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Melhor Época Para Viajar Para Madrid

Melhor época para viajar a Madri: como é o clima mês a mês, quando os preços caem, quais períodos ficam lotados e o que acontece na cidade em cada estação do ano.

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Madri tem um problema de reputação. Muita gente monta o roteiro pela Espanha pensando em Barcelona, Sevilha, Granada, e coloca a capital como escala de dois dias no meio do caminho. Depois volta dizendo que Madri é uma cidade sem graça. Na maioria dos casos, o problema não foi a cidade. Foi o mês.

Porque Madri muda de personalidade conforme o calendário de um jeito bem mais radical do que as cidades costeiras espanholas. Ela fica a quase 670 metros de altitude, no meio do planalto castelhano, longe do mar em todas as direções. Isso produz um clima continental de verdade: verões secos e sufocantes, invernos frios com céu limpo, e duas estações intermediárias que são, sem exagero, das melhores do continente para andar a pé.

Então vamos por partes.

O clima de Madri em uma frase que resume tudo

Existe um ditado castelhano antigo: “nueve meses de invierno y tres de infierno”. Nove meses de inverno e três de inferno. É uma exageração, claro, mas ele existe por um motivo.

A cidade tem baixa umidade durante quase todo o ano, o que muda bastante a percepção de temperatura. Trinta e cinco graus em Madri não são iguais a trinta e cinco graus no Rio de Janeiro: o calor é seco, você sua e o suor evapora rápido, e a sombra faz uma diferença enorme. Por outro lado, o sol de julho e agosto cai na cabeça de um jeito pesado, e a diferença entre estar no sol e estar na sombra chega a parecer duas cidades diferentes.

No inverno, essa mesma secura significa manhãs geladas com céu azul brilhante. Madri não é uma cidade cinzenta no inverno. Chove pouco, e os dias frios costumam ser ensolarados. Isso torna o inverno madrileño bem mais tolerável do que o de Paris, Londres ou Amsterdã, onde a umidade e a falta de sol pesam no humor.

A chuva se concentra na primavera e no outono, sobretudo entre outubro e dezembro e entre março e maio. Mesmo assim, os volumes anuais são modestos. Madri é uma cidade seca, e a vegetação ao redor mostra isso.

Janeiro: frio, barato e com uma cidade só dos madrileños

Janeiro é o mês mais frio do ano. As mínimas rondam algo perto de 3 graus e as máximas ficam por volta de 10, com dias mais rigorosos em que a manhã amanhece em torno de zero. Neve na cidade é rara, mas acontece. A grande nevasca de janeiro de 2021, provocada pela tempestade Filomena, paralisou Madri por dias e deixou fotos surreais do Retiro com árvores quebradas pelo peso do gelo. Foi um evento excepcional, não a regra.

A primeira semana do mês ainda respira Natal. O Dia de Reis, em 6 de janeiro, encerra o ciclo festivo, com a Cabalgata de Reyes na tarde e noite do dia 5. Depois disso a cidade dá uma respirada funda e volta ao normal.

E aqui está a vantagem real de janeiro: preços. Vôos intercontinentais para Madri em janeiro e fevereiro costumam estar entre os mais baratos do ano, e hotéis no centro caem de preço de forma perceptível. Museus ficam bem mais vazios. O Prado numa terça-feira de meados de janeiro é uma experiência completamente diferente do Prado num sábado de abril: você consegue ficar parado na frente de Las Meninas por dez minutos sem que ninguém encoste no seu ombro.

As liquidações de inverno, as rebajas, começam por aí. A legislação espanhola liberou as datas e algumas lojas antecipam, mas o pico de movimento continua na semana seguinte ao Dia de Reis. Para quem gosta de compras, é um argumento a favor.

O ponto negativo é o dia curto. O sol se põe por volta das 18h no começo do mês, e isso encurta a parte do roteiro feita ao ar livre. Parques rendem menos. Terraços rendem menos ainda, embora Madri tenha uma quantidade grande de terraços com aquecedor e cobertura, e os bares continuem cheios mesmo no frio.

