As Nações Mais Antigas do Mundo
Definir o que constitui uma “nação” é uma tarefa complexa, entrelaçada com conceitos de governo, cultura, identidade e território. No entanto, ao tomar como critério a data do primeiro governo conhecido, mergulhamos em uma fascinante jornada pela história da civilização, explorando os berços de algumas das mais antigas estruturas políticas do mundo. Da Mesopotâmia às planícies do Vietnã, estas nações pioneiras lançaram as bases para a organização social e política que moldaria o futuro da humanidade.

Este artigo explora as oito nações que, com base em evidências históricas, arqueológicas e, por vezes, mitológicas, reivindicam o título de mais antigas do mundo, revelando as origens de seus primeiros governos e a profundidade de seus legados.
1. Irã: O Legado da Civilização Elamita (c. 3200 a.C.)
No sudoeste do atual Irã, uma das primeiras e mais influentes civilizações do mundo antigo começou a tomar forma. A civilização Proto-Elamita, que floresceu por volta de 3200 a.C., é reconhecida como a mais antiga do Irã. Contemporânea da civilização suméria na Mesopotâmia, Susa, a futura capital elamita, já era um centro urbano significativo, indicando uma sociedade complexa e organizada.
O governo elamita era caracterizado por uma estrutura federativa, onde um soberano governava a partir de uma capital federal, como Susa, em conjunto com príncipes vassalos que administravam outras regiões. Este sistema era sustentado por um modelo único de sucessão, frequentemente matrilinear, no qual o novo governante era aparentado à família do soberano anterior por via feminina. A civilização elamita desenvolveu um sistema de escrita próprio, o proto-elamita, usado principalmente para registros administrativos em tábuas de argila, evidenciando uma burocracia estabelecida. Embora a língua elamita seja considerada isolada, sem parentesco direto com as línguas semíticas ou indo-europeias, sua cultura e estrutura de governo deixaram uma marca indelével, influenciando o posterior Império Persa.
2. Egito: A Unificação das Duas Terras (c. 3100 a.C.)
A história do Estado egípcio começa com a unificação do Alto e do Baixo Egito por volta de 3100 a.C. Antes deste marco, a região do Nilo era composta por comunidades independentes chamadas nomos. A necessidade de gerenciar as cheias do rio e desenvolver a agricultura levou a alianças que culminaram na formação de dois grandes reinos.
A unificação é atribuída ao rei Menés, também identificado por muitos estudiosos como Narmer, que se tornou o primeiro faraó e estabeleceu a primeira das 31 dinastias que governariam o Egito por milênios. Este evento marcou o início do Período Dinástico e a fundação de um governo centralizado, com o faraó no topo de uma hierarquia que incluía um vizir, tesoureiros, generais e escribas. A Paleta de Narmer, um artefato arqueológico crucial, retrata o faraó usando as coroas de ambos os reinos, simbolizando a unificação. A estabilidade política resultante permitiu o florescimento da cultura egípcia, a construção de monumentos icônicos e o desenvolvimento de um dos primeiros sistemas de escrita, agricultura e governo central do mundo.
3. Vietnã: A Era Lendária da Dinastia Hồng Bàng (c. 2879 a.C.)
A fundação do Vietnã está envolta em lendas, centradas na Dinastia Hồng Bàng e nos seus dezoito reis Hùng, que teriam governado o reino de Văn Lang a partir de 2879 a.C. Embora esta data e a própria dinastia sejam consideradas semi-míticas pela historiografia moderna, elas representam a identidade nacional e a origem do povo vietnamita. Crônicas do século XV, como o Đại Việt sử ký toàn thư, narram a história deste primeiro estado vietnamita, que teria se estendido do delta do Rio Vermelho até partes do sul da China.
Arqueologicamente, a lendária dinastia está associada à cultura Phùng Nguyên, da Idade do Bronze, que floresceu na mesma região. As escavações revelaram uma sociedade pré-histórica avançada, com desenvolvimento no cultivo de arroz e na fundição de bronze, notável pelos seus elaborados tambores. O reino de Văn Lang, que significa “Terra dos Homens Tatuados”, era governado por um monarca absoluto que, em teoria, detinha controle total sobre a terra e seus recursos. A era da Dinastia Hồng Bàng terminou em 258 a.C. com a invasão de um senhor da guerra vizinho.
4. Armênia: A Lenda do Patriarca Hayk (c. 2492 a.C.)
A origem da nação armênia está profundamente enraizada na lenda de seu patriarca fundador, Hayk. Segundo a tradição, registrada pelo historiador Moisés de Corene, Hayk liderou seu povo para longe da Babilônia, derrotando o tirano Bel em uma batalha épica. A data tradicionalmente atribuída a esta vitória, que marca a fundação da nação armênia, é 11 de agosto de 2492 a.C.
