Como Combinar Chipre e Malta num Roteiro de 10 Dias
Roteiro de 10 dias por Chipre e Malta: como dividir o tempo, organizar os vôos, escolher entre carro e transporte público e encaixar o essencial sem transformar a viagem numa maratona.

Planejar Chipre e Malta no mesmo roteiro é daquelas ideias que parecem ousadas no papel, mas que na prática funcionam lindamente quando você entende a lógica do Mediterrâneo: ilhas compactas, distâncias curtas, história milenar em pouca quilometragem e um clima que convida a estender o pôr do sol com um copo de vinho local. A chave está na divisão do tempo, na escolha dos pernoites e em algumas decisões logísticas — principalmente como se deslocar em cada ilha e qual vôo encaixar entre elas. É um roteiro que já fiz de forma parecida, com ajustes aprendidos na marra: em Chipre, carro é liberdade; em Malta, menos é mais (e ficar bem localizado vale cada euro).
Antes do dia a dia, três verdades ajudam a calibrar expectativas:
- Chipre é maior do que parece e mais “estradista”. Paphos, Limassol, Larnaca, Nicosia, montanhas Troodos e a península de Akamas pedem planejamento de deslocamentos.
- Malta é densa de atrações e compacta, com muita coisa a meia hora de ônibus. Dirigir é possível, mas estacionar pode ser chato nas áreas históricas.
- O trecho entre as ilhas não é um “bate e volta”. Normalmente envolve um vôo (às vezes direto em temporada, muitas vezes com conexão). Reserve metade de um dia para isso e aceite — faz parte do jogo.
Quando ir e o que esperar do clima
- Abril, maio, setembro e outubro são meus preferidos: temperaturas amenas, mar ainda agradável (ou já esquentando), e menos lotação. A vegetação de Chipre fica mais verde no pós-chuva de fim de inverno; em Malta, as falésias brilham sob uma luz menos dura.
- Verão (junho a agosto): calor de verdade, mar convidativo, mas multidões nas praias mais famosas e preços mais altos. Se for nessa janela, ajuste horários para início cedo e fim de tarde, deixando o “miolo” para sombra, museus e almoços longos.
- Inverno (novembro a março): ótimo para quem gosta de arqueologia, cidades antigas e trilhas leves. Em Chipre, dá para pegar flamingos no lago salgado de Larnaca. O mar esfria e passeios de barco dependem do vento.
Documentação, entrada e detalhes práticos para brasileiros
- Passaporte válido e seguro-viagem são o básico. Malta integra o Espaço Schengen; Chipre faz parte da União Europeia, mas tem controle migratório próprio. Em termos práticos: você passará por controle ao entrar em cada um deles. Brasileiros normalmente não precisam de visto para turismo de curta duração, mas confirme regras atualizadas, porque autorizações eletrônicas (como o ETIAS no espaço Schengen) podem estar vigentes ou prestes a vigorar. Consulte sempre os sites oficiais.
- Moeda: euro em ambos.
- Tomadas: padrão britânico (tipo G) nos dois. Traga um bom adaptador.
- Condução: mão inglesa nos dois. Se pretende alugar carro, leve sua CNH brasileira e, preferencialmente, a Permissão Internacional para Dirigir (algumas locadoras pedem). Eu levo sempre para não discutir no balcão.
- Língua: inglês funciona muito bem nas duas ilhas. Em Chipre (lado sul), grego é a língua local; em Malta, maltês e inglês são oficiais.
- Seguro e saúde: recomendo seguro com cobertura de esportes leves (barco, trekking) e calor. A água da torneira é segura em geral, mas em Malta muita gente prefere água mineral por gosto (desalinização deixa um sabor particular).
Como dividir os 10 dias entre Chipre e Malta
Você consegue fazer 5+5 e cobrir o essencial com folga. Se a sua praia é praia (literalmente), 6 dias em Chipre (para incluir mais costa leste) e 4 em Malta também funciona. Mas o 5+5 é equilibrado:
- Chipre (5 dias): baseie 2 noites em Larnaca (ou Limassol) para explorar lado leste e Nicosia, e 3 noites em Paphos para arqueologia e a natureza de Akamas.
