Comparativo de Companhia Aérea de Baixo Custo easyJet x Wizz Air

EasyJet e Wizz Air são companhias aéreas de baixo custo importantes na Europa, mas diferem em bagagem, aeroportos, conforto, rotas e cobrança de serviços extras.

EasyJet e Wizz Air são companhias aéreas de baixo custo importantes na Europa, mas diferem em bagagem, aeroportos, conforto, rotas e cobrança de serviços extras

Comparativo de Companhia Aérea de Baixo Custo easyJet x Wizz Air

Escolher entre easyJet e Wizz Air não depende apenas de olhar qual passagem está mais barata na tela. Esse é o primeiro passo, claro, mas raramente representa o custo real da viagem. Em companhias aéreas de baixo custo, o valor final muda conforme a bagagem, o assento, o aeroporto de chegada, o transporte até o centro e até a forma de fazer o check-in.

As duas empresas seguem a lógica clássica do setor low cost europeu: a tarifa inicial costuma cobrir o assento e uma mochila pequena. O restante pode ser contratado à parte. Mala de rodinhas, bagagem despachada, marcação de assento, prioridade de embarque, seguro e outros serviços aumentam o preço conforme as necessidades de cada passageiro.

A easyJet tem sede no Reino Unido e uma presença muito forte em países como Inglaterra, França, Itália, Portugal, Espanha, Suíça, Alemanha e Holanda. A Wizz Air nasceu na Hungria e se expandiu com enorme presença na Europa Central e Oriental, atendendo destinos como Polônia, Hungria, Romênia, Bulgária, Albânia, Macedônia do Norte e vários aeroportos menores de cidades europeias.

Na prática, há situações em que uma será claramente melhor do que a outra. Em outras, a diferença estará em detalhes que parecem pequenos no momento da compra, mas fazem bastante diferença no aeroporto.

O que easyJet e Wizz Air têm em comum

Antes de comparar os pontos que separam as duas empresas, vale entender o que elas fazem de modo parecido. Ambas trabalham com alta ocupação das aeronaves, venda de serviços adicionais e forte uso de aplicativos. O passageiro precisa gerenciar boa parte da viagem pelo celular ou pelo site, especialmente reserva, check-in, cartão de embarque e inclusão de bagagem.

Não espere serviço de bordo gratuito em nenhuma das duas. Água, café, lanches, bebidas alcoólicas e refeições são vendidos durante o vôo. Também não há tela individual com filmes, como ocorre em companhias tradicionais que operam trajetos mais longos.

Outro ponto semelhante é a necessidade de atenção ao horário. Vôos de baixo custo costumam ter processos rápidos de embarque. Portões podem ficar distantes, o embarque pode ser feito por ônibus e as malas precisam estar dentro das medidas exigidas. Chegar atrasado ou tentar embarcar com uma bolsa fora do padrão pode gerar uma cobrança alta e inesperada.

As duas utilizam aeronaves da família Airbus A320. São aviões muito comuns na aviação europeia, eficientes em rotas curtas e médias, com configuração de assentos voltada para transportar bastante gente. Não se trata de luxo. O foco é deslocamento prático, com preço competitivo e ampla oferta de destinos.

A diferença de perfil entre as empresas

A easyJet costuma passar uma sensação mais equilibrada entre baixo custo e praticidade. Ela mantém presença relevante em aeroportos importantes, embora também use terminais mais afastados em algumas cidades. Isso ajuda quem quer voar para destinos turísticos conhecidos e evitar deslocamentos longos depois do pouso.

A Wizz Air é mais agressiva na proposta de tarifa baixa. Em muitos casos, oferece preços muito chamativos em rotas para o Leste Europeu, os Bálcãs, ilhas gregas, cidades menores da Itália e aeroportos alternativos. É uma empresa bastante procurada por viajantes que aceitam abrir mão de conveniência para gastar menos.

