|

Check-list Para Fazer Antes de Viajar Para a China

Antes de chegar na China, todo viajante precisa cumprir algumas tarefas para garantir que sua viagem seja a melhor possível.

https://pixabay.com/photos/buildings-river-boat-ship-5823419/

1) Documentos e regras de entrada (faça primeiro)

  • Verifique seu passaporte
    • Confira a validade (idealmente com mais de 6 meses para o vencimento na data da viagem) e se há páginas em branco.
  • Cheque se você precisa de visto (e qual tipo)
    • Turismo, negócios, conexão longa… muda bastante. Se já tiver visto, confira datas e número de entradas. Brasileiros a turismo estão isentos até final de 2026.
  • Preencha o Cartão de Chegada (Arrival Card) com antecedência
    • Você pode enviar online pela plataforma oficial da NIA:
      https://s.nia.gov.cn/ArrivalCardFillingPC/
    • Também dá para fazer pelo app NIA 12367 e pelo miniaplicativo no WeChat/Alipay.
    • Se não conseguir antes, dá para concluir na chegada, mas eu faria antes para economizar tempo e estresse.
  • Vacina de febre amarela (muito importante para quem sai do Brasil)
    • Passageiros com 9 meses ou mais que viajam de país com risco (como o Brasil) ou fizeram trânsito acima de 12 horas em um desses países precisam do Certificado Internacional de Vacinação.
    • Imprima e leve junto do passaporte (papel ainda salva).
  • Monte uma pastinha “offline”
    • PDF/foto do passaporte, seguro, reserva, passagem, visto, certificado de vacina, endereços importantes.
    • Deixe no celular e também num e-mail de fácil acesso.
Klook.com

2) Internet, bloqueios e VPN (não deixe para depois)

  • Crie sua conta de VPN e baixe o app antes de viajar
    • Dentro da China, pode ser difícil ou impossível baixar ou concluir cadastro normalmente.
  • Teste a VPN ainda no Brasil
    • Faça um “ensaio”: conecte, mude de servidor, veja se abre seus apps essenciais.
  • Defina seu plano de dados
    • Avalie: eSIM internacional, chip físico ou roaming.
    • O ponto é chegar com internet funcionando no desembarque, porque muita coisa na China depende de QR code e app.

3) Pagamentos: a China é (mesmo) outra lógica

  • Instale e deixe pronto o Alipay (支付宝)
    • É o caminho mais direto para pagamento no dia a dia.
  • Instale e configure o WeChat
    • O WeChat é o “canivete suíço”: mensagem, QR code, serviços, e muitas vezes pagamento.
  • Avise seu banco/cartão
    • Libere uso internacional e verifique bloqueios por segurança.
  • Tenha um plano B
    • Separe um cartão reserva (em outra mala/carteira) e um pouco de dinheiro para emergências.

Segue um comparativo direto para saber quando vale mais a pena usar WeChat Pay ou Alipay nas situações mais comuns de viagem na China.

