Comparativo de Companhia Aérea de Baixo Custo easyJet x Vueling
Viajar pela Europa com easyJet ou Vueling pode sair barato, mas bagagem, aeroporto, assento e tarifas extras mudam bastante o custo e o conforto da viagem.

Comparativo de Companhia Aérea de Baixo Custo easyJet x Vueling
Escolher entre easyJet e Vueling parece simples quando a busca mostra duas tarifas parecidas para o mesmo destino. Na prática, o valor inicial é só uma parte da conta. A diferença aparece na bagagem permitida, no aeroporto usado, na facilidade para montar um roteiro, nos horários, nos serviços incluídos e até no tipo de viagem que você pretende fazer.
As duas companhias são bem conhecidas por quem percorre a Europa, especialmente em viagens entre grandes cidades. A easyJet é britânica e tem uma presença muito forte no Reino Unido, na França, na Itália, em Portugal, na Suíça e em vários outros mercados europeus. A Vueling nasceu na Espanha e tem Barcelona como seu principal centro de operações, embora também mantenha uma rede ampla em cidades espanholas, francesas, italianas e em destinos de outros países.
Nenhuma das duas vende uma experiência de luxo. Não é essa a proposta. O foco está em levar o passageiro de um lugar a outro com preços que, em muitos casos, permitem transformar uma viagem antes inviável em um roteiro possível. Isso funciona muito bem quando o viajante entende as regras antes de pagar.
A parte mais importante é esta: não existe uma vencedora universal. A easyJet pode ser mais interessante em uma rota entre Londres e Paris, por exemplo, enquanto a Vueling pode fazer muito mais sentido para quem pretende entrar por Barcelona e seguir por cidades da Espanha, ilhas do Mediterrâneo ou trechos entre Espanha e Itália. O melhor caminho é comparar o preço final, não apenas o número grande que aparece na primeira tela.
O perfil de cada companhia aérea
A easyJet opera no modelo de baixo custo europeu, mas tem uma característica relevante: em várias rotas, usa aeroportos grandes e bem conectados com os centros urbanos. Isso não acontece sempre, claro. Londres Gatwick, por exemplo, não fica no coração da cidade, mas é muito mais prático que aeroportos extremamente afastados, dependendo do destino e do transporte escolhido.
Em dados corporativos divulgados pela empresa, a easyJet tinha 356 aeronaves e presença em 37 países em março de 2026. Sua frota é formada por aviões da família Airbus A320, incluindo modelos A319, A320, A320neo e A321neo. Para o passageiro, isso significa uma experiência relativamente padronizada: cabine de corredor único, fileiras apertadas em comparação com companhias tradicionais e foco total em rapidez na operação.
A Vueling também usa majoritariamente aeronaves Airbus da família A320. Ela faz parte do grupo IAG, o mesmo que reúne marcas como Iberia, British Airways, Aer Lingus e LEVEL. Essa ligação empresarial não transforma automaticamente uma passagem da Vueling em um bilhete com os mesmos benefícios dessas companhias maiores, mas pode ser útil em algumas conexões, parcerias e programas de pontos ligados ao ecossistema Avios.
Na percepção de muitos viajantes, a Vueling tem uma cara mais mediterrânea. Isso não é uma regra operacional, mas reflete o peso de Barcelona, das ilhas espanholas e das rotas de lazer dentro da malha. A easyJet, por sua vez, costuma aparecer com muita força em trajetos urbanos e internacionais envolvendo Reino Unido, França, Itália, Portugal, Suíça, Holanda e outros mercados europeus.
Para uma viagem entre Barcelona e Roma, as duas podem aparecer na busca. Para um deslocamento entre Londres e cidades francesas, italianas ou suíças, a easyJet frequentemente ganha relevância. Já para explorar Espanha com deslocamentos entre Barcelona, Málaga, Palma de Maiorca, Ibiza, Bilbao, Sevilha ou cidades conectadas à península, a Vueling pode oferecer horários e rotas mais convenientes.
A tarifa barata não conta a história inteira
Esse é o ponto em que muita gente se decepciona com empresas de baixo custo. A passagem exibida inicialmente pode ser excelente, mas ela representa o cenário mais básico possível. Você terá um assento e uma franquia pequena de bagagem. O restante depende das escolhas feitas durante a reserva.
