Como Fazer os Passeios de Natureza em Puerto Natales
Fazer passeios de natureza em Puerto Natales é o motivo número um para estar ali. A cidade em si é charmosa, a orla do fiorde rende belas caminhadas, mas ninguém atravessa o continente até o sul do Chile para ficar só no centro. O que realmente justifica as horas de vôo, o frio e o vento são as paisagens que cercam Puerto Natales: o Parque Nacional Torres del Paine, os glaciares que despencam no mar, as cavernas pré-históricas, as trilhas com vista de 360 graus e os fiordes que cortam a cordilheira como facas. Cada passeio tem sua logística, seu custo e seu nível de exigência. Vamos a todos eles, um por um, com os valores em pesos chilenos e convertidos para reais usando o câmbio de agosto de 2026: 1 real equivale a aproximadamente 183 pesos chilenos. Para referência rápida, cada 1.000 CLP valem cerca de R$ 5,45.

Parque Nacional Torres del Paine: a joia da coroa
O Parque Nacional Torres del Paine concentra 227 mil hectares de montanhas de granito, lagos de um azul leitoso, campos de gelo, rios caudalosos e uma fauna que inclui guanacos, raposas-culpeo, condores e, para os sortudos, pumas. Fica a 112 km ao norte de Puerto Natales, com acesso pela Ruta 9 e depois por estradas de rípio dentro do parque.
Criado em 1959 e declarado Reserva da Biosfera pela UNESCO em 1978, o parque recebe cerca de 300 mil visitantes por ano e tem infraestrutura de trilhas, refúgios e campings que atendem desde o turista de um dia até o trekker que passa mais de uma semana caminhando.
Existem três formas de explorar o parque: o Full Day panorâmico, o Circuito W e o Circuito O. Cada uma delas atende a um perfil diferente de viajante, e os custos variam radicalmente entre elas.
Full Day em Torres del Paine: o bate-volta panorâmico
Para quem tem pouco tempo ou não quer encarar trilhas pesadas, o Full Day é a porta de entrada. É um passeio guiado de 10 a 12 horas, com saída de Puerto Natales por volta das 7h da manhã e retorno no fim da tarde. O transporte é feito em vans ou micro-ônibus com ar-condicionado, e o guia geralmente fala espanhol e inglês. O português aparece em algumas agências, mas não é garantido.
O roteiro típico passa pelos seguintes pontos:
A primeira parada é a Cueva del Milodón, a 24 km de Puerto Natales. É uma caverna natural gigantesca onde foram encontrados restos de uma preguiça gigante pré-histórica. A visita dura cerca de 40 minutos, tempo suficiente para percorrer a caverna principal e o centro de visitantes.
Depois, o grupo segue para a entrada do parque por Laguna Amarga. Dali, o visual já impressiona: as torres de granito aparecem no horizonte, os guanacos pastam nas estepes e o vento começa a mostrar a que veio. O ônibus vai parando nos principais mirantes ao longo do dia. O Lago Sarmiento é o primeiro deles, com suas águas de um azul profundo e bordas esbranquiçadas pelo carbonato de cálcio.
O Salto Grande é uma cachoeira de águas azul-turquesa que conecta o Lago Nordenskjöld ao Lago Pehoé. A força da água e o contraste de cores fazem desse um dos pontos mais fotografados do parque. Dali, o mirante dos Cuernos del Paine entrega a imagem clássica dos chifres de granito escuro com uma faixa de rocha mais clara no meio, coroados de neve.
O Lago Pehoé é parada obrigatória. Suas águas de um azul leitoso, alimentadas pelo degelo dos glaciares, contrastam com o verde intenso da vegetação ao redor e com os picos nevados ao fundo. É o tipo de paisagem que faz qualquer fotografia amadora parecer trabalho de profissional.
A última parada costuma ser o Lago Grey, com seu glaciar flutuando em blocos de gelo azulado. Dependendo da agência e da época, o grupo pode fazer uma curta caminhada até a praia do lago ou até um mirante suspenso.
