Zurique: A Maior Cidade da Suíça
Zurique é a maior cidade da Suíça, com cerca de 440 mil habitantes no município e algo perto de 1,4 milhão na região metropolitana. E aqui já cabe a primeira correção que quase todo mundo comete: Zurique não é a capital da Suíça. A capital é Berna. Zurique é o centro financeiro, o maior aeroporto, a maior universidade, a estação de trem mais movimentada do país. Só não é a sede do governo.

E outra coisa que confunde quem chega esperando os Alpes na janela: Zurique não fica nos Alpes. Fica no Planalto Suíço, o Mittelland, a 408 metros de altitude, na ponta norte do Lago de Zurique, onde nasce o rio Limmat. Em dias muito limpos você enxerga a silhueta dos Alpes ao sul, ao fundo do lago, e é uma vista bonita. Mas a montanha alta fica a duas ou três horas de trem. A cidade em si é de colinas suaves, florestas e água.
A língua, e o susto do primeiro dia
Zurique fala alemão, sim. Mas o que se ouve na rua é Züritüütsch, o alemão suíço de Zurique, um dialeto que não é uma versão “com sotaque” do alemão padrão. É outra coisa. Quem estudou alemão em curso costuma sair do trem confiante e não entender uma frase inteira.
O que funciona: alemão padrão, o Hochdeutsch, é entendido por absolutamente todo mundo, e é o que se usa por escrito, em jornais, placas e documentos. E o inglês é praticamente universal em Zurique. É uma cidade com uma população estrangeira em torno de 32%, com bancos, seguradoras, farmacêuticas e o pessoal da ETH vindo do mundo inteiro. Ninguém vai te olhar torto por falar inglês. Em muitos cafés e restaurantes o atendimento já começa em inglês.
Detalhe cultural que ajuda: suíço-alemães costumam ser reservados no primeiro contato, e isso não é antipatia. É só um jeito diferente de operar. Cumprimentar com um Grüezi ao entrar em uma loja pega bem e é a saudação local, não Guten Tag.
Chegar e circular
O Aeroporto de Zurique (ZRH), em Kloten, fica a uns 10 quilômetros do centro. E é aqui que a cidade dá um recado sobre como as coisas funcionam por lá: existe uma estação de trem embaixo do terminal, e o trem leva 10 a 13 minutos até a Hauptbahnhof, saindo várias vezes por hora. A passagem custa em torno de 7 francos. Não pegue táxi do aeroporto, que sai por 60 a 80 francos e chega depois em hora de pico.
A Zürich Hauptbahnhof, ou simplesmente HB, é a estação com mais movimento da Suíça e uma das mais movimentadas da Europa, com mais de 2.900 trens por dia. Tem três níveis subterrâneos, um shopping inteiro no subsolo e, o que é raro na Europa, supermercados abertos no domingo, porque estações são exceção à lei que fecha o comércio. Guarde essa informação, porque domingo em Zurique é uma cidade fechada.
Dentro da cidade, o sistema é o ZVV, que integra bonde, ônibus, trólebus, os trens urbanos S-Bahn, barcos do lago e até dois funiculares. Uma coisa muda a experiência: o bilhete é integrado por zona e por tempo, não por veículo. Você compra uma passagem de 24 horas para as zonas 110 e 121, que cobrem a cidade toda, por volta de CHF 9,20, e usa em tudo, inclusive nos barcos curtos do Limmat e em alguns do lago.
Não há catraca. Você entra e pronto. Mas há fiscal à paisana com frequência, e a multa começa em CHF 100. Não vale a pena testar.
Duas linhas de bonde vale conhecer de propósito: a linha 4 e a linha 11, que atravessam a cidade passando por boa parte do que interessa e custam o preço de uma passagem normal. Muito mais barato que ônibus turístico e com vista igual.
Sobre bicicleta: existe o Züri Velo, sistema público de compartilhamento, com bicicletas comuns e elétricas, e a cidade tem estrutura ciclável decente, com ciclovias ao longo do lago e do rio. A cidade é razoavelmente plana no centro, mas os bairros altos, como o Zürichberg, sobem de verdade. E existem programas de empréstimo gratuito de bicicleta no verão, mediante depósito e documento, nos pontos Züri rollt.
