Quanto Custa Fazer Turismo em Florença?
Florença é um dos destinos mais procurados da Itália, e também um dos que mais geram dúvidas sobre valores reais. Muitas pessoas imaginam que seja inacessível, enquanto outras acreditam que tudo custa pouco e se surpreendem ao chegar. A verdade está entre esses dois extremos: dá para visitar com orçamentos muito diferentes, e o que define o quanto se gasta é principalmente a escolha de onde se hospedar, onde comer e quais atrações visitar. Os valores apresentados aqui são baseados em preços atualizados de 2026, diretamente de fontes oficiais, sites de reserva, museus e estabelecimentos locais.

A moeda oficial é o euro (€). Para ter uma referência, em setembro de 2026, cada euro corresponde aproximadamente a R$ 6,20, mas essa taxa muda todos os dias. É importante levar essa conversão em conta ao planejar, pois o valor final em reais pode variar bastante. Além disso, Florença cobra uma taxa de pernoite por pessoa, que vai de € 4 a € 7 por noite, dependendo da categoria do estabelecimento — esse valor não costuma estar incluído no preço mostrado no site de reserva, e deve ser pago na chegada.
O custo de uma viagem se divide em algumas partes principais: transporte até a cidade, hospedagem, alimentação, ingressos e passeios, deslocamentos locais e gastos pessoais. Vamos examinar cada uma delas com detalhes, mostrando opções para diferentes condições financeiras, para que você possa montar um plano que caiba no seu bolso.
Chegar até Florença: vôos e deslocamentos
Quem vem do Brasil não encontra vôos diretos até Florença. O caminho mais comum é fazer uma conexão numa grande cidade europeia — Roma, Milão, Lisboa ou Paris — e de lá seguir até o destino final. Os valores das passagens variam muito conforme a época do ano, com quanto tempo de antecedência se compra e a companhia aérea escolhida. Em média, uma passagem de ida e volta saindo de cidades brasileiras custa entre R$ 2.800 e R$ 4.500 por pessoa, mas é possível encontrar promoções por menos ou pagar mais em períodos de alta procura, como julho, agosto e feriados.
Há dois aeroportos que atendem a região: o de Peretola (código FLR), que fica bem perto da cidade, e o de Pisa (código PSA), a cerca de 80 quilômetros de distância. O aeroporto de Florença é pequeno e recebe principalmente vôos domésticos e de curta distância na Europa, então a maioria dos vôos internacionais chega a Pisa. De lá, segue-se de trem até Florença: a viagem dura entre uma hora e uma hora e vinte minutos, e o bilhete custa de € 8 a € 12 por pessoa, comprado na hora. Se reservado com antecedência no site da empresa Trenitalia, pode custar menos.
Do aeroporto de Florença ao centro, há um bonde que liga o terminal à estação ferroviária de Santa Maria Novella em 18 minutos. O bilhete custa € 1,70 por pessoa. Táxi custa tarifa fixa de € 22 até o centro, valor oficial definido pela prefeitura. Sempre confirme antes de entrar se o motorista aceita a tarifa fixa; não negocie valores acima desse, pois não é necessário.
Também é possível chegar de trem a partir de outras cidades italianas: de Roma, a viagem dura cerca de uma hora e trinta minutos com trem de alta velocidade, e o bilhete comprado com antecedência custa de € 30 a € 60; comprado na hora, pode chegar a € 90. De Milão, são cerca de uma hora e quarenta minutos, com valores semelhantes. Quanto antes se reserva, mais barato fica.
Onde dormir: opções para todos os bolsos
A hospedagem é, de longe, a despesa maior da viagem, e a escolha do bairro e do tipo de acomodação faz uma diferença enorme no custo final. Os preços que aparecem a seguir são por noite, em valor médio, e não incluem ainda a taxa de pernoite municipal.
Para quem viaja com orçamento reduzido, os albergues são a melhor escolha. Uma cama em dormitório compartilhado custa de € 25 a € 35 por noite. Os bairros de Santa Croce, San Frediano e Santo Spirito concentram a maioria desses estabelecimentos e ficam bem perto das atrações principais. Quem prefere quarto privativo, mas com economia, encontra opções de pousadas familiares e pequenos apartamentos por € 50 a € 80 por noite.