Custos do Full Day:
| Componente | CLP | R$ |
|---|---|---|
| Tour Full Day (agência) | 40.000 a 60.000 | R$ 218 a R$ 327 |
| Ingresso do parque (estrangeiro adulto) | 35.000 a 45.000 | R$ 191 a R$ 245 |
| Ingresso Cueva del Milodón (adulto estrangeiro) | 12.000 | R$ 65 |
| Total por pessoa | 87.000 a 117.000 | R$ 474 a R$ 637 |
Algumas agências já incluem o ingresso da Cueva del Milodón no valor do tour. Outras cobram à parte. Vale perguntar antes de fechar. O ingresso do parque, no entanto, quase nunca está incluso e precisa ser comprado no site pasesparques.cl com antecedência, especialmente entre dezembro e fevereiro, quando as vagas diárias se esgotam rápido.
O que levar para o Full Day: roupa em camadas (segunda pele, fleece, jaqueta impermeável), calçado confortável e de preferência impermeável, óculos de sol, protetor solar, água, lanches e bateria extra para o celular. A emoção de fotografar as torres pela primeira vez costuma drenar a bateria antes do meio-dia.
Circuito W: o trekking mais famoso da Patagônia
O Circuito W recebe esse nome porque o trajeto no mapa desenha aproximadamente um W. São de 4 a 5 dias de caminhada, percorrendo entre 70 e 80 km pelos três vales que se projetam a partir do maciço Paine: o Valle del Francés, o Valle del Ascencio (que leva à Base das Torres) e o setor do Glaciar Grey.
A trilha não é técnica, ou seja, não exige equipamento de escalada nem conhecimentos avançados de montanhismo. Mas exige preparo físico real. As caminhadas diárias variam de 6 a 10 horas, com subidas e descidas consideráveis, carregando mochila com roupas, água e suprimentos. O vento patagônico, que pode ultrapassar 100 km/h em dias ruins, adiciona uma camada extra de dificuldade.
O roteiro clássico do W começa no setor Las Torres, sobe o Valle del Ascencio até o Mirante Base Torres, desce e segue para o setor Los Cuernos, atravessa o Valle del Francés, continua para o setor Paine Grande e termina no Glaciar Grey. A direção pode ser invertida, e há quem prefira começar pelo Grey para guardar o clímax das Torres para o final.
Os pernoites ao longo do circuito podem ser em refúgios de montanha (com camas, banheiros quentes e refeições) ou em campings (com barracas próprias ou alugadas). Os refúgios são administrados por duas concessionárias: Vertice e Las Torres. Os preços variam conforme a temporada e a antecedência da reserva.
Custos do Circuito W (4 a 5 dias, por pessoa):
| Componente | CLP | R$ |
|---|---|---|
| Ingresso do parque (estrangeiro adulto) | 35.000 a 45.000 | R$ 191 a R$ 245 |
| Refúgios (3 a 4 noites, cama e refeição) | 300.000 a 600.000 | R$ 1.636 a R$ 3.273 |
| Campings (3 a 4 noites, com barraca alugada) | 80.000 a 150.000 | R$ 436 a R$ 818 |
| Transporte Puerto Natales ao parque (ida e volta, ônibus regular) | 24.000 a 30.000 | R$ 131 a R$ 164 |
| Alimentação extra e snacks | 40.000 a 80.000 | R$ 218 a R$ 436 |
| Total (com refúgios) | 400.000 a 755.000 | R$ 2.181 a R$ 4.118 |
| Total (com camping) | 180.000 a 305.000 | R$ 982 a R$ 1.663 |
A diferença de custo entre refúgios e campings é enorme. Quem opta por camping ainda precisa alugar ou levar barraca, saco de dormir (as temperaturas noturnas podem cair abaixo de zero mesmo no verão) e fogareiro. Mas a economia é substancial. Os refúgios, por outro lado, oferecem o conforto de uma cama quente, banho e refeições preparadas, o que depois de 8 horas de trilha faz uma diferença difícil de mensurar.
O planejamento do W exige antecedência. As reservas para refúgios e campings abrem com meses de antecedência e se esgotam rápido para a alta temporada. É o tipo de viagem que se organiza com no mínimo seis meses de antecedência se a ideia for ir entre dezembro e fevereiro.
