Interlaken: Base Suíça Entre 2 Lagos
Interlaken fica no cantão de Berna, a 567 metros de altitude, encaixada entre o Lago de Thun e o Lago de Brienz, e é a porta de entrada da região de Jungfrau. Tem pouco mais de 5.700 habitantes, recebe milhões de visitantes por ano, e funciona menos como destino em si e mais como quartel-general para subir a montanha. Entender isso é a diferença entre uma viagem boa e uma viagem frustrante.

Primeiro, o nome e a geografia
Interlaken vem do latim inter lacus, “entre os lagos”. O nome não é poético, é literal e vem de um mosteiro agostiniano fundado ali por volta de 1130, o Monasterium inter Lacus. Parte da construção ainda existe, hoje ocupada por prédios administrativos do cantão e por um claustro que dá para visitar de fora, ao lado da igreja do castelo.
A cidade está numa faixa plana de terra de uns três quilômetros de largura, formada por sedimentos que separaram o que antes era um único lago em dois. Essa planície se chama Bödeli. O rio Aare entra pelo Lago de Brienz, atravessa Interlaken e sai no Lago de Thun. Existe também o canal Aareschlucht mais acima e o canal artificial de Interlaken, usado para navegação.
Detalhe importante para quem planeja: Interlaken não é uma cidade de montanha. Está no fundo do vale. Você não tem neve na rua no inverno com regularidade, não tem pista de esqui na porta do hotel, e a vista das montanhas é uma vista à distância. Muita gente reserva Interlaken imaginando um chalé na encosta e chega numa cidade plana e comercial, com lojas de relógio e restaurantes indianos e coreanos. Não é feio, mas é diferente da expectativa.
Sobre a língua
Sim, é região de língua alemã, e o cantão de Berna é oficialmente bilíngue (alemão e francês), embora Interlaken esteja bem dentro da parte germanófona.
O que se fala na rua é o Berndeutsch, o alemão suíço bernês, considerado um dos dialetos mais lentos e arrastados da Suíça. Os próprios suíços fazem piada com isso. Já no vale de Lauterbrunnen e em Grindelwald, o dialeto muda de novo e fica mais fechado.
Na prática, isso pouco importa em Interlaken. É um dos lugares mais turísticos da Europa e o inglês funciona em absolutamente tudo, do balcão do hotel ao motorista do teleférico. Há atendimento em japonês, coreano, chinês e árabe em várias lojas, porque o turismo asiático e do Golfo é enorme ali.
Como Interlaken virou o que é
A história do turismo alpino começa em boa parte por ali. Lord Byron visitou a região em 1816. Goethe esteve no vale de Lauterbrunnen em 1779 e o poema dele sobre a cachoeira Staubbach virou peça de literatura alemã. Mendelssohn e Brahms passaram temporadas na área. Os pintores ingleses do século 19 fizeram do Jungfrau um cartão-postal antes de existir cartão-postal.
O que consolidou tudo foi a ferrovia. E aqui está o feito de engenharia que define a região:
A Jungfraubahn foi construída entre 1896 e 1912, escavando um túnel de cerca de sete quilômetros dentro das montanhas Eiger e Mönch para chegar ao Jungfraujoch, a 3.454 metros. É a estação ferroviária mais alta da Europa, e o apelido oficial é “Top of Europe”. A obra levou 16 anos, custou vidas de operários, e o idealizador, Adolf Guyer-Zeller, morreu em 1899 sem ver o projeto pronto. O plano original era ainda mais louco: chegar ao cume do Jungfrau, a 4.158 metros, com um elevador dentro da rocha. Nunca foi feito.
Junto com a Jungfraubahn existe a rede da Berner Oberland-Bahn e da Wengernalpbahn, esta última a ferrovia de cremalheira contínua mais longa do mundo, ligando Lauterbrunnen a Grindelwald passando por Wengen e Kleine Scheidegg.
