Alianças Globais de Companhias Aéreas Pelo Mundo
As alianças globais de companhias aéreas são, sem exagero, uma das melhores invenções da aviação comercial para quem viaja com frequência — e entender como elas funcionam pode mudar completamente a forma como você planeja suas viagens. Eu percebi isso na prática quando, voando pela primeira vez de São Paulo para Tóquio com conexão em Frankfurt, acumulei milhas num programa que nem era da companhia que me levou. Naquele momento, caiu a ficha: existia um universo por trás dos logotipos colados na fuselagem dos aviões que a maioria dos passageiros simplesmente ignora.

Antes de sair comprando passagem pelo preço mais barato, vale entender o que está por trás dessas três grandes alianças — Star Alliance, SkyTeam e oneworld — e como elas influenciam desde o acúmulo de milhas até o acesso a salas VIP em aeroportos que você nem sabia que existiam.
O que são, afinal, essas alianças?
A ideia é simples na teoria: companhias aéreas de diferentes países se unem em blocos para oferecer uma rede de vôos mais ampla do que qualquer uma conseguiria sozinha. Na prática, é bem mais complexo. Cada aliança tem regras próprias, níveis de integração que variam e uma dinâmica política interna que, volta e meia, gera movimentos inesperados — como a ITA Airways, que anunciou em 2025 a troca da SkyTeam pela Star Alliance após a aquisição pelo grupo Lufthansa.
O passageiro ganha com isso de várias formas. Pode comprar um bilhete em uma companhia e voar trechos em outra da mesma aliança sem dor de cabeça. Acumula milhas num programa só, mesmo voando em empresas diferentes. E, dependendo do status no programa de fidelidade, tem direito a benefícios como embarque prioritário, franquia extra de bagagem e acesso a lounges em qualquer aeroporto onde uma companhia parceira opere.
Três alianças dominam o cenário global. Não existe uma quarta. Já se falou sobre isso, mas até agora nenhuma nova aliança conseguiu se consolidar. Vamos a cada uma delas.
Klook.comStar Alliance: a maior e mais antiga
A Star Alliance nasceu em 1997 e foi a primeira aliança global de companhias aéreas. Fundada por cinco empresas — United Airlines, Lufthansa, Air Canada, SAS e Thai Airways —, ela cresceu ao longo dos anos até se tornar o maior bloco de aviação do mundo. Atualmente, conta com mais de 26 companhias membros e cobre mais de 1.200 destinos em praticamente todos os cantos do planeta.
E não é só tamanho por tamanho. A Star Alliance foi eleita, mais uma vez, a melhor aliança aérea do mundo no World Travel Awards de 2025. Isso reflete algo que se percebe na prática: a integração entre as companhias membros funciona bem. O check-in é relativamente fluido, as conexões em hubs compartilhados costumam ser razoavelmente bem coordenadas e o acúmulo de milhas entre programas é consistente.
Entre os membros que o viajante brasileiro mais conhece, estão:
- Lufthansa — hub principal em Frankfurt e Munique, porta de entrada para a Europa
- United Airlines — presença massiva nos Estados Unidos, com hubs em Houston, Newark e San Francisco
- Air Canada — excelente opção para quem vai ao Canadá ou quer conexão por Toronto
- Turkish Airlines — uma das companhias que mais cresceu nos últimos anos, com hub em Istambul que conecta praticamente o mundo todo
- Ethiopian Airlines — a maior da África e, surpreendentemente, com serviço muito bom
- ANA (All Nippon Airways) — referência absoluta em vôos para o Japão
- Avianca — a representante da América Latina, com hub em Bogotá
- COPA Airlines — base no Panamá, excelente para conexões dentro das Américas
- EVA Air — destaque para vôos ao Sudeste Asiático, com serviço de bordo impecável
- TAP Air Portugal — muito usada por brasileiros, com hub em Lisboa que conecta à Europa e à África
- Singapore Airlines — para muitos, a melhor companhia aérea do mundo, ponto
E tem mais: Swiss, South African Airways, LOT Polish Airlines, Asiana Airlines, Egypt Air, entre outras. A rede é gigantesca.
Um detalhe que pouca gente sabe é que a Star Alliance também integra parceiros de conexão — companhias menores que não são membros plenos, mas que ampliam a cobertura da rede em determinadas regiões. Isso é especialmente útil na África e na Ásia, onde as rotas secundárias dependem de operadores regionais.