Janeiro funciona bem para quem prioriza museus, gastronomia, arquitetura e vida de bar. Funciona mal para quem sonha com piqueniques e longas caminhadas de fim de tarde.

Fevereiro: o mês mais subestimado do calendário

Fevereiro é parecido com janeiro em temperatura, talvez um grau ou dois mais ameno, mas ganha em duas coisas: os dias começam a se alongar e a cidade tem eventos interessantes.

O Carnaval espanhol acontece em fevereiro ou começo de março, dependendo do ano. Madri tem programação de Carnaval, com desfile e o famoso Entierro de la Sardina na Quarta-feira de Cinzas, uma paródia fúnebre que fecha a festa. Não chega perto da escala do Carnaval de Cádiz ou de Tenerife, os dois maiores da Espanha, mas dá cor à cidade.

Fevereiro também é mês da ARCO, a feira internacional de arte contemporânea de Madri, um dos eventos de arte mais importantes da Europa. Ela acontece no complexo IFEMA e movimenta galerias, museus e espaços independentes por toda a cidade. Se arte contemporânea interessa, esse é o mês.

Outro detalhe: fevereiro é a temporada de cocido madrileño. O cocido é o prato mais emblemático da cidade, um cozido de grão-de-bico com carnes, embutidos e legumes, servido em etapas, primeiro a sopa com macarrão fino, depois o grão-de-bico com os vegetais, depois as carnes. É comida de inverno, pesada, feita para ser almoçada devagar em casa antiga com toalha de mesa de pano. Restaurantes tradicionais servem cocido durante todo o ano, mas em fevereiro faz muito mais sentido.

Preços seguem baixos. Multidões, baixas. Para uma primeira viagem focada em cidade, museu e mesa, fevereiro entrega um custo-benefício difícil de bater.

Março: a virada, com clima instável

Março é um mês de transição, e transição significa imprevisibilidade. Pode ter uma semana de 20 graus com gente de camiseta na Plaza Mayor e, na semana seguinte, voltar aos 8 graus com vento cortante. A recomendação de roupa em março é sempre em camadas.

A mudança para o horário de verão europeu acontece no último domingo de março, e isso muda a sensação da cidade de um dia para o outro. De repente o sol se põe depois das 20h, os terraços enchem e a vida noturna se estica.

Março também traz as primeiras árvores floridas. O Retiro começa a se abrir, e a Quinta de los Molinos, um parque no leste da cidade, ganha fama nessa época por causa das amendoeiras em flor, que costumam florir entre fim de fevereiro e março. Vira ponto de peregrinação fotográfica, com filas no fim de semana. Se der para ir num dia de semana pela manhã, a experiência é bem melhor.

Dependendo do ano, a Semana Santa cai no fim de março, e isso muda completamente o perfil do mês em termos de preço e movimento. Falo dela em detalhe adiante.

Abril: provavelmente o melhor mês do ano

Se alguém me pedir para escolher um mês só, escolho abril. Ou maio. Os dois brigam pelo primeiro lugar.

Em abril as máximas ficam em torno de 18 a 20 graus, com noites frescas que ainda pedem jaqueta leve. É a época em que Madri fica visualmente mais bonita. O Retiro em abril, com o Palacio de Cristal refletido no laguinho e as roseiras da Rosaleda começando a abrir, é um dos lugares mais agradáveis para se estar na Europa. O Real Jardín Botánico, ao lado do Prado, também vive seu melhor momento.

O clima permite fazer o que Madri faz melhor: andar. A cidade é caminhável no centro, com distâncias razoáveis entre a Puerta del Sol, o Palácio Real, o Prado, o Retiro e a Gran Vía. Em abril você faz isso sem sofrer com calor nem com frio.

O contrapeso é o preço. Abril já é alta temporada, especialmente se a Semana Santa cair no mês. Hotéis sobem, e os museus voltam a ter fila. Reservar com antecedência deixa de ser opcional.