Em 2001, a região Jungfrau-Aletsch foi inscrita na lista de Patrimônio Mundial da UNESCO, sendo o primeiro sítio natural dos Alpes a receber o reconhecimento. O motivo principal é o Glaciar Aletsch, o maior glaciar dos Alpes, com cerca de 20 quilômetros de extensão.
As duas estações de trem, e por que isso confunde tanta gente
Interlaken tem duas estações, e escolher a errada custa tempo.
Interlaken West fica no lado do Lago de Thun, mais perto do centro comercial e de boa parte dos hotéis.
Interlaken Ost (Leste) fica no lado do Lago de Brienz, e é de onde saem todos os trens para a montanha: Lauterbrunnen, Grindelwald, Kleine Scheidegg, Jungfraujoch. Também é o terminal dos barcos do Lago de Brienz e o ponto de partida do trem panorâmico para Lucerna.
As duas estações ficam a uns 15 minutos de caminhada ou três minutos de trem uma da outra, com trens frequentes. Mas se o seu programa é montanha todos os dias, hospede-se perto da Ost. Se o seu programa é lago, compras e restaurante, a West serve melhor.
Conexões principais:
| Destino | Tempo aproximado | Observação |
|---|---|---|
| Berna | 55 min | Trem direto, sem troca |
| Zurique | 2h a 2h10 | Direto ou com troca em Berna |
| Lucerna | 1h50 a 2h | Rota panorâmica pelo Brünig |
| Aeroporto de Zurique | 2h20 a 2h40 | Uma troca, geralmente em Berna |
| Genebra | 2h50 a 3h | Troca em Berna |
| Lauterbrunnen | 20 min | Sai de Interlaken Ost |
| Grindelwald | 33 min | Sai de Interlaken Ost |
Um aviso sobre carro: alugar carro para essa região é, na maioria dos casos, desperdício de dinheiro. Wengen e Mürren são livres de carros e só se chega por trem ou teleférico. Estacionamento em Lauterbrunnen e Grindelwald é caro e lota. O trem cobre tudo, é pontual e a paisagem da janela é parte do programa.
O que realmente vale subir
Essa é a parte que exige decisão, porque cada subida custa caro e você provavelmente não vai fazer todas.
Jungfraujoch, 3.454 metros
O grande nome. Você sobe de trem de Interlaken Ost até Lauterbrunnen ou Grindelwald, troca, e o trecho final é dentro do túnel. Existem duas paradas dentro da rocha, Eigerwand e Eismeer, onde antigamente o trem parava para fotos pelas janelas escavadas na face norte do Eiger. Desde a reforma, a parada padrão é em Eismeer.
No topo há o Palácio de Gelo, esculpido dentro do glaciar, o mirante Sphinx com plataforma a 3.571 metros, a vista do Glaciar Aletsch, um platô de neve onde dá para caminhar e brincar, e a inevitável loja da Lindt.
O que ninguém avisa: custa muito caro. O bilhete cheio de Interlaken ida e volta gira em torno de 210 a 240 francos por adulto sem descontos, e mesmo com Swiss Travel Pass você paga um complemento significativo, algo próximo de 130 a 145 francos, porque o trecho final tem desconto parcial, não gratuidade. Com Half Fare Card o desconto também é parcial.
O outro alerta é o enjoo de altitude. Você sai de 567 metros e chega a 3.454 em pouco mais de duas horas, sem aclimatação. Dor de cabeça, tontura e falta de ar são comuns. Movimente-se devagar lá em cima e beba água.
E o mais importante: se o dia estiver nublado, não vá. Você vai gastar mais de duzentos francos para ver névoa branca. Existe webcam ao vivo no site da Jungfrau Railways e vale checar na manhã do dia. Sério. É o erro mais caro que se comete na Suíça.