Essa diferença é importante. Às vezes, a Wizz Air mostra uma tarifa de 25 euros e a easyJet aparece por 55 euros. Parece uma escolha óbvia. Porém, se o vôo da Wizz chega a um aeroporto muito distante, exige ônibus caro ou acrescenta duas horas ao trajeto, a economia pode desaparecer rapidamente.

Em uma viagem curta, cada hora pesa mais. Se você fará uma escapada de dois ou três dias, chegar perto do centro pode valer mais do que economizar alguns euros na passagem. Já numa viagem longa, com mais tempo disponível, aceitar um aeroporto alternativo pode fazer sentido.

Bagagem gratuita: easyJet leva vantagem no tamanho

A bagagem é um dos pontos mais relevantes nesse comparativo. Para muitos brasileiros viajando pela Europa, uma mala de cabine é algo natural. Só que, nas duas empresas, a tarifa básica não inclui automaticamente a clássica mala de rodinhas no compartimento superior.

Na easyJet, todos os passageiros podem embarcar com uma bolsa pequena gratuita de até 45 x 36 x 20 centímetros, incluindo rodas, puxadores e alças. A peça deve ficar sob o assento dianteiro. A empresa informa limite de até 15 quilos, desde que o passageiro consiga carregar a própria bagagem.

Essa medida é interessante porque permite levar uma mochila razoavelmente espaçosa. Dependendo da organização, ela pode atender bem uma viagem de três a cinco dias no verão europeu. Com roupas leves, poucos sapatos e itens de higiene em tamanho reduzido, muita gente consegue viajar apenas com essa bagagem.

Na Wizz Air, a franquia gratuita é menor: uma bolsa de até 40 x 30 x 20 centímetros, também destinada ao espaço sob o assento. O limite de peso divulgado pela empresa para essa peça é de até 10 quilos.

Parece uma diferença pequena no papel, mas não é. Os cinco centímetros extras de altura e os seis centímetros a mais de largura da easyJet criam uma margem útil para quem viaja com mochila. A easyJet também oferece mais folga no peso permitido.

Para o passageiro minimalista, que leva poucas peças e não faz compras durante a viagem, as duas opções funcionam. Para quem precisa transportar casaco, tênis, eletrônicos, remédios, uma câmera ou roupas para clima frio, a easyJet tende a ser mais confortável já na tarifa básica.

A mala de cabine maior nas duas companhias

Quem quiser embarcar com a tradicional mala de rodinhas precisa adicionar um serviço pago ou comprar uma tarifa que já inclua esse benefício.

Na easyJet, a mala grande de cabine pode ter até 56 x 45 x 25 centímetros e pesar até 15 quilos. Ela vai no compartimento superior. A compra dessa bagagem também costuma dar acesso ao Speedy Boarding, que é o embarque prioritário da empresa.

Na Wizz Air, a mala de cabine maior é vinculada, em geral, ao WIZZ Priority. A medida permitida é de até 55 x 40 x 23 centímetros, com limite de 10 quilos. O passageiro leva a mochila pequena gratuita e a mala adicional de rodinhas, colocada no compartimento superior.

Mais uma vez, a easyJet apresenta uma margem maior. A diferença não parece enorme, mas pode ser decisiva para quem já tem uma mala de mão comprada no Brasil. Muitas malas vendidas como “padrão de cabine” não cabem nas regras da Wizz Air por poucos centímetros.

É importante medir a mala já cheia. Essa é a parte que muita gente esquece. Rodinhas, alças, bolsos externos e tecido estufado entram na conta. Uma mochila aparentemente pequena pode crescer bastante quando fica cheia de roupas, carregadores, casaco e necessaire.

A fiscalização existe nas duas empresas. Em alguns aeroportos ela é mais rígida do que em outros, mas não vale a pena depender da sorte. Se a mala não entrar no medidor da companhia, poderá seguir para o porão mediante cobrança extra no portão de embarque.