Outra coisa que vale saber: em abril acontece a Feria de Abril em Sevilha, um dos maiores eventos da Espanha. Ela não é em Madri, mas mexe com os preços de trem e de avião no país inteiro nessa semana.

Maio: o mês mais festivo, e muita gente sabendo disso

Maio combina clima ótimo com a maior concentração de eventos populares do ano. Máximas por volta de 22 a 24 graus, noites ainda amenas, dias longos.

E aí entram os dois feriados de Madri que fazem a cidade explodir.

O 2 de maio é o Día de la Comunidad de Madrid, data que celebra o levante popular de 1808 contra as tropas napoleônicas, o mesmo episódio que Goya pintou nos quadros que estão no Prado. O centro das celebrações é a Plaza del Dos de Mayo, no bairro de Malasaña, com música, gente na rua e um clima jovem que se estende pela noite.

O 15 de maio é San Isidro Labrador, o padroeiro da cidade e o feriado municipal mais importante. A festa dura vários dias e tem programação gratuita: concertos nas Vistillas, verbenas de bairro, procissão, romaria na Pradera de San Isidro, gente vestida de chulapo e chulapa dançando chotis, e as rosquillas típicas, que aparecem nas versões tontas, listas, de Santa Clara e francesas. É a Madri popular sem filtro, e vale organizar a viagem em torno disso se o interesse é cultura de rua.

No mesmo período começa a Feria de San Isidro na praça de touros de Las Ventas, o ciclo taurino mais importante do mundo, com corridas quase diárias por mais de um mês. É um tema divisivo e cada um decide se quer frequentar, mas ele afeta hotel e trânsito na região de Las Ventas.

Maio tem ainda a final da temporada de futebol, e Madri é sede de dois dos maiores clubes do mundo. Um jogo grande no Santiago Bernabéu ou no Metropolitano encarece hotel no fim de semana. Vale checar o calendário se você quer economizar, ou se quer justamente ir ao estádio.

O ponto fraco de maio é o mesmo de abril: preço alto e movimento grande. Mas é um preço que se paga por um mês que entrega quase tudo.

Junho: calor chegando, cidade ainda em plena forma

Junho é a ponte entre a primavera boa e o verão duro. No começo do mês as temperaturas ainda são confortáveis, com máximas em torno de 28 a 30 graus. Na segunda metade, os 33 e 34 já aparecem com frequência.

Os dias ficam longuíssimos. Anoitece perto das 21h45, o que significa que você consegue passar a tarde inteira num museu e ainda ter três horas de luz para caminhar depois. Essa é uma das coisas mais agradáveis do verão europeu, e Madri aproveita bem, com terraços e piscinas municipais abrindo.

Junho é também o mês do Orgullo, o Orgullo LGBTQ+ de Madri, que acontece no fim do mês e é um dos maiores do mundo. O bairro de Chueca vira o epicentro, com shows, palcos na rua e uma manifestação enorme que percorre o eixo da Gran Vía e da Calle de Alcalá. A cidade recebe centenas de milhares de visitantes. Se o objetivo é participar, é imperdível; se o objetivo é tranquilidade, esse é o pior fim de semana do ano para estar hospedado em Chueca ou arredores.

Vale saber também que junho traz o começo do Veranos de la Villa, o festival cultural de verão da cidade, com programação de música, dança, teatro e cinema em espaços ao ar livre.

Julho e agosto: o inferno do ditado, com compensações

Aqui é preciso ser direto: julho e agosto em Madri são quentes de um jeito que interfere no roteiro.

As máximas médias ficam em torno de 33 a 34 graus, e ondas de calor com 38, 39 ou 40 graus acontecem todos os anos. O recorde histórico da cidade passa dos 40 graus com folga. Entre as 14h e as 19h, andar ao sol no centro é desconfortável e, para algumas pessoas, arriscado. As ruas ficam vazias nesse intervalo, e existe um motivo prático para isso.