Na prática, voar dentro da Star Alliance me rendeu experiências memoráveis. Uma conexão em Istambul pela Turkish, com acesso ao lounge deles (que é absurdamente bom), seguida de um vôo para Zanzibar. Tudo acumulando milhas na United. Esse tipo de combinação é o que torna as alianças tão valiosas.
Para o viajante brasileiro, a Star Alliance tem um peso enorme por causa da TAP. Muita gente voa TAP de Guarulhos, Galeão ou Confins para Lisboa e de lá conecta com toda a Europa. Acumular essas milhas num programa Star Alliance — seja o Miles & Go da própria TAP ou o programa de outro membro — é uma estratégia sólida.
oneworld: qualidade acima de quantidade
Se a Star Alliance é a maior, a oneworld é a que carrega a fama de ter as companhias mais premium. Fundada em 1999 com American Airlines, British Airways, Cathay Pacific, Qantas e Canadian Airlines (que depois saiu), a oneworld sempre priorizou qualidade sobre quantidade. E isso se percebe nos membros.
Atualmente, a aliança conta com cerca de 14 a 15 membros plenos. Em 2025, a oneworld viveu um ano movimentado: a Fiji Airways passou de parceira Connect para membro pleno, e a Oman Air também se juntou oficialmente ao grupo. Há ainda conversas sobre a entrada da Hawaiian Airlines, que ficou mais próxima após a fusão com a Alaska Airlines (já membro da oneworld).
Os destaques da oneworld incluem:
- American Airlines — a maior companhia aérea do mundo em número de passageiros
- British Airways — a principal porta de entrada para o Reino Unido e Europa via Londres Heathrow
- Cathay Pacific — referência em vôos para Ásia, especialmente Hong Kong
- Qantas — a companhia australiana icônica, com rotas longas que são verdadeiras maratonas aéreas
- Qatar Airways — uma das melhores do mundo, com hub em Doha conectando o Oriente Médio a tudo
- Japan Airlines (JAL) — concorrente direta da ANA, com serviço de altíssimo nível
- Iberia — boa opção para a Espanha e conexões na Europa
- Malaysia Airlines — rota para o Sudeste Asiático via Kuala Lumpur
- Royal Jordanian — nicho específico para Oriente Médio
- Alaska Airlines — forte nos Estados Unidos e costa oeste
- Fiji Airways — novo membro, abrindo o Pacífico Sul
- Oman Air — novidade recente, com hub em Muscat
Aqui vale um ponto importante para o viajante brasileiro: a oneworld perdeu presença relevante na América do Sul. A LATAM Airlines, que era membro da aliança, saiu da oneworld em 2020 após fechar uma parceria estratégica com a Delta Air Lines (que é membro da SkyTeam). Com essa saída, a oneworld ficou sem uma grande companhia operando vôos domésticos no Brasil. Quem voa oneworld a partir do Brasil depende principalmente dos vôos internacionais diretos da American Airlines, British Airways, Iberia ou Qatar Airways — o que limita bastante as opções comparado ao que era antes.
Mesmo assim, a oneworld segue fortíssima para quem viaja para os Estados Unidos (via American), Europa (via British Airways e Iberia), Ásia (via Cathay Pacific e JAL) e Oceania (via Qantas). As salas VIP das companhias oneworld continuam entre as melhores do planeta. O lounge da Cathay Pacific em Hong Kong, o famoso “The Pier”, é daqueles lugares que você não quer sair de tão bom. E o lounge da Qantas em Sydney é outra experiência à parte.
Uma particularidade da oneworld é o programa de status da aliança: os níveis Ruby, Sapphire e Emerald. Conseguir Emerald é o Santo Graal do viajante frequente — significa embarque prioritário, acesso a lounge de primeira classe e franquia extra em qualquer companhia do grupo. Quem tem status Emerald pela oneworld é tratado como realeza em qualquer aeroporto do circuito.
SkyTeam: a aliança que mais cresceu em relevância para o brasileiro
Fundada em 2000 por Delta Air Lines, Aeroméxico, Air France e Korean Air, a SkyTeam é a terceira grande aliança e ocupa uma posição intermediária tanto em tamanho quanto em percepção de qualidade. Mas chamar de “terceira” não faz justiça ao que ela oferece. São cerca de 19 companhias membros operando mais de 10.000 vôos diários em 166 países.