Essa cobrança costuma ser muito mais cara do que incluir a mala pelo aplicativo durante a reserva. É o tipo de gasto que pode custar mais do que a própria passagem promocional.

Bagagem despachada: como cada uma trabalha

Para roteiros maiores, viagens no inverno, famílias ou quem pretende fazer compras, despachar mala pode ser inevitável. Nesse ponto, easyJet e Wizz Air oferecem alternativas semelhantes, mas com faixas de peso diferentes.

A easyJet permite escolher malas despachadas de 15 ou 23 quilos. Também é possível aumentar a franquia de peso em blocos de três quilos, chegando a até 32 quilos por mala. Por segurança operacional, nenhuma peça individual pode ultrapassar esse limite.

A empresa permite que passageiros na mesma reserva compartilhem o peso total contratado. Isso é muito útil para casais, famílias e grupos. Se duas pessoas compraram 23 quilos cada, o grupo terá 46 quilos de franquia somada, desde que nenhuma mala isolada passe de 32 quilos.

Na Wizz Air, as opções de bagagem despachada costumam incluir faixas de 10, 20, 26 e 32 quilos. Os valores variam conforme rota, data, temporada e momento da compra. Em períodos de férias escolares, verão europeu, feriados prolongados e Natal, as malas podem ficar bem mais caras.

A regra prática funciona para as duas: se você já sabe que precisará de mala despachada, adicione durante a compra do bilhete. Deixar para resolver no aeroporto quase nunca é uma boa ideia.

Também vale pensar no peso antes de escolher a tarifa. Comprar 15 quilos e chegar ao balcão com 19 pode trazer dor de cabeça. A cobrança de excesso de bagagem em aeroporto costuma ser pesada. Às vezes, pagar uma franquia maior antecipadamente custa pouco a mais e dá muito mais tranquilidade.

Quem é melhor para viajar só com mochila

Para uma viagem leve, a easyJet costuma ser mais amigável. A bolsa gratuita é maior e aceita mais peso. Uma mochila adequada às medidas de 45 x 36 x 20 centímetros pode carregar bastante coisa sem chamar atenção.

Isso não significa que a Wizz Air seja inviável para quem não quer pagar bagagem extra. Ela funciona muito bem para viagens de dois ou três dias, especialmente no calor. Uma mochila de 40 x 30 x 20 centímetros atende uma ida rápida a Budapeste, Cracóvia, Viena, Milão ou cidades menores, desde que a pessoa monte a mala com disciplina.

O problema aparece em roteiros de inverno. Casacos, botas, roupas térmicas e peças de lã ocupam espaço demais. Mesmo quando não pesam tanto, tomam volume. Nesse cenário, a mala pequena gratuita da Wizz pode ficar apertada rapidamente.

Uma boa estratégia é viajar vestindo as peças mais volumosas. Casaco, tênis pesado e moletom podem ir no corpo. Na mochila, ficam roupas dobradas, eletrônicos, documentos, medicamentos e itens que você deseja ter sempre por perto.

Ainda assim, não adianta tentar enganar a regra com casacos cheios de objetos ou bolsas extras escondidas. O embarque europeu é organizado, mas não é distraído. Se você estiver carregando duas peças quando só tem direito a uma, existe chance real de cobrança.

Assentos e espaço para as pernas

Nenhuma das duas companhias foi criada para oferecer grande espaço entre as poltronas. Isso faz parte do modelo econômico. Mais assentos a bordo ajudam a reduzir o custo por passageiro e tornam possíveis as tarifas baixas.

A easyJet oferece assentos padrão, assentos Up Front nas primeiras fileiras e lugares com espaço extra para as pernas, normalmente próximos às saídas de emergência. Os assentos Up Front ficam, em geral, entre as primeiras fileiras da cabine, facilitando a saída após o pouso.

Os lugares Extra Legroom são interessantes para passageiros altos ou pessoas que não gostam de passar uma ou duas horas com os joelhos muito apertados. Eles costumam incluir benefícios associados à marcação de assento, como a possibilidade de levar uma mala grande de cabine, dependendo da tarifa e das regras aplicáveis à reserva.