O Zürich Card custa em torno de CHF 29 por 24 horas ou CHF 56 por 72 horas, inclui transporte na cidade e no aeroporto e dá entrada gratuita ou desconto em cerca de 40 museus. Compensa se você for a dois museus ou mais por dia. Se você só quer transporte, o bilhete de 24 horas simples é mais barato.
O centro histórico, e como ele se divide
Zurique tem uma cidade velha grande e razoavelmente preservada, cortada pelo rio Limmat. Ela é dividida em duas margens que têm personalidades diferentes, e entender isso economiza tempo.
Margem esquerda: Lindenhof, Bahnhofstrasse, St. Peter, Fraumünster
O Lindenhof é uma pequena colina arborizada que é literalmente onde Zurique começou. Ali existiu um forte romano chamado Turicum, e depois um palácio imperial. Hoje é uma praça com árvores, cascalho, mesas de xadrez gigantes e uma vista de graça sobre os telhados e o rio. É um dos melhores lugares da cidade e não se paga nada.
A Bahnhofstrasse é a rua de compras que sai da estação e desce até o lago, 1,4 quilômetro de vitrines de relógio, joalheria e moda de luxo. É citada com frequência entre as ruas comerciais mais caras do mundo. Vale caminhar pela arquitetura e pela atmosfera. Comprar, só se o orçamento permitir. Curiosidade que quase ninguém percebe: sob a Bahnhofstrasse existem cofres de bancos, e a rua foi construída no lugar de um antigo fosso da muralha da cidade.
A igreja de São Pedro (St. Peter) tem o maior mostrador de relógio de igreja da Europa, com 8,64 metros de diâmetro. Os ponteiros das horas medem quase quatro metros. Antes dos relógios pessoais, um vigia morava na torre e tocava o alarme em caso de incêndio.
A Fraumünster é a igreja com os famosos vitrais de Marc Chagall, cinco janelas instaladas em 1970, quando o artista tinha mais de 80 anos. São de longe a coisa mais bonita para se ver dentro de uma igreja em Zurique. Há também um vitral de Augusto Giacometti no transepto norte. Entrada em torno de CHF 5. Não é permitido fotografar os Chagall lá dentro, e a proibição é levada a sério.
Margem direita: Grossmünster e Niederdorf
O Grossmünster, com suas duas torres gêmeas, é onde a Reforma Protestante suíça começou, em 1519, com Ulrich Zwingli pregando dali. Isso não é detalhe local: a Reforma reformulou Zurique de um jeito que dura até hoje. Zwingli mandou retirar os órgãos, as imagens e a decoração das igrejas, e é por isso que o interior do Grossmünster é tão despojado, quase austero, comparado a catedrais católicas. Ele também estabeleceu uma cultura de trabalho, sobriedade e desconfiança do luxo que virou parte do caráter da cidade, o que é uma ironia deliciosa quando você olha a Bahnhofstrasse do outro lado do rio.
Subir a torre Karlsturm custa cerca de CHF 5, são 187 degraus e a vista é a melhor do centro. Faça de manhã, com sol.
Ali atrás começa o Niederdorf, apelidado de “Dörfli”, uma malha de ruelas estreitas com bares, restaurantes, lojinhas e vida noturna. De dia é charmoso. De noite, especialmente sexta e sábado, fica bem animado, para dizer o mínimo.
Os mirantes, corrigindo uma expectativa
Zurique tem vistas boas, mas é honesto dizer: são vistas de cidade, lago e colinas, não panoramas de picos nevados de perto.
O Üetliberg, a 869 metros, é a montanha da cidade, chamada de “Uto Kulm” pelos locais. Sobe-se pela linha S10 do S-Bahn, saindo da estação central, em cerca de 20 a 25 minutos, e é coberto pelo bilhete urbano comum. Do alto se vê a cidade inteira, o lago em toda sua extensão e, em dia limpo, a cordilheira alpina no horizonte. Tem torre de observação, restaurante e trilhas. A caminhada mais famosa é a Planetenweg, a “trilha dos planetas”, que vai do Üetliberg até o Felsenegg em cerca de duas horas, com maquetes do sistema solar em escala ao longo do percurso. Do Felsenegg desce-se de teleférico até Adliswil e volta de trem. Programa de meio dia excelente e barato.
O Lindenhof e a torre do Grossmünster já mencionados cobrem a vista de dentro do centro.