Desde 2020 existe o Eiger Express, um teleférico tricabo que sai de Grindelwald Terminal e chega a Eigergletscher em cerca de 15 minutos, cortando bastante tempo do trajeto. Mudou a logística para melhor.
Schilthorn, 2.970 metros
Minha recomendação para quem só vai fazer um pico. Sobe-se de Lauterbrunnen até Stechelberg e depois por teleférico via Gimmelwald e Mürren, ou via Mürren direto.
A vista panorâmica de Eiger, Mönch e Jungfrau é, na minha opinião, melhor do que a do Jungfraujoch, porque você vê os três de frente, e não do lado. No topo há o restaurante rotativo Piz Gloria, que foi locação de A Serviço Secreto de Sua Majestade (1969), da franquia James Bond. Existe uma pequena exposição sobre isso, e o filme é exibido em loop.
Custa menos que o Jungfraujoch e é gratuito ou com desconto forte para quem tem Swiss Travel Pass em boa parte dos trechos, dependendo da configuração vigente.
O caminho passa por Gimmelwald, um vilarejo minúsculo de fazendeiros que continua sendo a coisa mais autêntica do vale. Sem lojas de souvenir. Vale parar.
Harder Kulm, 1.322 metros
O mirante da própria Interlaken. Um funicular sai de perto de Interlaken Ost e sobe em 10 minutos. No topo há a Two Lakes Bridge, uma plataforma que avança sobre o precipício, com os dois lagos visíveis ao mesmo tempo, um de cada lado.
É a opção barata e rápida. Custa em torno de 38 a 44 francos ida e volta, e é gratuito com Swiss Travel Pass. Se você tem meio dia livre e não quer gastar, é isso. Ir no fim da tarde, com a luz baixando, é o melhor horário.
Schynige Platte, 1.967 metros
O programa mais subestimado da região. Um trem a vapor histórico, com vagões abertos dos anos 1890, sobe de Wilderswil em cerca de 50 minutos. No topo existe um jardim botânico alpino com centenas de espécies nativas e uma trilha circular chamada Panoramaweg de umas duas horas, com vista contínua dos três picos e dos dois lagos.
Funciona só de junho a outubro, porque a linha fecha no inverno. É menos badalado, mais tranquilo e, para quem gosta de caminhar, é o melhor uso de um dia inteiro na área.
First e Grindelwald
Grindelwald é a base para o First, com uma sequência de atrações pagas montadas em cima: o First Cliff Walk, passarela metálica pregada na parede da montanha, o First Flier (tirolesa de 800 metros), o First Glider (uma estrutura pendurada em forma de ave) e os Mountain Carts e trotinetes para descer.
É divertido e muito fotografado. É também bastante comercial e caro se você somar todas as atividades. Escolha uma ou duas.
De Grindelwald sai a trilha para o Bachalpsee, um lago de altitude com reflexo dos picos que é provavelmente a fotografia mais reproduzida do Oberland Bernês. Caminhada de cerca de uma hora do topo do First, fácil, bem marcada.
Lauterbrunnen, Wengen e Mürren
Se eu tivesse que escolher um lugar da região para dormir em vez de Interlaken, seria um desses.
Lauterbrunnen é um vale glacial em forma de U, com paredes verticais de quase 500 metros de cada lado e 72 cachoeiras ao longo da sua extensão. A mais famosa é a Staubbachfall, com cerca de 297 metros de queda livre, visível do centro do vilarejo. Existe um caminho atrás dela, aberto no verão.
A outra é a Trümmelbachfälle, e essa é diferente: são dez cachoeiras dentro da montanha, escavadas na rocha pela água de degelo dos glaciares de Eiger, Mönch e Jungfrau. Você entra por um elevador dentro da parede e sobe por galerias molhadas, com o barulho da água ensurdecedor. Cerca de 20.000 litros de água por segundo nos picos de verão. Aberto de abril a novembro, custa por volta de 14 francos. É uma das melhores coisas da Suíça e muita gente pula.