A Wizz Air também vende assentos padrão e lugares com mais espaço. Em suas aeronaves, a sensação pode ser um pouco mais apertada em alguns modelos, principalmente nos Airbus A321neo, que transportam um número elevado de passageiros.

Na prática, para um vôo de até duas horas, a maioria dos passageiros consegue lidar bem com qualquer assento padrão. Para trajetos mais longos, como Londres a Tenerife, Lisboa a Budapeste ou cidades do Oeste Europeu até os Bálcãs, vale avaliar a compra de mais espaço, principalmente para quem mede mais de 1,80 metro.

Assento de janela é ótimo para quem gosta de observar a paisagem ou dormir encostado. Corredor ajuda quem prefere levantar sem pedir passagem. As primeiras fileiras são úteis para sair cedo, mas não fazem o avião chegar antes. Parece óbvio, porém muita gente paga caro por essa posição sem realmente precisar dela.

Famílias, crianças e marcação de assento

Viajar com criança muda a lógica da compra. Para adultos viajando sozinhos, deixar o assento ser atribuído automaticamente pode ser uma economia razoável. Para famílias, é melhor analisar com mais cuidado.

A easyJet informa que tenta acomodar crianças próximas aos responsáveis. Crianças pequenas e pessoas que precisam de assistência têm prioridade no embarque. Ainda assim, quem quer garantir uma distribuição específica, como pais ao lado dos filhos ou toda a família na mesma fileira, deve considerar pagar pela marcação de assento.

Na Wizz Air, a recomendação também é não depender apenas da atribuição automática se a família precisa ficar junta. As políticas e os sistemas de assento podem variar conforme aeronave e lotação do vôo.

Em viagens com bebê, há regras próprias sobre colo, cadeirinha, carrinho e equipamentos infantis. Antes de emitir o bilhete, vale consultar diretamente a página oficial da empresa, porque detalhes de franquia, equipamento permitido e forma de transporte podem mudar conforme a base da companhia e o tipo de operação.

Check-in: atenção redobrada na Wizz Air

O check-in é uma etapa simples, mas pode virar uma despesa desnecessária quando o passageiro deixa tudo para a última hora.

Na easyJet, o check-in online costuma abrir 30 dias antes da partida e fecha duas horas antes do horário programado. O cartão de embarque pode ser salvo no aplicativo ou impresso. A empresa recomenda chegar ao portão com antecedência, pois ele fecha 30 minutos antes da saída.

A Wizz Air também oferece check-in online e cartão de embarque digital. O período disponível depende da reserva de assento. Quem escolhe assento pode fazer o check-in com antecedência maior. Quem não escolhe normalmente encontra uma janela mais curta, próxima da data da viagem.

A Wizz Air informa que emitir cartão de embarque no aeroporto pode ter custo, salvo em aeroportos onde o check-in online ou móvel não está disponível. Por isso, é prudente verificar o cartão de embarque no celular ainda no hotel ou no dia anterior ao vôo.

Uma sugestão simples ajuda muito: faça captura de tela do cartão de embarque e guarde também o arquivo na carteira digital do celular. O Wi-Fi do aeroporto pode falhar, o sinal pode estar ruim e o aplicativo pode demorar para carregar no momento menos conveniente.

Não custa levar uma versão impressa quando o roteiro inclui aeroportos pequenos, escalas complicadas ou destinos com internet instável. Não é obrigatório em muitos casos, mas é uma precaução prática.

Embarque e experiência no aeroporto

A easyJet organiza o embarque por prioridade. Passageiros que solicitaram assistência especial embarcam primeiro, seguidos por clientes com Speedy Boarding, famílias com crianças menores de cinco anos e, depois, os demais passageiros.

A empresa usa tanto a porta dianteira quanto a traseira da aeronave em muitos aeroportos. O cartão de embarque costuma indicar qual lado usar. Isso agiliza bastante o fluxo e evita aquela fila única que parece nunca andar.