Na faixa intermediária, hotéis de três estrelas e pousadas de bom padrão custam entre € 90 e € 140 por noite para um quarto duplo. Os melhores preços costumam aparecer nos bairros fora do centro mais apertado, como San Lorenzo, Santa Maria Novella e Oltrarno — este último, do outro lado do rio, é charmoso, autêntico e muitas vezes mais barato do que ficar perto da catedral.
Para quem busca conforto superior, hotéis de quatro estrelas e pousadas de charme variam de € 180 a € 280 por noite. Muitos ficam em prédios históricos, com decoração requintada e vista para pontos famosos. Na categoria de luxo, com serviço exclusivo, localização privilegiada e instalações especiais, os valores começam em € 350 por noite e podem ultrapassar € 600 em estabelecimentos renomados.
Ficar mais longe do centro não precisa ser inconveniente: o coração histórico de Florença tem menos de três quilômetros quadrados, então mesmo hospedando-se um pouco afastado, se chega a pé aos principais pontos em quinze ou vinte minutos. Além disso, os preços costumam cair bastante em bairros como Campo di Marte, onde a estação de trem facilita o deslocamento.
Comer bem sem gastar demais
A alimentação em Florença pode ser muito econômica ou bastante cara, dependendo de onde e o que se escolhe. Não é preciso gastar muito para comer bem: a cozinha local é baseada em ingredientes simples e de qualidade, e as opções mais tradicionais são frequentemente as mais baratas e saborosas.
No café da manhã, o hábito dos moradores é parar num bar, tomar um café expresso de pé no balcão por € 1,20 a € 1,50 e acompanhar com um doce ou pão, por mais € 1,50 a € 2. Se sentar à mesa, o preço sobe, pois cobram taxa de serviço — por isso, se quiser economizar, tome de pé no balcão, como faz a população local.
Para o almoço, há várias alternativas acessíveis. O mercado central, no piso superior, reúne barracas que servem pratos típicos entre € 10 e € 15 por pessoa. Pizzas cortadas em pedaço, vendidas em balcões especializados, custam de € 6 a € 10 e são refeições completas. O sanduíche de lampredotto, iguaria típica da cidade, custa entre € 5 e € 7 e é encontrado em barracas nas ruas. Muitas trattorias oferecem o menu do dia, com primeiro prato, segundo prato, acompanhamento e bebida, por € 12 a € 18 por pessoa.
No jantar, uma refeição completa em trattoria de bairro, com entrada, prato principal, sobremesa e vinho, custa de € 35 a € 55 por pessoa. Em restaurantes mais refinados, o valor sobe para € 70 a € 110. A famosa bistecca alla fiorentina, prato de destaque da região, custa entre € 35 e € 55 por pessoa, pois é servida em porção generosa e de carne selecionada. Vale saber que muitos estabelecimentos cobram taxa de cobertura de € 2 a € 3 por pessoa, que aparece discriminada na conta.
Para beber, um copo de vinho da região custa de € 2 a € 4 em locais simples, e de € 5 a € 9 em restaurantes. Durante a hora do aperitivo, por volta das 18h, muitos bares oferecem petiscos variados junto com a bebida, por € 7 a € 9 — pode substituir o jantar para quem prefere algo mais leve. A água da torneira é potável e de excelente qualidade; leve uma garrafa para encher nas fontes públicas espalhadas pela cidade e economize com água mineral.
Entradas para museus e atrações: quanto custa cada um
Os ingressos são um dos itens que mais pesam no orçamento, mas também é onde se pode economizar com planejamento. Os valores a seguir são os preços oficiais de 2026.
A Galeria dos Uffizi, um dos museus mais visitados do mundo, custa € 25 comprado no mesmo dia ou € 29 comprado com antecedência — a diferença de € 4 é a taxa de reserva para garantir data e horário. Quem entra a partir das 16h paga valor reduzido: € 16 na hora ou € 20 antecipado. A Galeria da Academia, onde fica o David de Michelangelo, custa € 20 mais taxa de reserva de € 4, sempre comprada com antecedência, pois esgota rápido.
O complexo do Duomo — cúpula de Brunelleschi, campanário de Giotto, batistério e museu — funciona com passe único. O passe completo custa € 30 e dá acesso a todas as partes. Não há entrada separada para a catedral em si, que é gratuita, mas com fila; para subir na cúpula ou na torre, é obrigatório o passe.