O Polyterrasse, no terraço da ETH, tem uma das melhores vistas dos telhados da cidade e se chega ali pelo Polybahn, um funicular curto e simpático que funciona desde 1889. Custa poucos francos e está incluído no bilhete ZVV. É de graça na prática se você já tem passe do dia.
O lago, o rio e o hábito mais suíço de todos
Aqui está a coisa que mais surpreende visitantes: em Zurique as pessoas nadam no meio da cidade, e a água é limpa.
O Lago de Zurique tem cerca de 40 quilômetros de comprimento e a água é potável em qualidade. No verão, a temperatura chega a 20 a 23 graus, o que dá para nadar sem drama. A cidade mantiveram uma rede de banhos públicos chamada Badi, e existem umas 18 deles entre lago e rio.
Os que valem:
O Seebad Enge e o Seebad Utoquai são plataformas de madeira históricas no lago, com deck para tomar sol. O Frauenbad Stadthausquai é feminino de dia e vira o bar Barfussbar à noite, onde se entra descalço, e é um dos lugares mais originais da cidade. O Flussbad Oberer Letten é no rio Limmat, com um canal de 400 metros onde as pessoas entram e se deixam levar pela corrente, saindo mais adiante. Muitos desses banhos custam entre CHF 2 e 8, e alguns são gratuitos.
Se você estiver em Zurique no verão e não entrar na água, perdeu metade da cidade.
Sobre barcos: a ZSG operacomo transporte público no lago, e há tanto travessias curtas cobertas pelo bilhete comum quanto cruzeiros longos, de duas a quatro horas, até Rapperswil. Existem barcos históricos a vapor, o Stadt Rapperswil e o Stadt Zürich, este último de 1909, que ainda navegam. Um cruzeiro curto de 90 minutos sai por volta de CHF 9 com passe do dia, e o longo custa mais.
Sobre esportes aquáticos: existe stand up paddle, vela, remo e aluguel de pedalinho e barquinho a motor pequeno no lago, sem exigência de habilitação para os modelos de baixa potência. É atividade de verão, sazonal, de maio a setembro basicamente.
Sobre neve na cidade, e o que é exagero
Zurique tem inverno frio, com médias em torno de 0 a 3 graus em janeiro, e neva algumas vezes por ano, mas a neve não se acumula no centro por muito tempo. Não se esquia em Zurique.
O que é verdade é que Zurique é uma base excelente para esqui de bate e volta, o que é bem diferente. O Flumserberg fica a cerca de 1h15 de trem, o Hoch-Ybrig e o Sattel-Hochstuckli a cerca de uma hora, e o Engelberg-Titlis, bem maior e mais alto, a cerca de 1h45. Existem pacotes de trem mais passe de esqui vendidos juntos. No Üetliberg, quando neva bem, aparece gente com trenó e esqui de fundo, mas isso é diversão de bairro, não estação.
No inverno a cidade compensa com outra coisa: os mercados de Natal. O da estação central é enorme e coberto, o do Werdmühleplatz tem a “Singing Christmas Tree”, uma árvore com coros de crianças cantando, e o do bairro Wienachtsdorf ao lado da Opernhaus é o mais bonito. Também há a Illuminarium e a iluminação Lucy na Bahnhofstrasse.
E há um evento que é a coisa mais estranha e mais divertida da cidade: o Sechseläuten, em abril, quando as guildas desfilam de traje histórico e, às seis da tarde, queimam um boneco de neve gigante recheado de explosivos, o Böögg. O tempo que a cabeça leva para explodir supostamente prevê o verão. Quanto mais rápido, melhor o verão. Ninguém acredita e todo mundo cronometra.
Café, matcha e a cena de comida
Sobre café: Zurique tem uma cena de café de especialidade forte de verdade, com torrefações locais e casas sérias. Nomes que se repetem entre quem entende: Miró Manufaktur, Henrici, Kaffeemacher, Sanpa, Bros Coffee. Matcha também virou onipresente, especialmente nos cafés dos bairros mais jovens. Mas prepare o bolso: um café custa entre CHF 4,50 e 7, e um matcha latte passa fácil de CHF 7.
