Motivos Pelos Quais eu Indico Conhecer a Coréia do Sul
Depois de visitar a Coréia do Sul em 2025, reuni sete motivos concretos que fazem desse país um dos destinos mais completos e surpreendentes da Ásia para o viajante brasileiro.

Tem lugar que a gente visita e volta com a sensação de “foi legal, mas nada demais”. A Coréia do Sul não é assim. Ela mexe com você. Fui até lá em 2025, sem grandes expectativas, confesso, e voltei com uma lista de motivos que não para de crescer na minha cabeça toda vez que alguém me pergunta “vale a pena?”. Vale. E vale muito. Deixa eu te contar o porquê, sem enrolação e sem aquele papo de folheto de agência.
A segurança é de outro planeta
Vou começar pelo que mais me marcou, porque como brasileiro é impossível não sentir isso na pele. A segurança na Coréia do Sul é algo que beira o absurdo. E digo isso quase com um aperto no peito, pensando no Brasil.
Andar de madrugada em Seul, sozinho, sem olhar por cima do ombro a cada dois passos, é uma experiência que a gente simplesmente não conhece por aqui. As pessoas deixam notebooks, celulares e bolsas em mesas de café enquanto vão ao banheiro ou fazem o pedido no balcão. E ninguém mexe. É cultural. Existe uma confiança coletiva que, para nós, parece quase ingênua, mas que funciona.
Não é só impressão minha. O sistema de metrô de Seul, que transporta cerca de 7 milhões de passageiros por dia, é considerado um dos mais seguros do mundo, com portas de plataforma em todas as estações, câmeras de vigilância dentro dos trens e nas estações, botões de emergência e mais de 270 agentes de segurança em serviço. Tudo pensado para que você circule tranquilo.
Dá até um desconforto comparar. Você se pega pensando: por que lá dá certo e aqui não? Não vou entrar nesse mérito porque é assunto para outro texto, mas o fato é que, como turista, essa sensação de liberdade muda completamente a viagem. Você aproveita mais. Explora mais. Sai mais.
Klook.comO povo é reservado, mas educado de um jeito que emociona
Aqui vale um aviso: se você espera aquele calor humano latino, de gente que te abraça e conversa fiado na rua, talvez estranhe no começo. O sul-coreano é reservado. Discreto. Não é o tipo que puxa papo à toa.
Mas não confunda reserva com frieza. Porque na hora que você precisa de ajuda, eles se desdobram. Já me perdi tentando achar uma estação e uma senhora, que não falava uma palavra de inglês, praticamente me levou pela mão até o lugar certo, gesticulando e sorrindo o tempo todo. Teve também um rapaz que abriu o próprio aplicativo de mapas para me mostrar o caminho, mesmo com pressa.
Existe ali um senso de respeito ao próximo que se manifesta em detalhes. O silêncio no transporte público. A organização das filas. O cuidado de não incomodar. É uma educação que não é performática, é enraizada. E isso, para quem vem de um lugar mais barulhento e caótico, é quase um descanso para a alma.
Tecnologia de ponta sem apagar as raízes
A tecnologia é tanta que já no lindo Aeroporto Internacional de Incheon, a gente é recebido na imigração com um sistema que fala nossa língua, o agente imigratório não precisa falar nada, ele(a) escaneia o passaporte e a máquina dá as instruções no nosso idioma. Eu nunca vi isso em nenhum lugar do mundo.
Esse é o ponto que mais me fascinou intelectualmente. A Coréia do Sul é futurista de doer. Pagamentos por aproximação sem nem encostar o cartão, sistemas de tradução por inteligência artificial nas estações de metrô para ajudar turistas, telas por toda parte, robôs servindo comida em restaurantes.
E aí você vira uma esquina e dá de cara com o Palácio Gyeongbokgung, construído originalmente em 1395, com pessoas passeando de hanbok, o traje tradicional coreano. É esse contraste que faz a cabeça girar. O país corre para o futuro, mas não larga a mão do passado.
Eles preservam templos, cerimônias, a culinária ancestral, os bairros antigos, ao mesmo tempo em que lideram o mundo em inovação. Não é uma coisa “ou” outra. É as duas ao mesmo tempo, convivendo numa boa. Poucos lugares conseguem esse equilíbrio. A maioria, ao modernizar, apaga o que veio antes. A Coréia guardou tudo.
A infraestrutura para turismo é impecável
Viajar pela Coréia do Sul é fácil de um jeito que dá gosto. O transporte público é pontual, limpo, barato e cobre praticamente tudo o que você precisa. O metrô de Seul, que funciona desde 1974, hoje é referência mundial em segurança, pontualidade, limpeza e conveniência.
Você compra o cartão T-money, recarrega e usa em metrô, ônibus, táxi e até em algumas lojas de conveniência. Simples assim. Os trens de alta velocidade, os KTX, conectam as principais cidades numa velocidade impressionante. Dá para dormir em Seul e almoçar em Busan sem drama.