Ao comparar easyJet e Vueling, abra as duas páginas de pagamento e simule tudo o que realmente será necessário. Inclua a bagagem, a escolha de assento, o deslocamento entre aeroporto e hotel e, se houver necessidade, a mala despachada. Só depois compare os valores.
Uma passagem de 30 euros pode parecer muito melhor que outra de 45 euros. Porém, se na primeira você precisar pagar 25 euros por bagagem de cabine e na segunda a mala já estiver incluída em uma tarifa mais adequada, a diferença muda de lado rapidamente.
Outro cuidado importante envolve a moeda. Para brasileiros, é comum o sistema oferecer pagamento em reais. Antes de aceitar, vale verificar se a conversão aplicada pela companhia aérea é vantajosa. Muitas vezes, pagar na moeda original da cobrança, como euro ou libra esterlina, usando um cartão internacional com condições conhecidas, pode ser mais interessante. Não é uma regra fixa, porque depende do cartão e do câmbio do dia, mas merece atenção.
As tarifas também variam bastante conforme a procura. Férias escolares europeias, verão entre junho e agosto, Natal, Ano-Novo, Páscoa, feriados prolongados e grandes eventos elevam os preços. Em ilhas muito procuradas, como Ibiza, Maiorca, Menorca, Santorini ou destinos de praia na Itália e na Croácia, a antecedência faz diferença.
Bagagem de mão na easyJet
A easyJet permite que todos os passageiros levem gratuitamente uma bolsa pequena para acomodar embaixo do assento dianteiro. O limite informado pela companhia é de 45 x 36 x 20 centímetros, considerando alças e rodinhas. A bolsa pode pesar até 15 quilos, desde que o próprio passageiro consiga carregá-la e colocá-la no lugar adequado.
Esse limite é interessante porque oferece um volume razoável para uma mochila de viagem bem escolhida. Para quem consegue viajar leve, ele permite evitar gastos extras em muitos trajetos curtos. Uma mochila flexível costuma ajudar mais do que uma mala rígida, pois se adapta melhor ao espaço e tende a passar com mais facilidade no medidor.
Quem quiser levar uma mala maior na cabine precisa reservar esse item ou comprar uma tarifa que o inclua. A mala de cabine grande da easyJet pode medir até 56 x 45 x 25 centímetros e também tem limite de 15 quilos. Ela vai no compartimento superior e dá direito ao Speedy Boarding, o embarque prioritário da empresa.
A vantagem da easyJet está no tamanho da bolsa gratuita. Em comparação direta, ela permite uma peça um pouco maior que a franquia básica da Vueling. Para um passageiro com mochila de 40 a 45 litros, desde que ela possa ser ajustada às medidas exigidas, isso pode representar uma diferença real.
A empresa deixa claro que comprar a bagagem online costuma custar menos do que resolver isso no aeroporto. No portão de embarque, o custo pode ser bem alto. A easyJet informa uma cobrança de 60 libras para bagagem de cabine grande adicionada no portão em voos que partem do Reino Unido, ou valor equivalente em outras moedas conforme a rota.
Bagagem de mão na Vueling
Na Vueling, a franquia mais básica costuma permitir uma peça pequena de até 40 x 30 x 20 centímetros para ficar sob o assento dianteiro. É uma medida menor em comparação à permitida pela easyJet. Por isso, quem já tem uma mochila específica para low cost precisa conferir a etiqueta e medir com a mochila cheia antes de sair para o aeroporto.
Uma mochila que cabe sem dificuldade na easyJet pode ultrapassar o limite da Vueling. A diferença parece pequena no papel, mas alguns centímetros a mais podem alterar o resultado quando a empresa pede que a bagagem seja colocada no medidor.
A mala maior de cabine na Vueling costuma seguir o limite de 55 x 40 x 20 centímetros e peso máximo de 10 quilos, conforme a tarifa adquirida ou o adicional contratado. Ela precisa ir no compartimento superior da cabine. Algumas tarifas mais altas incluem essa mala, enquanto nas modalidades mais simples ela pode ser cobrada separadamente.
Para quem pretende fazer uma viagem curta, com roupas leves e poucos itens, a Vueling funciona bem com a bolsa gratuita. Uma mochila pequena, uma bolsa de ombro ou uma bolsa para notebook podem resolver. Já em viagens com inverno europeu, sapatos volumosos, casacos e mais de uma semana de roteiro, a franquia mínima pode ficar apertada depressa.
