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Como Calcular os Gastos da Viagem em Zurique na Suíça

Zurique sempre teve essa fama de ser uma das cidades mais caras do mundo, e não é exatamente um mito — a realidade bate forte quando você paga quase 30 francos suíços num prato de massa simples ou percebe que até a água no supermercado parece ter preço de artigo de luxo. Mas calcular quanto vai custar uma viagem pra lá não precisa ser um bicho de sete cabeças. Aliás, com planejamento certo e alguma flexibilidade, dá pra aproveitar muito bem sem precisar vender um rim.

Foto de Naimish Verma: https://www.pexels.com/pt-br/foto/vista-arquitetonica-encantadora-da-orla-historica-de-zurique-29148082/

Quando organizei minha primeira viagem para Zurique, confesso que fiquei meio desesperado com os valores que via pela internet. Parecia que qualquer coisa custava uma fortuna. Mas depois de passar um tempo lá e entender como a cidade funciona, percebi que dá pra calcular tudo com precisão razoável e, melhor ainda, encontrar formas inteligentes de economizar sem perder a essência da experiência.

O grande segredo está em dividir os gastos em categorias principais e ir destrinchando cada uma delas. Passagem aérea, hospedagem, alimentação, transporte local, passeios e aqueles gastos extras que sempre aparecem — cada item desses tem suas particularidades em Zurique, e entender isso faz toda diferença no orçamento final.

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A questão da passagem aérea e quando comprar

Vamos começar pelo óbvio: a passagem. Saindo do Brasil, você vai encontrar voos diretos para Zurique saindo de São Paulo, o que facilita bastante. O preço varia absurdamente dependendo da época do ano e da antecedência da compra. Já vi passagens por volta de 3.500 reais em promoções de baixa temporada e outras batendo fácil os 7.000 ou 8.000 reais em períodos de alta demanda como dezembro ou julho.

A melhor estratégia que funcionou comigo foi monitorar os preços uns quatro ou cinco meses antes da viagem. Usar aqueles comparadores de voos ajuda muito, mas o ideal mesmo é ter flexibilidade de datas. Se você consegue viajar numa terça ou quarta-feira em vez de fim de semana, já economiza uma grana considerável. E outra coisa: às vezes vale a pena fazer conexão. Um voo com escala em Lisboa ou Frankfurt pode sair uns 1.500 reais mais barato que o direto.

Tem gente que torce o nariz pra conexão, mas pra mim nunca foi problema. Claro que aumenta o tempo de viagem, mas se isso representar economia significativa no orçamento total, compensa. Principalmente porque Zurique não é barata, então qualquer economia na passagem pode ser redirecionada pra experiências lá.

Hospedagem: o item que mais pesa no bolso

Aqui mora o grande vilão do orçamento. Hospedagem em Zurique é cara, ponto. Não tem muito jeito. Um hotel mediano no centro vai custar facilmente entre 150 e 250 francos suíços por noite, o que dá algo em torno de 900 a 1.500 reais na cotação atual. E estou falando de lugares básicos, nada luxuoso.

Quando fui, escolhi ficar num bairro um pouco afastado do centrão, próximo à estação de Oerlikon. O hotel era simples mas limpo, e a diária ficou em torno de 120 francos. O lance é que Zurique tem um sistema de transporte público tão eficiente que ficar no centro não é essencial. Em quinze minutos de trem você está na Bahnhofstrasse, a avenida principal.

Hostels são uma opção bem viável se você viaja sozinho ou não se importa de dividir quarto. Tem alguns bem localizados que cobram entre 40 e 70 francos por uma cama em dormitório compartilhado. O Youth Hostel Zurich é legal, fica numa área bacana e tem estrutura decente. Mas se privacidade é importante pra você, aí complica um pouco.

Airbnb pode funcionar dependendo do que você procura. Achei alguns apartamentos inteiros por volta de 100 a 130 francos a noite, mas tem que tomar cuidado com a localização e ler bem as avaliações. Zurique é bem dividida em bairros, e alguns são bem residenciais e afastados de tudo. Vale calcular se a economia na hospedagem não vai ser comida com transporte extra.

Uma dica que poucos falam: se você ficar em qualquer hospedagem oficial em Zurique, recebe o Zürich Card gratuitamente durante a estadia. Esse cartão dá transporte público ilimitado na cidade, o que já é uma economia brutal. Por isso, às vezes compensa pagar um pouco mais num hotel registrado que oferece isso do que economizar num Airbnb e ter que bancar o transporte separadamente.