Comida local que vale procurar:
O prato mais associado à cidade é o Zürcher Geschnetzeltes, tiras de vitela em molho de creme com cogumelos e um toque de vinho branco, servido com Rösti, o bolinho de batata ralada e frita. É pesado, é caro e é bom. O lugar clássico é o Zeughauskeller, um antigo arsenal do século 15 virado cervejaria, com mesas compartilhadas e uma salsicha absurda de longa no menu, ou o Kronenhalle, que é caro e tem quadros originais de Picasso, Chagall, Miró e Matisse nas paredes, o que é surreal para um restaurante.
Para queijo derretido, fondue e raclette aparecem no inverno em quase todo lugar, e no verão em versão turística. E existe o Swiss Chuchi, no Niederdorf, que é o endereço mais óbvio para isso.
Doce: o Luxemburgerli da Confeitaria Sprüngli, na Paradeplatz, é a especialidade da casa, uma espécie de macaron pequeno e muito leve, e é praticamente obrigatório. A Sprüngli é da família que fundou a Lindt & Sprüngli, e a fábrica da Lindt tem um museu grande em Kilchberg, o Lindt Home of Chocolate, com a maior fonte de chocolate do mundo e degustação livre. Fica a 20 minutos do centro em barco ou ônibus.
E existe o Hiltl, no centro, que o Guinness reconhece como o restaurante vegetariano mais antigo do mundo em funcionamento contínuo, aberto em 1898. Buffet cobrado por peso, o que em Zurique é uma forma de comer bem sem quebrar.
Zurique-Oeste, o bairro que era indústria
Se você quiser ver a Zurique de hoje e não a dos cartões-postais, vá para o Zürich-West, o antigo distrito industrial 5, que os locais chamam de Kreis 5.
Ali está o Viadukt, um viaduto ferroviário do século 19 cujos arcos foram transformados em lojas de design, bares e um mercado de alimentos, o Markthalle. Está o Frau Gerolds Garten, um pátio com contêineres, hortas urbanas, bar ao ar livre e clima de festa no verão. Está a Freitag Tower, uma torre de 26 contêineres empilhados onde se vende as bolsas feitas de lona reciclada de caminhão, marca nascida em Zurique. E está o Prime Tower, o arranha-céu de 126 metros com um bar no 35º andar, o Clouds, com vista aberta e drinques carérrimos, mas você pode subir só para tomar algo.
A vida noturna de Zurique é maior do que a fama tranquila da cidade sugere, com uma quantidade de clubes desproporcional para o tamanho. E a Street Parade, em agosto, é o maior evento de música eletrônica de rua do mundo em número de público, com quase um milhão de pessoas. Se você não gosta de multidão, evite a cidade nesse fim de semana. Se gosta, é impressionante.
Museus que realmente valem
O Kunsthaus Zürich é o museu de arte principal e um dos melhores da Suíça, com a maior coleção de Alberto Giacometti do mundo, além de Monet, Van Gogh, Munch, Picasso e Chagall. A ampliação assinada por David Chipperfield praticamente dobrou o espaço. Entrada em torno de CHF 24, e é gratuito às quartas para parte da coleção.
O Landesmuseum, o Museu Nacional Suíço, fica atrás da estação central, em um prédio que parece um castelo, e é onde entender o país inteiro em duas horas: história, armas, trajes, moeda, formação da confederação. Cerca de CHF 13.
O Cabaret Voltaire, na Spiegelgasse 1, é onde o movimento Dadá foi criado em 1916, por Hugo Ball, Tristan Tzara e companhia, no meio da Primeira Guerra. É pequeno, é um bar-museu, e é um marco real da história da arte do século 20. Na mesma rua, no número 14, Lenin morou enquanto estava exilado em Zurique, antes de voltar à Rússia em 1917. Há uma placa discreta. Duas revoluções, artística e política, nasceram na mesma ladeira de pedra.
Ainda: o Rietberg para arte não europeia, o Museu FIFA para futebol, já que a federação tem sede em Zurique, e o Zoológico de Zurique, que tem o Masoala, um pavilhão de floresta tropical de 11 mil metros quadrados que se atravessa por dentro.