Nesse ponto, a easyJet leva uma pequena vantagem para o viajante que quer economizar e levar uma mochila maior sem pagar adicional. Isso não significa que a Vueling seja ruim. Apenas exige um planejamento mais disciplinado de volume.
Mala despachada: pesos, custos e planejamento
Quando a viagem exige uma mala de porão, o passageiro deve olhar não só para o valor, mas também para o peso contratado. A easyJet oferece malas despachadas de 15 ou 23 quilos e permite adicionar peso extra online em incrementos de 3 quilos, respeitando o limite de 32 quilos por peça.
A empresa ainda permite que pessoas na mesma reserva compartilhem a franquia total de peso entre as malas despachadas. Imagine um casal que comprou duas malas de 23 quilos. Juntas, elas terão 46 quilos disponíveis, desde que nenhuma mala isolada ultrapasse 32 quilos. Isso facilita bastante quando uma pessoa leva itens mais pesados e a outra viaja com menos volume.
A Vueling trabalha com opções de bagagem despachada que variam conforme a rota e a tarifa. Em geral, o passageiro pode adicionar malas com diferentes faixas de peso. Como essas configurações podem mudar de acordo com o mercado e o período da reserva, o ideal é verificar a tela de extras no momento da compra, antes de finalizar o pagamento.
Nas duas companhias, vale uma regra simples: se você sabe que vai despachar, adicione a mala durante a reserva. Deixar para o aeroporto quase nunca é uma boa ideia. Além de pagar mais, você fica dependente de atendimento presencial, de filas e de possíveis restrições operacionais.
Uma balança portátil de bagagem é um dos itens mais úteis para quem vai fazer vários trechos dentro da Europa. Ela é pequena, barata e pode poupar muito dinheiro. Pesar a mala no hotel antes de partir evita aquela situação pouco agradável de abrir tudo no balcão, vestir um casaco pesado, transferir sapatos para a mochila e tentar redistribuir objetos diante de uma fila impaciente.
Os aeroportos usados por easyJet e Vueling
O aeroporto escolhido pode ser tão importante quanto a companhia. Uma passagem mais barata perde sentido se a chegada exigir duas horas de ônibus e trem até o hotel, com uma tarifa alta de transporte terrestre.
A easyJet costuma operar em aeroportos relevantes. Em Londres, por exemplo, sua presença é muito forte em Gatwick e Luton. Gatwick tem ligação ferroviária com a cidade, enquanto Luton exige atenção ao trajeto entre terminal, trem e centro de Londres. O custo e o tempo variam conforme o horário e a antecedência de compra.
Em Paris, a easyJet aparece em aeroportos como Charles de Gaulle e Orly em determinadas rotas, algo que pode ser muito interessante para quem quer evitar aeroportos excessivamente distantes. Em Milão, pode utilizar Malpensa, Linate ou outros aeroportos, conforme o trecho. A escolha muda bastante a logística de chegada.
A Vueling tem Barcelona-El Prat como um grande ponto de força. É um aeroporto com acesso relativamente simples ao centro de Barcelona por ônibus, metrô e outros meios de transporte. Para quem inicia ou termina uma viagem pela Catalunha, isso ajuda muito.
A companhia também mantém presença relevante em outros aeroportos espanhóis e em cidades como Paris, Roma, Florença, Lisboa e Amsterdã, dependendo da época. Em algumas rotas, a Vueling entrega bons horários, especialmente para deslocamentos entre cidades turísticas do Mediterrâneo.
Não escolha apenas pelo nome da cidade exibido no buscador. Abra o itinerário e veja o código do aeroporto. Depois, pesquise a distância até a hospedagem e o custo real do transporte. Um hotel barato em uma região central pode deixar de compensar se você pousar muito tarde em um aeroporto distante e precisar de táxi.
Rotas e facilidade para montar um roteiro
A easyJet costuma atender muito bem o viajante que quer conectar grandes centros europeus. Londres, Paris, Genebra, Nice, Milão, Veneza, Roma, Nápoles, Lisboa, Porto, Amsterdã, Berlim e várias cidades de férias aparecem com frequência na malha da empresa.
Ela é especialmente útil para quem combina Reino Unido com França, Itália, Portugal ou Suíça. Também pode ter bom custo para quem quer visitar cidades menos conectadas por trem, quando o deslocamento terrestre levaria muitas horas.
A Vueling é muito forte para quem vai explorar Espanha e encaixar outros países no mesmo roteiro. Barcelona é uma base excelente para isso. A partir dela, há conexões para cidades espanholas, destinos italianos, franceses, portugueses, ilhas e diversos pontos turísticos sazonais.