Circuito O: a volta completa pelo maciço Paine
O Circuito O é a versão estendida do W. Ele adiciona o trecho norte do maciço, passando pelo Passo John Gardner, que cruza os Campos de Hielo Sur e oferece uma vista espetacular do Glaciar Grey visto de cima. São de 7 a 9 dias de caminhada, com nível de exigência bem mais alto. O trecho do passo exige subir e descer terrenos mais íngremes, com possibilidade de neve mesmo no verão.
Os custos do O seguem a mesma lógica do W, mas com mais dias de pernoite e alimentação. Uma estimativa para 8 dias de circuito:
| Componente | CLP | R$ |
|---|---|---|
| Ingresso do parque (estrangeiro adulto) | 35.000 a 45.000 | R$ 191 a R$ 245 |
| Refúgios e campings (7 noites) | 350.000 a 700.000 | R$ 1.909 a R$ 3.819 |
| Transporte Puerto Natales ao parque (ida e volta, ônibus regular) | 24.000 a 30.000 | R$ 131 a R$ 164 |
| Alimentação extra e snacks | 70.000 a 120.000 | R$ 382 a R$ 655 |
| Total (com refúgios) | 480.000 a 895.000 | R$ 2.618 a R$ 4.883 |
Pouca gente faz o Circuito O. A maioria dos viajantes fica no W ou no Full Day. Mas quem completa o O sai de lá com uma sensação de conquista que nenhum outro passeio na região entrega.
Navegação aos Glaciares Balmaceda e Serrano
Se Torres del Paine é a estrela das trilhas, os glaciares Balmaceda e Serrano são a estrela das navegações. O passeio é um full day que sai de Puerto Natales e adentra o Parque Nacional Bernardo O’Higgins, o maior do Chile, com 3,5 milhões de hectares de geleiras, fiordes e florestas praticamente intocadas.
O dia começa cedo, com embarque por volta das 7h30 no porto de Puerto Bories, a 5 km do centro de Puerto Natales. A maioria das agências inclui o traslado do hotel até o porto. O barco é um catamarã fechado, com cabine aquecida, banheiro a bordo e convés externo para observação.
A navegação segue pelo Canal Señoret, contornando o monumento histórico do Frigorífico Bories, e depois pelo Fiorde Última Esperanza. A paisagem ao longo do trajeto é hipnotizante: montanhas cobertas de vegetação nativa, cachoeiras que despencam direto no mar, colônias de corvos-marinhos empoleirados nas rochas e, com sorte, leões-marinhos descansando nas encostas.
A primeira parada é no Glaciar Balmaceda, uma geleira suspensa de tom azulado intenso que se derrama pela encosta do Monte Balmaceda. O barco se aproxima o suficiente para ouvir o estalo do gelo e, se a sorte ajudar, ver blocos se desprendendo e caindo no mar. É um espetáculo de som e imagem.
Depois, o barco segue até o setor do Glaciar Serrano. Ali, os passageiros desembarcam para uma trilha de aproximadamente 1 km até o mirante do glaciar. A caminhada é leve, bem sinalizada, e atravessa um bosque nativo de coigües, ñirres e ciruelillos. O visual final, com a Laguna Témpanos e os blocos de gelo flutuando na água, é uma daquelas cenas que ficam gravadas na memória por muito tempo.
O almoço é servido na Estancia Perales, um refúgio patagônico tradicional, com pratos quentes que geralmente incluem cordeiro, salmão ou guisado. No retorno, o barco serve um whisky com gelo milenar do glaciar, um brinde que já virou tradição do passeio.
Custos da navegação:
| Componente | CLP | R$ |
|---|---|---|
| Tour completo (agência) | 179.000 | R$ 976 |
| Gorjeta (opcional) | 5.000 a 10.000 | R$ 27 a R$ 55 |
| Total por pessoa | 179.000 a 189.000 | R$ 976 a R$ 1.031 |
O valor inclui navegação, traslado do hotel ao porto, café da manhã leve (café e biscoitos), almoço completo na estância, whisky com gelo do glaciar e entrada no Parque Nacional Bernardo O’Higgins. O passeio opera de outubro a abril. No inverno, entre maio e setembro, as condições climáticas costumam inviabilizar a navegação.