Alimentação: prepare o coração e a carteira

Comer fora em Zurique é um exercício de desapego financeiro. Sério. Um almoço simples num restaurante comum vai custar entre 20 e 35 francos. Estamos falando de um prato básico, nada elaborado. Se você resolver jantar num lugar mais arrumadinho, facilmente gasta 50 francos ou mais por pessoa, sem incluir bebida alcoólica.

A saída mais econômica é fazer compras no supermercado. Coop e Migros são as redes principais, e têm produtos de qualidade razoável a preços que, embora não sejam exatamente baratos, são infinitamente mais acessíveis que restaurantes. Um sanduíche pronto custa uns 5 ou 6 francos, um iogurte uns 2 francos, frutas são relativamente em conta.

Quando estava lá, minha estratégia era tomar café da manhã no hotel (se incluído) ou comprar umas coisas no Migros pra comer no quarto. No almoço, comia na rua mesmo, geralmente alguma coisa rápida tipo um kebab ou falafel que sai mais barato — dá pra achar por 12 a 15 francos. À noite, voltava pro esquema do supermercado ou, de vez em quando, me dava ao luxo de comer num restaurante decente.

Uma opção interessante são os restaurantes universitários, os Mensa. Não são exclusivos pra estudantes, qualquer um pode comer lá. O preço é mais camarada, algo em torno de 10 a 15 francos por uma refeição completa. A qualidade varia, mas geralmente é comida caseira honesta.

E tem aqueles food trucks e barraquinhas na área da estação central e em alguns pontos turísticos. Não é sempre a opção mais barata, mas às vezes você acha uns pratos de comida internacional (tailandesa, indiana) por preços melhores que restaurantes tradicionais suíços. Vale explorar.

Calculando na média, se você fizer um mix de refeições no supermercado e algumas em restaurantes baratos, dá pra ficar em torno de 40 a 60 francos por dia com alimentação. Se quiser mais conforto e comer sempre em restaurantes, multiplique isso por dois ou três.

Transporte local: o sistema que funciona demais

O transporte público em Zurique é uma máquina suíça literal. Trem, tram, ônibus, tudo integrado, tudo no horário. É impressionante. E relativamente caro, como tudo por lá.

Um bilhete simples para uma zona custa 4,40 francos e vale pra uma hora. Se você vai circular bastante, o dia inteiro pass sai por 8,80 francos e compensa muito mais. Tem também o passe de 24 horas válido para toda a rede por 13,60 francos.

Mas como mencionei antes, se você ficar hospedado num hotel ou hostel oficial, recebe o Zürich Card automaticamente, que dá transporte ilimitado. Isso muda completamente a conta. Sem esse cartão, você gastaria facilmente uns 100 francos numa semana só de transporte. Com ele, zero.

Táxi é absurdamente caro. Uma corrida curta pode custar 30 francos fácil. Uber existe mas não é muito mais barato. Só vale se for algo realmente necessário ou se estiver dividindo com mais gente.

Bicicleta é uma opção legal, a cidade tem ciclovia pra caramba. Dá pra alugar por uns 25 francos o dia. Se o clima ajudar, pode ser uma forma gostosa de conhecer a cidade e ainda economizar no transporte. Mas no inverno esqueça, porque o frio não perdoa.

Passeios e atrações: o que vale a pena

Zurique não é uma cidade de grandes atrações pagas como Paris ou Londres. Muita coisa legal ali é de graça: andar pela orla do lago, subir no Lindenhof pra ver a vista, passear pelo bairro antigo, conhecer a Bahnhofstrasse.

Os museus cobram entrada. O Kunsthaus (museu de arte) custa 23 francos, o Museu Nacional Suíço 10 francos. Tem outros menores com preços variados. Se você curte museu, dá pra gastar uns 50 a 80 francos no total visitando os principais.

Uma coisa que muita gente faz é o passeio de barco pelo lago de Zurique. Custa entre 8 e 30 francos dependendo do trajeto. É bonito, relaxante, vale a pena num dia de sol. Mas se o orçamento estiver apertado, só caminhar pela orla já dá uma noção boa da beleza do lugar.

Agora, se você quer fazer bate-volta pra montanhas próximas tipo Uetliberg ou até Lucerna, Rhine Falls, aí precisa incluir o custo de trem. Um bilhete de trem pra Lucerna, por exemplo, custa uns 50 francos ida e volta. Pra Rhine Falls algo similar.