A Wizz Air também trabalha com embarque prioritário para passageiros que compraram o serviço correspondente. Dependendo do aeroporto, o passageiro pode caminhar até a aeronave, usar ônibus ou passar por ponte de embarque.

Há um detalhe importante: prioridade não garante uma experiência silenciosa ou sem fila. Em aeroportos onde todos entram em ônibus para chegar ao avião, o processo pode continuar bastante movimentado. A principal vantagem é embarcar antes e ter mais chance de encontrar espaço no compartimento superior para a mala.

Para quem viaja só com mochila sob o assento, pagar prioridade só para entrar primeiro costuma ter pouco valor. Já para quem leva mala grande de cabine, o serviço pode ser útil.

Comida, bebida e serviço de bordo

Nas duas empresas, refeições e bebidas são vendidas. Não conte com lanche gratuito, nem mesmo água. É bom entrar no avião já alimentado, especialmente em vôos de fim de tarde ou em rotas que coincidem com horários de almoço e jantar.

A easyJet tem cardápio de bordo com bebidas quentes, refrigerantes, snacks, sanduíches, bebidas alcoólicas e alguns produtos de conveniência. O menu varia conforme rota e disponibilidade.

A Wizz Air segue uma linha semelhante, vendendo lanches, bebidas, cafés, bebidas alcoólicas e outros itens. A empresa também costuma divulgar ofertas a bordo em seus canais digitais.

Os preços dentro do avião tendem a ser maiores do que no supermercado. Uma estratégia simples é comprar um lanche depois de passar pelo controle de segurança, respeitando as regras locais. Produtos sólidos, como sanduíches, biscoitos e barras de cereal, costumam ser tranquilos para levar na mochila.

Com líquidos, a regra é outra. Em aeroportos europeus, normalmente recipientes de até 100 mililitros são permitidos na bagagem de mão, reunidos em uma embalagem transparente. Alguns terminais com scanners mais modernos adotam procedimentos diferentes, mas não é prudente contar com isso. Leve uma garrafa vazia e encha depois da segurança, quando houver bebedouro disponível.

Aeroportos atendidos e conveniência de chegada

Aqui está uma das diferenças mais relevantes entre easyJet e Wizz Air.

A easyJet opera uma rede muito ampla e forte em destinos turísticos tradicionais. Ela voa para vários aeroportos relevantes da Europa Ocidental, inclusive Londres Gatwick, Paris Charles de Gaulle em determinadas rotas, Milão Malpensa, Lisboa, Porto, Nice, Genebra, Amsterdã e outros grandes centros, além de terminais secundários.

A companhia tinha 356 aeronaves e atendia 165 aeroportos em 37 países, segundo dados corporativos divulgados em março de 2026. Isso mostra o tamanho da rede e ajuda a entender por que ela aparece em tantas pesquisas de passagens dentro da Europa.

A Wizz Air, por sua vez, tem uma rede especialmente poderosa na Europa Central, Oriental e Sudeste Europeu. É muito forte em Budapeste, Varsóvia, Bucareste, Sófia, Katowice, Cluj-Napoca, Tirana e outras cidades que nem sempre recebem tanta atenção de companhias tradicionais.

Em 2026, a Wizz Air informava operar mais de mil rotas, com uma frota de 267 aeronaves e idade média baixa. A frota jovem é um ponto positivo em eficiência e tecnologia, embora não transforme automaticamente a experiência de cabine em algo mais espaçoso.

A regra mais importante é verificar o aeroporto no mapa antes de pagar. “Londres”, “Paris”, “Milão” ou “Roma” no anúncio pode significar aeroportos muito diferentes em distância, preço de transporte e tempo de deslocamento.

Londres Luton, por exemplo, não fica no centro de Londres. O mesmo vale para alguns aeroportos associados a Paris, Bruxelas, Frankfurt e outras grandes cidades. A passagem pode ser barata, mas o trem, ônibus ou transfer pode custar bastante.