Isso não significa que a viagem é inviável. Significa que o roteiro precisa mudar de forma:

Manhã cedo, das 8h às 12h, para caminhadas, parques e monumentos ao ar livre. Início da tarde para museus, que são refrigerados e ficam perfeitos justamente na pior hora do dia. Fim da tarde e noite para o resto. Em julho e agosto, a vida madrileña acontece depois das 21h, com terraços cheios até de madrugada.

Madri tem piscinas municipais espalhadas pela cidade, com preços acessíveis, e elas salvam tardes de verão. Existem também as piscinas naturais na serra, na região de La Pedriza e nas represas próximas, a cerca de uma hora da cidade.

Outra particularidade de agosto: historicamente a cidade se esvaziava, com moradores viajando e placas de “cerrado por vacaciones” em lojas de bairro. Isso diminuiu bastante com o crescimento do turismo, mas ainda se percebe em algumas áreas residenciais. Restaurantes tradicionais às vezes fecham por semanas.

Em compensação, agosto tem as verbenas do centro histórico. Entre 6 e 15 de agosto, os bairros de La Latina e Lavapiés fazem três festas seguidas, dedicadas a San Cayetano, San Lorenzo e la Virgen de la Paloma. A da Paloma, no dia 15, é a maior, com procissão pelo bairro, barracas, música e gente dançando na rua até tarde. É a Madri de sempre, com a diferença de que quase não há turista nessas festas.

Preços de hotel em julho e agosto caem em relação a maio e junho, porque a demanda de lazer se desloca para o litoral. Esse é um argumento real: dá para ficar em hotel melhor pagando menos. Vôos, por outro lado, tendem a estar caros por causa das férias europeias.

Julho e agosto funcionam para quem tolera calor, viaja com orçamento apertado em hospedagem, ou tem férias fixas nesse período. Não funcionam para quem viaja com crianças pequenas, idosos ou tem baixa tolerância a calor.

Setembro: talvez o segredo mais bem guardado

Setembro em Madri é excelente. As primeiras duas semanas ainda têm calor, com máximas em torno de 29 a 30 graus, mas o pico já passou. Da metade para o fim do mês, o clima entra numa faixa ideal, com dias de 25 graus e noites frescas.

A cidade volta a funcionar em plenitude. Restaurantes que fecharam em agosto reabrem, a temporada cultural recomeça, teatros lançam programação nova, o Teatro Real inicia sua temporada de ópera. A vida de bairro retoma o ritmo normal.

E acontece um evento que vale mencionar: o final do verão traz as festas de bairro em várias zonas da cidade, e no primeiro fim de semana costuma haver programação nos distritos periféricos.

Setembro tem outra vantagem que quase ninguém menciona: é o mês em que dá para combinar Madri com bate-voltas confortáveis. Toledo, Segóvia, Ávila, El Escorial e Alcalá de Henares ficam todos a uma hora ou menos de trem ou ônibus. Em julho, esses lugares são um forno, porque envolvem caminhar em ruas de pedra sem sombra. Em setembro, ficam perfeitos.

Preços em setembro são de temporada alta, mas geralmente um pouco abaixo dos de maio.

Outubro: cor, temperatura boa e a Hispanidad

Outubro é o outro mês que eu colocaria na lista dos melhores. Máximas em torno de 20 a 22 graus no começo, caindo para 16 ou 17 no fim. Noites frias. Chuva mais provável do que no verão, mas ainda em volume moderado.

O Retiro em outubro é outra cidade. As folhas mudam de cor, e os plátanos do parque e do Paseo del Prado ficam amarelos e alaranjados. O Campo del Moro, atrás do Palácio Real, e a Casa de Campo, o parque gigante ao oeste, ficam bonitos nessa época.

