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10 Gafes que os Viajantes Cometem ao Viajar na Ásia

Viajar pela Ásia é uma experiência transformadora. É mergulhar em um universo de sabores intensos, paisagens de tirar o fôlego e culturas milenares que desafiam tudo o que a gente considera “normal”. Mas, vamos ser sinceros, essa diferença cultural toda é um campo minado para gafes épicas. O que no Brasil é um gesto de carinho, na Tailândia pode ser uma ofensa. O que é um sinal de “ok”, no Vietnã… bem, melhor nem fazer.

Foto de Ivan Samkov: https://www.pexels.com/pt-br/foto/pessoas-comendo-comida-alimentacao-8951534/

Para te ajudar a navegar por esse oceano de novas etiquetas sem causar um incidente diplomático (ou apenas passar vergonha), preparamos este guia bem-humorado, mas muito sério, com as 10 gafes mais comuns que os viajantes cometem na Ásia. Leia, aprenda e prepare-se para ser o turista exemplar que todo mundo adora.

1. A Saga dos Sapatos: Onde Devo Tirar?

Essa é a regra de ouro número um e, ainda assim, a que mais pega turistas desavisados. Em grande parte da Ásia, especialmente no Japão, Coreia do Sul, Tailândia e em muitos lares e templos por todo o continente, entrar calçado é um erro grave. Sapatos que pisaram na rua são considerados sujos, e trazê-los para dentro de um ambiente limpo, sagrado ou doméstico é um grande desrespeito.

  • A Gafe: Entrar de tênis em um templo, restaurante com tatame ou na casa de alguém.
  • Como Evitar: Simples: olhe para a porta. Se vir uma fileira de sapatos do lado de fora ou um pequeno degrau na entrada (chamado genkan no Japão), é o sinal universal para se descalçar. Em muitos locais, haverá chinelos disponíveis para os visitantes usarem dentro do ambiente. Na dúvida, tire os sapatos. É melhor ficar descalço sem precisar do que ser “o gringo” que sujou o tatame sagrado.

2. A Cabeça Não é Ponto Turístico (e os Pés São Impuros)

No Ocidente, um afago na cabeça de uma criança é um gesto de carinho. Em países com forte influência budista, como a Tailândia, o Laos e o Camboja, a cabeça é considerada a parte mais sagrada do corpo, onde reside o espírito. Tocar na cabeça de alguém, mesmo de leve, é extremamente invasivo e desrespeitoso.

Na outra ponta do corpo, os pés são considerados a parte mais baixa e impura.

  • A Gafe: Fazer um cafuné em uma criança fofinha ou sentar-se de forma que a sola dos seus pés aponte para uma pessoa, uma imagem de Buda ou para a comida na mesa.
  • Como Evitar: Mantenha as mãos longe da cabeça alheia, não importa o quão adorável seja o mini-monge que você encontrou. Ao sentar-se no chão, tente dobrar as pernas sob você ou para o lado. Nunca use os pés para apontar para algo ou alguém.

3. A Guerra dos Pauzinhos (Hashi): Não é Espeto de Churrasco

Usar os famosos pauzinhos, ou hashi, é um desafio para muitos, mas a verdadeira gafe não está na falta de habilidade, e sim no seu uso inadequado. Existem regras de etiqueta muito sérias envolvidas.

  • A Gafe: Espetar os pauzinhos verticalmente em uma tigela de arroz. Este gesto se assemelha a um ritual funerário em que incensos são fincados na areia e é considerado um mau presságio. Outros erros incluem usar os hashi para apontar para pessoas, gesticular com eles na mão ou passá-los de um para o outro como se estivesse brincando de esgrima.
  • Como Evitar: Quando não estiver usando os pauzinhos, coloque-os sobre o descanso apropriado (hashioki) ou deitados na borda do prato. Nunca os espete na comida. E lembre-se: eles são talheres, não brinquedos ou apontadores a laser.

4. Gestos que Dizem o Oposto: O “OK” e o “Vem Cá”

Nossa linguagem corporal é tão natural que nem pensamos nela. Mas na Ásia, um gesto inocente pode ter um significado completamente diferente e, muitas vezes, ofensivo.

  • A Gafe: Fazer o sinal de “OK” (polegar e indicador se tocando) em países como o Brasil é positivo, mas em outros pode ser interpretado como um gesto para “dinheiro” no Japão ou até mesmo algo vulgar. Cruzar os dedos para desejar sorte é um gesto obsceno no Vietnã, referindo-se à genitália feminina. Chamar alguém com o dedo indicador curvado, o nosso “vem cá”, é usado para chamar cachorros em países como as Filipinas e é extremamente depreciativo com pessoas.
  • Como Evitar: Na dúvida, use a comunicação verbal ou gestos mais neutros, como um aceno com a mão inteira. Para chamar um garçom, por exemplo, um contato visual e um leve aceno com a cabeça são mais seguros.