Tolkien visitou Lauterbrunnen em 1911, e o vale é apontado como uma das inspirações para Rivendell. A informação é sustentada por relatos do próprio autor sobre a viagem aos Alpes.
Wengen fica numa varanda natural acima de Lauterbrunnen, só acessível por trem. Sem carros. É onde acontece a Lauberhorn, em janeiro, a corrida de descida mais longa do circuito da Copa do Mundo de esqui alpino, com cerca de 4,5 quilômetros de pista.
Mürren fica do outro lado do vale, também sem carros, ainda menor e mais silenciosa. A vista de lá é frontal para os três picos. É onde o esqui alpino britânico basicamente nasceu como esporte organizado, no início do século 20, no Kandahar Ski Club.
Uma observação prática sobre hospedagem: dormir em Wengen ou Mürren é mais caro e você carrega bagagem em trem e teleférico. Mas você acorda com a montanha na janela e a vila fica vazia depois das cinco da tarde, quando os excursionistas descem. Vale muito a pena por uma ou duas noites.
Os esportes de aventura, e a conversa honesta sobre eles
Interlaken é uma das capitais mundiais de esporte de aventura, e isso é real, não marketing.
Parapente é o mais popular. Você decola de Beatenberg ou de Harder e pousa no Höhematte, o parque gramado no centro de Interlaken. Voo tandem, com piloto, dura entre 10 e 20 minutos no ar dependendo do pacote, e custa em torno de 180 a 230 francos. Não precisa de experiência. Não precisa correr muito, três ou quatro passos e você já está no ar.
Também há skydive com salto de avião ou helicóptero sobre os glaciares, canyoning nos desfiladeiros da região, rafting no Lütschine e no Simme, bungee jumping no Stockhorn e o famoso salto no Verzasca, que na verdade fica no Ticino e não ali. E existe o Canyon Swing em Grindelwald, um pêndulo no desfiladeiro do Gletscherschlucht.
Aqui vai a parte séria que o material promocional omite. Em 1999, um acidente de canyoning no Saxetbach, perto de Interlaken, matou 21 pessoas, a maioria turistas jovens australianos, neozelandeses e sul-africanos, quando uma enxurrada repentina desceu o desfiladeiro. Foi um dos piores desastres de turismo de aventura da história e mudou a regulamentação suíça do setor.
Hoje existe um selo de segurança chamado Safety in Adventures, gerido por uma fundação independente. Verifique se a empresa tem esse certificado antes de reservar qualquer coisa. Não é burocracia, é o mínimo. E se o operador cancelar por causa de tempo, agradeça em vez de reclamar.
Os lagos, que quase ninguém aproveita direito
Achei sempre curioso que gente vá a Interlaken e não entre em um barco.
Os dois lagos são navegados por uma frota que inclui navios a vapor históricos com rodas de pás: o Blüemlisalp, de 1906, no Lago de Thun, e o Lötschberg, de 1914, no Lago de Brienz. São embarcações restauradas, com máquina a vapor original visível, e navegam em rotas regulares no verão.
O Lago de Brienz é o mais bonito dos dois, na minha opinião. Água de um turquesa quase irreal, causado pelo sedimento glacial fino em suspensão, e margens íngremes com pouca construção. Na ponta leste está o vilarejo de Iseltwald, que virou ponto de peregrinação por causa de uma cena da série coreana Crash Landing on You. Ficou tão cheio que a prefeitura instalou uma catraca cobrando cinco francos para acessar o píer. É verdade, existe mesmo.
Perto de Brienz também estão as Giessbachfälle, uma cachoeira de 14 estágios com um hotel histórico ao lado e o funicular mais antigo da Europa em operação, de 1879.
O Lago de Thun tem os castelos. Schloss Oberhofen, com uma torre dentro da água, Schloss Spiez numa península, Schloss Thun na cidade de Thun, e as Grutas de St. Beatus, um sistema de cavernas com rio subterrâneo e cachoeira, ligado à lenda de um monge que teria expulsado um dragão dali.