Para brasileiros que montam uma viagem de 15 a 25 dias, uma possibilidade comum é entrar por Barcelona, seguir de trem por algumas cidades da Espanha e usar a Vueling em um trecho mais longo, como Barcelona para Roma, Paris, Lisboa ou Atenas, quando houver uma tarifa interessante. Em outro roteiro, a easyJet pode assumir o papel de ligar Lisboa a Milão, Londres a Nice ou Paris a Veneza.
O ponto de atenção é que as duas trabalham principalmente com venda de trechos diretos. Se você montar uma conexão por conta própria, comprando duas passagens separadas, a responsabilidade é sua. Caso o primeiro trajeto atrase e o segundo seja perdido, a empresa do segundo bilhete não é obrigada a oferecer uma nova passagem sem custo.
Por isso, conexões independentes exigem margem de segurança. Se houver mala despachada, imigração, troca de terminal ou mudança de aeroporto, duas horas podem ser pouco. Em muitos casos, quatro ou cinco horas são mais seguras. Se a conexão for entre aeroportos diferentes na mesma cidade, o ideal pode ser passar uma noite no local.
Como são os assentos e o espaço a bordo
easyJet e Vueling usam aeronaves de corredor único, com configuração voltada para eficiência. Em boa parte dos aviões, os assentos seguem o padrão de três poltronas de cada lado do corredor. O espaço para as pernas é limitado, principalmente nas tarifas básicas.
Em trajetos de uma ou duas horas, isso costuma ser administrável. Para rotas mais longas, perto de quatro horas ou mais, passageiros altos ou com dores nas costas podem sentir bastante a diferença. Nesses casos, pagar por uma poltrona com espaço extra pode valer mais do que gastar em outros adicionais menos úteis.
Na easyJet, há opções de assentos padrão, lugares nas primeiras fileiras, chamados Up Front, e assentos com mais espaço para as pernas, normalmente próximos às saídas de emergência. Os assentos Up Front costumam trazer a vantagem de desembarcar mais rápido. Já os de espaço extra são mais adequados para quem mede mais de 1,80 metro ou simplesmente não gosta de viajar apertado.
Na Vueling, as opções de assento também variam, com lugares padrão, assentos dianteiros e áreas com espaço ampliado. A nomenclatura pode mudar de acordo com o avião e o sistema de reservas, então o mapa do assento é a melhor ferramenta para comparar.
Pagar pela marcação de assento não é obrigatório para todo mundo. Casais adultos, em uma reserva conjunta, podem aceitar a distribuição automática e economizar. Porém, há situações em que escolher faz sentido: viagens com crianças, necessidade de sentar junto de um acompanhante, passageiros muito altos, preferência por corredor ou quem precisa sair rapidamente ao pousar.
Uma observação prática: assentos em fileiras de emergência costumam ter regras. O passageiro precisa ter condições de ajudar em uma evacuação, entender as instruções da tripulação e não pode viajar com bebê de colo, por exemplo. Não é apenas uma poltrona mais espaçosa.
Check-in e cartão de embarque
As duas empresas estimulam fortemente o check-in digital. Na easyJet, o passageiro pode fazer o procedimento pelo site ou aplicativo e usar o cartão de embarque no celular. A companhia informa que os portões fecham pontualmente 30 minutos antes do horário de partida, então não adianta chegar ao aeroporto no limite.
A easyJet também organiza o embarque por grupos de prioridade. Passageiros que solicitaram assistência especial e avisaram a empresa com antecedência embarcam primeiro. Depois vêm os clientes com Speedy Boarding, famílias com crianças menores de cinco anos e os demais passageiros.
Na Vueling, o check-in online também é central no processo. O cartão de embarque digital é aceito na maior parte das operações, embora alguns aeroportos possam exigir procedimentos próprios. Há locais em que o documento no celular funciona sem dificuldades e outros em que é melhor ter uma versão impressa como segurança.
Ter o aplicativo instalado ajuda muito. Mudanças de portão, atrasos, informações operacionais e acesso à reserva ficam mais fáceis. Ainda assim, não dependa apenas do celular. Deixe o cartão de embarque salvo na carteira digital, faça uma captura de tela e, se possível, leve uma cópia impressa. Bateria acaba, internet falha e aplicativos podem travar justamente no pior momento.