A hospedagem também tem para todos os gostos. Desde hotéis de rede internacional até os famosos guesthouses e os hanok stays, que são casas tradicionais adaptadas. Os serviços em geral funcionam. Quando algo dá errado, alguém resolve. Não existe aquela sensação de improviso que a gente tanto conhece.
E não sou só eu falando. Seul recebeu 1,36 milhão de turistas internacionais só em julho de 2025, o maior número mensal já registrado, um crescimento de 23,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Gente do mundo inteiro escolhendo a cidade, e boa parte disso se explica justamente pela combinação de transporte digital seguro, hospedagem moderna e a mistura de tradição com modernidade.
Destinos limpos, modernos e cheios de experiências
Limpeza é outro capítulo à parte. As ruas são limpas de um jeito que chega a ser surreal, ainda mais considerando a quantidade de gente circulando. E o engraçado é que você quase não vê lixeira pública. O coreano carrega o próprio lixo até achar onde descartar corretamente. É um combinado social silencioso.
Os destinos são variados e cada um tem sua personalidade. Seul é vibrante, com palácios históricos, mercados de peixe, centros de compras gigantescos e uma vida noturna que não para. Busan, na costa, tem praia, montanha e um clima mais leve. Tem ainda a ilha de Jeju, os templos no meio das montanhas, os vilarejos tradicionais.
Cada lugar entrega uma experiência diferente. Num dia você está num café temático futurista, no outro está meditando num templo budista de séculos atrás. Essa diversidade dentro de um país relativamente pequeno é um dos grandes trunfos. Você não enjoa.
A gastronomia é uma aventura à parte
Comida coreana merece um parágrafo cheio de entusiasmo, porque foi uma das melhores surpresas. É saborosa, tem personalidade e é bem diferente de tudo que estamos acostumados.
O churrasco coreano, o famoso Korean BBQ, onde você mesmo grelha a carne na mesa, é quase um ritual social. O bibimbap, aquela tigela colorida de arroz com legumes, carne e ovo. O kimchi, presente em quase todas as refeições, que no começo estranha e depois vicia. Os tteokbokki, bolinhos de arroz num molho apimentado que arde e conforta ao mesmo tempo.
O que me pegou foi o costume dos banchan, aquelas várias tigelinhas de acompanhamentos que chegam à mesa de graça, junto com o prato principal. Você senta esperando um prato e vem um banquete. E se acabar, eles reabastecem. Comer na Coréia é uma experiência generosa.
Um aviso honesto: nem tudo vai agradar de primeira. Alguns sabores fermentados e a pimenta onipresente podem assustar o paladar brasileiro. Mas se você for de mente aberta, vai descobrir uma cozinha riquíssima.
Confesso que a batata frita que comi em Seul eu nunca vou esquecer, porque era polvilhada com açúcar, meu cérebro bugou, rs.
Klook.comTem opção para todo tipo de bolso
Muita gente acha que a Coréia é destino caro. E pode ser, se você quiser. Mas a verdade é que existe opção para todo mundo, e isso é maravilhoso porque democratiza a viagem.
Dá para comer muito bem e barato nas barraquinhas de rua e nos mercados. Dá para se hospedar em guesthouses econômicas ou em hotéis de luxo. O transporte público é acessível, o que já corta um bom pedaço do orçamento. E as atrações, muitas delas, são gratuitas ou baratas.
Vale mencionar que a valorização do real frente à moeda coreana tem ajudado o brasileiro nos últimos tempos, e isso pesa positivamente no planejamento. Para você ter ideia do movimento, veja os números:
| Ano | Turistas brasileiros na Coréia do Sul |
| 2023 | 33.292 |
| 2024 | 33.292 (base) / crescimento em curso |
| 2025 | 41.607 |
Em 2025, foram 41.607 brasileiros visitando o país, um recorde, com aumento de 25% em relação ao ano anterior. E de janeiro a abril de 2026, as reservas de passeios de brasileiros saltaram cerca de 50%. Ou seja, não é só a minha empolgação. O Brasil descobriu a Coréia, e o movimento só cresce, muito puxado pela chamada onda coreana, o efeito Hallyu, com K-pop, K-dramas e a cultura pop conquistando gente do mundo todo.
Vale a pena? Sem sombra de dúvida
Se você chegou até aqui, já deu para perceber que eu não estou sendo neutro. E nem quero ser. A Coréia do Sul me conquistou de um jeito que poucos destinos conseguiram.
Ah, e um detalhe prático importante: o brasileiro não precisa de visto para turismo em estadias de até 90 dias. Basta ter passaporte válido, preencher o K-ETA, a autorização eletrônica de viagem feita totalmente online antes do embarque, foi aprovado, pode programar a viagem. Burocracia mínima.
É um país que funciona, que é seguro, que respeita sua história enquanto abraça o futuro, que te alimenta bem e que cabe no seu orçamento. Se você está namorando a ideia de conhecer a Ásia e não sabe por onde começar, começa pela Coréia. É uma porta de entrada generosa, organizada e cheia de descobertas. Você vai voltar diferente. Eu voltei.