O 12 de outubro é a Fiesta Nacional de España, o Día de la Hispanidad, que marca a chegada de Colombo às Américas em 1492 e coincide com a festa da Virgen del Pilar. Em Madri, o dia tem desfile militar no eixo do Paseo de la Castellana, com presença do Rei, sobrevôo de aeronaves e a Patrulla Águila desenhando as cores da bandeira no céu. Ver o desfile exige chegar cedo. Não ver exige planejar o dia longe da Castellana, porque avenidas centrais fecham e o metrô lota.

Vale saber que a data é politicamente sensível na Espanha, celebrada com entusiasmo por parte da população e criticada por outra parte pelo seu significado histórico.

Outubro tem também o horário de verão terminando no último domingo do mês, o que encurta as tardes de repente.

Novembro: preço bom, cidade calma, dias curtos

Novembro é quando Madri volta a ficar barata e vazia. As temperaturas caem para máximas de 13 a 15 graus, com noites perto dos 5. É um mês frio, cinzento em alguns dias e com chuva mais frequente.

Em compensação, é um dos meses mais tranquilos para visitar os museus. E existe uma janela específica interessante: entre o começo e a metade de novembro, antes das luzes de Natal acenderem, a cidade fica em modo cotidiano, sem eventos grandes, com hotéis em preço baixo.

O 1º de novembro é Todos los Santos, feriado nacional, quando as famílias vão aos cemitérios levar flores. Aparecem nas confeitarias os huesos de santo, doces de massa de amêndoa recheados de doce de gema, e os buñuelos de viento, bolinhos fritos com creme. Existe uma tradição teatral antiga associada à data, com montagens de Don Juan Tenorio, de Zorrilla.

O 9 de novembro é o segundo feriado municipal de Madri, dedicado a Nuestra Señora de la Almudena, padroeira da cidade, com celebrações na catedral ao lado do Palácio Real.

No fim de novembro, as luzes de Natal acendem, com instalações no Palacio de Cibeles, na Gran Vía e na Puerta de Alcalá. A partir daí os preços começam a subir de novo.

Dezembro: a cidade mais bonita e a mais cheia

Dezembro divide o mês em duas partes bem diferentes.

A primeira quinzena tem o feriado do Día de la Constitución, em 6 de dezembro, e o da Inmaculada Concepción, em 8 de dezembro. Juntos, eles formam um dos maiores puentes do ano espanhol, quando muita gente viaja e as cidades ficam lotadas. Nesse período Madri já está em clima natalino integral: mercado de Natal na Plaza Mayor, com enfeites, presépios, perucas e narizes de brincadeira para o Dia dos Santos Inocentes, que na Espanha cai em 28 de dezembro e funciona como o nosso 1º de abril.

A segunda quinzena é a temporada natalina de verdade. Luzes por toda parte, iluminação artística nas fachadas, gente comprando presente na Gran Vía e na Calle Preciados, filas em confeitaria para comprar turrón, mazapán e polvorones.

O 25 de dezembro é o dia mais parado do ano na Espanha. Praticamente tudo fecha: museus, lojas, mercados, quase todos os restaurantes. A grande refeição familiar é na noite de 24, a Nochebuena. Quem passa o Natal em Madri sem plano corre risco real de jantar mal. Reservar restaurante com antecedência para o dia 25 é necessário, e muitos oferecem apenas menu fixo.

A virada acontece na Puerta del Sol, com as 12 uvas comidas ao ritmo das badaladas do relógio da Casa de Correos, tradição que virou hábito nacional pela televisão. A praça enche muito, e nos últimos anos a Prefeitura passou a limitar o acesso, com entradas específicas e revista. Vale checar as regras do ano.

Dezembro entrega a Madri mais fotogênica do calendário. E cobra por isso: hotéis nos preços mais altos do ano na segunda quinzena, museus cheios, restaurantes lotados. O frio também é real, com máximas em torno de 10 graus.

A Semana Santa merece um parágrafo próprio

A Semana Santa é a exceção que atravessa março e abril. Data variável, calculada em função da Páscoa.