A água dos dois lagos fica entre 18 e 21 graus em julho e agosto. É gelada mas nadável. Existem praias públicas gratuitas em Bönigen, Neuhaus e Iseltwald.
Sobre esportes aquáticos: há windsurfe, kitesurfe e vela sobretudo no Lago de Thun, na área de Neuhaus, onde o vento é constante à tarde. Stand up paddle e caiaque em ambos, com aluguel fácil no verão. E existe o wakeboard e o esqui aquático com barco, mais em Thun.
Bicicleta, caminhada e o parque no centro
O aluguel de bicicletas é fácil, com opções mecânicas e elétricas em várias lojas e nas duas estações. A e-bike é o que eu recomendaria sem hesitar: o terreno em volta dos lagos tem subidas, e no calor a diferença é grande. Diárias em torno de 45 a 70 francos para e-bike.
Rotas boas: o circuito plano em volta do Lago de Brienz pela margem sul, o percurso Interlaken–Bönigen–Iseltwald, e a rota nacional 8 (Aare Route) descendo o vale. Para mountain bike, os trilhos descendo de First e de Grindelwald.
A rede de trilhas de caminhada é sinalizada com o padrão suíço de placas amarelas, que indicam tempo em vez de distância. Confie nesses tempos, são calculados de forma conservadora e realista. Placas com pontas brancas e vermelhas indicam trilha de montanha, que exige calçado adequado e algum condicionamento. Placas azuis e brancas são rotas alpinas, que podem exigir equipamento técnico.
O Höhematte é aquele campo verde gigante no meio de Interlaken, com 14 hectares, mantido aberto desde o século 19 por decisão da comunidade, que se recusou a permitir construção ali para preservar a vista do Jungfrau. É onde os parapentes pousam, onde as pessoas fazem piquenique e de onde sai a melhor foto barata da cidade.
Casas de madeira, arquitetura e o que esperar do centro
O bairro de Unterseen, tecnicamente um município separado mas colado em Interlaken, tem a parte histórica de verdade: praça medieval, igreja de 1471, casas de madeira antigas e um museu regional pequeno. Fica a dez minutos de caminhada da estação West e é onde eu iria para escapar do fluxo turístico sem sair da cidade.
Bönigen e Ringgenberg, na beira do Lago de Brienz, têm casas de madeira do século 18 e 19 muito bem preservadas, com fachadas entalhadas e datadas.
E existe Ballenberg, perto de Brienz, um museu ao ar livre com mais de cem construções rurais suíças autênticas, desmontadas de suas regiões de origem e reerguidas ali, cobrindo praticamente todos os cantões. Tem oficinas de artesanato funcionando, animais de fazenda e produção de queijo na hora. Para entender arquitetura e vida rural suíça, é o melhor lugar do país. Aberto de abril a outubro.
A avenida principal de Interlaken, a Höheweg, é ladeada por hotéis grandes do século 19, entre eles o Victoria Jungfrau, aberto em 1865, e por lojas de relógio de luxo, casas de câmbio e restaurantes. É agradável de caminhar e é honestamente comercial. Não espere charme de vila alpina no centro de Interlaken. O charme está nos arredores.
Comida, bebida e preços
Sobre a cerveja e o queijo: o queijo da região é o Berner Alpkäse e o Hobelkäse, ambos com denominação de origem protegida, produzidos nas pastagens de altitude do Oberland. Diferente do Emmental, são mais duros e mais intensos. O Hobelkäse é raspado em lâminas finas, não cortado em fatias.
Pratos locais que vale procurar: Berner Rösti com ovo, Käseschnitte (uma torrada afogada em queijo derretido, comida de montanha honesta), fondue e raclette nos meses frios, e o Meringue de Brienz com creme duplo, uma sobremesa da região que é basicamente açúcar e gordura e é maravilhosa.
