Como é a Praia de Blue Bay nas Ilhas Maurício

Blue Bay, Ilhas Maurício: tudo o que você precisa saber antes de ir. Blue Bay é, sem exagero, uma das praias mais bonitas do Oceano Índico — e quem já pisou ali vai entender por que é difícil sair.

Vista do Holiday Inn Mauritius Mon Trésor by IHG

Fica no sudeste de Maurício, a cerca de 10 minutos do Aeroporto Internacional Sir Seewoosagur Ramgoolam. Isso significa que, logo depois de desembarcar, você já pode estar com os pés na areia mais branca que vai ver na vida. Não é uma área de turismo de massa como Grand Baie no norte — e esse é exatamente o charme do lugar. Blue Bay tem aquela sensação de que o turismo ainda não engoliu tudo.


O que é Blue Bay, de verdade

A primeira coisa que chama atenção é a cor da água. O nome é literal: é uma baía onde o azul tem camadas. Perto da areia, quase transparente. Mais fundo, turquesa intenso. Um pouco além, o azul escuro do oceano. E tudo isso dentro de uma baía naturalmente protegida dos ventos, o que deixa o mar quase sempre calmo.

A praia principal é pública. Qualquer um pode usar, sem pagar nada. A areia é fina, clara, e tem coqueiros e casuarinas fazendo sombra nas bordas — o que é uma bênção quando o sol bate forte no meio do dia, o que acontece com frequência.

O que elevou Blue Bay ao status que tem hoje foi o Blue Bay Marine Park, criado em 1997. São 353 hectares de área marinha protegida, com mais de 50 espécies de coral — algumas com mais de 800 anos — e perto de 80 espécies de peixes. Não é propaganda: é uma das reservas marinhas mais bem preservadas do Oceano Índico.


A vida embaixo d’água

Vou ser direto: se você vai a Blue Bay e não entra na água, está perdendo o melhor do lugar.

O snorkeling já a partir da beirada da praia já revela peixes-palhaço, donzelas, peixe-anjo, peixe-gatilho. A visibilidade é absurda em dias de sol. A profundidade na parte mais próxima à praia é de 2 a 4 metros, o que torna fácil mesmo para quem não tem experiência.

Agora, para ver o melhor do parque marinho — os corais mais intactos, as áreas 1 e 2 da reserva — é necessário fazer o passeio de barco guiado. Você encontra os operadores direto na praia, perto do pequeno píer. O preço gira em torno de 1.000 rúpias por pessoa (algo como R$ 130 a R$ 150, dependendo do câmbio). Vale muito.

Tem também os passeios de barco com fundo de vidro para quem não quer mergulhar. Uma boa opção para crianças pequenas ou para quem simplesmente quer ver os corais sem molhar o cabelo. Os barcos ficam ancorados na praia o dia inteiro e os vendedores abordam com gentileza — nada muito invasivo.

Se você tiver sorte — e eu digo sorte porque não é garantido — pode encontrar tartarugas. Golfinhos também aparecem vez ou outra. Não é raro, mas também não é todo dia.


Estrutura da praia e arredores imediatos

Blue Bay não é uma estação turística cheia de arranha-céus e bangalôs de luxo pichados em outdoors. É um vilarejo de verdade. Pequeno, tranquilo, mas funcional.

Na beira da praia há um estacionamento público gratuito. Tem banheiros e duchas funcionando — nada de luxo, mas limpos o suficiente. Há um pequeno mercado local com produtos regionais, artesanato, cocada, frutas. Não é o tipo de lugar para compras grandes, mas dá para pegar lembrancinhas.

Um único buffet fica na praia. O conselho que circula entre quem já foi: leve comida e bebida. O buffet é caro pelo que entrega, e as opções de restaurante na praia em si são limitadas. A lógica é montar um piquenique, sentar na sombra de uma casuarina e passar a tarde assim.


Restaurantes e bares em Blue Bay

Aqui mora um ponto importante: Blue Bay não tem uma rua de restaurantes vibrante como você encontraria em outras praias de Maurício. O volume de opções é menor, mas o que existe é genuíno.

Na própria orla e nas imediações, há o Tropicana Beach Restaurant, que fica a poucos minutos da praia e é um dos mais citados pelos visitantes. A culinária crioula mauriciana está presente — curry de peixe, camarão grelhado, rougaille (um ensopado típico com tomate e especiarias), arroz basmati. A experiência é simples e saborosa.

Para encontrar mais variedade, o movimento certo é ir até Mahebourg, que fica a cerca de 10 minutos de carro de Blue Bay. Ali sim a coisa abre: mercado local, restaurantes crioulos, barracas de street food, sorvete de baunilha de Bourbon. Mahebourg tem aquela energia de cidade pequena do interior de Maurício — carrinhos de roti na rua, música sega vazando de algum bar, crianças brincando no calçadão à beira-mar.

Um bar que merece menção especial na região: o ambiente costeiro de Mahebourg tem pequenos bares onde se toma Phoenix (a cerveja local) gelada por um preço que não pesa no bolso. Nada de carta de drinques elaborada. Mas nada que a vista do oceano com uma Phoenix não resolva.


Onde se hospedar em Blue Bay

As opções de hospedagem variam bastante. Há resorts de alto padrão, como o Shandrani Beachcomber Resort & Spa, que fica a cerca de 1,4 km da praia e tem acesso direto ao mar, spa completo e culinária de nível internacional. É caro — mas, se você tem orçamento para isso, a experiência é impecável.