O que levar: roupa impermeável, proteção contra vento, óculos de sol e protetor solar (a radiação refletida no gelo queima rapidamente). O barco é fechado e aquecido, mas o convés externo é onde as melhores fotos acontecem, e ali o vento castiga.
Cueva del Milodón: viagem ao passado pré-histórico
O Monumento Natural Cueva del Milodón fica a 24 km de Puerto Natales, no sopé do Cerro Benítez. É uma área protegida de 189,5 hectares que abriga três cavernas e várias formações rochosas. A caverna principal é a grande estrela: uma cavidade natural de 30 metros de altura, 80 metros de largura e 200 metros de profundidade.
Em 1896, o explorador alemão Hermann Eberhard encontrou no local pedaços de pele, ossos e fezes fossilizadas de um milodonte (Mylodon darwini), uma preguiça gigante que habitou a região há mais de 10 mil anos. O achado foi sensacional para a época e colocou a caverna no mapa científico mundial. Pesquisas posteriores revelaram que o local também foi habitado por tigres-dentes-de-sabre, cavalos anões e pelos primeiros humanos que chegaram à Patagônia, há cerca de 12 mil anos.
A visita começa pelo centro de interpretação, que exibe réplicas do milodonte e explica a história geológica e paleontológica do local. Depois, uma trilha curta e plana leva até a entrada da caverna principal. Lá dentro, a acústica amplifica cada som, e a luz que entra pela abertura cria um efeito dramático na rocha.
Além da caverna principal, o monumento tem outras trilhas que levam a formações rochosas menores e mirantes do Cerro Benítez. A trilha principal até a Cueva Chica e a Cueva del Medio é curta e fácil, ideal para quem viaja com crianças.
Custos da Cueva del Milodón:
| Componente | CLP | R$ |
|---|---|---|
| Ingresso adulto estrangeiro | 12.000 | R$ 65 |
| Ingresso adolescente estrangeiro (13 a 17 anos) | 6.000 | R$ 33 |
| Crianças até 12 anos | Grátis | Grátis |
| Adulto chileno | 5.500 | R$ 30 |
O ingresso pode ser comprado na hora ou antecipadamente pelo site pasesparques.cl. Na alta temporada, a compra antecipada evita filas. O monumento funciona das 8h às 19h no verão (setembro a abril) e das 9h30 às 18h no inverno (maio a agosto). O último ingresso é sempre 30 minutos antes do fechamento.
Chegar à Cueva del Milodón é simples. Quem está de carro alugado percorre os 24 km pela Ruta 9 e depois pela Y-200, num trajeto de 30 minutos bem sinalizado. Quem depende de transporte público pode pegar ônibus ou táxi em Puerto Natales. Um táxi de ida e volta, com espera de uma hora no local, custa entre 30.000 e 40.000 CLP (R$ 164 a R$ 218), dependendo da negociação. Algumas agências também oferecem o passeio combinado com o Full Day de Torres del Paine, o que costuma ser mais vantajoso do que ir por conta própria.
Cerro Dorotea: a melhor vista da cidade
O Cerro Dorotea é uma trilha que fica a apenas 5 km do centro de Puerto Natales, em terras da Estancia Dorotea, uma propriedade privada que cobra uma pequena taxa de acesso. O cume fica a aproximadamente 800 metros de altitude, e a trilha tem cerca de 3 km de extensão, com 1h30 de subida em ritmo moderado.
A caminhada começa em terreno plano, atravessa pastagens e vai ganhando altitude gradualmente. A metade do percurso entra num bosque de lengas, aquelas árvores patagônicas retorcidas pelo vento. O piso é de terra batida, bem marcado, e a sinalização é suficiente para não se perder. A trilha não exige equipamento especial, mas um bom calçado faz diferença, especialmente nos trechos mais inclinados.