- Malta (5 dias): 3 noites em Valletta ou Sliema (base urbana, logística fácil), 1 noite em Gozo (silêncio, céu estrelado), e a última noite volta para a região de Valletta caso o vôo saia cedo.
Sobre vôos entre as ilhas
- Malta (MLA) ↔ Chipre (Larnaca LCA ou Paphos PFO): fora de alta temporada, normalmente há conexão (Atenas, Roma, às vezes Londres). Em algumas temporadas existem vôos diretos, especialmente Paphos–Malta por low-cost. Eu não contaria com direto sem checar, então planeje metade de um dia para o deslocamento e tente voar na hora do almoço: você “gasta” o período menos nobre e ainda aproveita manhã e noite nos destinos.
- Dica de bilhete: pesquise multi-cidades (Brasil → Chipre; Malta → Brasil) para evitar volta ao ponto de origem. Emite uma perna low-cost entre as ilhas, atento à bagagem de mão (as políticas são rigorosas).
Transporte em cada ilha: carro ou ônibus?
- Chipre: alugue carro. As vias são boas, sem pedágios nas principais, e a liberdade de encaixar praias, sítios arqueológicos e vilarejos das montanhas no mesmo dia é impagável. Só respeite a mão inglesa, use o Waze/Google Maps e não subestime curvas em Akamas.
- Malta: dá para fazer tudo de ônibus (barato e relativamente frequente), combinando ferry quando conveniente (Valletta–Sliema, Valletta–Three Cities, Malta–Gozo). Se for alugar carro, evite dirigir e estacionar dentro de Valletta; hospedar-se em Sliema com ferry direto para Valletta costuma ser o melhor dos mundos.
O roteiro dia a dia (5+5 equilibrado)
A divisão abaixo considera chegadas padrão e o vôo entre ilhas no Dia 6, na hora do almoço. Adapte a ordem à sua malha aérea.
Dia 1 — Chegada a Chipre (Larnaca), mar no fim da tarde Nada de grandes metas no primeiro dia. Larnaca é uma porta de entrada tranquila. Faça o check-in, pegue o carro (se for o caso) e vá direto sentir a cidade. Caminhe pela Finikoudes Promenade, veja a Igreja de São Lázaro (linda no entardecer) e, se ainda houver luz, estique até o Hala Sultan Tekke às margens do lago salgado. Em temporada migratória, flamingos pintam o cenário — é uma lembrança que fica.
- Tempo de deslocamento: aeroporto → centro de Larnaca, 15–20 minutos.
- Jantar: meze cipriota para experimentar um pouco de tudo (haloumi grelhado, kleftiko, saladas generosas). Não economize nas entradas; é onde mora a alma da cozinha local.
Dia 2 — Costa leste: Ayia Napa, Cabo Greco e Protaras Saia cedo rumo a Ayia Napa. A água aqui tem aquele azul-turquesa meio “inacreditável de verdade”. A Nissi Beach é famosa, mas eu curto começar pelo Cabo Greco: trilhas curtas, arcos rochosos e grutas marinhas rendem fotos e um banho de mar com cara de privativo se você pegar cedo. Depois, escolha uma praia de base (Fig Tree Bay em Protaras é excelente) e aceite perder a noção do tempo.
- Larnaca → Cabo Greco: ~50 min.
- Almoço leve: peixes e saladas em tavernas simples, sempre com pão quentinho.
- Volta no meio da tarde para evitar dirigir à noite cansado. Se sobrar fôlego, um sorvete na orla de Larnaca fecha o dia.