Os membros mais relevantes da SkyTeam:
- Delta Air Lines — uma das três gigantes americanas, com hubs em Atlanta, Detroit e Minneapolis
- Air France — a elegância francesa nos céus, hub em Paris-Charles de Gaulle
- KLM — a companhia mais antiga do mundo ainda em operação, hub em Amsterdã-Schiphol
- Korean Air — excelente para vôos à Ásia, com hub em Seul-Incheon
- Aeroméxico — boa opção para a América Latina e conexões na Cidade do México
- China Eastern — gigante chinesa com presença crescente
- Vietnam Airlines — destaque para o Sudeste Asiático
- Garuda Indonesia — rota para Indonésia, incluindo Bali
- Saudia — a companhia da Arábia Saudita, em franca expansão
- Aerolíneas Argentinas — vizinha latino-americana com boas rotas regionais
A SkyTeam tem uma história curiosa com o Brasil. A antiga Varig era membro desde 2004, mas com sua falência a aliança ficou sem representante nacional. E embora a LATAM não tenha aderido formalmente à SkyTeam, a joint venture com a Delta — que inclui compartilhamento de receita e coordenação de operações em rotas entre as Américas — cria uma ponte indireta entre o viajante brasileiro e o ecossistema SkyTeam. Na prática, quem voa LATAM em rotas operadas pela joint venture pode acumular milhas no programa SkyMiles da Delta, por exemplo.
Além disso, a Air France-KLM voa diretamente para o Brasil com boa frequência, e o programa Flying Blue é um dos mais versáteis do mundo — aceita transferências de praticamente todos os grandes programas de pontos brasileiros, como Livelo e Esfera. Isso torna a SkyTeam mais acessível do que parece à primeira vista para quem mora aqui.
A SkyTeam também perdeu a ITA Airways (sucessora da Alitalia), que está em processo de migração para a Star Alliance como parte da aquisição pelo grupo Lufthansa. Esse tipo de movimentação mostra que as alianças não são estáticas — elas se reconfiguram conforme o mercado evolui.
A LATAM e o modelo independente: uma tendência que veio para ficar
Esse é um ponto que merece destaque próprio, porque afeta diretamente quem viaja a partir do Brasil. A LATAM Airlines, maior companhia aérea da América Latina, não pertence a nenhuma aliança global. Saiu da oneworld em 2020 e optou por seguir um caminho independente, baseado em parcerias bilaterais.
Hoje, a LATAM mantém acordos com companhias de diferentes alianças simultaneamente. Tem a joint venture com a Delta (SkyTeam). Mantém parceria de acúmulo e resgate de milhas com a Qatar Airways (oneworld). Expandiu em 2026 a parceria com a Iberia (oneworld), incluindo reconhecimento recíproco de status entre os programas de fidelidade. E ainda tem acordos com a Lufthansa (Star Alliance) em rotas no Brasil.
Esse modelo de “jogar em todos os tabuleiros” é cada vez mais comum na aviação. A Emirates, maior companhia aérea dos Emirados Árabes, também não participa de nenhuma aliança. A Azul Linhas Aéreas, segunda maior do Brasil, segue o mesmo caminho — mantém parcerias com United (Star Alliance), TAP (Star Alliance) e outras, sem se filiar a nenhum bloco formal.
Para o passageiro, isso tem vantagens e desvantagens. A vantagem é a flexibilidade: você pode acumular milhas LATAM Pass voando com companhias de diferentes alianças, o que seria impossível se a LATAM estivesse presa a apenas um bloco. A desvantagem é que os benefícios de status — como acesso a salas VIP e embarque prioritário — ficam limitados às companhias parceiras específicas, em vez de valerem automaticamente em toda uma aliança.
É um jogo diferente. Exige mais pesquisa, mais planejamento. Mas para o viajante brasileiro que entende as regras, pode ser até mais vantajoso.
Milhas, pontos e o jogo da fidelidade
Aqui é onde as alianças — e as parcerias fora delas — se tornam realmente estratégicas para o viajante. Entender qual ecossistema priorizar pode significar a diferença entre pagar R$ 30 mil numa passagem de classe executiva ou resgatá-la por milhas acumuladas ao longo de meses.