Frotas Airbus e sensação a bordo

A easyJet opera uma frota formada por aeronaves Airbus da família A320. Há Airbus A319, A320, A320neo e A321neo. Os modelos A320neo e A321neo representam uma geração mais recente, com ganhos de eficiência no consumo de combustível e redução de ruído percebido.

Os Airbus A321neo usados pela easyJet podem levar até 235 passageiros. É muita gente em uma aeronave de corredor único. Por isso, o ambiente pode parecer cheio, especialmente no embarque e no desembarque.

A Wizz Air também trabalha com Airbus e investe fortemente nos A321neo. A empresa informou planos de ampliar o uso desse modelo, conhecido pela alta capacidade de passageiros e eficiência operacional. Em algumas configurações da Wizz Air, o A321neo transporta cerca de 239 passageiros.

Isso ajuda a explicar a sensação de cabine mais densa. Não é que o avião seja inseguro ou inadequado. Ele atende a padrões rígidos de certificação e segurança. A questão é que o número de assentos reduz a sensação de espaço individual.

Para um vôo curto, essa diferença costuma ser tolerável. Para trajetos mais longos, pode ser interessante escolher assento de corredor, fileira dianteira ou espaço extra para as pernas.

Pontualidade, atrasos e expectativas realistas

Nenhuma companhia aérea está imune a atrasos. Tráfego aéreo intenso, clima ruim, greve, restrições de controle de tráfego, problemas no aeroporto e efeito cascata de aeronaves que chegam tarde podem afetar qualquer empresa.

Companhias low cost trabalham com utilização intensa da frota. Os aviões passam poucas horas parados. Isso ajuda a reduzir tarifas, mas também significa que um atraso em um trecho pode impactar o seguinte.

Ao reservar um vôo da easyJet ou Wizz Air, não monte uma conexão por conta própria com intervalo curto. Se você comprar dois bilhetes separados, mesmo que sejam da mesma empresa, pode não haver proteção caso o primeiro trecho atrase.

Imagine chegar em Milão e ter uma conexão separada para Atenas duas horas depois. Se o primeiro avião atrasar, você poderá perder o segundo. A empresa não é obrigada a reacomodar gratuitamente um passageiro que montou as reservas de forma independente.

Para conexões avulsas, uma margem de quatro a seis horas é mais segura, principalmente se houver bagagem despachada, troca de terminal ou controle de imigração. Em casos mais sensíveis, dormir uma noite na cidade de conexão é ainda melhor.

Direitos do passageiro em vôos na Europa

EasyJet e Wizz Air estão sujeitas às regras europeias de proteção ao passageiro quando o vôo se enquadra no Regulamento CE 261. A norma pode prever assistência e compensação em casos de cancelamento, grande atraso ou recusa de embarque por responsabilidade da companhia.

A aplicação depende da rota, do motivo do problema e do tempo de atraso na chegada ao destino final. Situações extraordinárias, como condições meteorológicas severas ou restrições externas ao controle da empresa, podem mudar a análise.

Em caso de cancelamento ou atraso relevante, guarde cartões de embarque, comprovantes de gastos, comunicações da companhia e recibos de alimentação, hospedagem ou transporte. Caso a empresa não ofereça assistência no momento, esses documentos podem ser importantes para pedir reembolso mais tarde.

É sempre melhor falar com a companhia ainda no aeroporto, usando o balcão de atendimento, o aplicativo ou os canais digitais oficiais. Em dias de operação irregular, filas podem ser longas. Ter o aplicativo instalado ajuda a receber notificações e, em alguns casos, escolher opções de remarcação.

Qual companhia costuma ser mais barata?

A Wizz Air frequentemente aparece com tarifas iniciais menores, especialmente em rotas do Leste Europeu. Isso acontece porque a empresa tem uma estratégia muito agressiva de custo baixo e utiliza bastante aeroportos alternativos.