O topo do Cerro Dorotea entrega uma vista de 360 graus que abrange o Fiorde Última Esperanza, a cidade de Puerto Natales, as estepes patagônicas e, ao fundo, o maciço del Paine. Em dias claros, as torres de granito aparecem no horizonte. Condores e águias costumam sobrevoar a área, aproveitando as correntes térmicas.
Custos do Cerro Dorotea:
| Componente | CLP | R$ |
|---|---|---|
| Taxa de acesso (estrangeiro adulto) | 5.000 | R$ 27 |
| Táxi do centro até a entrada (por trecho) | 2.000 a 4.000 | R$ 11 a R$ 22 |
| Tour guiado com traslado e lanche | 40.000 a 60.000 | R$ 218 a R$ 327 |
| Total por conta própria | 9.000 a 13.000 | R$ 49 a R$ 71 |
A trilha pode ser feita por conta própria, sem guia. Basta chegar à entrada da estância, pagar a taxa e seguir a sinalização. É uma excelente opção para um dia livre em Puerto Natales, especialmente no fim da tarde, quando o pôr do sol ilumina o Paine com tons dourados e rosados.
Quem prefere ir com guia encontra agências que oferecem o trekking com traslado do hotel, bastões de caminhada, lanche (chá, café e sanduíche) e acompanhamento de guia credenciado. O valor fica entre 40.000 e 60.000 CLP (R$ 218 a R$ 327) por pessoa.
Parque Nacional Bernardo O’Higgins: além dos glaciares
Muita gente visita o Parque Nacional Bernardo O’Higgins durante a navegação aos glaciares Balmaceda e Serrano sem nem saber que está pisando no maior parque nacional do Chile. Com 3,5 milhões de hectares, ele abrange boa parte dos Campos de Hielo Sur, a terceira maior massa de gelo continental do planeta, atrás apenas da Antártida e da Groenlândia.
Além da navegação clássica, há expedições mais longas que partem de Puerto Natales e sobem o Rio Serrano até o coração do parque. São viagens de dois a três dias, com pernoite em refúgios remotos, navegações entre icebergs e trekking sobre o gelo. Os preços dessas expedições ficam entre 500.000 e 1.000.000 CLP (R$ 2.727 a R$ 5.455) por pessoa e exigem reserva com bastante antecedência. Não é um passeio para todos os bolsos nem para todos os níveis de preparo, mas é, sem dúvida, uma das experiências mais extremas e memoráveis que a região oferece.
Passeios a cavalo pelas estâncias
A cultura das estâncias (fazendas de criação de ovelhas) moldou a história de Puerto Natales, e várias delas abriram as porteiras para o turismo. Os passeios a cavalo são uma forma diferente de explorar a paisagem patagônica, no ritmo dos antigos baqueanos que desbravaram a região.
As cavalgadas duram de 2 horas a um dia inteiro. Percorrem campos abertos, margens de rios, bosques de lenga e sobem colinas com vista para o fiorde e as montanhas. Não é preciso ter experiência prévia. Os cavalos são mansos, bem treinados, e os guias ensinam o básico antes de partir.
Os preços variam conforme a duração e a estância escolhida:
| Duração | CLP | R$ |
|---|---|---|
| Cavalgada de 2 horas | 35.000 a 50.000 | R$ 191 a R$ 273 |
| Cavalgada de meio dia (com lanche) | 60.000 a 80.000 | R$ 327 a R$ 436 |
| Cavalgada de dia inteiro (com almoço) | 90.000 a 130.000 | R$ 491 a R$ 709 |
A maioria das estâncias fica a poucos quilômetros do centro, e o traslado costuma estar incluído no valor do passeio.
Pesca esportiva nos rios e lagos da região
A região de Magallanes é conhecida internacionalmente pela pesca de salmão e truta. Os rios que descem da cordilheira têm águas cristalinas e populações saudáveis de truta marrom e truta arco-íris. A pesca é regulamentada, exige licença (que pode ser comprada em Puerto Natales por cerca de 15.000 CLP, ou R$ 82) e segue a filosofia de captura e soltura na maioria dos operadores.