CenárioUse preferencialPor quêDica prática
Primeira configuração para estrangeiroAlipayOnboarding costuma fluir bem só com passaporte; verificação costuma ser mais intuitivaVincule um cartão internacional e faça um pagamento-teste pequeno antes da viagem
Vendedores de rua/feirinhas/lojinhas de bairroWeChat PayMuitos microcomércios usam QR pessoal do WeChat no dia a diaSe não aceitarem WeChat, Alipay geralmente também funciona — confirme apontando o app
Restaurantes e cafés nas grandes cidadesAmbosAceitação é praticamente universal para os doisUse o que estiver sem limite diário ou o que oferecer cupom no dia
Lojas de departamento/shoppingAmbosTerminais/leitores costumam aceitar os dois sem dramaÀs vezes há cupons melhores no Alipay; confira antes de pagar
Transporte público (metrô/ônibus)Depende da cidade (leve ambos)Integração via miniapps varia por local; em algumas cidades um é mais estável que o outroAtive o “Ride Code” no WeChat e o “City Service/Metro” no Alipay para ter redundância
Didi Chuxing (táxi/app)AmbosIntegra nativamente com os doisDefina um deles como método padrão no Didi e deixe o outro como backup
Compras online (Taobao, Tmall, Ele.me)AlipayÉ o ecossistema Alibaba; checkout costuma ser mais diretoProcure cupons dentro do Alipay antes de finalizar
Miniapps dentro do WeChat (lojas, ingressos, reservas)WeChat PayPagamento nativo do próprio miniapp, sem sair do WeChatConfirme o recibo dentro da conversa/miniapp após pagar
Dividir conta com amigos locais / P2PWeChat PayÉ onde a maioria faz transferências do dia a dia e “hongbao”Adicione contatos e teste valores pequenos primeiro
Pagamento com cartão internacional (Visa/Mastercard)AmbosAmbos permitem vincular cartões estrangeiros; limites e taxas podem variarTenha um cartão cadastrado em cada app para maximizar aceitação
Máquinas de autoatendimento (vending, lockers)AmbosLeitores 2D geralmente aceitam os doisAumente o brilho da tela para facilitar a leitura do QR
Ingressos de atrações e parquesAmbos (leve ambos)Varia por parceria/promos do diaVerifique se há miniapp oficial no WeChat ou oferta no Alipay
Reembolsos/estornos de compras do ecossistema AlibabaAlipayFluxos de estorno tendem a cair direto no Alipay/cartão vinculadoAcompanhe o status em “Bills/Transactions”
Promoções e cuponsDepende do app e da campanhaCampanhas sazonais podem favorecer um ladoAntes de pagar, abra ambos e veja se há cupom imediato
Quando a internet está instávelTenha os dois e um plano BAmbos dependem de conexão; às vezes um valida mais rápido que o outroGuarde um pouco de dinheiro/cartão físico para emergência

Tabela comparativa entre o WeChat Pay e o AliPay

Resumo prático:

  • Se puder, deixe os dois prontos com verificação feita e um cartão internacional vinculado.
  • Se tiver que escolher um só: WeChat Pay costuma render melhor em microcomércios e interações sociais; Alipay brilha em compras online, serviços urbanos e, muitas vezes, em cupons.
Institucional - Viaje Conectado

4) Apps essenciais para usar na China (baixe antes e organize numa pasta)

Você já listou os mais importantes — eu colocaria assim, em ordem prática:

  • WeChat — Mensagens, serviços, e (muitas vezes) o que “destrava” o resto.
  • Alipay (支付宝) — Pagamentos e miniapps úteis.
  • Didi Chuxing (滴滴出行) — Táxi/carro por app.
  • Baidu Maps — Para navegar de verdade; o Google Maps pode falhar bem na China.
  • Dianping — Achados de restaurantes, cafés e lugares locais.
  • Meituan (美团) — Delivery (se você curte pedir comida pelo app).
  • Xiaohongshu (Little Red Book) — Descobrir lugares “do momento” e dicas bem atuais.
  • Waygo — Para “ler” cardápio/placas com tradução visual e se virar melhor.

Tarefinha extra que ajuda muito:

  • Faça login em todos os apps ainda no Brasil e permita permissões necessárias (localização, notificações).
  • Crie uma pasta no celular: “CHINA” e deixe tudo ali.

5) Endereços em chinês e logística de chegada

  • Separe o endereço do hotel em chinês
    • Em caracteres chineses mesmo (copiar/colar), para mostrar no balcão, no Didi ou caso precise pedir ajuda.
  • Planeje como sair do aeroporto
    • Defina: metrô, trem, Didi, transfer.
    • Chegue já sabendo “qual é o primeiro passo” — isso reduz muito a fricção.
  • Tenha o nome do destino salvo
    • Hotel, pontos principais e uma ou duas alternativas (caso o endereço dê erro).