Aqui entra uma dica de ouro: o Swiss Travel Pass. É um passe que dá transporte ilimitado de trem, barco e ônibus por toda a Suíça. Custa caro — uns 270 francos pra três dias, 370 pra quatro dias — mas se você planeja fazer vários deslocamentos, pode compensar muito. Além do transporte, dá entrada gratuita em vários museus e descontos em funiculares de montanha.

Eu não comprei o Swiss Travel Pass porque fiquei mais tempo em Zurique mesmo, fazendo só um bate-volta. Mas se o seu plano inclui conhecer outras cidades suíças, vale muito a pena colocar na conta e comparar.

Seguro viagem: obrigatório e necessário

Pra entrar na Suíça vindo do Brasil, seguro viagem com cobertura mínima de 30 mil euros é obrigatório. Não tem discussão. E convenhamos, não é o tipo de coisa pra arriscar, ainda mais num país onde qualquer atendimento médico pode custar uma fortuna.

Um seguro decente pra uma semana na Suíça custa entre 150 e 300 reais dependendo da cobertura e da seguradora. Não é muito caro considerando o custo total da viagem, e dá aquela tranquilidade. Já contratei seguros pela internet mesmo, comparando preços e cobertura. Nunca precisei usar, felizmente, mas só de saber que está ali já alivia.

Internet e chip de celular

Roaming internacional no plano brasileiro costuma ser caríssimo. A melhor opção é comprar um chip local ou internacional antes de viajar. Tem várias empresas que vendem chip de dados europeus, você recebe em casa antes da viagem e já chega lá conectado.

Os preços variam bastante. Um chip com uns 3 ou 4 GB de internet pra usar durante uma semana sai por volta de 120 a 200 reais. Parece muito, mas internet na Suíça é essencial pra consultar rotas, horários de trem, restaurantes, tudo. Ficar desconectado vai complicar muito a vida.

Outra opção é usar wifi grátis, que tem em vários lugares como cafés, hotéis, estações de trem. Mas aí você fica limitado e meio refém de onde tem conexão. Pra mim não vale a economia, prefiro ter internet móvel o tempo todo.

Compras e souvenirs: quanto reservar

Se você é do tipo que gosta de voltar com algo da viagem, Zurique tem opções de sobra. Chocolate suíço, claro, é o souvenir clássico. Você encontra nas lojas Lindt e outras marcas locais. Um tablete bom custa entre 5 e 10 francos. Se quiser levar vários, já some uns 50 a 100 francos aí.

Relógios suíços são outro item icônico, mas aí estamos falando de outro patamar de preço. Um Swatch básico sai por uns 50 francos, mas modelos mais elaborados ou marcas renomadas como Tissot, Omega, Rolex… bem, aí não tem limite.

Produtos de montanha, facas Victorinox (o canivete suíço), queijos — tudo isso entra na lista de possíveis compras. Eu comprei alguns chocolates, um canivete pequeno e uns ímãs de geladeira. Gastei uns 80 francos no total. Nada demais, mas dá pra gastar muito mais se quiser.

Extras que aparecem e pegam desprevenido

Sempre tem aqueles gastos que você não planeja mas aparecem. Uma água comprada numa máquina (3 francos), um café num lugar bonitinho (5 francos), gorjeta em algum lugar — embora na Suíça gorjeta não seja obrigatória porque já está incluída, às vezes você quer deixar algo.

Eu sempre reservo uns 10 a 15% do orçamento total pra esses imprevistos. Pode ser uma atração que você não tinha planejado mas decide fazer na hora, uma chuva repentina que te obriga a comprar um guarda-chuva, qualquer coisa.

Juntando tudo: quanto custa afinal

Vamos fazer uma conta básica considerando uma semana em Zurique, viajando de forma moderada — nem mochileiro raiz, nem luxo:

Passagem aérea: 4.500 reais (média razoável)

Hospedagem: 120 francos x 7 noites = 840 francos (cerca de 5.000 reais)

Alimentação: 50 francos por dia x 7 = 350 francos (cerca de 2.100 reais)

Transporte local: incluso no hotel (Zürich Card)

Passeios: 100 francos (museus, barco, um bate-volta) = cerca de 600 reais

Seguro viagem: 200 reais

Chip de internet: 150 reais

Compras e souvenirs: 100 francos = cerca de 600 reais

Extras e imprevistos: 500 reais

Total aproximado: 13.650 reais

Isso é uma estimativa realista pra uma pessoa viajando sozinha, ficando uma semana, se hospedando em lugar simples mas decente, comendo com economia mas sem passar fome, fazendo alguns passeios. Dá pra gastar menos se fizer hospedagem em hostel compartilhado e comer mais de supermercado — talvez reduzir uns 3.000 reais. Mas também dá pra gastar muito mais se escolher hotéis melhores e restaurantes bacanas.