Dia 3 — Nicosia (Lefkosia) e o encontro de duas realidades Nicosia é a última capital dividida da Europa. Dirija até o centro, estacione nos arredores e faça tudo a pé. Atravessar a Green Line pelo posto da Ledra Street é uma experiência marcante — documento em mãos e respeito às regras. Mesmo que você só dê uma olhada rápida do lado norte, a simples visão da linha de demarcação já explica muito da história recente da ilha.
- Museus que valem: Leventis Municipal Museum (compacto e bom para contexto) e o Cyprus Museum (arqueologia rica, se você curte).
- Café na Ledra com gente local, sem pressa.
- No fim do dia, em vez de voltar a Larnaca, você pode já seguir a Limassol ou diretamente a Paphos para otimizar o dia seguinte. Pessoalmente, gosto de dormir em Paphos nesta terceira noite: você acorda no “coração histórico” da etapa oeste.
- Larnaca → Nicosia: ~45 min a 1h. Nicosia → Paphos: ~1h45.
Dia 4 — Limassol, Kourion e o litoral de cartão-postal rumo a Paphos Se dormiu em Paphos, faça um bate-volta sentido leste; se ainda está se movendo, programe as paradas no caminho:
- Kourion (Curium): ruínas greco-romanas no alto de um penhasco debruçado sobre o mar. O teatro é de arrepiar, ainda mais com vento soprando. Leve chapéu.
- Petra tou Romiou (Pedra de Afrodite): uma enseada fotogênica onde, segundo a lenda, Afrodite nasceu das espumas. Não é exatamente para passar horas, mas o mergulho simbólico vale.
- Limassol: se quiser almoço de cidade, a marina concentra restaurantes e cafés modernos.
- Distâncias: Paphos ↔ Kourion ~50 min; Kourion ↔ Limassol ~20 min; Limassol ↔ Petra tou Romiou ~30–40 min.
- Tarde e noite em Paphos: caminhe pelo porto, veja o castelo e o calçadão. Se o sol ainda estiver alto, Coral Bay é um banho gostoso para fechar.
Dia 5 — Paphos arqueológica e um pedaço de Akamas sem correria De manhã, o Paphos Archaeological Park é um dos melhores sítios do Mediterrâneo para ver mosaicos romanos preservados (Casa de Dionísio, Teseu, Orfeu). Vai rápido se você focar no essencial; se você, como eu, adora escavações, poderia passar o dia. Depois do almoço, siga ao norte até Latchi (45 min) para um passeio de barco curto pela península de Akamas. O mar aqui é de um azul translúcido que parece retoque de editor — e não é. Se o vento não ajudar, troque por uma caminhada leve nas trilhas costeiras, igualmente bonitas.
- Dica prática: reserve o barco com antecedência em alta temporada e confirme clima no dia. Não force se o mar estiver mexido.
- Volte a Paphos no fim da tarde e jante cedo. Amanhã é dia de vôo.
Dia 6 — Vôo para Malta e primeira noite em Valletta/Sliema Manhã tranquila em Paphos (ou Larnaca, dependendo do seu vôo). Entregue o carro, embarque e mentalize que esta meia jornada é o “pedágio” para curtir outra ilha-joia. Ao chegar a Malta (MLA), pegue um táxi/app transfer ou ônibus para sua base.
- Onde ficar: eu prefiro Sliema quando quero mobilidade (ferry direto para Valletta e ônibus para todo lado). Se a ideia é mergulhar na história e andar a pé, Valletta seduz com menos esforço — mas prepare-se para ladeiras e escadas.
- Noite: um passeio sem pressa por Valletta já te coloca no clima. A Strada Stretta ferve de bares; o Upper Barrakka Gardens ao pôr do sol tem vista para as “Três Cidades” que é difícil de esquecer.
Dia 7 — Valletta por dentro e as Três Cidades por água Valletta se visita a pé. Comece pela Co-Catedral de São João (o interiores barrocos são espantosos; chegue cedo para evitar grupos), passe pelo Palácio do Grão-Mestre (quando aberto) e caminhe pela Republic Street e Strait Street. O Manoel Theatre, se aberto, rende um salto ao século XVIII.