O princípio básico dentro das alianças é: quando você voa com qualquer membro, pode acumular milhas no programa de fidelidade de outro membro do mesmo bloco. Vôou com a Turkish Airlines? Pode creditar as milhas na United (ambas Star Alliance). Vôou com a Qatar Airways? Pode jogar no programa da British Airways (ambas oneworld). Vôou com a Air France? Pode acumular no Flying Blue ou em qualquer programa SkyTeam que preferir.
Fora das alianças, a lógica funciona por acordos bilaterais. Vôou com a LATAM? Pode acumular no Delta SkyMiles ou no LATAM Pass, dependendo da rota e do acordo. Vôou com a Azul? Pode creditar no TudoAzul ou, em alguns casos, no programa da United.
Na minha experiência, a estratégia mais inteligente para o viajante brasileiro depende do perfil de viagem. Se você voa majoritariamente dentro do Brasil e para a América do Sul, concentrar no LATAM Pass faz sentido — mesmo sem aliança, o programa tem parcerias suficientes para cobrir boa parte do mundo. Se suas rotas principais são internacionais via grandes hubs europeus ou americanos, escolher uma aliança e ser fiel a ela é o caminho.
Ficar pulando de um programa para outro dilui seus pontos e atrasa a conquista de status. E status é o que destrava os melhores benefícios.
Tem também a questão dos cartões de crédito. Programas como Livelo e Esfera permitem transferências para parceiros de diferentes alianças e programas independentes. Isso dá uma flexibilidade enorme, mas exige planejamento. Saber quando transferir, para qual programa e em qual proporção é quase uma ciência — e quem domina isso viaja por uma fração do que os outros pagam.
Salas VIP: o benefício que mais se sente na pele
Falar de alianças sem falar de salas VIP é como falar de praia sem mencionar o mar. Um dos maiores benefícios práticos de ter status numa aliança é o acesso a lounges ao redor do mundo.
Cada aliança tem suas próprias salas VIP e, além disso, os membros com status acessam os lounges das companhias parceiras. A Star Alliance, por exemplo, tem lounges próprios em aeroportos como Los Angeles, Paris-CDG e Buenos Aires. A oneworld conta com espaços da Cathay Pacific, Qantas e British Airways que são referência mundial. A SkyTeam tem os SkyTeam Lounges em hubs como Dubai e Istambul, além dos lounges individuais da Air France e KLM.
Já passei conexões longas em lounges que transformaram uma espera de seis horas em algo quase prazeroso. Chuveiro, comida de verdade, bar completo, poltrona confortável, Wi-Fi decente. Quando você compara isso com ficar sentado no chão do terminal comendo um sanduíche murcho, entende por que tanta gente se esforça para conseguir status.
Mas atenção: nem todo status dá acesso a lounge. Na oneworld, por exemplo, apenas os níveis Sapphire e Emerald garantem entrada. Na Star Alliance, o equivalente é Gold. Na SkyTeam, Elite Plus. Cada aliança tem sua nomenclatura, mas a lógica é parecida.
Para quem voa LATAM — que, como vimos, é independente — o acesso a salas VIP depende do status no LATAM Pass e da companhia parceira. O LATAM Pass tem seus próprios lounges (as salas VIP LATAM em Guarulhos, Santiago, Lima e outros hubs), e passageiros com status alto podem acessar lounges de parceiros específicos. Mas não é a mesma coisa que ter status Gold na Star Alliance e entrar em qualquer lounge de membro ao redor do mundo. É mais restrito, mais fragmentado.
As alianças estão mudando — e rápido
O cenário não é estático. Nos últimos anos, uma tendência crescente tem sido a criação de parcerias bilaterais fora do contexto das alianças. Companhias como Emirates, Azul, LATAM e diversas low-costs asiáticas operam fora dos blocos tradicionais e, mesmo assim, oferecem redes de acúmulo e benefícios que rivalizam com o que as alianças proporcionam.
Isso levanta uma pergunta que muitos no setor se fazem: as alianças ainda são relevantes? Na minha visão, sim, mas de uma forma diferente do que eram há 15 anos. A tendência é que as alianças sejam complementadas por uma teia de acordos bilaterais e joint ventures que tornam o mapa de parcerias cada vez mais complexo.
A joint venture entre LATAM e Delta é o exemplo perfeito: a LATAM não é de nenhuma aliança, a Delta é SkyTeam, mas as duas compartilham receita e coordenam operações como se fossem parte de um mesmo grupo. Esse tipo de arranjo era impensável há uma década e mostra que o mundo da aviação comercial se movimenta mais rápido do que as estruturas formais conseguem acompanhar.
