Como é Hospedar no 14º Arrondissement em Paris

O 14º arrondissement. Essa região, por si só, já carrega uma história e uma atmosfera diferentes dos bairros mais “cartão-postal”. Penso nos artistas e intelectuais que circularam por ali, na efervescência cultural que ainda ecoa em alguns cafés e galerias, mesmo que de um jeito mais discreto hoje em dia. A Avenue du Maine, onde o Campanile está, é uma artéria importante que corta essa parte de Paris. Ela tem uma vida própria, comércios, restaurantes, aquele movimento típico de uma cidade que funciona de verdade, com os parisienses vivendo suas vidas, comprando pão, indo ao trabalho. E isso, para mim, já é um ponto extra. Gosto de sentir o pulso real da cidade, sabe?

Vista do bairro a partir do Campanile Paris 14 – Maine Montparnasse

A estação Montparnasse-Bienvenüe, que é um hub de metrô gigantesco, não fica a uma distância que te faça perder o fôlego. De lá, você pega as linhas 4, 6, 12 e 13. Linha 4 te leva direto para a Ilha da Cidade, Notre Dame, Le Marais, tudo isso. A 6 faz uma curva interessante pela margem esquerda, passa por Bir-Hakeim (com uma vista linda da Torre Eiffel!) e vai até a direita. A 13 cruza a cidade norte-sul. Ou seja, você está conectado. Sem contar o RER B na estação Port-Royal, que também não é um absurdo de longe, e te liga ao aeroporto Charles de Gaulle, caso você esteja chegando ou saindo por lá. É uma conveniência que, para quem não quer perder tempo com deslocamentos complicados, é ouro.

Para mim, isso é um ponto decisivo. Posso até abrir mão de estar hospedado na frente do Louvre se sei que chego lá em 15, 20 minutos de metrô, sem baldeações complicadas. A prioridade é sempre otimizar o tempo e a energia para curtir a cidade, e não para ficar perdido no transporte público.

O Montparnasse em si, para além da avenida, é um bairro que eu aprecio bastante. A Torre Montparnasse, por mais que não seja a torre mais “bonita” de Paris (alguns a odeiam, eu acho que ela tem seu charme brutalista e oferece uma das melhores vistas da Torre Eiffel, justamente porque a Torre Montparnasse não aparece na foto, haha!), está ali pertinho. E a região ao redor dela é cheia de restaurantes e brasseries históricas. O La Coupole, o Le Dôme, o La Rotonde… são verdadeiros pedaços da história parisiense, onde artistas e escritores se reuniam no início do século XX. Sentar-se em um desses lugares e imaginar a efervescência de outrora é uma experiência que me agrada muito. Não é um turismo de “check-list”, é de imersão.

A Gare Montparnasse também está bem ali. Se você pretende fazer bate-e-volta para outras cidades da França, como o Vale do Loire ou Bordeaux, ter a estação por perto é uma mão na roda que só quem já teve que atravessar Paris com malas para pegar um trem entende. É um alívio logístico que poupa tempo e estresse.

Outro ponto que talvez seja importante para alguns: a vida noturna mais agitada, com bares da moda e baladas, não estará na sua porta. Montparnasse tem seus pubs e bares, claro, mas não é o epicentro da vida noturna jovem, como Oberkampf ou Bastille. Se seu plano é voltar tarde da noite a pé de uma festa, pode ser que a região do hotel seja um pouco mais tranquila e menos movimentada do que você esperaria. Mas, de novo, o transporte público funciona muito bem até tarde, e os táxis ou VTCs (Uber e similares) são sempre uma opção.

Pense também na questão da segurança. O 14º arrondissement é, em geral, um bairro tranquilo e residencial, com baixo índice de criminalidade. Na Avenue du Maine, por ser uma via mais movimentada, você terá gente circulando. Eu, pessoalmente, sempre me senti segura nessa área, mesmo à noite, mas é claro que as precauções básicas de qualquer cidade grande se aplicam. Ficar atento aos seus pertences, não andar com grandes quantias de dinheiro, evitar locais ermos e mal iluminados. O bom senso, como sempre, é o melhor guia.

Para resumir minha impressão, e de quem já andou bastante por Paris: a localização é estrategicamente muito boa para quem prioriza a mobilidade, o acesso fácil a todas as partes da cidade e a praticidade de ter comércio e serviços à mão. Você estará em um bairro autêntico, que respira uma Paris mais local, menos turística no dia a dia, mas com uma história riquíssima a ser descoberta. Não é a localização para quem busca o “glamour” na porta do hotel, mas é perfeita para o viajante inteligente que quer explorar Paris de verdade, se misturar um pouco com os locais e ter uma base confortável e bem conectada. Eu diria que é uma aposta sólida, especialmente se você já está acostumado com a dinâmica de grandes cidades e valoriza a logística acima de tudo.