Almoço em Valletta e, na sequência, pegue o ferry para Vittoriosa (Birgu), Senglea e Cospicua. Caminhar pelo calçamento de Birgu ao entardecer tem aquele silêncio de cinema. Se quiser um ângulo diferente, procure o barco tradicional dgħajsa para cruzar o Grand Harbour. Final do dia de volta a Valletta, talvez com um concerto ou teatro — Malta tem agenda cultural surpreendente.
- Deslocamento: ferries rápidos e baratos conectam Valletta e as Três Cidades em minutos.
Dia 8 — Mdina e Rabat, com falésias ao pôr do sol Mdina é “a cidade do silêncio”. Dentro das muralhas, ruas estreitas e palácios com varandas fechadas em madeira pintada. Caminhe sem roteiro; cada esquina vira fotografia. Ao lado, Rabat oferece as catacumbas de São Paulo e café com pastizzi quentinhos.
- Almoço em Rabat (programe o pãozinho ftira em alguma padaria local).
- Tarde: siga às Dingli Cliffs para o pôr do sol. Se estiver ventando, ainda assim é épico. Gosto de parar em Wied iż-Żurrieq para ver o mar se encarando com as rochas.
- Se o mar permitir, encaixe a Blue Grotto em passeio de barquinho pela manhã (a luz bate melhor cedo). Em dias de vento, os barquinhos não saem: tenha plano B.
Dia 9 — Gozo, com pernoite (opcional) para desacelerar Gozo é a versão mais rural e sossegada de Malta. Dá para fazer bate-volta, mas dormir lá muda a experiência: menos gente, céu estrelado e tempo para deixar a Ilha te mostrar o próprio ritmo.
- Ir até lá: ferry de Cirkewwa (norte de Malta) a Mgarr (Gozo) leva cerca de 20–25 minutos; há também um fast ferry de Valletta.
- Em Gozo, visite a cidadela de Victoria (Rabat), a baía de Xlendi (pôr do sol bonito), Marsalforn, e se o mar estiver manso, a Blue Hole/Dwejra Bay — cenário dramático de rochas e mar.
- Hospedagem: farmhouses de pedra reabilitadas, pequenos B&Bs. Os preços variam muito, mas é possível achar charme com orçamento médio.
Dia 10 — Sul de Malta: Marsaxlokk, Blue Grotto e St. Peter’s Pool (com vôo no fim do dia) Se seu vôo é à noite, aproveite a manhã no sul. Domingos em Marsaxlokk têm mercado e barcos luzzu coloridos; nos demais dias, é mais quieto e eu até prefiro. St. Peter’s Pool é piscina natural com saltos (vá com cuidado, chinelos com boa aderência ajudam). Se a maré/vento não cooperar, volte a Valletta para almoçar e fazer as comprinhas finais.
- Logística: calcule 20–40 min de deslocamentos em Malta; tudo é perto, mas o trânsito pode pegar em horários de pico.
- Vôo: chegue com folga ao aeroporto. Low-costs são impiedosas com horários e bagagem.
Versão praiano (6+4) — se o mar é sua prioridade
- 6 dias em Chipre: mantenha Larnaca e Paphos, mas inclua um dia inteiro extra para as praias de Protaras/Ayia Napa (Cavo Greco com mais calma, Konnos Bay, Fig Tree Bay) e outro para uma trilha ou banho mais longo em Akamas (guardar um tempo para Aphrodite Baths e trilhas curtas).
- 4 dias em Malta: foque em Valletta/Três Cidades, Mdina & Dingli Cliffs e um dia de barco para Comino (Blue Lagoon e Crystal Lagoon) em mar calmo. Gozo vira passeio do tipo “tocar e voltar” ou entra como substituição de um dia de costa sul.
Onde ficar — escolhas que facilitam a vida Chipre
- Larnaca: base prática para chegada/partida e costa leste. B&Bs e hotéis médios com bom custo-benefício perto da orla. Estacione em ruas laterais; atenção a regras locais.
