha (para poder dizer ao motorista para onde ir sem rolar a roleta russa de “qual praia tem vaga?”).

Dinheiro, sinal e outras miudezas que fazem a viagem andar

  • Dinheiro vivo: leve baht para songthaews, lanches no píer e pequenos gastos. Há caixas eletrônicos em Koh Chang (White Sand, Klong Prao, Kai Bae etc.), mas taxas para cartão estrangeiro doem. Eu costumo sacar em Bangkok e ir abastecido.
  • Chip de internet: AIS, True e DTAC funcionam bem na costa oeste. No leste e no miolo montanhoso, o sinal some — o que, para mim, é quase um presente.
  • Bagagem: mala de rodinha roda nos píers e entra no ferry sem drama. Só não esqueça que a ilha tem ladeiras; se você pretende se mover sozinho a pé entre praias, uma mochila é mais simpática com suas costas.
  • Seguro: básico, mas eu repito — tenha um seguro de viagem que cubra motor (aluguel de scooter, se você for cair nessa), atividades ao ar livre e saúde em geral. Hospital bom na região existe, mas ninguém viaja para testar.

Qual píer escolher (e por quê)

  • Se você vem de carro/transfer e vai se hospedar na costa oeste (White Sand → Bang Bao), Ao Thammachat → Ao Sapparot é o atalho prático.
  • Se você quer fugir de fila gigante em feriado, dá uma olhada no Centerpoint: às vezes cinco minutos a mais no mar te poupam 90 na fila da terra.
  • Se você está em Trat cidade e vai de songthaew, os dois funcionam; muitos motoristas preferem Ao Thammachat pela frequência.

“Tem trem para Trat?”
Não. Essa é uma das pegadinhas clássicas. A rede ferroviária tailandesa não alcança Trat. Se alguém te vender “Bangkok → Trat de trem”, na prática você vai até Chachoengsao ou semelhante e depois completa por estrada — perda de tempo. De trem, guarde sua vontade para Ayutthaya, Chiang Mai, Surat Thani… Para Koh Chang, é asfalto ou ar.

Onde ficar em Koh Chang (30 segundos de bússola para não errar a praia)

  • White Sand (Hat Sai Khao): mais estruturada, fácil para comer/comprar, praia bonita. Se é a sua primeira vez na ilha e você quer comodidade, é aposta segura.
  • Klong Prao: longa, com mar geralmente calmo, resorts pé‑na‑areia e silêncio bom. Minha preferida para combinar praia + sossego.
  • Kai Bae: restaurantes charmosos, vista para ilhotas, clima de “vila moderna”.
  • Lonely Beach: mais jovem, mochileira, música até tarde em cantos específicos. Para festa, é aqui.
  • Bailan e Bang Bao: mais rústicas, atmosfera de fim de linha (no bom sentido). Bang Bao tem o píer de madeira com restaurantes e passeios saindo.
  • Lado leste: mais local, pouco turismo, vilarejos e manguezais. Bom para quem curte estrada, café escondido e ver a vida passar.

Orçamentos médios (sem prometer centavos)

  • Vôo BKK–Trat: oscila muito. Em promo, já paguei algo na casa de “baixo milhares de baht” por trecho; em alta, sobe. Com bagagem, normalmente fecha num valor que ainda pode valer mais do que 6–7 horas de estrada, dependendo do seu humor.
  • Ônibus/van: barato. Bilhetes Bangkok → Trat/Laem Ngop costumam custar “dinheiro de jantar simples”, e o ferry, “dinheiro de café reforçado”. Mesmo somando transfers, fica gentil.
  • Transfer privado: varia com veículo/temporada. Em grupo, quase sempre compensa versus voar.
  • Carro alugado: diária honesta em Bangkok, combustível barato comparado ao Brasil, pedágios civilizados. Some o ferry do carro à conta.