Outro movimento recente é a entrada de companhias de baixo custo como parceiras secundárias. A Star Alliance lançou o conceito de “Connecting Partner” para acomodar companhias regionais e de nicho sem dar a elas o status de membro pleno. A oneworld fez algo similar com o programa “oneworld Connect”, que serviu de porta de entrada para a Fiji Airways antes de ela se tornar membro pleno em 2025.
A aviação pós-pandemia se reorganizou. Rotas foram cortadas, companhias quebraram, fusões aconteceram. As alianças absorveram esses impactos e saíram, no geral, fortalecidas. A tendência para os próximos anos é de consolidação dentro das alianças — com grandes grupos como Lufthansa (Star Alliance), IAG (oneworld) e Air France-KLM (SkyTeam) comprando companhias menores e integrando-as aos seus blocos.
A ITA Airways migrando da SkyTeam para a Star Alliance é um exemplo claro disso. Quando a Lufthansa compra, ela traz para o seu ecossistema. Da mesma forma, a fusão Alaska Airlines-Hawaiian Airlines na oneworld pode criar uma potência no Pacífico que a aliança não tinha antes.
Como escolher o seu ecossistema
Não existe aliança melhor em termos absolutos. E, como vimos, para o brasileiro a questão é ainda mais complexa porque as duas maiores companhias domésticas — LATAM e Azul — não pertencem a nenhuma aliança. A GOL, terceira grande, também opera de forma independente.
Algumas perguntas que ajudam a decidir:
Você voa muito dentro do Brasil? Então o programa de fidelidade da sua companhia doméstica preferida (LATAM Pass, TudoAzul ou Smiles/GOL) pode ser mais útil do que qualquer aliança global. Seu destino principal é a Europa via grandes hubs? Depende do hub. Se for Frankfurt, Zurique ou Istambul, Star Alliance. Se for Paris ou Amsterdã, SkyTeam. Se for Londres ou Madri, oneworld. Os Estados Unidos são seu destino frequente? As três alianças cobrem bem, mas a United (Star Alliance) e a American (oneworld) são as que mais voam direto para o Brasil, enquanto a Delta (SkyTeam) opera via parceria com a LATAM.
O importante é ser consistente. Acumular num programa só, buscar status nele e colher os frutos ao longo do tempo. A tentação de sempre buscar o vôo mais barato é grande, mas quando você começa a ter embarque prioritário, franquia extra e acesso a lounge, percebe que às vezes pagar um pouco mais para voar no ecossistema certo compensa absurdamente.
O cenário brasileiro: um caso à parte
Vale fazer esse recorte porque a realidade do viajante que parte do Brasil é bem diferente da de quem mora nos Estados Unidos ou na Europa. Lá fora, as alianças dominam. Aqui, as três maiores companhias são independentes. Isso cria uma situação em que o passageiro brasileiro precisa ser mais estratégico — e mais criativo — na hora de montar sua rede de acúmulo.
O LATAM Pass, por exemplo, permite acumular e resgatar com Qatar Airways, Delta, Iberia, British Airways e diversas outras. O TudoAzul tem parceria com United, TAP e companhias que cobrem rotas que a Azul não opera. O Smiles da GOL, por sua vez, permite resgatar vôos em companhias de diferentes alianças.
Na prática, o viajante brasileiro sofisticado opera num modelo híbrido: acumula pontos em programas de cartão de crédito (Livelo, Esfera), transfere para o programa mais vantajoso no momento do resgate e usa parcerias bilaterais para acessar benefícios que, em outros países, viriam automaticamente via aliança.
É mais trabalhoso? Sem dúvida. Mas também é mais flexível. E quem aprende a navegar esse sistema consegue extrair valor de formas que um passageiro preso a uma única aliança jamais conseguiria.
Se tem um conselho que eu daria a quem está começando a viajar com mais frequência, é este: não ignore o funcionamento das alianças e das parcerias. Estude o ecossistema, entenda onde seu perfil de viagem se encaixa e seja estratégico na fidelidade. Não precisa ser fidelidade cega — mas uma fidelidade inteligente, que faz seus vôos trabalharem a seu favor mesmo quando você já desceu do avião. É um jogo de longo prazo, e quem joga bem viaja muito melhor.