5. A Gorjeta da Discórdia: Dar ou Não Dar?

A questão da gorjeta é um campo minado global, mas na Ásia a confusão é ainda maior. Enquanto nos EUA não dar gorjeta é quase um crime, em alguns países asiáticos, oferecê-la pode ser ofensivo.

  • A Gafe: Insistir em deixar uma gorjeta no Japão. Lá, um bom serviço é considerado o padrão, e a gorjeta pode ser vista como um insulto, como se você estivesse insinuando que o funcionário não ganha o suficiente ou que o serviço não deveria ser bom por si só.
  • Como Evitar: Pesquise a cultura local. No Japão e na China, a gorjeta não é comum e pode ser considerada rude. Em destinos turísticos do Sudeste Asiático, como a Tailândia, a prática está se tornando mais comum em hotéis e restaurantes voltados para estrangeiros, mas não é obrigatória. Na Índia, por outro lado, uma pequena gorjeta é muitas vezes esperada e apreciada.

6. Código de Vestimenta nos Templos: Respeito é a Palavra-Chave

Visitar os templos magníficos é um ponto alto de qualquer viagem à Ásia. Mas esses locais são, antes de tudo, espaços sagrados de adoração.

  • A Gafe: Tentar entrar em um templo budista ou palácio real de shorts, saia curta ou regata.
  • Como Evitar: A regra geral é cobrir ombros e joelhos. Leve sempre um lenço ou sarongue na mochila. Muitos templos populares, como o Grand Palace em Bangkok, alugam ou emprestam roupas adequadas na entrada, mas é sempre melhor estar preparado. Respeitar o código de vestimenta é um sinal claro de respeito pela cultura local.

7. Mão Esquerda, a Mão “Impura”

Em muitas culturas, especialmente na Índia, no Nepal e em países de maioria muçulmana como a Indonésia e a Malásia, a mão esquerda é tradicionalmente reservada para a higiene pessoal.

  • A Gafe: Entregar dinheiro, cumprimentar alguém ou pegar comida com a mão esquerda.
  • Como Evitar: Faça um esforço consciente para usar sempre a mão direita para interações sociais, especialmente para comer (se estiver comendo com as mãos, como é comum na Índia) e para dar ou receber objetos.

8. Negociação e Pechincha: A Arte do Bom Senso

Em muitos mercados de rua do Sudeste Asiático, pechinchar faz parte da cultura e da diversão. No entanto, existe uma linha tênue entre uma negociação amigável e ser desrespeitoso.

  • A Gafe: Pechinchar agressivamente por um item de valor irrisório ou em lojas com preços fixos. Outro erro é concordar com um preço e depois desistir da compra.
  • Como Evitar: Observe os locais. A pechincha é mais comum em mercados e com motoristas de tuk-tuk. Comece oferecendo cerca de metade do preço pedido e vá subindo aos poucos, sempre com um sorriso no rosto. Lembre-se que alguns reais a mais podem não fazer diferença para você, mas podem significar muito para o vendedor. Tenha sensibilidade.

9. Turismo com Animais: Cuidado com as Ciladas

A Ásia oferece encontros incríveis com a vida selvagem, mas infelizmente, muitas atrações populares escondem práticas cruéis.

  • A Gafe: Montar em elefantes, tirar fotos com tigres dopados ou assistir a shows com macacos. Muitas dessas atividades envolvem maus-tratos severos para “treinar” os animais.
  • Como Evitar: Pesquise muito antes de visitar qualquer “santuário”. Opte por centros de resgate éticos e verdadeiros, onde o foco é o bem-estar do animal, e a interação humana é limitada a observação ou, no máximo, alimentação e banho sem montaria. Seu dinheiro de turista tem o poder de apoiar a exploração ou a conservação.

10. Demonstrações Públicas de Afeto: Deixe para o Hotel

Enquanto no Brasil abraçar e beijar em público é comum, em grande parte da Ásia, especialmente em áreas mais conservadoras e locais religiosos, demonstrações de afeto são mal vistas.

  • A Gafe: Trocar beijos apaixonados na fila de um templo ou em um trem lotado no Japão.
  • Como Evitar: Seja discreto. Andar de mãos dadas geralmente é aceitável na maioria das grandes cidades, mas beijos e abraços mais íntimos devem ser reservados para momentos privados. Observar o comportamento dos casais locais é sempre um bom termômetro.

Viajar é sobre se abrir para o novo, e cometer um pequeno deslize cultural não é o fim do mundo. Os asiáticos, em geral, são muito compreensivos com turistas. No entanto, fazer um esforço para entender e respeitar seus costumes mostra que você não é apenas um turista, mas um viajante consciente. E isso, meu amigo, abre portas, gera sorrisos e transforma uma simples viagem em uma conexão verdadeira.

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