Como é o Royal Ontario Museum em Toronto no Canadá

Na esquina da Bloor Street com a Avenue Road, no coração do bairro mais sofisticado de Toronto, uma estrutura audaciosa e desconcertante captura o olhar e a imaginação. Uma explosão de vidro e aço, em formas angulares e assimétricas, parece brotar de um edifício histórico de pedra, criando um diálogo arquitetônico entre o passado e o futuro. Este é o Royal Ontario Museum, ou simplesmente ROM, o maior e mais visitado museu do Canadá. E sua fachada icônica, conhecida como o “Cristal Michael Lee-Chin”, é apenas o prelúdio para os tesouros de classe mundial que guarda em seu interior.

Fonte: Get Your Guide

Visitar o ROM não é apenas um passeio; é uma expedição épica através de continentes e eras. Em um único dia, é possível caminhar entre esqueletos colossais de dinossauros, maravilhar-se com o brilho de gemas raras, decifrar hieróglifos em sarcófagos egípcios, admirar a delicadeza de uma cerâmica da dinastia Ming e ficar cara a cara com a biodiversidade do Canadá. Com mais de 13 milhões de objetos e espécimes em sua coleção, distribuídos em 40 galerias, o ROM é um universo de conhecimento, cultura e descoberta, uma instituição que consegue ser, ao mesmo tempo, um centro de pesquisa de ponta e uma das atrações mais acessíveis e fascinantes de Toronto.

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Uma Fusão de Mundos: Arquitetura e História

A história do ROM começa em 1914, com a inauguração de seu edifício original, uma bela estrutura neorromânica de tijolo e terracota que hoje compõe a ala oeste do museu. Ao longo do século XX, o museu expandiu-se para acomodar sua crescente coleção. No entanto, foi em 2007 que o ROM se transformou no marco arquitetônico que é hoje. O arquiteto Daniel Libeskind, mundialmente famoso por projetos como o Museu Judaico de Berlim, foi encarregado da renovação.

Inspirado pelas formações cristalinas da galeria de minerais do próprio museu, Libeskind projetou o “Cristal”. Esta adição desconstrutivista, composta por cinco prismas interligados e revestida com 25% de vidro e 75% de alumínio, criou um novo e dramático hall de entrada, inundado de luz natural. A justaposição do antigo e do novo foi controversa, mas inegavelmente bem-sucedida em sua missão: transformar o ROM em um ícone do século XXI e criar um espaço que reflete a natureza dinâmica e multifacetada de suas coleções.

O Mundo Natural: Dinossauros, Mamíferos e a Riqueza da Vida

Para muitos visitantes, especialmente as famílias, a jornada pelo ROM começa no segundo andar, no coração do Mundo Natural. A Galeria de Dinossauros James e Louise Temerty é, sem dúvida, a atração principal. O espaço é dominado pela presença imponente de “Gordo”, um dos esqueletos de Barosaurus mais completos do mundo, cuja postura defensiva, empinado sobre as patas traseiras para proteger seu filhote, é de tirar o fôlego.

Ao redor dele, um verdadeiro “Jurassic Park” de fósseis se revela. Esqueletos de Tyrannosaurus Rex, Triceratops e Stegosaurus compartilham o espaço com descobertas mais raras e significativas, muitas delas provenientes dos ricos sítios de fósseis do Canadá, como o Burgess Shale na Colúmbia Britânica. A galeria é interativa e educativa, mostrando não apenas os ossos, mas também o trabalho dos paleontólogos e as mais recentes teorias sobre a vida e a extinção desses gigantes.

Adjacente aos dinossauros, a Galeria da Idade dos Mamíferos continua a narrativa da evolução, exibindo esqueletos de mastodontes, tigres-dentes-de-sabre e o gigantesco bicho-preguiça terrestre. A Galeria da Biodiversidade Schad oferece um panorama vibrante da vida na Terra hoje, com centenas de espécimes que ilustram a complexa teia da vida e a urgência da conservação.

Uma das joias escondidas e imperdíveis é a Caverna dos Morcegos (Bat Cave), uma recriação imersiva de uma caverna da Jamaica, onde os visitantes caminham por um ambiente escuro e úmido, com sons e modelos realistas de mais de 800 morcegos, proporcionando uma experiência sensorial única sobre o comportamento desses mamíferos voadores.