Preços, sem maquiagem
Zurique aparece com frequência entre as cidades mais caras do mundo, e isso é literal, não figura de linguagem.
| Item | Faixa aproximada |
|---|---|
| Hotel 3 estrelas | CHF 180 a 300 a diária |
| Hotel 4 estrelas | CHF 280 a 500 |
| Cama em albergue | CHF 50 a 90 |
| Café expresso | CHF 4,50 a 7 |
| Cerveja em bar | CHF 8 a 13 |
| Refeição simples | CHF 25 a 40 |
| Restaurante médio | CHF 45 a 75 |
| Geschnetzeltes com Rösti | CHF 42 a 60 |
| Almoço de supermercado | CHF 10 a 18 |
| Passe diário de transporte | CHF 9,20 |
| Trem aeroporto, um trecho | CHF 7 |
| Kunsthaus | CHF 24 |
Duas manhas que funcionam de verdade: o prato do dia, o Tagesmenü, servido no almoço em quase todo restaurante por CHF 20 a 30, é a mesma cozinha por metade do preço do jantar. E a água da torneira é excelente, com mais de mil fontes públicas espalhadas pela cidade, chamadas Brunnen, onde se enche a garrafa de graça. Não compre água engarrafada em Zurique. É jogar dinheiro fora.
Sobre gorjeta: o serviço já está incluído por lei. Arredondar para cima é comum e suficiente. Nada de 15%.
Viagens de um dia, o verdadeiro superpoder de Zurique
Esse é o argumento mais forte para se hospedar em Zurique: a posição. A rede ferroviária suíça é densa, pontual e sai da estação central para praticamente tudo.
| Destino | Tempo de trem | O que é |
|---|---|---|
| Lucerna | 45 a 60 min | Lago, ponte coberta, base do Rigi e Pilatus |
| Cataratas do Reno | 50 min | Maior queda d’água da Europa em volume |
| Rapperswil | 35 min de trem, 2h de barco | Vila de castelo e rosas, na ponta do lago |
| Berna | 55 a 60 min | Capital, centro histórico da UNESCO |
| Appenzell | 1h50 | Interior tradicional, casas pintadas, Ebenalp |
| Stein am Rhein | 1h05 | Vilarejo medieval de fachadas pintadas |
| Basileia | 55 min | Arte, Reno, fronteira tripla |
| Zug | 25 min | Lago, centro pequeno e bonito, pouco turístico |
| Engelberg / Titlis | 1h45 | Glaciar, teleférico rotativo, neve o ano todo |
| Interlaken | 2h | Porta da região de Jungfrau |
Duas observações práticas sobre isso. Primeiro, a diferença entre um dia bom e um dia perdido é o Swiss Travel Pass ou o Half Fare Card: se você pretende fazer duas ou três dessas saídas, a conta vira rápido a favor do passe, porque uma ida e volta a Lucerna já custa perto de CHF 60. Segundo, os trens suíços cumprem horário com uma seriedade que impressiona, e as conexões são calculadas com margens de poucos minutos. Isso funciona, mas significa que se você se atrasar dois minutos, perdeu de verdade.
Quanto tempo ficar, e uma opinião
Muita gente trata Zurique como escala de aeroporto e passa quatro horas ali. É pouco, mas dá para fazer uma versão decente: Lindenhof, Grossmünster, Fraumünster com os Chagall, uma volta pelo Niederdorf, café na Bahnhofstrasse e beira do lago.
Dois dias é o número honesto para a cidade: um para o centro histórico e o lago, outro para Zurique-Oeste, um museu e o Üetliberg.
Quatro a cinco dias com base em Zurique é, na minha opinião, um dos formatos mais eficientes de viagem na Suíça, porque você paga hospedagem em um lugar só, não fica arrastando mala e sai de trem para uma coisa diferente por dia.
E existe uma armadilha que é preciso avisar: domingo em Zurique praticamente tudo fecha. Lojas, supermercados, muitos serviços. Só restaurantes, museus, farmácias e o comércio da estação central e do aeroporto funcionam. Se você chegar num sábado à noite querendo fazer compras no domingo, vai encontrar a cidade em silêncio. O que sobra é o que é melhor de graça mesmo: caminhar pela beira do lago, subir o Üetliberg, sentar no Lindenhof.
Zurique não tem o drama visual de Zermatt nem o cenário de Lauterbrunnen. Ela tem outra coisa, que é ser uma cidade que funciona bem quase demais, com água limpa no meio do centro, transporte que nunca falha e uma vida cultural que ninguém espera de um lugar com fama de banco e relógio. Chegar sem expectativa de Alpes na janela é o único ajuste necessário.