6) Segurança, saúde e conforto (coisas pequenas que viram grandes)

  • Seguro viagem (mesmo quando “não é obrigatório”)
    • Imprima a apólice e salve o contato de emergência.
  • Remédios de uso contínuo
    • Leve na bagagem de mão apenas o que vai tomar a bordo, o restante despache (a menos que não tenha mala para despachar), com receita médica sempre em inglês. Se você toma remédios tarja preta ou controlados precisa checar se podem entrar no país de destino, para evitar cometer crimes. Muitos medicamentos vendidos livremente no Brasil podem ser proibidos na China. Consulte este site: http://english.customs.gov.cn/statics/88707c1e-aa4e-40ca-a968-bdbdbb565e4f.html
  • Adaptador de tomada
    • Leve um universal de boa qualidade (e, se você usa muita coisa, um com várias portas USB).
  • Tradução e comunicação
    • Salve frases básicas em chinês (ou prints), tipo: “Sou alérgico a…”, “Preciso de ajuda”, “Este é meu hotel”.

7) Checklist final (1–2 dias antes)

  • Confirme voos e horários (principalmente conexões)
  • Baixe conteúdos offline
    • Mapas offline (quando possível), reservas, e um “guia” básico.
  • Deixe tudo carregado
    • Power bank carregado, cabos, adaptador, fone. Veja observação abaixo sobre power bank em viagem de avião dentro da China.
  • Imprima o que for crítico
    • Certificado internacional da febre amarela, seguro de viagem internacional, reservas principais.

Viajar de avião dentro da China traz algumas pegadinhas que podem passar despercebidas, principalmente quando o assunto é power bank. E sim, fiscal ali costuma ser daqueles que não deixa passar nada.

Na China, é proibido despachar power bank na bagagem de porão. Se você estiver planejando levar carregador portátil, lembre de colocá-lo sempre na bagagem de mão. Não adianta tentar despachar junto das malas grandes — se encontrarem no raio-x, podem tirar sua mala da esteira e abrir sem aviso, além de seu nome ser chamado no auto-falante para explicar para a segurança porque está levando power bank na mala despachada.

Além disso, para levar na mala de bordo, o item precisa seguir mais uma regra que muita gente descobre só no embarque: o power bank precisa ter a certificação chinesa CCC (China Compulsory Certificate), que geralmente aparece com o símbolo “CCC” ou em caracteres chineses no próprio produto, bem visível. Caso o seu modelo seja de fora do país e não tenha esse selo, corre o risco de ser confiscado no raio-x do aeroporto. Eles olham mesmo, principalmente nos voos nacionais.

Capacidade também importa: normalmente, só autorizam carregar modelos até 20.000 mAh e, de vez em quando, podem questionar se a power bank parece “potente demais”. O ideal é levar uma unidade que informe claramente esses dados (capacidade e selo) impressos no corpo da bateria e evitar qualquer modelo duvidoso ou sem identificação, mesmo se for pequeno.

Então, revise: power bank só na mão e com selo CCC. Melhor prevenir do que perder carregador na inspeção chinesa, porque comprar um novo lá para turistas pode ser meio caro e difícil de achar longe das grandes cidades!

YouTube e Netflix: Entretenimento Bloqueado

Longas viagens de trem ou momentos de descanso no hotel são perfeitos para assistir alguma coisa no YouTube ou Netflix. Na China, essas opções simplesmente não existem.

O YouTube está completamente bloqueado. Não só o app, mas qualquer link ou embed de vídeo do YouTube em sites também não funciona. É como se a plataforma não existisse para a internet chinesa.

Netflix tem uma situação mais complexa. O serviço não opera oficialmente na China, então mesmo que você tenha uma assinatura ativa, não consegue acessar o conteúdo. Isso vale para a maioria dos serviços de streaming ocidentais: Amazon Prime Video, Disney+, HBO Max.

Plataformas chinesas como Youku, Bilibili e iQiyi têm muito conteúdo local interessante, mas a maioria é em chinês sem legendas em inglês. E para acessar essas plataformas você geralmente precisa de uma conta local, que por sua vez pode exigir número de telefone chinês.

A alternativa é baixar conteúdo offline antes de viajar, mas isso exige planejamento e espaço de armazenamento no celular. Ou aceitar que o entretenimento digital vai ser mais limitado durante a estadia na China.

Instagram e Facebook: Redes Sociais Invisíveis

Para quem vive de criar conteúdo ou simplesmente adora documentar viagens no Instagram, a China é um buraco negro digital. Nem o app abre direito, quanto mais postar fotos ou stories.