O Palácio Pitti custa € 16 no dia ou € 19 antecipado. Os Jardins de Boboli, ao lado, custam € 10 no dia ou € 13 antecipado. Há bilhete combinado dos dois por € 22 no dia ou € 25 antecipado, com melhor custo-benefício. O Museu Nacional do Bargello, rico em esculturas renascentistas, custa € 12 mais taxa de € 3. As Capelas dos Médici custam € 11 mais taxa de € 3. O Museu de San Marco, com afrescos de Fra Angelico, custa € 11. O Palazzo Vecchio, centro da vida pública florentina, custa € 18; subir à torre custa mais € 20 à parte.
Há passes combinados que valem muito a pena. O PassePartout de 5 dias custa € 40 e dá acesso uma vez a cada um dos principais museus estatais: Uffizi, Palácio Pitti, Jardins de Boboli e Jardim Bardini. Comparando com os valores separados, a economia é clara.
Além disso, no primeiro domingo de cada mês, os museus estatais — Uffizi, Academia, Bargello, Palácio Pitti, Boboli e San Marco — oferecem entrada gratuita. É uma excelente oportunidade, mas as filas ficam bem maiores, especialmente no verão; os meses de inverno são mais tranquilos. Importante: o complexo do Duomo não entra nessa gratuidade, pois é gerido por instituição própria.
Muitas das belezas de Florença não custam nada: caminhar pela Ponte Vecchio, admirar a fachada da catedral, sentar na Praça da Senhoria, ver o pôr do sol no Piazzale Michelangelo e percorrer as ruas históricas não tem preço e fazem parte do melhor da experiência.
Deslocar-se pela cidade e passeios extras
Florença é feita para ser percorrida a pé. O centro histórico é compacto, plano e repleto de ruas que convidam ao passeio. Na maioria dos casos, não é preciso usar transporte público para visitar os pontos principais. Quando necessário, o bilhete de ônibus ou bonde custa € 1,70 e vale por 90 minutos. O bilhete deve ser validado ao entrar; não compre com motorista, pois custa mais — adquira em tabacarias, bancas de jornal ou máquinas nas estações.
Táxi custa € 3,30 de bandeirada e cerca de € 1,10 por quilômetro rodado. Dentro do centro, os percursos costumam ser curtos e não ficam caros, mas caminhar é sempre mais agradável e econômico. Evite pegar táxi nos pontos turísticos mais cheios, onde pode ser difícil encontrar vaga e o trânsito demora.
Para quem quer conhecer a região do Chianti, visitar Siena ou Pisa, os passeios organizados saem de Florença e custam de € 50 a € 90 por pessoa, sem incluir refeições e ingressos. Se preferir ir por conta própria, o trem até Pisa custa de € 8 a € 12, e até Siena, de € 10 a € 15. Alugar carro para o dia inteiro custa de € 40 a € 70, sem contar combustível e estacionamento — dentro do centro histórico, há restrições de circulação e estacionamento pago, então vale avaliar se é realmente necessário.
Guias particulares custam de € 80 a € 150 por passeio, dependendo da duração e do tema. Grupos menores e visitas com foco específico, como arte renascentista ou gastronomia, ficam mais caros. Para quem viaja em grupo, o valor por pessoa cai bastante. Também há visitas guiadas em grupo organizadas, com valores entre € 25 e € 45 por pessoa, que já incluem entrada em alguns casos.
Montando o orçamento diário: valores por perfil
Agora que cada item foi detalhado, é possível juntar tudo e ver quanto se gasta por dia, de acordo com o estilo de viagem.
Orçamento econômico — cerca de € 60 a € 90 por pessoa, por dia
Nesse perfil, hospeda-se em dormitório de albergue ou quarto simples compartilhado, faz refeições em mercados, lanchonetes e barracas de rua, caminha sempre que possível, aproveita os dias de entrada gratuita nos museus e escolhe um ou outro museu pago nos outros dias. O café da manhã sai de € 2 a € 3, o almoço de € 5 a € 12 e o jantar de € 10 a € 20. Com transporte praticamente gratuito a pé e ingressos planejados, a viagem cabe tranquilamente nesse valor.