Para quem prefere gastar menos e ter mais liberdade, há guesthouses e apartamentos equipados com cozinha espalhados pelo vilarejo. Muitos ficam a 5 minutos a pé da praia e oferecem quartos limpos, ar-condicionado e um ambiente mais intimista. O Blue Bay Apartment, por exemplo, é bem avaliado, fica a 10 minutos a pé do centro e perto do aeroporto. Esse tipo de acomodação faz todo sentido se você planeja alugar um carro e explorar a ilha de forma independente.


Transporte público: sim, existe — mas tem suas limitações

Maurício tem um sistema de ônibus público que funciona e é barato. A linha que conecta Mahebourg a Blue Bay opera com regularidade. Se você estiver hospedado em Mahebourg, é possível pegar um ônibus e chegar à praia pagando pouquíssima coisa. Os ônibus são simples, às vezes cheios no horário de pico, mas funcionam.

Dito isso, a realidade para quem quer explorar o sul da ilha com conforto e liberdade é outra: alugar um carro é a melhor decisão que você pode tomar. As estradas do sul de Maurício são muito boas, o tráfego não é caótico como em outras partes da ilha, e dirigir aqui é um prazer — especialmente nas estradas costeiras entre Blue Bay, Pointe d’Esny e Le Souffleur.

Outra opção são os táxis. Os motoristas mauricianos são, em geral, cordiais e conhecem bem a ilha. Muitos falam inglês e francês fluentemente. É comum contratar um táxi por dia inteiro para visitar vários pontos do sul — Chamarel, a Garganta do Morne, o ponto de encontro de dois oceanos em Le Souffleur. Um dia de passeio assim custa em torno de 2.000 a 3.000 rúpias.

Aplicativos de transporte? O Uber não opera em Maurício. Há aplicativos locais como o Yelo que funcionam nas cidades maiores, mas na região de Blue Bay o táxi tradicional ainda domina.


Pontos próximos que valem muito

Estar em Blue Bay é uma boa base para explorar o sul de Maurício, que é, na minha opinião, a parte mais bonita da ilha — menos desenvolvida, mais selvagem.

Pointe d’Esny fica a menos de 5 minutos de carro. É uma praia mais tranquila que Blue Bay, frequentada principalmente por moradores locais. A água é igualmente cristalina. Se você quiser um dia sem turistas ao redor, vá lá numa manhã de semana.

Île aux Aigrettes é uma ilha coralina a poucos minutos de barco. É uma reserva natural onde há esforços de preservação de espécies endêmicas de Maurício, como a tartaruga gigante de Aldabra e aves raras. Os passeios são guiados e têm custo, mas são uma experiência diferente de tudo.

Mahebourg já mencionei, mas vale detalhar: o Museu Histórico de Mahebourg é excelente e gratuito. Conta a história da batalha de Grand Port de 1810, única vitória naval de Napoleão que a França comemorou com uma inscrição no Arco do Triunfo. Se você gosta minimamente de história, não pule isso.

Le Souffleur é um ponto natural onde o mar entra numa gruta e projeta jatos de água para o alto, como um gêiser oceânico. Impressionante, especialmente com ondas maiores. Fica a cerca de 30 minutos de Blue Bay de carro.


O comércio no dia a dia

Não espere um shopping ou uma rua de lojas sofisticadas em Blue Bay. O comércio é simples: mercearias, uma farmácia nas proximidades, algumas lojas de artigos para praia. Para compras maiores — supermercado, eletrônicos, roupas — o movimento certo é ir até Rose Belle ou seguir para a região de Mahebourg, que tem mais opções.

Há um pequeno mercado local na praia com frutas tropicais, cocada e artesanato. Os vendedores são simpáticos e não forçam muito. Um cacho de litchis comprado ali por algumas rúpias, comido na sombra olhando para o mar — esse é o tipo de momento que fica na memória.


Quando ir

O período de novembro a abril é verão em Maurício, com temperaturas mais altas e possibilidade de chuvas fortes — é a temporada de ciclones, embora Blue Bay seja relativamente protegida pela geografia do sul da ilha. Maio a setembro é o inverno austral: temperaturas mais amenas, céu limpo, ventos moderados. Para quem vem do Brasil, esse “inverno” seria chamado de verão: 20 a 25 graus na maior parte do tempo.

Visitar nos dias de semana faz diferença. Nos fins de semana, especialmente nos domingos, Blue Bay recebe muitas famílias mauricianas que vêm para o piquenique familiar. A praia fica animada, cheios de crianças, música, cheiro de curry sendo preparado em fogareiros portáteis. É genuíno e bonito à sua maneira — mas se você quer silêncio e espaço, uma terça-feira de manhã é outro universo.


Uma observação que poucos falam

Blue Bay tem corais que sofreram com o branqueamento causado pelo aumento da temperatura do oceano nos últimos anos. Algumas partes da área de snorkeling próxima à orla mostram corais mortos. É uma realidade, não uma surpresa. O fundo do parque marinho, nas áreas mais protegidas acessadas por barco, ainda está em excelente estado — mas é honesto saber que os trechos que você alcança a nado a partir da praia já não são o que eram há 20 anos.

Isso não invalida a experiência. Longe disso. Ainda é o melhor snorkeling que você vai fazer em Maurício. Mas vai com expectativa calibrada.


Blue Bay é daqueles lugares que funcionam para tipos muito diferentes de viajante. Para quem quer resort, spa e all-inclusive tem opção. Para quem quer guesthouse barata, mochila nas costas e liberdade total também funciona. O fio condutor é a beleza do lugar em si, que independe de quanto você gastou para chegar até lá.

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