É irônico, porque a China oferece algumas das paisagens mais fotogênicas do mundo. A Cidade Proibida, a Grande Muralha, os arranha-céus futuristas de Xangai, as paisagens de Guilin – tudo material perfeito para Instagram. Mas você não consegue compartilhar nada em tempo real. É como ter uma câmera profissional mas não poder revelar as fotos.

Facebook tem o mesmo problema, só que multiplicado. Não só o app não funciona como muitas páginas de estabelecimentos, hotéis e atrações turísticas que você encontra no Google também estão inacessíveis. Aquele restaurante que você viu recomendado em um blog de viagem? Se ele só tem página no Facebook, você não vai conseguir ver cardápio, horário ou localização.

O TikTok internacional também não funciona na China, o que é bizarro considerando que é um app chinês originalmente. Lá eles usam o Douyin, que é praticamente a mesma coisa mas com conteúdo local. É como se existissem dois mundos paralelos do mesmo aplicativo.

A solução para redes sociais é frustrante: ou você usa VPN (com todos os riscos e instabilidades que isso envolve) ou aceita que vai ficar desconectado das suas redes durante a viagem. Muita gente acaba fazendo backup das fotos e postando tudo quando volta ao Brasil.

WhatsApp: A Comunicação Que Engasga

O WhatsApp na China é uma experiência frustrante. Funciona, mas funciona mal. É como tentar conversar com alguém através de uma conexão ruim de rádio – às vezes pega, às vezes não.

As mensagens de texto até vão, mas com delay. Você manda uma mensagem e ela pode demorar minutos para ser entregue, se for entregue. Áudios são ainda mais problemáticos – a maioria simplesmente não envia ou não carrega do outro lado. Fotos e vídeos? Esqueça. E chamadas de voz ou vídeo pelo WhatsApp são praticamente impossíveis.

Isso cria situações constrangedoras para quem viaja a negócios. Você agenda uma reunião pelo WhatsApp antes de viajar, chega na China e não consegue confirmar o encontro. Ou pior: seus colegas e familiares no Brasil ficam preocupados porque você “sumiu” digitalmente.

O app funciona melhor em alguns hotéis e aeroportos, especialmente aqueles que atendem muitos estrangeiros. Eles às vezes têm conexões especiais que permitem acesso mais livre à internet internacional. Mas não é garantia – você pode estar no lobby do hotel mandando mensagens normalmente e subir para o quarto onde nada funciona.

WeChat é a alternativa óbvia, mas requer planejamento. Você precisa criar a conta ainda no Brasil, porque fazer isso na China pode ser complicado sem um número de telefone local. E convencer seus contatos brasileiros a baixar o WeChat para se comunicarem com você durante a viagem nem sempre é fácil.

Google Maps: O Aplicativo Fantasma

Se tem um app que todo viajante usa instintivamente, é o Google Maps. Na China, ele não só não funciona como pode te fazer passar vergonha. Já vi turistas perdidos no metrô de Xangai tentando usar o Maps e não entendendo por que a localização ficava maluca ou simplesmente não aparecia.

O Google Maps na China não recebe atualizações desde 2010. Isso significa que muitos lugares novos não existem no mapa, outros aparecem em posições completamente erradas, e as informações de trânsito são inexistentes. É como usar um mapa de papel antigo em uma cidade que cresce e muda todos os dias.

Pior ainda: mesmo que você baixe os mapas offline antes de viajar, a precisão é questionável. As coordenadas GPS na China seguem um sistema diferente (GCJ-02), que adiciona uma camada de “ruído” proposital aos dados de localização. Então mesmo apps alternativos podem te colocar algumas centenas de metros longe de onde você realmente está.

A solução? Amap (Gaode Maps) ou Apple Maps. O Amap tem uma versão internacional em inglês que funciona bem para turistas, e o Apple Maps, por algum motivo, consegue operar normalmente na China. Baidu Maps já foi uma opção popular, mas foi descontinuado para usuários internacionais.

O problema é que esses apps alternativos não têm a mesma base de dados que o Google Maps. Avaliações de restaurantes, horários de funcionamento, fotos dos lugares – tudo isso é mais limitado. Você acaba navegando meio às cegas em muitos casos.

Artigos Relacionados

Deixe um comentário