Os passeios de pesca são privativos ou em pequenos grupos, com guia especializado que conhece os melhores pontos. O equipamento costuma estar incluso. Os valores:
| Modalidade | CLP | R$ |
|---|---|---|
| Meio dia de pesca (com guia e equipamento) | 80.000 a 120.000 | R$ 436 a R$ 655 |
| Dia inteiro de pesca (com almoço) | 150.000 a 200.000 | R$ 818 a R$ 1.090 |
É um passeio caro, mas para quem gosta de pesca esportiva, a Patagônia chilena é um dos melhores cenários do mundo.
Caiaque e canoagem no fiorde e nos rios
Puerto Natales está às margens do Fiorde Última Esperanza, e remar nessas águas é uma experiência que mistura contato direto com a natureza e uma boa dose de aventura. As águas são calmas em boa parte do ano, embora o vento possa dificultar a remada em alguns dias.
Os passeios de caiaque saem da orla da cidade ou de pontos mais afastados. A duração varia de 2 horas a um dia inteiro. Durante o percurso, é comum avistar leões-marinhos, corvos-marinhos e, com sorte, golfinhos. As montanhas nevadas ao fundo completam o cenário.
| Modalidade | CLP | R$ |
|---|---|---|
| Caiaque de 2 a 3 horas | 40.000 a 55.000 | R$ 218 a R$ 300 |
| Caiaque de dia inteiro (com almoço) | 80.000 a 110.000 | R$ 436 a R$ 600 |
Os operadores fornecem todo o equipamento: caiaque, remo, colete salva-vidas e roupa impermeável. Não é preciso ter experiência, mas é bom ter um mínimo de preparo físico.
Bicicleta: pedalando pela orla e arredores
Puerto Natales tem uma orla plana e bem pavimentada, ideal para pedalar. Alugar uma bicicleta e percorrer a Costanera Pedro Montt no fim da tarde, com o vento no rosto e as montanhas no horizonte, é um programa simples e barato.
Várias lojas no centro alugam bicicletas por hora ou por dia. Os valores:
| Modalidade | CLP | R$ |
|---|---|---|
| Aluguel por hora | 3.000 a 5.000 | R$ 16 a R$ 27 |
| Aluguel diário | 15.000 a 25.000 | R$ 82 a R$ 136 |
Algumas agências oferecem tours guiados de bicicleta que vão até os arredores da cidade, passando por estâncias, rios e mirantes. O valor gira em torno de 40.000 a 60.000 CLP (R$ 218 a R$ 327) para um passeio de meio dia.
Observação de fauna: condores, guanacos e pumas
A Patagônia chilena tem uma fauna rica e relativamente fácil de observar. Os guanacos são onipresentes nas estepes que cercam Puerto Natales e dentro de Torres del Paine. São animais curiosos, que muitas vezes param e olham para os visitantes antes de seguir pastando.
Os condores-andinos, com envergadura que pode ultrapassar 3 metros, planam nas correntes térmicas do Cerro Dorotea e das montanhas ao redor. Vê-los voando de perto, com as penas das pontas das asas abertas como dedos, é um espetáculo que não enjoa.
Os pumas são o grande troféu de observação, mas exigem paciência, sorte e, na maioria dos casos, um guia especializado. Dentro de Torres del Paine, a população de pumas é uma das mais densas do mundo. Os avistamentos são mais comuns no inverno e na primavera, quando os guanacos se concentram em áreas mais baixas e os felinos os seguem. Agências especializadas oferecem safáris fotográficos de puma com valores entre 150.000 e 300.000 CLP (R$ 818 a R$ 1.636) por dia.
Como montar o roteiro de natureza ideal
Com tantas opções, a decisão do que fazer depende de três variáveis: tempo disponível, preparo físico e orçamento. A seguir, três sugestões de roteiro para diferentes perfis.