O que eu aprendi na marra (e poupa você de repetir)

  • Último ferry não é meta — é cilada. Mire chegar no meio do dia. Se der ruim, pernoite em Trat e pare de brigar com o relógio.
  • Scooter na chegada, não. Descanse, entenda as curvas, veja se choveu. A ladeira de Kai Bae não tem pena de novato.
  • Notas pequenas fazem amigos. Do táxi em Bangkok ao songthaew no píer, ter 20–50 baht facilita tudo. Ninguém gosta de trocar 1.000 no meio da correria.
  • “Joint ticket” só é bom se for com operador organizado. Quando é, a viagem flui que é uma beleza; quando não é, você vira pacote passando de mão em mão. Leia avaliações e, se possível, compre com quem seu hotel recomenda.
  • Feriados tailandeses mudam o jogo. Songkran (abril) é alegre, molhado e lotado; Ano-Novo idem. Saia ainda mais cedo ou mude a data.

Pequenas escolhas de sustentabilidade (que não custam o pôr do sol)

  • Prefira ferry grande a speedboat longo: menos consumo por passageiro e mais segurança.
  • Leve sua garrafa e peça refil em cafés/hotéis — a ilha ainda luta com gestão de resíduos.
  • Protetor solar amigo do recife. Sim, mesmo que você “só” vá molhar o pé. O mar agradece.
  • Recolha seu lixo (e o que encontrar por perto). Em ilha, tudo fica mais visível — para o bem e para o mal.

Do aeroporto ao primeiro mergulho de mar: um roteiro redondo que eu repito

  • Chegada internacional noturna em Bangkok. Ao invés de tentar cruzar a cidade esgotado, eu durmo perto de Suvarnabhumi (BKK).
  • Vôo cedo para Trat (PG), transfer compartilhado, ferry no meio da manhã, check‑in em Klong Prao antes do almoço.
  • Tarde de reconhecimento, pôr do sol na areia, jantar cedo com arroz jasmim e peixe grelhado, sono longo.
  • Dia 2, scooter só depois de ver o clima; se chover, massagem e cachoeira; se abrir o sol, praia longa e café olhando o mar.
  • Na volta, se meu vôo internacional sai cedo, eu durmo a última noite em Bangkok. Se sai à tarde/noite, dá para fazer a travessia de manhã e chegar com calma.

E se eu estiver com crianças/idosos?
Vôo + transfer compartilhado é a escolha menos cansativa. Se o orçamento permitir, um transfer privado que cruza o ferry com você é quase um abraço logístico — ninguém desce/ sobe mala toda hora, e você controla as paradas para banheiro e lanche. Na ilha, praias como Klong Prao e Klong Kloi (perto de Bang Bao) costumam ter mar mais manso. Evite as ladeiras nos horários de chuva.

Dúvidas rápidas que sempre aparecem

  • Dá para fazer bate‑volta de Bangkok? Dá, na teoria (vôo cedo, volta à noite). Na prática, você vai passar o dia no transporte e ver pouco. Eu não recomendo. Koh Chang pede pelo menos 3 noites para respirar.
  • Preciso reservar o ferry com antecedência? Passageiro a pé, quase nunca. Carro em feriadões, ajuda — mas o normal é chegar, comprar e embarcar.
  • Qual píer em Bangkok para o ônibus? O Terminal Leste (Ekkamai) é o eixo principal para Trat/Laem Ngop. Mo Chit também tem opções, mas Ekkamai é a aposta direta.

No fim das contas, visitar Koh Chang a partir de Bangkok é escolher qual relógio você quer: o do avião que te entrega na ilha com a cabeça leve, o do ônibus que te mostra a Tailândia pelos vidros, o do carro que te dá liberdade de parar onde quiser, ou o do transfer que só exige que você sente e olhe a estrada passar. Todos funcionam. Eu já fiz todos e repetiria cada um em fases diferentes da vida. O segredo está em respeitar a maré (literal e figurada), sair cedo quando a logística assim pede, não se apegar ao último ferry e lembrar que a viagem começa na saída de Bangkok, não quando você pisa na areia. Quando o ferry se afasta de Laem Ngop e Koh Chang aparece como uma muralha verde no horizonte, a sensação é sempre a mesma: você fez a escolha certa — e a ilha, desse lado do mapa, tem um jeito especial de agradecer quem chega sem pressa.

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