Você tem um prato cheio de coisas interessantes para ver e fazer, especialmente se você gosta de uma Paris que respira história, arte e um ritmo um pouco menos frenético do que o centro hiper turístico. Vamos lá, como quem já andou por essas bandas:

1. A Torre Montparnasse e sua Vista Deslumbrante: Eu sei que muita gente torce o nariz para ela, mas vamos ser sinceros: a vista do topo da Torre Montparnasse é, para mim, uma das mais espetaculares de Paris. Por quê? Porque é o único lugar de onde você vê Paris inteira com a Torre Eiffel incluída na paisagem. E isso, meu caro, não tem preço. Principalmente no pôr do sol, quando a cidade começa a acender suas luzes e a Torre Eiffel pisca, é mágico. O acesso ao observatório fica ali, bem na região central de Montparnasse, a uma caminhada bem tranquila do seu hotel. Subir lá é quase uma obrigação, para ter uma dimensão real da cidade.

2. O Cemitério de Montparnasse: Pode parecer mórbido para alguns, mas os grandes cemitérios de Paris são verdadeiros museus a céu aberto, e o de Montparnasse é um dos meus favoritos. É um lugar de uma paz impressionante, com árvores centenárias e sepulturas que são verdadeiras obras de arte. Ali estão enterrados nomes como Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir, Charles Baudelaire, Serge Gainsbourg, e muitos outros. Caminhar por suas alamedas é um convite à reflexão, à história da arte e da literatura francesa. É um passeio que te tira do burburinho da cidade e te conecta com outra Paris. Eu sempre tiro um tempo para visitar um desses cemitérios, acho que faz parte da alma da cidade.

3. Museu Bourdelle: Este é um dos meus “segredos” favoritos em Paris. Fica bem perto da Gare Montparnasse, então, de novo, a uma caminhada agradável do hotel. É o antigo ateliê e casa do escultor Antoine Bourdelle (que foi pupilo de Rodin, para você ter uma ideia da importância). O lugar foi mantido quase intacto, e você pode ver suas esculturas monumentais espalhadas pelos jardins e interiores. É um museu gratuito, e a sensação de estar dentro de um ateliê de um grande mestre é algo único. Pouco turístico, muito autêntico. Uma joia escondida!

4. Fondation Cartier pour l’Art Contemporain: Se você gosta de arte contemporânea e arquitetura moderna, este é um ponto que não pode faltar. Projetado pelo famoso Jean Nouvel, o edifício já é uma obra de arte por si só, com suas paredes de vidro e um jardim vertical. As exposições são sempre interessantes, muitas vezes instigantes e trazem artistas de renome internacional. Fica a uma caminhada um pouco mais longa, mas super agradável, ou um pulinho de ônibus ou metrô. É um contraponto interessante à Paris histórica, mostrando que a cidade está sempre se reinventando.

5. As Brasseries Históricas de Montparnasse: Já mencionei um pouco antes, mas vale reforçar. Lugares como La Coupole, Le Dôme, La Rotonde, Le Select e La Closerie des Lilas são mais do que apenas restaurantes. São pedaços vivos da história parisiense, onde Hemingway, Picasso, Fitzgerald, Sartre e tantos outros passaram horas discutindo a vida, a arte e o universo. Mesmo que seja apenas para um café ou uma taça de vinho, sentar-se em um desses lugares é uma viagem no tempo. A atmosfera ainda tem um quê de “velha Paris”, e observar as pessoas ali já é um espetáculo.

6. As Catacumbas de Paris: Ok, este é um pouco mais “pesado”, mas é uma experiência turística inesquecível e fica super perto! Você desce a um mundo subterrâneo de túneis onde os ossos de milhões de parisienses foram realocados. É fascinante, um pouco assustador, e te faz pensar sobre a vida e a morte. Mas um conselho meu: reserve seus ingressos com muita antecedência online! A fila pode ser gigantesca, e com a reserva, você evita um baita perrengue. É uma atração única que realmente fica no seu entorno.

7. Jardin Atlantique: Diretamente acima da Gare Montparnasse, este jardim suspenso é um oásis verde e moderno. É um lugar interessante para uma pequena pausa, um piquenique improvisado, ou simplesmente para observar o movimento lá de cima. Não é uma atração “must-see” no sentido tradicional, mas é um bom refúgio se você quer um pouco de ar puro sem ir muito longe.

8. Ruas e Vida Local: Não subestime o prazer de simplesmente caminhar pelas ruas do 14º arrondissement. Afaste-se um pouco das avenidas principais e explore as ruas menores. Você vai encontrar pequenas lojas de designers locais, galerias de arte menos conhecidas, padarias com cheiro irresistível e a vida cotidiana parisiense acontecendo de verdade. Essa é a parte que eu mais gosto: se perder um pouco e encontrar seu próprio cantinho. A rua Daguerre, por exemplo, é uma ruazinha de pedestres cheia de vida, com comércio local, restaurantes e um charme adorável, perfeita para uma caminhada exploratória e para sentir a “vibe” do bairro.

Embora não seja o entorno mais “fotogênico” no sentido de cartões postais óbvios, o 14º arrondissement, especialmente ao redor do seu hotel, oferece uma gama rica de experiências que vão desde a história e a arte até vistas panorâmicas, e tudo isso com a conveniência de estar super bem conectado. É uma Paris um pouco diferente, mas igualmente (ou até mais) cativante, na minha humilde opinião de viajante.

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