- Paphos: para quem curte história e quer “base única” no oeste. Procure ficar próximo ao porto/centrum para fazer muita coisa a pé à noite. Se a ideia é praia, Coral Bay tem hospedagens com estacionamento fácil.
- Limassol: alternativa urbana com boa gastronomia e posição estratégica entre leste e oeste, se você prefere menos troca de hotel.
Malta
- Valletta: atmosfera histórica, tudo perto, mas ruas com escadas e menos opções com vaga. Ideal para quem quer viver a cidade a pé e usar ferry/ônibus para o resto.
- Sliema: base comodíssima, moderna, cheia de restaurantes, com ferry direto para Valletta e ônibus para toda a ilha. Perfeita para quem não quer dirigir.
- Gozo (se for pernoitar): Victoria (Rabat) facilita deslocamentos; Xlendi e Marsalforn são mais “praiazinhas” com restaurantes na beira.
Carro, estacionamento e pequenas pegadinhas
- Mão inglesa: a adaptação acontece rápido, mas redobre atenção em rotatórias (saída à direita) e ao entrar em ruas menores.
- Estacionar em Malta pode ser um pequeno projeto, sobretudo em Valletta e Mdina. Em Valletta, estacione nos parkings logo fora dos portões e siga a pé. Existem “blue bays” (zonas de estacionamento por tempo) que exigem disco. Em dúvida, pergunte no hotel a regra da sua rua.
- Combustível: ambos usam euro; postos com cartão são comuns. Sem pedágios relevantes para se preocupar.
- Se preferir ônibus: em Malta, o sistema cobre bem a ilha; baixe o app oficial para horários, carregue o cartão e lembre que ar-condicionado salvador de vida existe (e vale cada minuto).
Comida, bebida e pequenas alegrias
- Chipre: peça um meze e deixe a mesa te surpreender. Halloumi grelhado, pão de massa firme, azeite honesto e tomate doce de verdade. Nos vilarejos de Troodos, carnes assadas lentamente (kleftiko) valem o desvio. Vinhos locais são interessantes; Commandaria é um vinho doce histórico para provar ao fim de uma refeição.
- Malta: pastizzi de manhã (ricota ou ervilha), ftira no almoço, coelho (fenek) para jantar se gostar de pratos tradicionais. Cervejas locais (Cisk) geladas e o refrigerante Kinnie dividem opiniões; eu gosto com gelo e limão.
Quanto custa, sem sustos Sem falar de preços “do dia”, dá para se orientar:
- Hospedagem: em ambos os destinos há do econômico ao boutique. Em meia-estação, o “meio-termo confortável” rende boas surpresas, principalmente fora das áreas 100% turísticas.
- Alimentação: tascas e padarias mantêm o orçamento sob controle; refinar um jantar ou outro faz parte — selecione um por destino.
- Transporte: aluguel de carro em Chipre pesado no depósito caução, mas sem pedágios. Ônibus em Malta baratos; ferries custam trocados.
- Passeios: sítios arqueológicos e catedrais têm ingressos honestos. Barcos para Blue Lagoon (Malta) e Akamas (Chipre) variam por temporada e tipo de embarcação.
Checklist essencial (curta, prática e que evita “perrengue”)
- Passaporte válido, seguro-viagem, cartões e um pouco de euro em espécie.
- CNH + PID (recomendado) e cartão de crédito para caução do carro.
- Adaptador tipo G, tomada extra portátil e power bank.
- Tênis leve para caminhadas, chinelo com boa aderência para rochas molhadas.
- Roupa de banho, canga leve, capa corta-vento fina (barco em dia ventoso).
- Óculos de sol, chapéu e protetor solar (muito).
- Apps: mapas offline, tradutor, app dos ônibus de Malta, reserva do carro/vôo.
- Para quem sente o estômago no mar: comprimidos anti-enjoo. Melhor ter e não usar.