Na Ryanair, o check-in sem reserva de assento abre apenas 24 horas antes da saída, o que é um ponto conhecido pelos viajantes. Entre easyJet e Vueling, a experiência tende a ser um pouco menos tensa nesse aspecto, mas as regras de cada reserva devem ser conferidas com cuidado. Os prazos podem mudar conforme a tarifa e o aeroporto.
Comida, bebidas e entretenimento
Nem easyJet nem Vueling incluem serviço gratuito de comida e bebida nas tarifas básicas. Em ambas, há venda de produtos a bordo, normalmente com sanduíches, snacks, café, chá, refrigerantes, bebidas alcoólicas e alguns itens adicionais.
A Vueling permite levar alimentos sólidos na bagagem de mão, desde que respeitem o espaço permitido para a mala. Isso é uma boa saída para economizar. Um sanduíche comprado em mercado, uma fruta, biscoitos, castanhas ou uma barra de cereal podem resolver um trajeto curto sem gastar os valores mais altos do carrinho de bordo.
Líquidos continuam sujeitos às regras de segurança do aeroporto. Em linhas gerais, recipientes de até 100 ml devem ir em uma bolsa plástica transparente, dentro do limite estabelecido no controle de segurança. A fiscalização pode variar um pouco conforme o aeroporto e o equipamento de raio-X usado, então não vale contar com exceções.
Após passar pelo controle de segurança, é possível comprar água e outras bebidas no aeroporto e levar para o avião. Essa costuma ser uma solução simples, especialmente em viagens de verão ou para quem gosta de se manter hidratado.
Não espere telas individuais, filmes, séries ou entretenimento de bordo tradicional. O passageiro deve levar seu próprio conteúdo baixado no celular, fones de ouvido e, de preferência, uma bateria externa permitida pelas regras de segurança. Em alguns aviões mais novos, a cabine pode ser mais agradável em iluminação e acabamento, mas isso não muda a proposta de serviço enxuto.
Pontos, programas de fidelidade e benefícios
A easyJet tem o programa easyJet Plus, voltado principalmente a quem viaja muitas vezes com a empresa e aceita pagar uma assinatura anual. Os benefícios podem incluir escolha de assento, bagagem de cabine grande, embarque prioritário e outras facilidades, dependendo das condições vigentes. Para o turista brasileiro que faz uma única viagem à Europa, normalmente não é algo necessário.
A Vueling se conecta ao universo Avios, usado por empresas do grupo IAG. Isso pode ser interessante para quem já acumula pontos em programas ligados à Iberia, British Airways ou outras marcas parceiras. Há regras específicas para acúmulo e resgate, e o valor real depende da rota, da tarifa e da disponibilidade.
Para a maior parte das pessoas, os pontos não devem definir a escolha entre as duas. Uma economia concreta de 40 ou 50 euros na passagem, uma bagagem já incluída ou um aeroporto mais próximo do hotel costuma valer mais do que um pequeno acúmulo de milhas.
Mas há exceções. Quem viaja frequentemente pela Europa ou já usa Avios pode encontrar vantagens na Vueling. Da mesma forma, quem faz muitas rotas servidas pela easyJet e costuma levar mala de cabine grande pode avaliar se o easyJet Plus faria sentido dentro de um calendário cheio de deslocamentos.
Atendimento em atrasos e cancelamentos
Quando tudo sai como previsto, empresas de baixo custo são bastante objetivas. Você compra online, faz check-in pelo aplicativo, embarca e segue viagem. O teste mais delicado aparece em casos de atraso prolongado, cancelamento ou perda de conexão.
easyJet e Vueling, quando operam trajetos protegidos pela regulamentação europeia, precisam respeitar os direitos previstos nas normas da União Europeia e do Reino Unido, conforme a rota e a situação. Isso pode envolver direito à informação, assistência material, alimentação, hotel em caso de pernoite necessário, reacomodação ou reembolso, dependendo do problema.
Em certos casos de chegada com atraso significativo, cancelamento com pouca antecedência ou recusa de embarque por responsabilidade da empresa, pode existir compensação financeira. As circunstâncias importam muito. Mau tempo severo, restrições de controle aéreo e outros eventos fora do controle operacional da companhia podem mudar a análise.
O melhor procedimento em uma situação dessas é registrar tudo. Guarde cartões de embarque, recibos de gastos, e-mails, fotos do painel de partidas e mensagens recebidas pelo aplicativo. Se houver fila enorme no balcão, tente usar também o aplicativo e o site para verificar opções de mudança. Às vezes, a solução digital aparece antes do atendimento presencial.