Roteiro leve (3 a 4 dias): ideal para quem não quer trilhas pesadas mas quer ver o melhor da natureza local.
| Dia | Atividade | Custo (R$) |
|---|---|---|
| 1 | Chegada e Cerro Dorotea (tarde) | 71 |
| 2 | Full Day Torres del Paine | 474 a 637 |
| 3 | Navegação Balmaceda e Serrano | 976 a 1.031 |
| 4 | Cueva del Milodón (manhã) e tarde livre na orla | 65 |
| Total de passeios por pessoa | R$ 1.586 a R$ 1.804 |
Roteiro intermediário (5 a 6 dias): inclui o Full Day, a navegação e trilhas por conta própria.
| Dia | Atividade | Custo (R$) |
|---|---|---|
| 1 | Chegada e Cerro Dorotea | 71 |
| 2 | Full Day Torres del Paine | 474 a 637 |
| 3 | Navegação Balmaceda e Serrano | 976 a 1.031 |
| 4 | Cueva del Milodón e cavalgada leve | 256 a 338 |
| 5 | Caiaque no fiorde (manhã) e tarde livre | 218 a 300 |
| 6 | Bicicleta pela orla e arredores | 82 a 136 |
| Total de passeios por pessoa | R$ 2.077 a R$ 2.513 |
Roteiro intenso (7 a 10 dias): para quem quer trilhas de verdade e experiência completa.
| Dia | Atividade | Custo (R$) |
|---|---|---|
| 1 a 5 | Circuito W (com refúgios) | 2.181 a 4.118 |
| 6 | Descanso e recuperação | 0 |
| 7 | Navegação Balmaceda e Serrano | 976 a 1.031 |
| 8 | Cerro Dorotea e Cueva del Milodón | 136 |
| 9 | Cavalgada de dia inteiro ou pesca esportiva | 491 a 1.090 |
| Total de passeios por pessoa | R$ 3.784 a R$ 6.375 |
Recomendações práticas para os passeios de natureza
Algumas dicas que fazem a diferença entre um passeio memorável e um dia de perrengue:
A meteorologia na Patagônia muda em minutos. Um dia que começa com sol radiante pode virar tempestade de vento em meia hora. A regra número um é sair preparado para o pior cenário climático possível, independentemente da previsão do tempo. O site Windguru é uma ferramenta útil para acompanhar a previsão de vento na região.
Os ingressos para Torres del Paine devem ser comprados com antecedência no site pasesparques.cl. Na alta temporada, as vagas diárias se esgotam. Não é possível comprar ingresso na portaria do parque. Tenha o comprovante impresso ou no celular, porque o sinal de internet dentro do parque é praticamente inexistente.
As reservas de refúgios e campings para o Circuito W e O abrem com meses de antecedência. As concessionárias Vertice e Las Torres têm sites próprios onde as reservas podem ser feitas. Janeiro e fevereiro são os meses mais disputados.
Leve dinheiro em espécie. Muitos estabelecimentos dentro dos parques, como pequenos quiosques e campings, não aceitam cartão. A Cueva del Milodón e a entrada do Cerro Dorotea aceitam pagamento em dinheiro e, às vezes, cartão, mas o sinal de máquina pode falhar.
Protetor solar e óculos escuros são itens tão importantes quanto a jaqueta impermeável. A radiação UV na Patagônia é intensa, especialmente perto de água e gelo. Queimaduras de sol em dias frios e nublados são mais comuns do que se imagina.
Respeite os limites do parque. As trilhas são bem sinalizadas e sair delas pode causar erosão e danos à vegetação nativa. A fauna deve ser observada à distância. Alimentar os animais, por mais tentador que pareça quando um guanaco se aproxima, é proibido e prejudicial.
Fazer os passeios de natureza em Puerto Natales é o que transforma a cidade de simples base logística em destino inesquecível. Cada trilha, cada navegação, cada cavalgada revela uma camada diferente da paisagem patagônica. De perto, as torres de granito são ainda mais impressionantes do que nas fotos. Os glaciares estalam como se estivessem vivos. Os condores planam como se o céu fosse deles, e os guanacos pastam com uma serenidade que desconcerta. A Patagônia não é um destino que se consome com pressa. Ela pede tempo, preparo e disposição para o imprevisível. Mas entrega, em troca, uma coleção de imagens e sensações que acompanham o viajante muito depois do retorno.