Orçamento intermediário — cerca de € 150 a € 220 por pessoa, por dia
Aqui, hospeda-se em hotel de três estrelas ou pousada aconchegante, em quarto próprio. Come sentado em restaurante na maioria das vezes, com pratos completos e vinho. Visita um ou dois museus por dia, comprando ingressos com antecedência para evitar filas. Pode usar transporte público ocasionalmente e fazer um passeio para fora da cidade durante a estadia. Esse é o perfil mais comum entre os visitantes e oferece conforto sem excessos.
Orçamento confortável — cerca de € 280 a € 420 por pessoa, por dia
Hospedagem em hotel de quatro estrelas ou pousada de charme, muitas vezes com vista e café da manhã incluso. Refeições em restaurantes renomados, com pratos requintados e vinhos selecionados. Todos os ingressos comprados com antecedência, sem se preocupar com economia. Passeios com guia, transporte privado e visitas a vinícolas incluídos no roteiro. É uma experiência tranquila, sem filas e com atendimento personalizado.
Orçamento de luxo — € 500 por pessoa, por dia ou mais
Estadia em hotéis de prestígio, serviço de mordomo, jantares com estrelas quando desejado, guias particulares em todos os museus, transporte com motorista e acesso a áreas restritas. Nada é deixado ao acaso, e o conforto é prioridade máxima.
Planejamento e dicas para economizar sem perder qualidade
Escolher a época certa faz diferença grande. Abril, maio, setembro e outubro oferecem clima agradável e preços mais baixos do que os meses de julho e agosto, quando a cidade fica cheia e os valores disparam. Em setembro, especialmente, a colheita das uvas acontece na região, os dias ainda são quentes e as noites frescas, e há eventos tradicionais com entrada gratuita ou a preços baixos.
Comprar ingressos com antecedência é essencial para os museus mais procurados — Uffizi e Galeria da Academia costumam esgotar com semanas de antecedência, e comprar na hora pode ser impossível. O pequeno acréscimo da taxa de reserva vale muito mais do que perder um dia inteiro de viagem. Para os outros museus, o risco é menor, mas reservar garante tranquilidade.
Ficar fora do centro imediato reduz bastante o valor da hospedagem, e como tudo é perto a pé, não traz inconveniente. Comer onde os moradores comem também ajuda muito: afaste-se das ruas mais movimentadas e procure praças menores, onde os preços são mais justos e a comida costuma ser mais autêntica. Evite refeições nas imediações da catedral e da Praça da Senhoria, pois os preços ali são inflacionados pela localização.
Levar garrafa reutilizável e encher nas fontes públicas economiza dinheiro e plástico. Usar o bilhete combinado dos museus que você pretende visitar sempre compensa mais do que pagar separadamente. E não subestime o valor de simplesmente caminhar: as paisagens, as praças, as igrejas por fora e o ritmo da cidade são parte da experiência e não custam nada.
Resumo prático para organizar a viagem
Para uma viagem de cinco dias, que é o tempo recomendado para conhecer Florença com calma e sem correr demais, os valores aproximados totais por pessoa ficam assim: com orçamento econômico, de € 300 a € 450; com orçamento intermediário, de € 750 a € 1.100; com orçamento confortável, de € 1.400 a € 2.100; e com orçamento de luxo, a partir de € 2.500. Esses valores não incluem o vôo até a Itália, apenas os gastos dentro da cidade. Somando a passagem aérea, uma viagem completa saindo do Brasil pode custar de R$ 3.500 a R$ 9.000 por pessoa, dependendo das escolhas feitas.
Cada pessoa prioriza coisas diferentes: para uns, vale mais gastar com hospedagem bonita e economizar em comida; para outros, a gastronomia é o ponto central e preferem investir nisso; há também quem queira visitar todos os museus e esteja disposto a abrir mão de conforto para isso. O importante é saber quanto cada coisa custa e distribuir os recursos de acordo com o que tem mais valor para você.
Florença acolhe a todos, independentemente do bolso. Quem chega com planejamento, escolhas conscientes e disposição para caminhar e observar encontra beleza em cada esquina, seja num museu famoso ou num detalhe de rua que ninguém espera ver. O encanto da cidade não está ligado ao quanto se gasta, mas à atenção com que se a vivencia.