Não compre uma nova passagem por impulso sem verificar o que a companhia está oferecendo. Em algumas situações, a empresa pode reacomodar o passageiro. Em outras, será necessário decidir entre aguardar, pedir reembolso ou buscar uma alternativa por conta própria. A escolha depende do compromisso no destino, do horário e da disponibilidade real.
Qual costuma ser melhor para famílias
Famílias precisam olhar além da tarifa. O ponto central é sentar juntas, levar carrinho de bebê, despachar uma mala maior e evitar deslocamentos longos em aeroportos complexos.
A easyJet informa que famílias com crianças menores de cinco anos recebem prioridade depois dos passageiros com Speedy Boarding. Isso pode tornar o embarque menos cansativo. A empresa também tem regras específicas para crianças, bebês de colo e assistência especial, que devem ser conferidas antes da reserva.
A Vueling também atende famílias, mas os detalhes sobre assentos, carrinho e itens infantis devem ser revisados na reserva. Em qualquer companhia de baixo custo, a recomendação é não deixar a escolha de assento para a última hora quando há crianças pequenas. O custo extra pode ser chato, mas a tranquilidade de viajar em fileiras próximas costuma compensar.
Outro ponto é o horário. Um trajeto direto às 10h pode custar mais que uma opção às 22h, mas pode evitar chegada de madrugada, táxi caro, criança cansada e dificuldade para entrar na hospedagem. A economia precisa ser vista no contexto da viagem inteira.
Qual delas oferece melhor experiência?
A resposta depende do que você valoriza. A easyJet tende a ser mais vantajosa para quem quer uma bolsa gratuita um pouco maior, voa por rotas bem atendidas no Reino Unido e em boa parte da Europa Ocidental, ou encontra um aeroporto mais conveniente em sua cidade de chegada.
A Vueling pode ser uma escolha muito forte para roteiros centrados em Barcelona, Espanha, ilhas espanholas e conexões mediterrâneas. A integração com o universo Avios também pode pesar para alguns viajantes habituais.
Em termos de cabine, ambas entregam uma experiência funcional. O serviço é direto, a alimentação é paga, não há luxo e o conforto é o esperado em aviões de baixo custo. Em trajetos curtos, isso raramente se torna um problema. Em rotas maiores, o assento escolhido e a preparação pessoal fazem uma diferença maior que o logotipo pintado na fuselagem.
A bagagem costuma ser o critério que mais muda a decisão. Se você viaja apenas com mochila, a easyJet pode ser mais flexível pelas dimensões da peça gratuita. Se a Vueling oferecer uma tarifa com mala de cabine grande incluída, ou se o horário dela for melhor, a conta pode virar.
Como escolher sem cair em taxas desnecessárias
Faça a busca inicial em comparadores, mas sempre entre no site oficial antes de pagar. Simule exatamente o que pretende levar. Não escolha uma tarifa mínima se você já sabe que precisa de mala despachada, assento específico ou embarque prioritário.
Verifique o aeroporto de saída e chegada. Calcule trem, metrô, ônibus, táxi ou transfer. Em cidades caras, como Londres, Paris, Genebra e Amsterdã, o transporte terrestre pode ter um peso relevante no orçamento.
Leia as medidas da mochila com cuidado. Isso parece básico, mas é um dos erros mais caros em companhias de baixo custo. Meça a peça já cheia, incluindo rodas, alças e bolsos laterais. Não tente depender de tolerância no portão. Algumas equipes podem ser flexíveis em dias tranquilos, mas a política da empresa continua valendo.
Se pretende despachar mala, compre a franquia online. Se vai fazer conexão por conta própria, deixe uma janela generosa entre os trechos. Se tiver uma reunião, cruzeiro, casamento ou outro compromisso que não pode perder, considere chegar ao destino um dia antes.
Ao comparar easyJet e Vueling, o objetivo não deve ser encontrar uma marca perfeita. O objetivo é montar uma viagem que faça sentido para o seu roteiro, sua bagagem, seu orçamento e seu nível de tolerância a deslocamentos e horários menos confortáveis.
Quando as regras são respeitadas e a reserva é feita com atenção, as duas podem cumprir muito bem o que prometem: levar o passageiro por diferentes partes da Europa por valores que, há alguns anos, seriam difíceis de imaginar.