Cerveja: há cervejarias artesanais na região, e o Rugenbräu, produzido em Interlaken desde 1866, é a marca local histórica. Fabricam também um whisky suíço envelhecido em túnel de montanha.
Sobre custos, sendo direto:
| Item | Faixa aproximada |
|---|---|
| Hotel 3 estrelas, alta temporada | CHF 220 a 350 a diária |
| Cama em albergue | CHF 45 a 80 |
| Refeição em restaurante simples | CHF 25 a 40 por pessoa |
| Prato em restaurante médio | CHF 35 a 55 |
| Supermercado, almoço improvisado | CHF 10 a 18 |
| Parapente tandem | CHF 180 a 230 |
| Jungfraujoch, ida e volta cheio | CHF 210 a 240 |
| Harder Kulm, ida e volta | CHF 38 a 44 |
Truque de economia que uso e recomendo: o Coop e o Migros de Interlaken vendem sanduíches, saladas prontas, frutas e água a preço de supermercado. Comer no Höhematte com comida de mercado economiza facilmente cem francos por dia para um casal. Ninguém acha isso estranho na Suíça, é prática comum.
Sobre passes de transporte, a decisão realista:
O Swiss Travel Pass compensa se você vai circular muito pelo país, porque cobre trens, barcos, ônibus urbanos e dá entrada gratuita em mais de 500 museus, além de descontos nas montanhas. Se você vai ficar parado na região de Jungfrau, o Jungfrau Travel Pass costuma sair melhor, cobrindo a rede local por 3 a 8 dias consecutivos. E o Half Fare Card, que corta metade do preço de quase tudo por um mês, é a opção mais flexível para viagens curtas com poucos deslocamentos longos.
Faça a conta antes. Some os trajetos que você realmente pretende fazer e compare. Não existe resposta universal.
Quando ir
Julho e agosto têm o melhor clima, todos os teleféricos abertos, todas as trilhas liberadas e os lagos nadáveis. Também têm o maior volume de gente e os preços mais altos.
Junho e setembro são, na minha leitura, os melhores meses. Setembro especialmente: menos gente, ar mais limpo, visibilidade melhor nas montanhas e ainda tudo funcionando. Junho pode ter neve residual em trilhas altas.
Dezembro a março é temporada de esqui, e as estações da região são Grindelwald-Wengen, Mürren-Schilthorn e Meiringen-Hasliberg. Interlaken em si fica bem mais quieta, e várias atrações de verão fecham. Não é uma vila de esqui, é a cidade onde você dorme e pega o trem.
Abril, maio, outubro e novembro são as estações mortas. Muita coisa fecha para manutenção, trilhas altas ficam impraticáveis e o tempo é instável. Em compensação, os preços caem bastante.
Um dado que muda planejamento: a região tem média em torno de 120 a 130 dias de precipitação por ano, e o clima de montanha muda em horas. Deixe pelo menos três noites na área, para poder escolher o dia limpo para a subida caro. Quem chega, dorme uma noite e sobe no dia seguinte está apostando em sorte.
O que eu faria com três dias
Chegaria de tarde e subiria o Harder Kulm no fim do dia, para entender a geografia de cima e gastar pouco.
No dia mais limpo, subiria Schilthorn de manhã cedo, com parada em Gimmelwald na volta, e terminaria em Lauterbrunnen visitando a Trümmelbachfälle.
No terceiro dia, ou Schynige Platte com o trem a vapor e a trilha panorâmica, ou o barco a vapor no Lago de Brienz até Iseltwald e Giessbach.
O Jungfraujoch entra só se houver quatro dias, orçamento folgado e céu absolutamente sem nuvem. É extraordinário como feito humano. Como paisagem, existem alternativas mais bonitas e muito mais baratas ali do lado, e eu prefiro ser honesto sobre isso do que repetir o folheto.