Segurança e etiqueta
- São destinos seguros, com bom senso de praxe. Não deixe malas à vista no carro.
- Dress code: praias são praias; em igrejas e espaços religiosos, cobrir ombros/joelhos é sinal de respeito.
- Gorjeta: não é obrigatória, mas 5–10% em restaurantes com serviço atencioso é bem-vindo.
- Mar: respeite bandeiras e avisos de correnteza. Em Malta, dependendo da época, há águas-vivas; locais costumam avisar em grupos e placas.
Ajustes finos que fazem diferença
- Reserve o “grosso” (vôos, hospedagens-base) com antecedência, especialmente julho e agosto.
- Deixe um espaço “elástico” no roteiro (aquela tarde sem programação). Ilhas têm a ver com o prazer de descobrir um mirante imprevisto, uma baía escondida.
- Se o vento apertar, troque barco por museu e vice-versa. Mediterrâneo é assim: caprichoso, mas generoso com quem se adapta.
Resumo do esqueleto (sem virar lista, só para você bater o olho e visualizar)
- Dias 1–2: Larnaca como base para costa leste (Ayia Napa, Cabo Greco, Protaras).
- Dia 3: Nicosia + deslocamento a Paphos.
- Dia 4: Kourion, Petra tou Romiou, Limassol (ou inverso) + noite em Paphos.
- Dia 5: Paphos arqueológica + Akamas (barco ou trilha).
- Dia 6: vôo para Malta + noite em Valletta/Sliema.
- Dia 7: Valletta + Três Cidades (ferry).
- Dia 8: Mdina & Rabat + Dingli Cliffs.
- Dia 9: Gozo com pernoite (ou bate-volta se preferir).
- Dia 10: sul de Malta (Marsaxlokk, Blue Grotto, St. Peter’s Pool) + vôo.
E se a passagem entre ilhas for muito ruim no seu período? Acontece. Às vezes, o único jeito razoável é uma conexão longa. Duas saídas:
- Inverter a ordem (começar por Malta) pode destravar horários melhores.
- Trocar uma noite de Paphos por Limassol ou Larnaca, dependendo do aeroporto de saída, para simplificar a logística.
Pequenos segredos que guardo com carinho
- Em Chipre, os vilarejos nas encostas de Troodos (como Omodos) rendem uma manhã deliciosa, com vinho local e ruelas fotogênicas. Se você tiver fôlego, recorte meio dia para isso no Dia 4.
- Em Malta, o pôr do sol visto do Upper Barrakka Gardens com a salva de canhões (quando ocorre) é cena que mistura história e postcard. Não é segredo, mas emociona mesmo sabendo exatamente o que vai acontecer.
- Em Gozo, acordar cedo e caminhar sem pressa pelo entorno da cidadela de Victoria antes das lojas abrirem é um presente. O silêncio ali parece mais espesso.
Por fim, uma última nota prática sobre realidades mutantes
- Rotas aéreas abrem e fecham conforme a temporada. Já vi Paphos–Malta direto num ano e sumir no seguinte. Se o seu objetivo é minimizar conexões, monitore companhias low-cost e considere flexibilizar um dia para aproveitar o melhor horário disponível.
- Regras de entrada podem mudar. Verifique a situação do ETIAS para Malta e as orientações oficiais para Chipre alguns dias antes do embarque. Evita fila surpresa e dor de cabeça.
No conjunto, combinar Chipre e Malta em 10 dias é sobre aceitar que você não verá “tudo”, mas verá o suficiente para se apaixonar duas vezes. Você cruza ruínas com vista para um mar que insiste em ser azul inacreditável, come bem com simplicidade, dirige por estradas que serpenteiam entre oliveiras e termina em cidades amuralhadas onde a história não é museu — é o chão que você pisa. E quando perceber, vai estar planejando a volta: mais um dia em Akamas, outro em Gozo, quem sabe incluir Comino numa água parada de vidro. É assim que essas ilhas funcionam: sem alarde, te ganham pelo conjunto.