As Culturas do Mundo: Uma Viagem Através da Civilização Humana

O primeiro andar do ROM é dedicado às Culturas do Mundo, oferecendo uma viagem extraordinária através da história da humanidade. As galerias da Ásia são particularmente notáveis e estão entre as melhores do mundo ocidental. A Galeria de Arquitetura Chinesa abriga um conjunto espetacular de túmulos da dinastia Ming, incluindo as imponentes figuras de guardiões e animais que ladeavam o “Caminho dos Espíritos” do General Zu Dashou. A Galeria de Esculturas de Templo Chinês é dominada por três enormes murais de parede do período Yuan, meticulosamente preservados, que transportam o visitante para o interior de um mosteiro budista do século XIII.

As Galerias da Europa exibem desde armaduras medievais e artefatos renascentistas até salas de época e artes decorativas, traçando a evolução cultural do continente. As Galerias do Egito são um fascínio constante, com uma coleção impressionante de sarcófagos, múmias (incluindo a de Antjau, um supervisor de templos), joias e objetos do cotidiano que revelam os segredos da vida e da morte no antigo Nilo.

O ROM também dá um destaque merecido às culturas indígenas do Canadá. A Galeria das Primeiras Nações Daphne Cockwell é um espaço poderoso e comovente, que celebra a arte, a história e a resiliência dos povos indígenas do país através de totens, vestimentas, ferramentas e obras de arte contemporâneas.

Gemas, Minerais e Meteoritos: Os Tesouros da Terra

Para os amantes de tudo que brilha, a Galeria de Gemas e Ouros Teck e a Galeria de Minerais S.R. Perren são um deleite visual. A coleção é uma das mais importantes do mundo, exibindo desde pepitas de ouro maciças e diamantes brutos até uma variedade estonteante de pedras preciosas lapidadas. A estrela da coleção é a “Luz do Deserto”, a maior cerussita facetada do mundo, uma gema de 900 quilates que brilha com um fogo extraordinário. A galeria também exibe meteoritos, incluindo fragmentos do meteorito de Tagish Lake, que oferecem um vislumbre tangível do cosmos.

Dicas para uma Exploração Perfeita do ROM

Navegar por um museu tão vasto pode ser desafiador. Aqui estão algumas dicas para otimizar sua visita:

  • Planeje com Antecedência: Visite o site do ROM antes de ir. Verifique os horários de funcionamento e se há exposições temporárias de seu interesse. O museu é enorme, então é uma boa ideia escolher algumas galerias prioritárias para não se sentir sobrecarregado.
  • Compre Ingressos Online: Comprar ingressos com antecedência economiza tempo em filas, especialmente durante fins de semana e feriados.
  • Tempo de Visita: Uma visita superficial pode levar de 3 a 4 horas. Para explorar com mais profundidade, reserve um dia inteiro. Se o tempo for curto, foque em um andar: o segundo para Mundo Natural (dinossauros) ou o primeiro para Culturas do Mundo (China, Egito).
  • Visitas Guiadas e Audioguias: O museu oferece visitas guiadas gratuitas em horários específicos, que são uma ótima maneira de obter insights de especialistas. Audioguias também estão disponíveis para aluguel.
  • Acessibilidade: O ROM é totalmente acessível para cadeiras de rodas e carrinhos de bebê, com elevadores e rampas em todo o edifício.
  • Eventos Especiais: Fique atento ao “ROM After Dark” (RAD), um evento temático para maiores de 19 anos que acontece em noites selecionadas, com música, DJs, comida e bebida, oferecendo uma forma completamente diferente de experimentar o museu.

O Royal Ontario Museum é mais do que um repositório de artefatos; é um centro vibrante de narrativa, um lugar onde as histórias da Terra e de seus habitantes são contadas com paixão e rigor científico. É uma instituição que educa, inspira e nos lembra da incrível jornada da vida e da civilização. Para qualquer viajante em Toronto, cruzar as portas de cristal do ROM é o primeiro passo para uma aventura inesquecível através do tempo e do espaço.

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