Se forem duas pessoas dividindo quarto, a conta melhora porque o custo da hospedagem é praticamente o mesmo. No exemplo acima, duas pessoas gastariam uns 22.000 reais no total em vez de 27.300 (duas vezes 13.650), já que só a passagem, alimentação, seguro e gastos pessoais dobram.

Como acompanhar os gastos durante a viagem

Uma coisa que aprendi é que não adianta só calcular antes, tem que acompanhar durante. Zurique aceita cartão em praticamente todo lugar, então uso cartões de viagem internacional que têm aplicativo mostrando cada gasto em tempo real.

Isso ajuda demais a não perder o controle. Você vê exatamente quanto já gastou, quanto falta, se está dentro do orçamento. Tem uns apps tipo Trail Wallet ou TravelSpend que são feitos especificamente pra isso, você vai adicionando manualmente cada gasto e ele mostra gráficos e alertas.

Eu prefiro usar uma planilha simples no Google Sheets que acesso pelo celular. Toda noite antes de dormir, adiciono os gastos do dia. Parece chato mas vira rotina, leva cinco minutos e te dá uma visão clara de como está a situação.

Dinheiro: levar francos suíços ou usar cartão

A Suíça usa franco suíço (CHF), não o euro, embora alguns lugares aceitem euro também (mas com câmbio ruim). O ideal é ter um pouco de dinheiro em espécie pra emergências, mas a imensa maioria dos pagamentos pode ser feita no cartão.

Levar uns 200 ou 300 francos em espécie é suficiente. Você consegue trocar real por franco em casas de câmbio boas aqui no Brasil, ou sacar direto nos caixas eletrônicos de lá, mas aí tem taxa.

Cartão de conta global como a Wise é uma ótima opção porque você carrega saldo em franco suíço pela cotação comercial e usa como débito normal lá. As taxas são bem menores que cartão de crédito internacional tradicional.

Evite trocar dinheiro no aeroporto ou em hotéis, o câmbio é sempre péssimo.

Época do ano e como isso afeta o orçamento

Zurique no verão (junho a agosto) é mais cara. Hotéis aumentam preço, passagens ficam mais caras, tem mais turista. Mas o clima é ótimo, dias longos, dá pra aproveitar os lagos e montanhas ao máximo.

No inverno (dezembro a fevereiro) os hotéis são um pouco mais baratos, exceto na época do Natal e Ano Novo que dispara tudo de novo. O frio é intenso, mas a cidade fica bonita, tem mercados de Natal. Só precisa colocar na conta roupa de frio decente se você não tiver.

Primavera e outono são os pontos intermediários. Preços mais razoáveis, menos gente, clima ok. Pra quem quer economizar e ainda assim ter uma boa experiência, eu recomendaria maio, setembro ou outubro.

Vale a pena todo esse gasto

Zurique não é barata, isso está mais do que claro. Mas é uma cidade que funciona impecavelmente, é bonita, limpa, segura, bem localizada pra explorar outras partes da Suíça e da Europa. A experiência de estar ali tem valor, principalmente se você gosta de lugares organizados, paisagens naturais e cultura europeia.

O lance é ir preparado financeiramente e mentalmente. Se você chegar lá achando que vai encontrar preços de Budapeste ou Lisboa, vai se frustrar. Mas se aceitar que é caro e planejar direitinho, fazendo escolhas inteligentes, dá pra curtir muito sem quebrar completamente.

Pra mim valeu cada centavo. Não foi minha viagem mais barata, longe disso, mas foi uma das mais tranquilas e agradáveis. E olha que eu não sou de esbanjar, muito pelo contrário. Mas consegui fazer tudo que queria, comi bem na maior parte do tempo, conheci lugares incríveis e voltei com aquela sensação boa de viagem bem aproveitada.

Calcular os gastos antes não é só questão de controle financeiro, é também uma forma de viajar com mais tranquilidade. Quando você sabe mais ou menos quanto vai gastar em cada categoria, não fica aquele estresse toda vez que abre a carteira. Você pode focar em aproveitar a viagem de verdade, que é o que importa no final das contas.

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