Hayk é considerado o progenitor dos armênios, que se autodenominam “Hay” e seu país “Hayastan”. Embora a história de Hayk seja mitológica, ela reflete a longa luta do povo armênio pela identidade e independência em uma região estrategicamente importante e frequentemente disputada. Evidências arqueológicas confirmam a presença de civilizações avançadas no planalto armênio desde a Idade da Pedra, incluindo o reino de Urartu, a partir do século IX a.C. O primeiro reino armênio reconhecido historicamente formou-se no século VI a.C., mas a lenda de Hayk permanece como o marco fundamental da identidade nacional.
5. Coréia do Norte: A Herança do Antigo Reino de Gojoseon (c. 2333 a.C.)
A reivindicação da Coréia do Norte como uma das nações mais antigas do mundo baseia-se na fundação de Gojoseon, o primeiro reino coreano. De acordo com a mitologia coreana, registrada em textos medievais como o Samguk Yusa, Gojoseon foi fundado em 2333 a.C. por Dangun Wanggeom, uma figura lendária descendente dos céus. Este antigo reino abrangia o norte da península coreana e partes da Manchúria, com sua capital eventualmente estabelecida em Wanggeom-seong, a moderna Pyongyang, capital da Coreia do Norte.
Gojoseon era uma nação com agricultura, leis e instituições para governar o país. Embora a data de fundação seja mítica, evidências arqueológicas da Idade do Bronze confirmam a existência de uma cultura avançada na região a partir de cerca de 1500 a.C. O estado de Gojoseon existiu até 108 a.C., quando foi conquistado pela dinastia Han da China. A Coreia do Norte moderna reivindica ser a herdeira direta de Gojoseon, uma vez que o coração geográfico do antigo reino, incluindo sua capital, está localizado em seu território. O Dia da Fundação Nacional na Coréia do Norte celebra a fundação de Gojoseon por Dangun.
6. China: O Início com a Dinastia Xia (c. 2070 a.C.)
A história dinástica da China começa com a Dinastia Xia, tradicionalmente datada de cerca de 2070 a.C. a 1600 a.C. Por muito tempo considerada mítica, a existência da Dinastia Xia tem sido cada vez mais apoiada por evidências arqueológicas, especialmente da cultura Erlitou no Vale do Rio Amarelo. Esta dinastia marcou a transição de uma sociedade tribal para uma estrutura estatal mais organizada.
A fundação da dinastia é atribuída a Yu, o Grande, um herói lendário que ganhou prestígio ao controlar as devastadoras inundações do Rio Amarelo. A Dinastia Xia estabeleceu um sistema de monarquia hereditária e um governo que incluía nobres e oficiais para administrar o território. Durante este período, a China viu avanços significativos na agricultura, metalurgia do bronze e urbanização, estabelecendo as bases para a civilização chinesa. A Xia foi sucedida pela Dinastia Shang, a primeira a deixar registros escritos extensos, confirmando muitas das tradições sobre sua predecessora.
7. Índia: As Cidades Planejadas do Vale do Indo (c. 2000 a.C.)
A Civilização do Vale do Indo, também conhecida como Civilização Harapana, foi uma das mais extensas e sofisticadas do mundo antigo, florescendo no noroeste do subcontinente indiano. Embora suas origens remontem a 7000 a.C., o período de sua maturidade, com cidades altamente planejadas e estruturas de governo, é datado entre 2600 e 1900 a.C. A data de 2000 a.C. se enquadra neste período de pico.
Cidades como Mohenjo-Daro e Harappa exibiam um planejamento urbano notável, com ruas em grade, casas de tijolos cozidos e sistemas avançados de drenagem e abastecimento de água. A uniformidade no planejamento e na construção em uma área tão vasta sugere a existência de um estado unificado e um governo autoritário e centralizado. A presença de grandes edifícios públicos, como o Grande Banho em Mohenjo-Daro, e a ausência de palácios ou templos monumentais levaram os estudiosos a teorizar que a civilização poderia ser governada por uma classe de sacerdotes ou uma oligarquia de comerciantes. A escrita do Indo, encontrada em selos e cerâmicas, permanece indecifrada, deixando muitos aspectos de seu governo e sociedade em mistério.
8. Geórgia: Os Antigos Reinos de Cólquida e Diauehi (c. 1300 a.C.)
As origens do estado georgiano remontam à Idade do Bronze, com a formação de grandes confederações tribais. Duas das primeiras entidades políticas notáveis no território da Geórgia moderna foram Diauehi e o Reino da Cólquida, que surgiram por volta do final do segundo milênio a.C. A data de 1300 a.C. marca o início deste período formativo.
O Reino da Cólquida, localizado na costa oriental do Mar Negro, é famoso na mitologia grega como o destino de Jasão e os Argonautas em busca do Velo de Ouro. Fontes históricas e arqueológicas confirmam a existência de um reino avançado na região, com um sofisticado trabalho em metal. A estrutura política da Cólquida era uma monarquia, mas com um sistema descentralizado onde o rei compartilhava o poder com a nobreza local que governava diferentes regiões. Esta estrutura indica uma organização política complexa e uma sociedade estável. A cultura Kura-Araxes, que precedeu estes reinos a partir de cerca de 3400 a.C., estabeleceu as bases para o desenvolvimento de sociedades complexas na região do Cáucaso.