Em Madri, a Quinta-feira Santa e a Sexta-feira Santa são feriados. Existem procissões, mais discretas que as de Sevilha e Málaga, saindo de igrejas do centro e passando por Plaza Mayor, Puerta del Sol e Calle Mayor. Duas costumam chamar mais atenção: a de Jesús de Medinaceli e a de Jesús el Pobre, no bairro de Lavapiés. Chuva cancela procissão.

Do ponto de vista prático, é alta temporada firme. Muitos espanhóis viajam, hotéis sobem de preço em todo o país, trens de alta velocidade esgotam. Madri esvazia de moradores e enche de visitantes.

Na mesa, aparecem as torrijas, uma espécie de rabanada com leite, canela e açúcar, frita e servida em quase todo bar da cidade nessas semanas. A diferença entre uma torrija de confeitaria boa e uma de bar comum é grande.

Escolhendo o mês pelo seu perfil de viagem

Alguns raciocínios que costumam resolver a dúvida.

Se a prioridade é clima para caminhar sem sofrimento, os meses são abril, maio, setembro e outubro. Esses quatro concentram as melhores temperaturas e os dias em que os parques compensam.

Se a prioridade é gastar menos, janeiro, fevereiro e novembro são as apostas, com a ressalva de que a segunda quinzena de dezembro está fora dessa lista. Vôo, hotel e movimento em museu, tudo melhora nesses meses.

Se a prioridade é evitar multidão, os mesmos três meses funcionam, com a adição de julho e agosto para quem aguenta calor, porque o centro histórico esvazia de moradores nessas semanas.

Se a prioridade é festa popular e cultura de rua, maio é o mês, por causa do 2 de maio e de San Isidro. Agosto vem em segundo, por causa das verbenas de La Latina e Lavapiés.

Se a prioridade é combinar Madri com bate-voltas, setembro e outubro são os melhores, seguidos de abril e maio. Toledo, Segóvia e Ávila envolvem muita caminhada em pedra e pouca sombra, e isso pesa no verão.

Se a viagem tem crianças, evite julho e agosto. O calor limita o roteiro de um jeito que cansa a família toda.

Se a viagem é romântica e visual, a segunda quinzena de dezembro é imbatível em atmosfera, aceitando o custo e o frio.

Coisas que valem entrar na conta antes de fechar as datas

O horário espanhol muda a rotina. Almoço tipicamente das 13h30 às 16h, jantar a partir das 20h30, e a cozinha de muitos restaurantes fecha entre esses períodos. Chegar com fome às 19h é receita para comer mal em qualquer mês do ano.

Museus estatais têm faixas de entrada gratuita no fim do dia, o que gera fila. O Prado e o Reina Sofía costumam ter esse horário, e ele muda de tempo em tempo, então vale conferir no site oficial.

Feriados fecham comércio, banco e boa parte dos restaurantes, e alguns museus fecham em 1º de janeiro, 1º de maio e 25 de dezembro. Madri tem áreas designadas de grande afluência turística, onde as lojas podem abrir todos os dias, o que explica por que a Gran Vía tem loja aberta em domingo enquanto um bairro residencial está fechado.

Jogos de futebol grandes e feiras no IFEMA enchem hotéis em datas específicas, mesmo em meses de baixa temporada. Uma feira grande de negócios pode dobrar o preço de hospedagem numa semana de fevereiro.

O metrô funciona das 6h à 1h30 na maior parte dos dias, com frequência reduzida nos feriados, e os ônibus noturnos, chamados búhos, cobrem as horas em que o metrô está fechado.

E a coisa que mais faz diferença, independente do mês: Madri recompensa quem ajusta o horário ao ritmo local. De manhã cedo e no fim da tarde a cidade é generosa. No meio do dia, especialmente no verão, ela pede que você entre em algum lugar com sombra, sente e coma devagar. Quem briga com esse ritmo acha a cidade cansativa. Quem aceita entende por que os madrileños vivem tanto na rua.

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