Mas passagem barata não quer dizer viagem barata. É preciso somar:

  • Bagagem necessária para o roteiro
  • Transporte entre aeroporto e hotel
  • Escolha de assento, se for importante
  • Alimentação no aeroporto ou a bordo
  • Horário de chegada e saída
  • Custo de hospedagem adicional se o vôo for muito cedo ou tarde
  • Taxas de pagamento e serviços extras exibidos na reserva

A easyJet pode começar mais cara e terminar mais vantajosa, principalmente para quem viaja apenas com mochila maior, quer pousar em um aeroporto mais conveniente ou leva uma mala de cabine de tamanho mais generoso.

A Wizz Air pode vencer com facilidade quando a rota atende exatamente o destino desejado, quando o viajante leva pouca coisa e quando o aeroporto alternativo tem transporte barato e prático.

Para quem a easyJet costuma funcionar melhor

A easyJet tende a ser uma boa escolha para quem prioriza uma experiência low cost menos apertada em relação à bagagem gratuita. A mochila permitida é maior, a franquia de peso é mais alta e a rede tem presença relevante em destinos muito procurados por brasileiros.

Ela também pode ser uma escolha interessante para quem faz viagens pelo Reino Unido, França, Itália, Espanha, Portugal e Suíça. Em algumas rotas, a empresa oferece horários melhores ou aeroportos mais convenientes do que rivais de baixo custo.

Viajantes que levam mochila de viagem, câmera, notebook ou roupas um pouco mais volumosas costumam se beneficiar mais das regras da easyJet. Para trajetos curtos, poder viajar só com a bolsa gratuita sem passar aperto faz diferença.

Para quem a Wizz Air costuma funcionar melhor

A Wizz Air é muito atraente para quem quer explorar países menos óbvios no roteiro europeu. Ela tem presença forte em destinos que outras empresas atendem com menos frequência ou tarifas mais altas.

Quem pretende viajar por Hungria, Romênia, Polônia, Bulgária, Albânia, Macedônia do Norte, Sérvia, Geórgia ou cidades menores da Europa pode encontrar ótimas oportunidades na Wizz.

Ela também funciona bem para o viajante realmente leve. Uma mochila pequena, planejamento de roupas e disposição para usar aeroportos alternativos podem render uma economia relevante.

O cuidado maior está em respeitar rigorosamente as regras de bagagem e observar a janela de check-in. A tarifa pode ser excelente, mas qualquer erro em medidas, cartão de embarque ou serviço adicional pode reduzir a vantagem.

Como escolher sem cair em armadilhas de preço

Faça a comparação usando o preço final, não apenas o número grande exibido no primeiro resultado da busca. Simule a viagem nas duas empresas com exatamente os mesmos itens.

Se você precisa de uma mala de cabine, coloque uma nas duas reservas. Se viajará com mala despachada, inclua a franquia necessária. Se quer sentar no corredor, adicione esse serviço. Depois, veja o custo real.

Em seguida, abra um mapa e pesquise a rota entre o aeroporto e sua hospedagem. Veja preço, duração, horários e facilidade de transporte. Um vôo que aterrissa às 23h30 em um aeroporto distante pode gerar gasto com táxi, enquanto outro que custa um pouco mais chega cedo e permite usar trem ou ônibus.

Também confira o horário de partida. Um vôo às 6h pode parecer barato, mas talvez exija táxi para o aeroporto de madrugada ou uma diária adicional de hotel perto do terminal. Esses detalhes mudam o orçamento.

EasyJet e Wizz Air podem ser excelentes ferramentas para viajar pela Europa gastando menos. O resultado depende menos da marca estampada no avião e mais do cuidado com que a reserva é montada. Quem entende a bagagem, calcula o deslocamento e compra apenas os extras realmente necessários consegue aproveitar bem o modelo de baixo custo sem transformar uma tarifa promocional em uma conta desagradável.

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